Estrela Vermelha
1 Estrela Vermelha
Notas iniciais
Por Yukina-chan, setembro/2000.~* Yu Yu Hakusho e seus personagens são propriedade de Yoshihiro Togashi, Jump Comics, Studio Pierrot, Fuji TV e Sueisha*~
Era um coelhinho, era todo cinzento e seus olhos flamejantes, bem vermelhos. Seu corpo era pequeno e delicado, não tinha uma aparência de ser bom em caça ou qualquer outra atividade que exigisse um pouco mais de força ou velocidade, definitivamente, afinal, coelhos não caçam, roubam hortaliças... Mas Hikui era mais que isso, não? Senão fosse assim... Senão fosse assim? O que teria acontecido?Ele adorava uma caçada, principalmente em companhia de sua companheira, a raposinha havia lhe ensinado alguns truques de caça, ela possuía um jeitinho todo especial para lhe dar com algumas situações mais exasperantes que o resmungão arrumava com seu mau humor, às vezes exagerado.Com alguns poucos passos chegou à beirada junto ao abismo, sentou-se. A toca ficava bem escondidinha no alto de uma colina rodeada por algumas árvores e arbustos, tudo para tornar o esconderijo mais seguro. Às vezes aquela parte da floresta poderia ser muito perigosa, lobos e outros animais adoravam uma refeição fácil .Muito melhor naquele lugar... A lua prateada parecia um fio no céu. Seus olhos conseguiram acompanhar um rápido brilho cortando o azul. O que era aquilo? Nunca tinha visto nada assim em lugar algum, mas era bonito, não podia negar...- Hikui... – sussurrou bem no ouvido do coelho.Se não tivesse tanto autocontrole provavelmente teria levado um susto, entretanto ficou imóvel, nem pareceu importar-se, então se sentiu sendo envolto pela raposa. A noite estava fria... Não era para ele estar lá fora. Ainda estava se recuperando de um resfriado, a raposa certamente brigaria por seu descuido.Ambos ficaram em silêncio durante um bom tempo, estava tudo tão agradável que uma conversa ou mesmo palavra poderia estragar todo aquele momento. No momento em que seu parceiro estivera doente a raposa mal teve tempo para sair à procura de alimento de tantos cuidados que seu roedor necessitava.- O que aconteceu? Não deveria estar aqui...- Nada... Não conseguia dormir direito.- Hum... Entendo. – parou olhando em volta – a noite está bonita não acha?- Eu vi um brilho estranho cortando o céu!- Foi? Fez um desejo?- Desejo?- Sim... – sorriu com cara de quem acha tudo uma gracinha – era uma estrela cadente, a gente faz um desejo quando vê uma... Dizem que se realiza...- Você já tentou?- Não... Tente agora!- ... – suas orelhas alongadas moveram com o pensamento – eu dese...- NÃO! Você tem que pensar, não pode contar...- Ah! Está bem...- E não fique na beirada, me enerva, odeio quando você fica aí...A raposa puxou seu parceiro e sentou-se na entrada da toca, aconchegou-o em seu colo. A entrada era pequenina e nela havia muitas plantas, jasmins, flores de cores variadas....O roedor encostou a cabeça no peito quente da raposa...- Desculpe...- Pelo quê?- Por hoje de tarde... Você queria ajudar e eu gritei com você...- Ah! Esquece... Eu nem levei a sério, você estava com “denguinho”... – riu-se um pouco – eu nem escuto o que você diz quando está assim, sabe?- Eu não estava com “denguinho” — repetiu fazendo voz enjoada para imitá-lo.- Estava! Foi por causa da febre, mas agora você já está muito melhor, não é?- Estou... – respondeu mal humorado.- Não se preocupe, eu amo você demais, não ligo para coisas bobas...- Demais quanto? – perguntou em tom brincalhão, emburrado.- Ora... Demais infinitamente...- Infinitamente? Só?- Só? Infinitamente mais, mais, mais, mais, mais... Melhor?- Não sei... – esticou-se pedindo um beijo.O beijo foi lento, doce e carinhoso... O abraço se estreitou entre eles. O calor era tão aconchegante entre os corpos, o pêlo vermelho da raposa reluzia sob a luz quase inexistente da lua, seus olhos dourados como duas pepitas, porém mais preciosos, tão belos e raros naquele momento de extrema doçura e carinho que trocavam com seu coelhinho.- Acho que meu desejo não pode se tornar realidade... – murmurou levantando-se e entrando na toca, escondendo-se no fundo dela.- Aonde vai? Qual desejo? O que está fazendo com as folhinhas do nosso ninho?- Para o ninho. Não posso contar. Estou pondo mais para frente.
- Engraçadinho... Conta o seu desejo!- Fica aqui comigo! Daqui podemos ver o céu... Arredei para nós dois, raposa...- Só se você contar...- Você quem disse que eu não podia contar... Mas certo, eu conto!A raposa enrolou-se com o coelho mais que depressa, sua cauda movimentava-se de um lado para o outro impaciente. Estava morta de curiosidade, o que desejaria seu pequeno roedor?De onde estavam tinham uma ótima vista do céu estrelado. O vento soprava lentamente do lado de fora, apenas uma brisa alcançava os dois.- Pode ver aquela estrela avermelhada? – perguntou a raposa acariciando lentamente a barriguinha do coelho.- Sim... O que tem ela?- Quando vivia só eu sempre olhava para ela e pedia que mudasse a minha vida.- Por quê?- Porque eu vivia muito só! Mas quando eu conheci você... Eu senti uma coisa no meu peito, um calor gostoso e não pude deixar você ir, de jeito algum eu iria querer ficar sem meu pompom...- O que você viu em mim...- Naquele momento... Os olhos... Eram da cor da estrela...- Só por isso?...- De principio posso dizer que foi... Mas eu amo você demais! De verdade!- Ela é vermelha por você?- Não... Uma vez escutei dizer que era um planeta, ele é vermelho!- Planeta?- Depois eu explico melhor... Está muito tarde, acho melhor descansarmos. Amanhã será um dia bem interessante, um passeio poderia fazer muito bem para você, sabia?- Ah! Eu prefiro ficar aqui...- Sol também é vital!- Hn!- O que desejou mesmo?- É impossível... Que fôssemos imortais...A raposa ficou pensativa durante um tempo. Imortais... Para quê? Por outro lado pensando melhor... Viver para sempre do lado de seu coelho seria realmente uma existência maravilhosa. Feliz para todo o sempre...Deu um beijo bem estalado na bochecha do roedor. Abraçou-o com muito amor, que pensamento mais lindo ele teve...Seus olhos ficaram toldados por lágrimas, seus braços apertaram ainda mais seu pequeno parceiro.- Raposa... Está apertando... Não posso respirar assim...- Desculpe, Hikui... Mas que coisa linda você disse... Seríamos muito felizes!- É... Acredito que sim...O coelho riu alto quando as unhas da raposa começaram a provocá-lo, fazendo cócegas em sua barriga...- Pare! Hahaha!... Não faça isso...Smack!!A raposa beijou-lhe bem estalado e parou com sua brincadeira... Não era muito bom ficar fazendo barulho àquela hora, algum animal perigoso poderia estar atrás de comida...- Você... Agora me cansou.- Está bem, está bem... Vamos dormir agora... Certo?Não demorou nada para a raposa adormecer, o roedor permaneceu olhando para o céu, mas especificamente para a estrela vermelha que sua parceira indicara.- Você não se move, porém deve ser capaz de realizar este desejo meu; quero amar esta raposa até o último dia da minha vida...O coelho beijou o rosto de sua raposinha, aninhou-se mais e depois dormiu convicto de que seu desejo seria atendido. Na verdade, acreditava, não na estrela, e sim, no poder que o unia àquela criatura que o aquecia neste instante...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
Fale com o autor