Estranho Coração
13 Vamos começar a fazer o certo dessa vez
Notas iniciais
Depois de horas no hospital, conversando com Vinícius e seus pais, Aiko voltou para casa pensando em como estava feliz por ter resolvido seus problemas com Vinicius, embora estivesse um pouco triste com a doença de Vinícius.
Decidiu ir andando, não queria passar pelo distrito industrial, ele não gostava daquele lugar, e assim ele poderia passar pelo parque, no lugar onde conheceu Vinícius. O céu estava claro, sem nenhuma nuvem e o sol estava brilhando forte, embora fosse já 14h da tarde. Aiko estava faminto só havia comido de manhã.
Logo chegou ao parque e comprou um cachorro quente que estava delicioso, tinha tudo e mais um pouco. Ele se sentiu cheio com o que havia comido, preferiu se sentar em uma sombra para relaxar um pouco, não parecia ser tão longe a sua casa do hospital, mas foi uma longa caminhada.
Uma árvore que desafiava a gravidade, alta como uma casa e com galhos extensos que podia bloqueavam o sol, era a árvore central, a mais antiga da cidade. Suas folhas eram pequenas, mas em grande quantidade e quando chegava o inverno elas caiam e deixavam vez ou outro o sol tentar encostar no solo. Mas era verão e o sol lutava contra as folhas para penetrar ao solo, vez ou outro vencia, por conta do balançar dos galhos.
Aiko se sentou por ali, no chão encostou sua cabeça em uma das raízes e ficou ali por um tempo, fechou os olhos e pode até sonhar.
– Aiko acorda! – Disse Alexander.
– O que você quer? – Alexander estava com uma camisa xadrez e short jeans, sua pele combinava com o sol forte. Parecia alguém a ser desejado.
– Eu quero conversar com você. – uma pausa surgiu. Aiko olhou ele com uma cara de desconfiança. – Eu sei que você visitou Vinícius, eu não sei o que ele disse sobre mim, mas eu quero dizer que te amo e não quero te machucar, eu quero você para todo o sempre comigo, eu não posso pensar em algo sem você, eu só desejo você e mais ninguém.
– Não foi isso que eu vi a alguns dias atrás no sofá de casa.
– Aquilo não foi eu. Não sei explicar o que aconteceu eu fui fraco.
– As pessoas fazem o que elas querem fazer e nada mais, todo mundo sente desejo, mas nós escolhemos se somos animas e levados pela emoção ou se somos humanos e levados pela razão. Não gosto de zoofilia.
Aiko saiu andando, sem olhar para trás, mas com o coração levemente machucado, afinal ele teve uma história com Alexander, não é fácil apagar isso tão rápido.
– Aiko ele vai te magoar, ele já fez isso com outras pessoas, eu vi que ele pode ser uma pessoa ruim, se hoje ele tem câncer é por conta do passado dele...
Aiko caminhava para sair do parque e viu que Alexander seguia ele, afinal Alexander não fez questão de disfarçar. Isso não era algo que ele se importava, afinal ele viu como o dia estava bonito e como o sol brilhava as árvores estava com o tom verde primavera, embora já estivesse no final do verão.
O pequeno lago no final do parque era um ponto que ele gostava de ficar olhando, mas não queria ficar parado, por conta de Alexander, ele queria se livrar dele logo, então acelerou o passo, mas sem perder a beleza do caminho.
Um pouco antes da saída do parque se podia ver aquele majestoso prédio branco, com detalhes que lembrava construções antes da II guerra, em paris, delicadeza e elegância com cantos bem feitos, e as árvores com troncos brancos e folhas verdes subiam e cobriam boa parte do prédio e deixava a rua com uma aparência linda. Um pequeno paraíso para os urbanistas.
— Aiko me espera, eu quero conversar com você...
Alexander era insistente, mas Aiko estava firme, já havia passado por muita coisa em pouco tempo, ele queria se prender a algo, algo que não fugisse, algo firme como uma pedra. Aiko encostou no portão cinza do prédio respirou.
— Pare com isso, eu não quero ficar com você... Eu gostei muito de você, mas você desperdiçou sua oportunidade, você e o Gabriel fizeram isso jogaram tudo pra cima como se eu não importasse. Por que você não vai atrás dele, do Gabriel, acho que vai funcionar.
Aiko parecia firme, mas só estava mais confuso, tão confuso que não sabiam o que pensar. As vezes ele não pensava em nada, por que se tivesse apenas um pensamento, seria uma metralhadora.
— Eu não quero outra pessoa, eu quero você... – uma pausa com lágrimas de Alexander – Eu desejo apenas te fazer feliz, eu falhei aquela vez, não me julgue por um erro que fiz, e os acertos que tive com você não conta? Quando eu cuidei de você, ontem como nosso passeio foi tão especial, você não vai ter isso com outra pessoa.
— É verdade talvez eu não tenha isso com outra pessoa, mas eu preciso pensar em como vou ficar sabendo que você preferiu outro, que já me machucou tantas outras vezes e que a qualquer momento você pode fazer isso outra vez. O que você quebrou foi a confiança e isso não se reconstruí, pode até ser remendado, mas nunca será como antes e não quero viver toda hora desconfiando de você. Nós somos novos você vai encontrar outra pessoa, três dias isso passa...
Aiko olhou mais uma vez nos olhos de Alexander e disse.
— Um dia legal seria estar em minha casa, um apartamento mesmo, não precisa ser grande, mas que tenha uma cozinha grande e uma sala bonita. Um cachorro pequeno tipo um bulldog e eu estar em casa, jogado no sofá, tomando um chá preto, feito na índia, depois de um longo dia de trabalho. Pensando em como estou cansado do trabalho, mas estou feliz por estar sem fazer nada, naquele momento. Então a porta abre e um sorriso junto ao um boa noite enche toda a casa com alegria. Não é você que abre a porta. Desculpa!
Aiko entrou e fechou o portão na cara de Alexander que estava chorando, seu rosto todo vermelho e repleto de lágrimas, isso partia o coração de Aiko, ele queria ir abraçar Alexander e mostrar que tudo ia dar certo, mas não podia fazer isso ele tinha algo novo e especial começando, uma nova vida com uma nova pessoa, não podia ficar se maltratando, dessa vez ele tem que pensar mais nele mesmo e ser mais maduro. Talvez seja o choque de ter uma vida finita que tenha feito ele amadurecer tão rápido, mas algo está mudando em seu ser.
O apartamento estava com tanta luz nesse horário. Aiko contou para sua mãe como Vinícius estava, o que havia acontecido com ele, mas que estava tudo bem, contou sobre sua decisão com Alexander.
— Filhou eu não vou me envolver na sua vida, você tem que fazer suas próprias escolhas e eu estarei aqui pra qualquer coisa, tudo bem?
Aiko foi para seu quarto ele precisava estudar para física, afinal ele ainda era estudante.
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