Estranho Coração
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Calor sufocante
Já faz uma semana que não vejo Alexander, estou preocupado com ele, embora não tivesse que estar.
Gabriel hoje veio em minha casa, ele não fica aqui por mais de 5 dias, tem que voltar para sua casa, e não preocupa seus pais.
***
Os dois últimos dias foram os melhores, mas os piores também. Gabriel me levou para a praia, andamos e nadamos, fomos felizes até que um homem apareceu e começou a gritar conosco, dizendo que era errado e que nós estávamos condenados ao inferno. Outros dois apareceram e tentaram bater em nós, fugimos dali.
Cheguei em casa e comecei a chorar, não queria que Gabriel se machucasse por minha culpa. Isso era errado e mesmo se não fosse, eu podia acabar ferindo ele só de estar tentando fazê-lo feliz. Por que não posso acordar e estar em lugar feliz, onde todos são mais compreensivos.
Estávamos em meu quarto, deitados na cama então eu disse:
- acho que devemos terminar. – minha voz saiu seca, sem muitas emoções.
- porque acha isso? – ele me olhou, com medo.
- veja tudo o que aconteceu conosco hoje, você quase apanhou. Eu me odeio por isso – não sabia o que doía mais, dizer aquelas palavras ou lembrar do ocorrido.
- não importa o que aconteça, eu sempre estarei junto a ti, eu te amo muito – ele colocou sua mão em meu rosto, e me olhou nos olhos – nada vai acontecer com você. Nunca vou deixar você, mesmo que me implore por isto.
- e se eu implorasse por isto. – fui surpreendido, por uma voz que veio da porta do quarto, era Alexander. – eu o desejo mais do que tudo, daria qualquer coisa para ter você ao meu lado...
Gabriel se levantou e foi para cima de Alexander, onde começou a bater nele. Eu fui tentar separar os dois, mas Gabriel era forte, então eu o empurrei com força contra a parede.
- chega! – eu gritei – vocês não são crianças, eu to cansado disso ta bom. Agora saiam daqui quero ficar sozinho.
- isso mesmo, saia daqui Alexander. – olhei para Gabriel, e o encarei, até que ele entendeu e saiu junto de Alexander.
Bati a porta, e me joguei na cama. Coloquei Clarisse do legião urbana e comecei a curtir uma fossa em paz. Peguei meu livro de energias místicas e comecei a ler e viajar. O tempo passava de maneira estranha quando fazia isso,parecia parar, mas ao mesmo tempo correr.
Eu me sinto mais forte, mas ao mesmo tempo vazio. De repente parecia que estava voando, mas meu corpo estava na cama ainda. Então ouvi barulhos vindos do armário, como estouros de vidros. E um vento forte entrou pela janela, os livros da prateleira caíram, a imagem de Buda se espatifou no chão. Meu globo de plasma caiu deixando mais cacos no chão.
A porta se trancou sozinha, e os meninos começaram a bater e gritar.
-abra a porta. O que esta havendo ai ?
Eu parei e olhei toda aquele confusão, e pude ver um luz, um pequeno ponto brilhante na direção do armário, onde a porta se abriu e vi que os potes de morangos estavam quebrados e caídos, o molho especial para adoçá-los estavam derramados.
A luz sumiu e o vento soprou ao contrario, e de repente tudo estava voltando ao lugar certo os cacos tudo voltou.
Eu me deitei na cama fechei os olhos as batidas na porta pararam com a abertura da porta.
- o que houve aqui ? – Alexander perguntou.
- e o que é essa gosma nojenta – Gabriel disse olhando para o chão do aramario.
Alexander estava ajoelhado ao meu lado, olhando meus olhos e acariciando meus cabelos, seu toque era diferente era especial.
- você esta bem? – ele me disse com uma voz rouca e suave. – fiquei preocupado com você.
- e-eu to bem... – eu disse envergonhado por estar corado com seu toque.
Eu levantei e olhei no armário, tudo estava sujo e cheio do liquido doce, e o quarto estava com cheiro de morango e mel.
- por que ouvimos todos aqueles barulhos de coisas quebrando? — quase não ouvi sua voz, estava mais concentrado em olhar nos olhos escuros de Alexander.
- eu não posso explicar. – eu disse quase que sussurrando.
Todos saíram do meu quarto, mas só eu sabia o que havia acontecido, a duvida estava no ar ainda.
No meio da noite Alexander veio no meu quarto, se deitou olhando pra meus olhos e disse:
- eu sei o que aconteceu aqui, mas não vou dizer nada a ninguém. – ele me encarava com os olhos fixos nos meus.
- por que seus olhos brilham ao me olhar? – eu perguntei – o que você quer de mim? – tantas perguntas para uma única boca.
- eu te amo, só sei que eu gosto de você desde o momento que eu ti vi. – ele fez uma pausa e me deu um sorriso de canto – eu só quero que você domine todo o meu corpo, quero ser seu escravo.
Eu queria ouvir aquilo, sabia tudo sobre escravo sexual, era o meu sonho ter um, e aquele que eu ganhei foi a melhor coisa que poderia ter, mas eu já tinha alguém, que me dava prazer como eu queria, mas as vezes eu queria ter um prazer diferente, as vezes...
- eu sei o que você quer. – como ele poderia saber o que eu quero, quem ele pensa que eu sou, alguém fácil de decifrar? – você quer ouvir alguém gemer de dor, dominar alguém, mas ao mesmo tempo dar todo o prazer que ela quer sentir.
- como... você sabe... e-eu. – ele me interrompeu.
- eu sei tudo sobre você afinal, sempre que você vem aqui, estudo seus comportamentos.- como ele podia saber de meus gostos mais secretos – eu sei que as vezes você deseja ter alguém dentro de você.
Como aquele garoto desconhecido, podia me conhecer tão bem, quanto eu mesmo, saber de minha vontades mais secretas.
Adormeci no calor dos seus braços onde fiquei até de manhã, nos braços do meu vizinho desconhecido, que sabia mais de mim do que eu mesmo.
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