Estrela
1 Capítulo único - Estrela
Notas iniciais
Estrela
De Dani Tsubasa
— Ainda quer ser uma estrela? – Jerry perguntou enquanto se abraçavam e sorriam na sala de casa, a casa dela.
Ainda era um pouco cedo, mas eles se casariam. Ele a pediria no momento certo.
— Eu passei dias pensando sobre isso depois de tudo que aconteceu. Mas agora... Agora que Los Angeles tem esperança, eu quero prosseguir.
Jerry se afastou para olhá-la e acenar positivamente.
— Dessa vez vai dar certo. E eu vou cuidar de você.
Ele mal podia acreditar no que quase tinha acontecido durante a guerra contra Mickey Cohen. Grace tinha o rosto e o coração mais lindos que ele já tinha visto. Se não tivesse agido a tempo, se tivesse falhado em protegê-la, sabia que teria dado um fim aqueles dois capangas ali mesmo, e talvez posto toda a missão a perder. Já fora suficiente perder Pete, Conwell e Bill.
— Jerry...? – Ela o chamou ao ver seu olhar perdido, e quando ele passou vários segundos em transe sem dizer nada – Você está bem?
— É que às vezes ainda tenho pesadelos com aquela noite. Quando aqueles dois foram atrás de você.
— Eu também. Aquilo foi... Aterrorizante. E me sinto a mulher mais sortuda do mundo por você estar lá – ela falou ao se lembrar de como ele a protegeu e a abraçou no carro quando ela estava apavorada com a possibilidade de ser ferida com ácido ou morta – Mas estamos aqui. Nós dois sobrevivemos e tudo acabou – Grace o lembrou, acalmando-o com um beijo.
Jerry assentiu.
— Então vamos em frente. E eu faço questão de acompanhar você em qualquer teste e proposta de trabalho. Vencemos Cohen. Mas ainda há caras maus por aí.
Ela concordou com um aceno de cabeça.
— E estamos na cidade das estrelas afinal. Você foi feita pra isso, você já é uma estrela. Los Angeles só precisa de um empurrão pra descobrir isso.
Grace riu junto com ele, sentindo o coração inundar de felicidade, algo que pensou que tinha perdido para sempre ao se unir a Cohen.
— Bom... Já que hoje é nosso dia pra celebrar, eu quero perguntar uma coisa. Se você não concordar eu cuidarei sozinho.
— E o que seria?
— Se sente pronta pra ser mãe?
— O que? – Ela riu.
— Eu tenho uma surpresa.
Ele a soltou, indo até a porta do terraço, onde ele a proibira de entrar quando chegaram.
— Ei... Ei! É hora da surpresa, não da soneca. Pelo menos você não estragou a surpresa, amigo – Grace o ouviu dizer falando com algo ou alguém enquanto entrava no terraço.
Seus olhos verdes se iluminaram ao ver o bulldog inglês de Mickey, vivo e saudável, ao contrário do que ela pensava.
— Cão, você está vivo – ela sorriu, se abaixando para brincar com o cachorro, que sorriu e saltitou o quanto seu corpinho gorducho permitiu ao ver Grace – Eu achava que ele o tinha descartado – disse a Jerry.
— Encontramos sozinho na mansão dele. Agora é nosso. Espera aí... O nome dele é Cão?!
— Sim... Ele disse que era um nome forte e amedrontador. E fácil de lembrar. Mas é um filhote. Tem só seis meses, deve se acostumar com outro nome ainda.
— Então temos mais um evento importante pra marcar o dia de hoje – Jerry sorriu.
— Estou gostando de hoje.
Jerry sorriu, concordando com um aceno.
— Você tem algum em mente?
Grace pareceu pensar, seu olhar ficando distante enquanto ainda brincava com o cachorro.
— Algumas pessoas não gostam, mas... Eu acredito que os cães são tão nobres quanto nós, então podem ter qualquer nome – ela disse.
— Eu também penso assim.
— O que você acha de Pete? – Ela perguntou com apreensão.
Os olhos de Jerry marejaram, e por um instante ela se arrependeu de sua sugestão, mas então ele sorriu, respirando fundo para conter sua emoção.
— Ele ia achar isso divertido – disse sorrindo ao se lembrar do garoto – Ele o amaria.
— Me desculpa...
Jerry negou com um aceno de cabeça, sem tirar o sorriso do rosto.
— O novo nome dele é Pete. Está decidido.
Ela se levantou e os dois olharam para Pete, que tinha se esparramado no chão e estava arfando de alegria com sua língua para fora.
— Ei, Pete. O que você achou? – Jerry perguntou, e o cachorro latiu, continuando a sorrir.
— Ele gostou – Grace riu, abraçando-se ao amado.
Jerry sorriu para ela quando olharam novamente um para o outro.
— Quer dar um passeio? – Ele perguntou.
— Daqui a pouco. Vamos ficar aqui por enquanto – ela o puxou para o sofá, onde se sentaram juntos e voltaram a se abraçar.
— Obrigada. Por tudo.
Ele a abraçou mais forte, e os dois ficaram ali acariciando os cabelos um do outro. Jerry beijou sua bochecha e ela se moveu para beijá-lo nos lábios, demoradamente, enquanto ouviam Pete caminhar pela sala, se familiarizando com a nova casa.
— Por favor, fique comigo pra sempre – ele sussurrou, ainda de olhos fechados, percebendo que ela sorria pela mudança em sua respiração.
— Eu não vou largar mais de você. Eu sou persistente.
Ele riu baixinho.
— Eu percebi. Ei... – Jerry olhou para Pete quando o cachorro pulou para pôr as patas em seus joelhos.
— Acho que ele quer ir lá fora.
— Então vamos adiantar nosso passeio – Jerry a beijou mais uma vez antes de se levantar e estender a mão para ajuda-la a fazer o mesmo.
Enquanto colocavam a coleira em Pete, ele admirou como sua namorada estava bela em seu vestido azul claro, muito mais delicado do que os que ela costumava usar na companhia de Mickey Cohen, e num contraste bonito com as roupas brancas que ele estava usando agora.
— Vamos sair por essa porta pra dar o primeiro passeio tranquilo do primeiro dia tranquilo da nossa nova vida – Jerry comentou enquanto saíam e trancavam a casa.
— Você fala coisas bonitas quando está feliz. Eu amo isso em você – Grace sorriu – Nunca pensei que quando chegasse aqui eu teria alguém... Não assim, não agora, e não um policial. E um policial tão doce.
Ele riu.
— Eu nem sempre respondo por mim quando fazem mal a aqueles com quem me importo, mas sempre tento evitar a parte mais pesada do trabalho quando é possível. A guerra nunca é boa, mesmo quando é necessária. Que bom que eu achei você pra me manter vivo nela.
O sorriso de Grace aumentou, irradiando em seus olhos verdes amendoados, e deixando-a ainda mais linda enquanto seus cabelos ruivos brilhavam ao sol.
— Eu posso dizer o mesmo.
Ela o beijou mais uma vez antes de se enlaçarem no braço um do outro e começarem a caminhar com Pete pelo quarteirão.
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