Notas iniciais
Obrigada por lerem!!

☆☆☆

Verão de 1989

☆☆☆ ACAMPAMENTO INTERESTELAR ☆☆☆

17 anos

Eu beijei Scar naquele verão.

Na verdade, eu já havia a beijado muito antes, diversas vezes, de todas as formas possíveis que um garoto poderia beijar uma garota.

Eu estava intoxicada por ela. Completamente corrompido por seus olhos brilhantes e por seus lábios rosados. O que era patético, no mínimo.

— Podemos ir embora, agora?

Ela grunhiu.

— Não.

Cinco minutos se passam.

— E, agora? – Ela me fuzila por cima do ombro, sorrio torto. – Vamos, desista cachinhos. Elas não vão aparecer.

— Meus cálculos não falham. Se você tiver um pouquinho de paciência e...

Ela solta um berro histérico e o binóculo quica em volta do seu pescoço esguio. Já falei do pescoço de Scar? Cara era de matar.

— Rápido, faça um pedido.

Ela fecha os olhos. Eu também deveria fechar, mas só consigo olhá-la como um pateta. A brisa afaga os seus cachos e, estou tão de quatro por ela, que sinto inveja até mesmo do vento por poder tocar naqueles fios encaracolados.

Ela abre os olhos e sorri. Meu sorriso se abre em reflexo ao seu.

— Você não fechou os olhos.

— Não.

A fito sem piscar, porque ela estava linda demais contra o céu noturno. Os olhos castanhos parecendo dois faróis.

— Você já quer ir?

Pigarreio.

— Podemos ficar um pouco mais, se quiser.

Ela acena contente. Seus joelhos se dobram e ela parecia prestes a sentar naquele chão asqueroso, quando minha mão a para.

— Esse chão parece ter sido o cenário de uma disputa de fezes. – Ela torce o nariz. – Você pode sentar na minha cadeira se quiser. – Falo levianamente, como se não tivesse importância, quando, na verdade, eu estava quase gaguejando.

— Você quer dizer com você nela?

— É. Não vou sentar no chão, não sou tão cavalheira a esse ponto.

Ela olha cautelosa para mim, posso ver a dúvida nos seus olhos, mas, por algum tipo de concessão divina, ela senta lentamente sobre as minhas pernas. Rubor tinge as suas bochechas. E é a coisa mais irresistível que eu já vi.

— Você cheira bem melhor do que o chão. – Ela sussurra.

— Fico feliz em saber disso. – Nós rimos como dois bobocas. – Qual é a sua com as estrelas, afinal? Você quer virar astronauta ou algo assim?

— Não! Nem pensar. É, bem, algo bem idiota, na verdade.

— Conte.

— Antes de você aparecer, eu não tinha amigos. Eu era a garota esquecida que sentava na primeira fileira e não tinha ninguém para dividir o lanche. E aquilo me matava sabe. Um dia mamãe me pegou chorando no banheiro, acabei contando tudo, sobre a escola, as garotas que implicavam com o meu cabelo, e o quanto eu queria desesperadamente ter amigos.

Abraço a cintura dela.

— Então, ela disse que eu já tinha e me levou para a varanda. A gente passou a noite conversando com as estrelas, o que, parece meio maluco, eu sei. Mas, na época, foi tudo pra mim. E eu fazia pedidos a cada estrela cadente. Acreditando piamente que iriam se concretizar. – Os lábios dela torcem em um sorrisinho tímido. – E deu certo.

Inclino a cabeça em interrogação.

— Você apareceu. – Meu coração disparo como um cavalo de corrida. – O astronauta que iria me levar até as estrelas. O meu melhor amigo.

Pigarreio ao perceber que eu havia permanecido muito tempo calado. Então, sorrio para aliviar a pressão no meu peito.

— Você ficou caidinha pelos meus olhos.

Ela bufa.

— Inacreditável. Eu aqui abrindo o meu coração e você me manda uma dessas. Palhaço.

Nós rimos e eu deixo a risada dela assentar, para voltar a falar.

— Você também é minha melhor amiga, Scar. Só pra você saber.

Então, acontece. Scar endurece no meu colo, só, naquele momento, notando a nossa proximidade. Seus olhos escorregam até os meus lábios e permanecem ali por tempo o suficiente para fazerem minhas mãos suarem.

— O que você pediu? – Sussurro baixinho sem querer assustá-la.

Ela nega suavemente.

— Não posso contar.

— Por que não?

— Porque eu quero, desesperadamente, que aconteça.

E aquilo é o incentivo necessário de que preciso. Sem hesitar, cubro os seus lábios com os meus, inclino sua cabeça para trás e a atraio contra mim. E puta merda! Como ela era doce.

Morangos. Inocência. Ferocidade. Ela era tudo em uma só e eu podia sentir tudo isso se derramando sobre mim, na forma como seus lábios macios e rosados raspavam contra os meus, em como seus dedos se enroscavam na minha camisa.

Seus lábios se entreabrem e eu esgueiro a língua para provar mais, para surrupiar tudo o que ela esteja disposta a dar. Ela reage me apertando contra si. Como se não tivesse o bastante. Sua língua escorrega contra a minha e eu me desfaço.

Como eu perdi isso por todos esses anos?

Eu não precisava de ar, eu precisava dos lábios de Scar. Precisava das suas mãos no meu cabelo e do seu corpo diminuto envolto no meu como novelo de lã. Ela não estava apenas me beijando, estava injetando oxigênio, dopamina e vida pelas minhas veias. Estava queimando os meus neurônios e incendiando os meus sentidos.

Ela estava me fazendo voar com pernas de araque. Me fazendo flutuar em meio ao caos.

Ela estava me dando luz quando tudo não passava de escuridão.

Notas finais
Bjss e xoxoxo