Estrela da Tarde
20 Prólogo (Seth)
Notas iniciais
Eu sempre soube que estava marcado para algo diferente. Desde menino.
Era uma sensação crescente, quase como uma antecipação. A cada dia ficava mais forte. Havia dias que eu sentia como se eu estivesse cumprindo um número de horas antes que pudesse chegar ao meu destino real, como se a qualquer momento alguém fosse abrir a porta da minha sala de aula e dizer: “Muito bem, Seth, agora vamos começar o trabalho de verdade”.
Esse suspense em meu peito piorou quando cheguei a adolescência. Por isso resolvi buscar uma explicação, um propósito. Por um tempo, acreditei que minha vocação era ser médico, salvar vidas. Mas a sensação ainda estava ali presente. E se acentuava sempre que eu escutava as lendas da tribo.
Então me tornei um lobisomem. E tudo fez sentido.
Mas ainda não era completo.
Foi quando Anna surgiu na minha vida.
Foi como se eu estivesse cego durante toda a minha existência e finalmente visse a luz. Anna apareceu como um meteoro incandescente incendiando tudo e bastou apenas um olhar, um único olhar, para que eu fosse rendido. Entreguei meu coração e todo o restante sem hesitar. Eu sabia que ela enxergava o imprinting com outros olhos, mas em contrapartida eu não via nada além de mais uma comprovação de que o Criador nos moldara para pertencer um ao outro – de que não importava as circunstâncias, eu era dela tanto quanto ela era minha.
Claro que fazê-la reconhecer isso, conquistá-la para mim, não foi a coisa mais fácil do mundo. No entanto aceitei o desafio como igual.
Mal eu sabia que não era esse o desafio verdadeiro.
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