Estrela Solitária

1 As Primeiras Páginas de um Diário


Notas iniciais
Yu Yu Hakusho não me pertence,assim como nenhum de seus personagens ou qualquer produto que se relacione à série.Yoshihiro Togashi,TV Fuji e a editora do mangá são os únicos a lucrar financeiramente nesse lance todo.Apenas Reiko Fujiwara,o personagem original,é de minha autoria.
As Primeiras Páginas de um Diário

Youkais desprezam humanos por vários motivos: pela sua fragilidade física e espiritual, por saberem que despertam o mesmo sentimento neles, por terem sido explorados (e ainda são) pela raça humana, por seus costumes considerados estúpidos, enfim.Isso não é tão grave, afinal, inevitavelmente vamos sempre desprezar alguma coisa.Eu, por exemplo, desprezo alguns professores ignorantes da minha escola.

Mas as coisas fogem ao controle quando a intolerância ganha terreno e se torna ódio.O ódio destrói e mata.Ele destruiu sentimentos familiares (será que existiram?) e matou meus pais.

Meu pai se chama Daruya,um youkai de classe ‘A’,membro do clã Kadaisha (os youkais ainda estão nessa de achar que isso é importante).Minha mãe é Fujiwara Ayumi,uma ex-detetive do Reikai.Eles formaram a combinação ideal,tanto para uma linda estória de amor à la Romeu e Julieta quanto para motivar uma pequena guerra político-racial.

Aos 16 anos,exercendo o cargo de detetive,mamãe foi enviada ao Makai numa missão diplomática (acha isso estranho?Eu também!),conhecendo meu pai durante esta ocorrência,relatada à mim por Koenma de forma nebulosa.

Após quase dois anos de encontros furtivos, ela engravidou e papai lhe propôs que fosse viver com ele no Makai,já que seria impossível a mudança dele para o Ningenkai por causa da barreira que divide os dois mundos.Nesta mesma época, o Reikai, que havia descoberto o relacionamento, movia um processo contra minha mãe por Improbidade Administrativa e Exposição consciente à Miscigenação Perniciosa.

Então, ela aceitou e partiu com papai.Porém, havia um problema bem mais grave: o clã de meu pai, chefiado por sua irmã mais velha (Kendara—um lindo nome para uma fratricida desgraçada), expulsou-o do território, após declará-lo um pária.De acordo com Koenma,minha tia convenceu os demais a deixar que meu pai partisse com vida,entretanto,de algum modo (talvez através de espiões),eles ficaram sabendo sobre mim.

Foi a ‘traição suprema’ que faltava:ele tinha se atrevido a misturar o sangue dos seus à imundície humana,gerando um ser híbrido,indefinido.Kendara não segurou mais a barra,e não sei se ao menos tinha essa intenção.

Eu estava recém-nascida quando nos encontraram.Papai e mamãe foram massacrados por onze youkais de classe ‘A’ e ‘S’.Não duvido que tenham se divertido torturando-os antes de matá-los.Quando penso nisso, não consigo deixar de construir as cenas mentalmente.Não tenho certeza se é melhor saber ou não como foi.Só sei que esses caras devem entender bastante sobre supremacia, mas nada sobre igualdade numérica.

Numa atitude que não compreendi,e talvez jamais compreenda,minha tia me salvou,à revelia dos companheiros.Isso depois de ter assistido o ataque ao irmão passivamente.

Ela contatou Koenma através de um mensageiro,que acompanhado pelo Comandante Otake (o imbecil que denunciou mamãe ao Reikai),foi ao seu encontro.

Ele me contou isso há mais ou menos 1 ano.Na época,pedi que repetisse cada palavra que havia saído da boca daquela mulher.O que ouvi foi o seguinte:

“Meu irmão e a humana que servia ao seu mundo estão mortos.Entregue a filha deles à família materna,e quando crescer,diga-lhe que o Makai é uma terra proibida para ela”.

Koenma pediu explicações,que foram dadas sem a menor emoção.Depois,ela disse mais:

“O nosso povo é um só.Uma criatura que possui dois instintos e duas almas não merece confiança.Fracos e covardes como são,creio que os humanos também não vão querê-la...mas isso não me interessa,porquê aqui ela não tem família.Só estou fazendo um favor”.

Sou muito grata à esta maldita filha-da-puta.Mas um dia,irei ao Makai,porquê tenho curiosidade em conhecer a minha terra e também preciso devolver à altura esta admirável generosidade.Se minha força for proporcional ao meu número de instintos e almas, certamente alguém vai ter problemas.

Meus pais foram mortos com tal violência que não sobrou nada de seus corpos.Não tenho um túmulo para visitar e colocar flores.Só esse desejo incontrolável de fazer alguma coisa, já que a autoridade competente parece incapaz de resolver o problema: os assassinos de minha mãe não podem ser capturados simplesmente porquê não há ninguém que possa fazer isso, pois o Reikai está sem detetive (já me ofereci para o cargo, mas sendo uma híbrida perigosíssima, não correspondo aos requisitos).Mesmo que eu fosse detetive, também não poderia capturá-los, porquê ainda não sou forte o suficiente.

A situação de meu pai é ainda mais revoltante: a morte dele não é nem mencionada no inquérito que foi aberto pelo Reikai,pois sendo um youkai,é como se a vida dele não tivesse importância para ninguém.O que posso esperar dessa gente?Ou será que na verdade devo esperar só de mim mesma?

Koenma faz por mim o máximo que está ao seu alcance.Após entregar-me aos meus avós, ele se comprometeu diante do Reikai a me tutorar enquanto eu viver.Foi graças à isto que consegui permissão para morar no Ningenkai (do contrário,seria atirada de volta ao Makai,mesmo sendo um bebê).No entanto, há condições a serem respeitadas: ele deve entregar à alta cúpula relatórios à respeito de minhas atividades semanalmente,fazer entrevistas estúpidas para verificar minha capacidade psicológica,moral,comportamental e etc.,me lembrar constantemente de que minha vida,dentro de pouco tempo (se levarmos em conta o quanto vive um Youkai),se encherá de limitações e me obrigará ao isolamento,entre outras coisas.

Herdei poderes de produção e manipulação de eletricidade por parte do meu pai, e telecinéticos por parte de minha mãe.Confesso que gosto deles, e quero usá-los de forma construtiva (ao invés de alguns idiotas que usam os seus para se divertir com lutas inúteis), apesar de me causarem muitos problemas devido à sua natureza flexível e instável.

Quando fiz dez anos,Koenma decidiu procurar alguém confiável,que pudesse me ajudar a controlá-los.Desde então,a Mestra Genkai tem me ensinado a lidar com eles.Ela tem muita experiência com youkais e os trata de igual para igual que é maravilhoso.Prefiro mil vezes sua severidade à certos sorrisos.

Bem,meu nome é Fujiwara Reiko,e se não for assassinada à qualquer momento por um bando de youkais xenófobos,viverei muito,muito além dos meus atuais 14 anos.Até mais.