Estranho Conhecido
18 Capítulo 18 - Ensaio
Notas iniciais
Capítulo 18 Ensaio
De: festival . musica 'arroba' colegioestadualdetokio . gov . br
Para: Kagome (reggueradapaz 'arroba' terra . com . br)
Assunto: Res: Dúvida sobre o Festival
Bom dia, Kagome! *-*
Respondendo a sua pergunta, sim, não-estudantes podem participar, porém com restrições, por exemplo, uma banda ou grupo com estudantes pode ter 1 integrante que não o seja. Para grupos ou bandas com mais de 6, contando no máximo com 10 integrantes, somente 2 poderão não serem estudantes.
Sanei sua dúvida?
Estou a sua disposição para qualquer coisa que seja, ^^
Com carinho,
Houjo!
Kagome sorriu ao ler o e-mail e clicou em responder, enviando de volta um obrigada repleto de emoticons, formando carinhas felizes.
— Ah que maravilha! Vou ligar para San agora mesmo! – ela sorriu para si própria, havia apenas alguns minutos que acordara e fora checar seus emails. Estava chateada com sua situação com o Inuyasha e não queria pensar nele hoje, trataria de esquecê-lo um pouco.
Levantou-se apressada e desceu as escadas rumo à sala para pegar o telefone sem fio. Retornou ao quarto com a mesma pressa já discando o número da casa da amiga.
— Oi! Posso falar com a Sango?
— Só um momento – uma voz triste respondeu, e então Kagome escutou quem atendera gritar: Sango! Telefone! – pelo tom de voz ela supôs que fora a mãe da amiga quem atendera a ligação.
Depois do que pareceram horas, a voz da amiga soou sonolenta do outro lado da linha:
— Oi...
— Oi San! Te acordei?
— É...- a outra respondeu.
— Foi mal. Olha o Houjo respondeu ao e-mail e a Rin vai poder participar sim! – disse animada.
— Sério? – Sango pareceu despertar – Nossa, que maravilha! Vou dizer a ela agora mesmo! Espera aí!
O telefone ficou mudo e depois de alguns momentos Kagome ouviu a amiga gritar:
— Ela ta feliz da vida por que deu certo! Nossa, Kah! Isso vai ser demais!
— Eu sei! Também to super feliz! Mas temos muitas coisas a decidir, né? Tava pensando, o Miroku pode nos inscrever amanhã já que ele vai estar no colégio fazendo prova.
— Boa idéia, vou falar para ele.
— E sabe o que mais, temos que ver onde vamos ensaiar né?
— Pois é, eu já comentei isso ontem com a Rin, e a gente pensou que o melhor lugar seria aqui em casa, porém tem minha mãe...e bem você já sabe...
— Puts... Hey! Pode ser aqui em casa!
— Pois é, mas tem um porém, como levaremos minha bateria para sua casa? O Mi não pode pegar o carro do pai dele, e minha mãe nos mataria se chegássemos perto do carro dela.
— Humm...entendo – Kagome pensou um pouco enquanto o silêncio permanecia do outro lado do telefone também – Acho que tenho a solução. Vou ver com minha mãe se ela pode pegar a bateria na sua casa hoje. Nosso carro é pequenino, mas dá para fazer váárias viagens, né – ela riu.
— Pode ser! Se sua mãe concordar em levar, por mim tudo bem – Sango concordou. Teria que levar também a caixa de som e os microfones — Acho que nunca te contei, mas há uns anos atrás meu pai tinha investido em mim e na Rin, pensando que um dia poderíamos ser famosas...por isso comprou a bateria para mim e me mandou fazer aulas, para Rin uma guitarra, só que ela não quis fazer as aulas e acabou aprendendo de graça com o Inuyasha, no fim ela só fez as aulas de canto. E meu pai pensou que eu também poderia cantar...coitado, sou horrível, mas a questão é que temos dois microfones.
— Puxa, não sabia de nada disso! Que bacana essa idéia do seu pai. – ela disse e tentou não pensar em Inuyasha.
— É...pena que não deu muito certo...desisti depois de pouco tempo. Não agüentava mais e logo começaram os desentendimentos entre meus pais e daí foi tudo para o brejo. – suspirou — Ontem tava procurando minha bateria, encontrei ela na garagem virada no pó, coitada. – ela riu.
Kagome riu também – Pelo menos está funcionando? – perguntou.
— Está sim! Hey Kagome que tipo de música nós vamos tocar? Reggae é que não é, né? Não é por nada não, mas...
— Hey, calma San! Não tinha pensando em reggae não. Gosto muito, mas não daria certo e acho que você também não saberia tocar, nem o Mi e a Rin né? Por isso as músicas que tenho em mente são da Avril Lavigne, canto muito bem as músicas dela. — Kagome se gabou sorrindo.
— Da Avril? Hummm... acho que podemos pegar os acordes na internet. – Sango ficou em silêncio, como se o bocal do telefone tivesse sido tapado – A Propósito, Rin acabou de concordar!
— Sério? – Kagome se empolgou sentando-se de súbito na cama.
— Sim, sim, ela ta aqui do meu lado, em parte ela queria saber primeiro que tipo de música nós tínhamos em mente. – ouviu-se um barulho pela linha do telefone e em seguida a voz melodiosa de Rin soou nos ouvidos de Kagome:
— Oiie Kag!
— Rin! Oi! Nossa! Quanto tempo não falo contigo ein?
— Pois é menina! Olha adoro as músicas da Avril e acho que poderia ser uma boa, na verdade têm algumas dela que até sei tocar. E o que você acha das músicas da Evanescence?
— Sério que você sabe tocar?
— Aham!
— Nossa! Que ótimo! Olha, eu gosto de algumas músicas da Amy Lee, mas não conheço muito bem a letra.
— Ah não se preocupe que eu sei, e não querendo me gabar, canto muito bem! – riu — Poderia ser nós duas no vocal, o que acha?
— Por mim está ótimo. Você ouviu minha conversa com a San sobre o local de ensaio?
— Ouvi sim, acho uma ótima idéia. É claro, desde que não seja incomodo para sua mãe.
— Não é incomodo não, minha mãe vai adorar poder ajudar. Quando podemos começar a ensaiar?
— Espera. Vou perguntar para a Sango. – houve silêncio por alguns instantes – Por ela pode ser hoje mesmo, temos que ver com o Miroku.
— Ok, então, fala para a Sango ver com ele e me retornar. Vou ir almoçar agora – falou se espreguiçando.
— Beleza! Tchau Kag!
— Tchau Rin! Foi bom falar com você novamente!
— O prazer foi todo meu! – Então o telefone ficou mudo.
Kagome sorriu esperançosa, algo lhe dizia que este festival ia ser maravilhoso.
Levantou-se de pressa e foi até o quarto de Souta acordá-lo.
— Acorda seu preguiçoso! – gritou, puxando as cobertas do menino.
— Ahh! – Souta exclamou puxando-as de volta – Me deixa dormir! – resmungou cobrindo a cabeça.
— Nada disso! Já são duas horas da tarde e como mamãe vai chegar só lá pelas três, nós mesmos teremos que preparar o almoço. Então tira essa bunda preguiçosa da cama e vamborapara a cozinha. – Kagome sorriu, estava com vontade de preparar uma bela de uma lasanha, sabia que a mãe comprara os ingredientes há algum tempo e seria divertido preparar.
Os anos que passara nos Estados Unidos lhe vieram à mente, e lembrou-se de quando costumava preparar lasanha com o pai. Prato que haviam aprendido com os americanos. Subitamente, sentiu saudades dele. Evitava ao máximo pensar sobre seu pai, ainda era muito doloroso saber que ele trocara a família sem olhar para trás, abandonando-os e deixando-os a mercê de caras inescrupulosos e perigosos como Justin. Um arrepio lhe percorreu a espinha ao lembrar-se do canalha. Morria de medo só de pensar no que poderia ter lhe acontecido se Miroku não aparecesse para salva-la. E pensar que ele estava solto por aí...Ainda era inacreditável pensar que ele cruzara o mundo atrás dela...
Afastando os pensamentos tristes com um balançar de cabeça, voltou-se a tarefa de acordar o irmão.
—Ah, Kag! – ele reclamou virando-se de costas quando Kagome roubou-lhe a coberta.
— Vamos, anda logo. Saia já daí! – ela gritou tirando-lhe o travesseiro.
— Droga! Já to de pé – o menino gritou de volta saltando da cama.
— Bom menino! – Kagome sorriu e saiu do quarto, Souta a seguiu de má vontade, esfregando os olhos de sono.
Os dois foram para a cozinha.
— Pegue a massa, o queijo, o presunto e a carne moída, Souta. Vamos fazer uma lasanha!
—Ok. – ele bufou.
Então os irmãos começaram a preparar a lasanha.
Uma hora depois Kagome ouviu:
— Kagome, Souta?
— Oi mãe, estamos na cozinha.
— Meu Deus! – a senhora Higurashi exclamou ao entrar no cômodo.
— Desculpa a bagunça – Kagome sorriu sem graça.
Haviam conseguido sujar toda a cozinha com pedaços de queijo, presunto, e molho.
— Vamos limpar, eu prometo!
Rumiko olhou para a bagunça e então de volta aos dois filhos. – Tudo bem. – deu de ombros saindo do local para ir trocar de roupa.
— Mãe! – Kagome chamou indo atrás dela secando as mãos com um pano de prato. – Espera.
Rumiko parou no corredor com Kagome logo atrás dela e virou-se para fitar a filha.
— Fale querida.
— Queria um favor seu...é que sabe vamos participar do festival, né. Daí a gente precisava de alguém para trazer a bateria da Sango para cá para podermos ensaiar...
A mãe pareceu pensar por uns segundos e então abriu seu sorriso mais brilhante – É claro que posso fazer isso. Nosso carro não é lá essas coisas, mas damos um jeito.
Kagome retribuiu o sorriso e abraçou a mãe – Você é a melhor! Muuito obrigada! – exclamou e então voltou-se a tarefa na cozinha.
oOooOOoOOooO
Mais tarde Kagome ligou para Sango combinando o horário do ensaio e o transporte dos instrumentos. Depois de tudo pronto se dirigiu ao banheiro para tomar uma ducha rápida e assim que se trocou ouviu a campainha soar.
— Deixa que eu atendo! – gritou.
Kagome desceu as escadas correndo.
— Oi! – saudou quando abriu a porta e se deparou com Ayame.
— Oie! Vim saber o que você vai fazer hoje. – a outra disse passando por Kagome. – Kouga foi viajar, só volta mais tarde – justificou-se e acrescentou em pensamento: E não agüento mais a cara de tacho do Inumaru.
— Ah. Nós não te contamos né? – Kagome fitou o rosto confuso da amiga e explicou – É que vamos participar do festival do colégio. Eu, Miroku, Sango e a irmã dela vamos montar uma banda.
— Sério? Que massa! Mas só vocês quatro? – a ruiva arqueou uma sobrancelha — Vão tocar que tipo de música?
— Rock...tipo, estamos vendo ainda. Mas achamos que músicas da Avril e da Evanescence.
— Sério? Na banda da Avril são dois guitarristas, um baterista e um baixista. Será que vai dar certo só com vocês quatro?
— Puts. Não havia pensado nisso, só temos uma guitarrista.
— Pois é, e olha acho que sei alguém que poderia te ajudar – Ayame afirmou pensativa. Sorriu então para amiga quando a outra continuou a fita-la. – o Inumaru é claro! Ele sabe tocar guitarra!
— Sério mesmo? E será que ele topa?
— Claro! – a ruiva quase gritou de felicidade, assim matava dois coelhos com uma cajadada só. Livrava-se do primo rabugento e fazia-o feliz por mantê-lo junto à garota amada!
— Então será que pode ver com ele? Primeiro vou perguntar para a Sango. – Kagome foi até o telefone enquanto Ayame assentia, sorrindo feliz.
Sentindo-se em casa a ruiva sentou-se no sofá e ficou observando Kagome conversar com Sango.
— Ok...você fala com ele? – a morena indagou ao desligar o telefone.
Ayame levantou-se. – Agora mesmo! – bateu continência como um soldado – Sim senhora! – e abrindo a porta deixou a casa.
Kagome riu da atitude da amiga e voltou a seu quarto, pensando que novamente Inumaru estaria na sua casa todos os dias...o Inuyasha não ia gostar nada de saber. Percebendo o que acabara de pensar, ela ficou brava, não estava fazendo nada de errado! Inuyasha não tinha nenhum direito de ficar com ciúmes! E chega de pensar nele! – ela se ordenou – Conectou-se então a internet e passou a pesquisar as músicas, letras e acordes de Avril Lavigne, já tinha em mente duas músicas que gostaria de cantar e não valia a pena ficar perdendo tempo tentando compreender o Inuyasha.
Mais tarde a campainha soou novamente e dessa vez foi Souta quem atendeu.
— Oi. – o menino disse fitando um garoto alto e com uma guitarra nas costas.
— Oi. Érr...a Kagome está aí? – Inumaru perguntou sem graça, nunca conversara com o irmão de Kagome.
— Tá. Kagome! – ele gritou.
— Hey Souta! – Sango saudou aparecendo atrás de Inumaru. – Oi Inumaru.
— Oi. – ele respondeu.
— Oi Sango, Miroku e você é? – Souta perguntou olhando para a moça alguns centímetros mais alta que Sango.
— Rin, sou irmã dessa aí – a garota apontou para a outra com um sorriso nos lábios.
— Ah! Oi, sou irmão da Kagome. – ele estendeu a mão.
Rin bateu na mão dele e perguntou – Podemos entrar?
— Claro! – disse o garoto constrangido – Podem entrar – deu passagem.
Miroku e Rin carregavam seus instrumentos nas costas, enquanto Sango trazia uma mochila com suas baquetas e os microfones.
— Vocês chegaram! – Kagome gritou descendo as escadas. – Vou chamar minha mãe para irmos buscar sua bateria San. Já venho.
Kagome deu a volta e em poucos segundos voltou com a mãe a seu lado.
— Olá meus queridos. – Rumiko saudou. – Bem, vamos então Sango? Acho melhor você ficar aqui com eles, filha. – Kagome assentiu.
— Claro! — Sango estendeu a mochila na direção de Kagome que agarrou-a.
— Já voltamos. – as duas então deixaram a casa.
— Bem, vamos lá. Eu to na internet pesquisando músicas. – Kagome falou e começou a subir as escadas, sendo seguida pelo grupo.
Enquanto Kagome sentou-se de frente para o computador, Rin, Miroku e Inumaru sentaram-se na cama.
— A Ayame me disse que vocês vão querer tocar músicas da Avril. – Inumaru afirmou.
— Sim. – Kagome respondeu – Você sabe alguma?
— Sei mais ou menos.
— Bem, nós vamos ter que aprender. O Rin que música da Amy Lee você tem em mente?
— Sabe aquela 'Sweet Sacrifice' ? Sei tocar e cantar.
— Sei! Essa é muito massa. – Kagome procurou então a música e colocou para tocar — O que vocês acham meninos?
— Essa eu também sei tocar – Inumaru falou.
— Eu posso aprender – Miroku disse.
— Então beleza, vamos tocar essa?
O grupo assentiu – Será que a Sango topa? – Kagome perguntou.
— Topa sim – Rin respondeu.
Kagome pesquisou os acordes e cifras dos instrumentos e imprimiu um para cada um.
— Beleza, vamos então lá para fora que vou mostrar onde vamos ensaiar.
Pegaram os instrumentos e seguiram então para os fundos da casa. Havia uma pequena casa nos fundos do terreno, Kagome guiou-os até lá e abriu a porta.
— Aqui vamos poder ensaiar – ela disse quando entraram no cômodo espaçoso que continha apenas um sofá e um tapete.
O grupo se organizou então e começaram a estudar os acordes.
— Hey. Chegamos. – Sango anunciou carregando uma parte de sua bateria.
— Precisa de ajuda? – Miroku perguntou.
Sango assentiu, passando por Kagome e entregando o instrumento a Miroku.
— No fim coube tudo – Rumiko falou atrás de Sango carregando o prato da bateria.
— Menos mal – Kagome sorriu.
O grupo todo se pôs ajudar a carregar os instrumentos para dentro da casa.
— Beleza – Kagome afirmou observando o local com os instrumentos já instalados.
— Se precisarem de mim estou na cozinha – Rumiko afirmou saindo do local.
— E então? – Sango perguntou. – Já decidiram o que vamos tocar?
Kagome repetiu a conversa que tivera com o grupo em seu quarto e eles voltaram a estudar os acordes.
Depois de um tempo Inumaru começou a tocar, demonstrando que sabia bem aquela música, e Rin cantou enquanto ele tocava.
— Muito bom! – Kagome aplaudiu quando eles pararam.
— Hey, vou começar – Sango falou e começou a tocar também – Que tal? Para quem tocou essa música uma vez na vida, não estou tão ruim, né?
— É sim, Sango, mas foi um pouco rápido demais. Tenta assim – Rin foi até a bateria e demonstrou o que queria.
— Hey como você sabe tocar? – Sango perguntou.
— Um dia vi o Bankotsu tocando essa música.
— Será que a banda do Inuyasha vai tocar essa música? – Kagome perguntou.
Inumaru fechou a cara à menção do nome do 'rival'.
— Acho que não, mas posso ver com ele. – Rin respondeu.
— Você conhece bem aquele idiota? – Inumaru perguntou, não agüentando ficar calado.
— Claro. E ele não é idiota. – Rin afirmou, olhando furiosa para Inumaru.
Inumaru deu de ombros.
— Vamos voltar ao ensaio? – Miroku sugeriu.
O grupo assentiu e cada um voltou a estudar os acordes e tocar separadamente.
oOOooOOooOOOoOOOo
— Nem acredito que conseguimos! – Sango afirmou jogando-se no sofá.
— Pois é, mas você ainda está um pouco rápida demais. – Rin falou sentando-se no tapete ao lado da irmã.
— Vou conseguir – Sango deu de ombros.
— Chega por hoje né? – Kagome perguntou. Haviam passado a tarde inteira trabalhando na música.
— É. – eles assentiram.
— Vou indo então. – Inumaru afirmou se levantando do chão onde estava sentado. – Quando vamos ensaiar de novo e ver as outras duas músicas?
— Amanhã, aqui às duas horas. Todos os dias. – Kagome falou, estava cansada por ter feito a segunda voz para Rin quando tocaram todos juntos.
— Ok. – então ele se foi.
— Cara esquisito – Rin afirmou depois de alguns segundos de silêncio.
— Ah ele não é esquisito não, é só que ele é meu ex, e o clima ainda está um pouco estranho entre nós. – Kagome respondeu.
— Ah. – Rin falou olhando para Kagome de um jeito estranho.
— Vou ao banheiro. – Miroku se levantou.
— Pensei que você estava com o Inuyasha. – Rin afirmou.
Kagome a fitou surpresa olhou para Sango e viu que a amiga escutava a conversa fingindo estudar os acordes novamente.
— Como?
— Bem, pensei que você estava ficando com o Inuyasha, mas posso ter me enganado – Rin falou de um jeito que Kagome percebeu que ela tentava fugir do assunto.
— Como assim? Você...você sabe de alguma coisa? Ele te disse algo?
— Não..é que...bem...vamos esquecer que eu disse alguma coisa...Que músicas da Avril você tem em mente?
Kagome a fitou e logo compreendeu que a outra estava agindo como o Inuyasha, dizendo coisas e então mudando de ideia em seguida. Ela bufou, algo estava muito estranho...por que Rin saberia o que acontecia entre ela e o Inuyasha? Então lembrou-se que Rin era namorada do outro irmão do Inuyasha, o Sesshoumaru. Viu voltando no tempo e recordou-se de Sesshoumaru, o cara era um mala, sempre implicava com o Inuyasha quando eram crianças, era tão frio e distante! Se parecia muito com o pai deles, quase nunca trocara uma palavra tanto com um quanto com outro, lembrou-se que era bem vinda na família somente quando o pai não estava em casa, somente Izayoi, Shippo e Inuyasha a recebiam.
Rin notou que Kagome parecia perdida em pensamentos e a chamou – Kagome?
Kagome a olhou, voltando ao presente, viu que Rin ainda esperava uma resposta e disse – É..bem das musicas né...Uma delas me faz lembrar muito do meu pai...mas não é por isso que quero cantá-la, é por que sei bem a letra. E a outra me lembra..o Inuyasha, Rin o que você sabe sobre nós? – ela indagou novamente, admitindo que havia um 'nós'.
Rin suspirou enquanto Sango as fitava em silêncio.
— Não sei de nada Kagome, é que estou sempre com ele e o meu namorado, e bem, ah, eu sei algumas coisas, eu sei que ele tem te visitado, ele gosta de você e isso é uma situação difícil por causa da Yura e todo o resto.
Sango olhou para a irmã sem acreditar que a outra nunca havia lhe contado nada disso.
— Que resto? Como assim? O que ele tanto esconde? O que você está escondendo?
— Ah Kagome, isso não posso te contar. Se ele não te contou, não sou quem vai contar. Mas só te digo uma coisa, ele não é mal, como às vezes faz parecer. Escolhi essa música da Evanescence pensando nele. – Algumas frases me fazem lembrar da situação deles.
— Como assim? A letra fala de medo e de sacrifício. – Kagome franziu a testa.
Rin bufou negando-se a responder – Um dia acho que você vai entender.
Kagome bufou também, conformada com a mesma resposta que recebia sempre, apenas com algumas alterações. Não posso dizer. Um dia você vai entender. Não posso contar.Já estava cansada de tanto mistério.
A outra música que escolhi também me lembra um pouco do Inuyasha "Fall to pieces da Avril Lavigne", Kagome pensou, após um minuto de silêncio. Wanna know Who you are, wanna know where to start, I wanna know what this means, I wanna know how you feel, wanna know what is real, I wanna know everything... Quero saber quem você é, quero saber onde começar, quero saber o que isso significa, quero saber como você se sente, quero saber o que é real, eu quero saber tudo... Quero saber tudo…
Depois que o grupo foi embora Kagome voltou ao quarto imersa em pensamentos, tentando entender o que na música "Sweet Sacrifice" poderia demonstrar algo sobre Inuyasha.
oOOooOOOo
— Ah! – Kagome exclamou jogando-se com vontade na cama após mais um longo dia de ensaio. Havia duas semanas que estavam ensaiando e finalmente parecia que tudo iria mesmo dar certo. Ela ainda tinha que melhorar um pouco, já que Rin insistia em dizer que ela estava cantando meio tom abaixo do que o ideal.
Fazia duas semanas que não sabia nada do Inuyasha e estava preocupada, o ultimo encontro deles fora tão estranho.
— Hey! – ela ouviu uma voz vindo da janela.
— Inuyasha... – ela suspirou e pensou — eu aqui pensando nele...e ele aparece! Levantou-se sem pressa e abriu a janela.
Inuyasha entrou sem fazer cerimônia.
— E aí? Como você está? – perguntou ele a abraçando pela cintura como se a ultima discussão deles não tivesse acontecido.
— Estou bem – ela sorriu colocando os braços no pescoço dele – Senti saudades de você.
— Eu também...não tive tempo de vir aqui antes, as coisas se complicaram um pouquinho...
— Como assim?
— É...deixa quieto – ele disse hesitando um pouco.- E você o que andou fazendo?
— Ensaiando – Inuyasha franziu a testa. – Vem – Kagome pediu, sentando-se à cama e puxando-o para que se sentasse com ela. – Também vou participar do festival. Vou competir com você.
— É mesmo? – ele sorriu também e Kagome prendeu o fôlego. O sorriso dele era lindo. Parecia tão mais novo quando sorria, tão feliz. – E o que vai cantar? Reggae?
— Não, rock como você, mas não vou contar que músicas.
— Hummm. – ele assentiu e sorriu – Acho que tenho uma idéia, a Rin andou sondando se iríamos tocar uma música da Evanescense, ela está na sua banda, não é?
— Ah Inuyasha! Que droga assim não vale – ela emburrou-se.
Inuyasha deu um sorriso largo, fitou o bico que ela estava fazendo e num impulso colou seus lábios aos dela.
Kagome ofegou surpresa, mas em segundos estava correspondendo ao beijo feliz da vida.
Inuyasha sorriu sem separar os lábios dos de Kagome.
— Inuyasha... – Kagome suspirou separando-se dele em busca de ar.
Ele riu – Você adora meus beijos não é mesmo?
— Você é muito arrogante sabia!
O garoto riu mais ainda e Kagome lhe deu um beliscão. – Ai!
— Bem feito.
— Hey! Por que me beliscou?
— Por que você mereceu! – exclamou ela, pensando que fizera aquilo por impulso. Isso que dava conviver com a Sango e assistir ela bater sempre no namorado.
— Tá...ta... — ele disse e ficaram em silêncio por alguns instantes. – Me desculpe pelo outro dia...eu tava nervoso.
— Tudo bem...eu também acho que reagi mal...sei lá...é difícil...estranhei você ter sumido de novo.
— Senti sua falta também, eu tive que me ausentar um pouco, tinha umas coisas para fazer e ficou complicado de vir te ver, mas não se preocupe que você não estava desprotegida.
— Como assim?
— Bem, é...você não estava sozinha.
— Tem alguém me vigiando? – ela perguntou e foi até a janela.
— Hey, calma, o Ban esteve por perto, só isso.
Ela relaxou um pouco.
— Então de algum modo sabe o que ando fazendo...
— É..bem, eu meio que sei que seus amigos tem estado aqui todos os dias, e que tem algo haver com musica.
— Ah Inuyasha! Então fingiu que não sabia que eu vou participar do festival?
— Eu.. – ele a fitou sem graça – Olha é para sua segurança somente, eu juro! Nunca faria nada que fosse te prejudicar, nem estava te espionando, nada disso!
Kagome sorriu – Hey! Tranquilo, acredito em você, é bom saber que tem alguém zelando por mim. – ela sorriu. – E não precisa mentir para mim como fez a pouco, sobre não saber nada da banda...
— Eu sei, desculpe, não sabia como você ia reagir, e achei melhor fingir, mas tudo bem, não quero mentir para você.
— É, só omitir né?
— Kagome...
— Ok, ok, fiquei preocupada que você sumiu esses dias, pensei que não viria mais, a nossa ultima conversa foi estranha...
Ele suspirou – Não vou deixar de vir te ver sempre que puder, não foi por nossa conversa que sumi por uns dias.
Kagome suspirou mais aliviada – Ok, então, o que conta?
— Eu? Ah, nada, também tenho ensaiado um pouco pro show...
— Hummm.
— Hey, vem cá. – ele disse e a abraçou – Senti bastante sua falta.
Kagome sorriu e aproveitou do abraço, quando seus lábios se tocaram, uma onda de calor a atravessou. Agarrou-lhe os ombros com força e entreabriu os lábios, se perdendo num beijo faminto. Sentira falta dele nesses dias, oh, como sentira.
Ela sentiu as mãos de Inuyasha percorrerem a extensão de suas costas, subirem novamente em um afago e então voltarem a descer.
Inuyasha colou seu corpo ao de Kagome, querendo-a sentir por inteiro através do tecido fino do pijama que ela vestia. Os dedos dele tocaram-lhe a pele sob o tecido, roçando os seios, para logo então voltarem a descer pelo corpo feminino.
Quando ele lhe agarrou o traseiro com firmeza Kagome não protestou e agarrou-se com mais força aos ombros largos de Inuyasha.
De repente Inuyasha sentiu a porta a suas costas, não havia reparado que haviam se movido, então mudou o curso levando Kagome até a cama.
Kagome sentiu o colchão a suas costas e foi como se um balde de água gelada lhe atingisse a cabeça, as coisas estavam indo longe demais. Inuyasha deitou-se por cima dela e pousou os lábios sob os seus, no momento que ela abrira a boca para retrucar. Em seguida os dedos dele lhe roçaram o seio novamente.
Antes de que a consciência lhe abandonasse de vez, Kagome empurrou-o.
Inuyasha a fitou assustado, voltou o olhar para a porta a procura de algo errado e viu que a mesma continuava fechada e estavam sozinhos.
Então a olhando novamente compreendeu que havia ido rápido demais. Saiu de cima dela com cuidado, sentou-se ao pé da cama, balbuciando: M-Me perdoe.
Kagome sentou-se. – Não, me perdoa você. – ela pediu envergonhada, escondendo o rosto, apesar dele não olhar na direção dela. – Você deve me achar uma idiota né, mas não é isso...- num rompante começou a explicar-se — É só que não me sinto pronta e depois do que quase passei com Justin...eu.. – ela parou quando sentiu o dedo dele sob seus lábios.
— Não diga mais nada. – ele pediu, sentindo a dor na voz de Kagome, o medo dela. E uma raiva incontrolável de Justin, de tudo.
Inuyasha a abraçou com carinho, afagou-lhe os cabelos e beijou-lhe a testa. – Tranquila, não corre perigo nenhum comigo. Afinal, sou eu, não é mesmo? Seu amigo de infância, você sabe que pode confiar em mim, certo?
Kagome assentiu e brindou-lhe com um sorriso terno.
— Te amo, sabia?
— Também te amo, Kagome. – Inuyasha inclinou-se sob ela e tocou-lhe os lábios de leve com os seus. Voltou então a somente a abraça-la.
Kagome aconchegou-se nos braços dele.
— Hey Kah, vem jantar – Souta disse abrindo a porta – Ah oi Inuyasha.
Inuyasha sorriu para o garoto sentindo o rosto esquentar. Olhou para Kagome e viu a vermelhidão se espalhando rapidamente sobre o rosto dela.
— É-É...Janta com a gente Inuyasha? – Kagome perguntou se desvencilhando dos braços dele.
— Na verdade já tenho que ir – ele se levantou. Beijou a testa de Kagome e se despediu de Souta com um aceno de cabeça.
— Hey, vai sair pela janela? Não é mais fácil usar a porta? – Souta perguntou.
— A janela está mais perto. – Inuyasha afirmou. Sorriu para o casal de irmãos e saiu com pressa pela janela.
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