Notas iniciais
minha primeira fic, espero que gostem (:

December 21th, 2012. Atlanta, GA – EUA.

Dezembro. Tudo o que já estava frio, tornava-se ainda mais com a chegada do inverno. Me encontro na janela observando a neve cair, fazendo um retrospecto desse ano. Quer dizer, não poderia ser considerado um retrospecto, pois era algo que mesmo que eu não quisesse, pensaria do mesmo jeito. Tanta coisa que poderia ter acontecido, tanta coisa que poderia ter mudado. E mudou. Ultimamente, estou viva apenas por doses de nostalgia. Respirar agora não me parece necessidade, e sim tão opcional. De que adianta respirar, estando morta por dentro? De que adianta ter vida, sentindo-se tão incapaz de viver e seguir em frente? Era completamente uma ironia do destino.

Sentia-me incapaz de odiá-lo. Apesar de todos os apesares, era como se tudo de ruim que aconteceu fosse apenas uma ilusão. Era como se essa ferida que esteve em meu peito por meses atrás, nunca tivesse existido. Não sei se eu era uma idiota ao pensar assim, como se não houvesse amor próprio. Flashbacks invadem minha mente o tempo todo, a saudade é absurda. E a tal da nostalgia citada acima, é uma baita filha de uma puta.


December 13th, 2011. Atlanta, GA – EUA.

Felicidade era a palavra que definia a minha vida e a de Justin nessas ultimas semanas. Finalmente compramos nosso apartamento e iríamos morar juntos. Era um passo tão grande a ser dado, mas também era um grande sonho realizado. Sempre fomos muito independentes, e essa conquista era indiscutivelmente incrível.

– Savannah, vem aqui. – estava dando uma boa olhada no apartamento até o Justin gritar para ir até ele. Ele e essa mania de gritar, nunca vi igual. – Agora fecha os olhos.

– Pra que Justin? Mal nos mudamos e já quer me matar pra ficar com o apartamento? – fiz graça e ele me olhou com uma cara inacreditável.

– Haha, engraçadinha. Fica quieta e me obedece amor, vai. – fechei os olhos como ele mandou, e fui sendo guiada. – Agora pode abrir. – assim que ele parou, me abraçou por trás e falou com uma voz bem rouca no pé do ouvido. Abri os olhos, e estava completamente surpresa. Nossa varanda tinha uma vista ampla, e estávamos sendo contemplados com um lindo pôr do sol.

– Gostou? – ele me perguntou de um jeito tão doce, tão calmo.

– Amei Justin, é lindo amor. – me virei e fiquei encarando seu rosto. Como Deus conseguiu criar ele? Cada traço seu tinha uma perfeição incrível. Sua pele era completamente lisa, sem falhas. Seus olhos tinham um brilho incomum, tinham a capacidade de ser hipnotizantes. Seu sorriso, hora irônico, hora sem graça, hora apaixonante... Era simplesmente o mais lindo que eu já tinha visto na vida. Sem falar nos sinais que ele tinha no rosto, um perto do olho e um perto da boca. Eu sempre me perdia olhando pro seu rosto, sempre. Acredito que poderia passar horas e horas só olhando pra ele e nunca cansaria.

– Savannah? Ta tudo bem? – ele nunca se acostumava com o fato de que eu sempre me perdia nos seus olhos. Eu sempre me perdia nele.

– Ta... Ta tudo ótimo. Eu só tava tendo a confirmação do quanto Deus foi irrevogavelmente bondoso com você.

– Hã? Do que você ta falando?

– Esquece, amor. Esquece. Só fica calado e me beija. – e foi exatamente o que ele fez.


July 07th, 2012. Atlanta, GA – EUA.

Quanta bobagem, tudo o que se falou, me olho no espelho, e já nem sei mais quem sou [...]

1 ano e 7 meses de casamento. 1 ANO E 7 MESES! Era o que eu e Justin completávamos hoje. Sinceramente, eu não sei como ainda estávamos juntos. Brigávamos muito e discutíamos por qualquer besteira. Dizem que os opostos se atraem, o que parecia fazer sentido. Éramos completamente diferentes. Ele era tão imperfeitamente meu, que se tornava perfeito e feito completamente e exclusivamente pra mim.

Saí mais cedo do trabalho pra preparar uma surpresa pro nosso aniversário, hoje seria diferente. Com direito a um jantar com tudo o que ele gosta, velas e pétalas de rosas azuis espalhadas pela casa. Sim, azuis. São lindas, únicas e fogem completamente do padrão segundo Justin.

Peguei várias cartas ao passar na portaria, inclusive várias fotos nossas que tinha mandado revelar, cada uma recordava um momento importante. Espalharia todas pela casa.

Será tão frágil, nossa ligação? [...]

Cheguei mais cedo do trabalho pra preparar tudo, queria que fosse especial. Sabia que pela hora ele não estaria em casa, e teria tempo pro que eu desejava fazer. Hoje tinha um sorriso bobo em meu rosto.

O mesmo sumiu, assim que abri a porta do apartamento e dei de cara com ele e uma mulher no sofá, nus. Pelo visto, ele também não esperava me encontrar em casa, tamanha foi sua surpresa.

– Desculpem, podem continuar o que estavam fazendo. Finjam que eu nem estive aqui. – sai e fechei a porta com tudo. As lágrimas começaram a rolar livres pelo meu rosto. Como ele pode fazer isso? Na nossa casa, no dia do nosso aniversário de casamento? Chamei o elevador desesperadamente e nada. Sabia que ele viria atrás de mim, e eu não queria ficar pra ver. Corri e comecei a descer as escadas.

– Savannah, me espera! Vem cá amor. Para de correr, caralho! – era ele. Cada vez que ele gritava, mais eu corria.

– Seu... seu idiota imundo! Quer que eu fique pra ver o showzinho de vocês? Como teve coragem Justin? Ainda mais na nossa casa! – gritei de volta, e joguei todas as nossas fotos pra cima. Aos poucos, elas foram caindo na escadaria. Como se cada momento que tivéssemos passado estivesse caindo na nossa frente, aos nossos olhos. Como se nada tivesse valido a pena. 1 ano e 7 meses (só de casamento) jogados ao vento, assim como as fotos.

Falsas promessas, erros tão banais, mas ninguém cede nem pensa em voltar atrás [...]

Então era tudo falso? Todas as promessas, todas as juras de amor, todos os planos, todas as palavras ditas? Era isso, éramos um nada todo esse tempo? Minha cabeça explodia em probabilidades, e acima de tudo querendo uma explicação pra tudo isso que estava acontecendo. Se é que tinha explicação.

Cheguei à rua já procurando um táxi, queria ao máximo fugir daquele lugar. Eu só queria sair dali, e que o que eu tivesse visto também ficasse preso no mesmo lugar.

– Savannah! Não vai embora, a gente tem que conversar! – senti Justin puxando meu braço, eu não queria olhar pra sua cara. Não queria ter que olhar naqueles olhos convidativos. Porque eu sabia que a partir do momento que eu olhasse pra ele, eu ficaria fraca, eu provavelmente cederia a uma explicação. E tudo o que eu queria era fugir dele.

– Me solta, só me solta. – puxei meu braço de volta, e senti ele se aproximar, apenas esperando alguma reação minha. Tomei coragem, e olhei em seus olhos. Nesse momento, estavam tristes, frios. Apesar de toda a burrada que ele cometeu, meu coração deu um salto de dor ao ver seus olhos daquele jeito: perdidos. Mas eu não podia me deixar levar, eu não podia. – Eu não quero ouvir o que você tem pra me falar, nem agora e nem nunca mais. Se põe no meu lugar! Como você acha que estaria se sentindo ao entrar em casa e me ver com outro, no sofá da nossa casa, completamente nus. Me diz Justin, me diz!

Ele ficou calado, apenas olhou pra baixo. Suspirei. Era disso que eu tinha mais medo: de que ele não tivesse nenhuma explicação a me dar.

– Como eu imaginava você não tem nada a me dizer, não é mesmo? Sinceramente, eu nunca pensei que você fosse tão baixo, tão sujo, a ponto de fazer o que você fez. Eu to me sentindo um lixo Justin, um lixo!

– Savannah... – ele tocou no meu braço, e eu me afastei. Não esperei ele continuar, um táxi parou e finalmente eu entrei no mesmo. Ele começou a bater na janela e a gritar, e eu ignorei. Nesse momento, tudo o que me pertencia era chorar. Eu não olhei mais pra ele, não conseguia mais me perder nele. Mas havia uma coisa que tinha se perdido no meio do caminho: nós.

O táxi começou a andar, e do nada houve uma freada brusca, que me obrigou a olhar pra frente. Mesmo com a vista embaçada por causa das lágrimas que insistiam em cair, eu sempre reconheceria a pessoa que estava caída no chão. Era Justin.


July 09th, 2012. Atlanta, GA – EUA.

Não tem que ser assim, tanto desencontro, mágoa e dor, pra quê que a gente tem que se arriscar ? [...]

Faziam 2 dias que ele estava no hospital, internado, em coma. Depois que entrei no carro e o mesmo deu partida, Justin saiu correndo pra acompanhar o táxi pra me impedir de ir embora. Veio um carro na contramão e o atingiu em cheio. Apesar de tudo, eu só queria que ele saísse logo daquela sala com aquele sorriso que só ele tinha. E sim, eu me sentia culpada pelo o que tinha acontecido. Porque eu não podia escutá-lo? Porque eu tinha que ir embora precipitadamente? Porque a gente só pensa na merda depois de feita?

Mal consigo comer, não saio do hospital. Tudo o que eu comia, eu colocava pra fora. Fora esse âmbito de hospital que me deixa bastante enjoada. Esperava o médico sempre dar uma boa notícia, mas isso nunca acontecia, simplesmente dizia que pelo acidente ter sido grave, iria demorar um pouco pra ele acordar. Se acordasse. Eu já não tinha mais lágrimas pra derramar. Durante esses 2 dias, tudo o que eu mais fiz foi chorar e pedir pra Deus que não o levasse, que eu tinha muito que brigar com ele por estar me deixando preocupada desse jeito. Porque ele não acorda logo? Porque ele não vem ficar comigo? Era tudo o que eu pensava.

O médico estava passando no corredor, e como sempre eu corria até ele questionando sobre notícias do Justin.

– Doutor? Então, como ele está?

– Hm, Savannah certo? – confirmei com a cabeça. – Bom Savannah, o quadro do paciente continua estável. Ele permanece em coma, sem sinal de melhora. Mas também não piorou. Foi um acidente grave como você deve saber.

– E eu posso vê-lo?

– Pode, mas não pode ser por muito tempo certo?

– Obrigada doutor.

Agradeci e fomos até o quarto onde o Justin estava. Naquele momento, um choque passou pelo meu corpo inteiro. Nunca imaginei que veria o Justin nesse estado, completamente envolto por máquinas e fios espalhados por todo o seu corpo. Sua cabeça também estava enfaixada. Fui me aproximando lentamente da cama dele, suspirei. Como eu me sentia culpada com tudo isso. Sua pele estava completamente pálida, sem vida alguma. Seus lábios que são bem rosados, estavam brancos e gélidos. Peguei em sua mão e apertei, tentando algum sinal de movimento da sua parte.

Então volta pra mim, deixa o tempo curar esse estranho jeito de amar [...]

– Oi meu amor, sou eu, Savannah. – comecei a conversar com ele e ao mesmo tempo fazendo carinho na sua mão, tendo esperança de que ele pudesse me ouvir e acordasse desse pesadelo. – Não sei se você espera que eu esteja aqui, mas eu estou. Eu sempre estive, não é? Todos esses anos. Eu não sei se você se lembra como a gente se conheceu, será que lembra? Na fila de uma lanchonete. Eu derrubei todo o meu suco na sua camisa branca, e você foi super grosso comigo. Depois disso, o destino tratou de agir, te colocando como amigo do namorado na minha melhor amiga. Não acreditamos quando nos encontramos de novo, e logo ficamos de mau humor. Você era irritante, mas mesmo assim eu reparei nos seus olhos, no seu sorriso e nos sinais que você tem perto do olho e da boca, pelo qual eu sou apaixonada. Já te contei da minha paixão platônica pelos sinais que você tem? Pois é. Depois disso, saíamos cada vez mais, e o julgamento que tínhamos um do outro foi sumindo aos poucos, dando lugar a um sentimento que de início nem sabíamos o que era, mas sabíamos que era forte o suficiente pra que você organizasse um mini Flash Mob e me pedisse em namoro na mesma lanchonete em que nos conhecemos. Também não sei se eu te disse, mas foi um dos dias mais felizes da minha vida. Desde então, somos esse casal confuso e imperfeito. 4 anos e 2 meses de relacionamento, 1 ano e 7 meses de casados. Claro que tínhamos nossas brigas e discussões, mas nada que um beijo que pudesse nos fazer parar de falar besteira. Já perdi as contas dos dias em que ficava te olhando dormir, pensando em como pode existir alguém tão lindo assim, por dentro e por fora. Seu cabelo bagunçado sempre te deu um ar de despreocupado e sexy, e eu bem sei que você amava quando eu fazia cafuné em você, mesmo que eu bagunçasse seu cabelo inteiro. Eu ainda acho que você é um anjo, que acabou se perdendo nesse plano aqui embaixo. Então, meu amor, eu só queria te dizer que foi Deus que me deu você de presente, e eu agradeço a ele infinitamente por isso. Por você ser tão perfeitamente imperfeito pra mim. E que o que aconteceu, passou. Eu te perdoo. Eu só queria te pedir uma coisa: volta pra mim? Volta logo pra mim? Eu não to pronta pra te perder. Eu não to pronta pra te deixar ir embora da minha vida. A gente ainda tem muito o que viver juntos. A gente ainda tem muita coisa pra enfrentar. Então, por favor, volta logo pra mim e me dá aquele sorriso de ‘bom dia’ que só você sabe dar? Volta logo pra brigar comigo por ser tão chata e implicante? Volta logo pra me dizer que eu demoro demais me arrumando? Por favor, só volta. Eu te amo. – fui e dei um leve beijo em seus lábios.

Vou te amando e me frustrando e sobrevivendo por um fio, mas tô aqui, sem desistir, volta pra mim [...]

Do nada, uma máquina começou a fazer um barulho extremamente irritante, e houve uma movimentação grande na UTI. Eu comecei a gritar e a chorar, querendo saber o que estava acontecendo, mas ninguém me respondia, só me tiraram a força da sala. Eu não estava entendendo nada, eu só queria ficar perto dele. Eu só queria ficar com ele.

Depois de 37 minutos passados, os médicos saíram da sala. Eu já sabia que tinha acontecido algo, e tudo se confirmou quando olhei pra eles, e eles disseram que eu tinha que ser forte. Só com essa frase, eu já tinha entendido tudo. Ele não tinha resistido. Ele tinha ido embora. Ele tinha me deixado. Desabei em lágrimas mais uma vez, não querendo acreditar do que estava acontecendo comigo. Como iria ser daqui pra frente? Sem o meu Justin... Até que eu desmaiei e não consigo me recordar de mais nada.

December 21th, 2012. Atlanta, GA – EUA.

Fazem 5 meses que Justin não está mais aqui.Me recordo de tudo o que eu lhe disse no hospital até hoje. Parecia que aquilo tinha sido uma despedida, e que ele só estava esperando que eu o perdoasse pra poder ir em paz.

A cada dia a saudade se faz mais presente, cada canto da nossa casa me lembra ele. Seu cheiro ainda permanece em todos os lugares. E agora, tenho um pedacinho dele dentro de mim. O que eu achava que eram apenas simples sintomas por estar no hospital e não gostar do ambiente, na verdade eram sintomas de gravidez. Estou grávida de 6 meses, quando estava no hospital já estava com 1 mês e nem pensava nessa possibilidade. O sonho dele sempre foi ser pai, e ele sempre sonhava que seria um menino. E eu pude realizar esse sonho dele. É um menino, nosso menino.

Minha barriga já estava enorme, e a cada vez que se falava o nome do Justin, ele chutava. Era como se ele sentisse a presença do pai. E toda vez eu me emocionava.

Às vezes, sinto como se ele não tivesse ido embora. Parece que a qualquer momento ele vai entrar nessa casa, cansado do trabalho, e mesmo assim iria vir me mimar. É como se ele estivesse comigo o tempo todo. E eu sei que está. Hoje, o vazio ainda existe dentro de mim, mas está bem menor, graças a esse anjinho que eu carrego dentro de mim. O sonho dele, um pedaço do Justin, um pedaço nosso, unido.

Então volta pra mim, deixa o tempo curar, esse estranho jeito de amar [...]


Notas finais
gostaram? odiaram? pelo amor de Deus, me digam o que vocês acharam :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!