Estranha Perfeita
3 Capítulo 3 - Petisco
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“Cada história nos diz
Algo sobre quem a contou
Não há um destino a cumprir
Todo escolha diz quem eu sou.”
– As Escolhas / Lulu Santos
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Tentei manter minha mente calma e focada no meu trabalho na construtora, mas não conseguia parar de chegar aquela mensagem no meu celular, meu número era tão restrito aos meus amigos íntimos. Passei a manhã imaginando o autor da mensagem e o motivo da mesma. Entre as plantas e elevações do projeto da cafeteria do Sr. Brownie, eu contava os minutos para a hora do almoço, estava decidida a ligar para o número misterioso.
Finalmente quando me levantei da minha mesa, após salvar pela centésima vez meu arquivo do AutoCad, meu celular tocou, era o Biscoito. Ele estava tão afobado, que eu nem entendia direito, só consegui identificar três palavras: “seu número” e “Brigadeiro”. — “Será que era isso mesmo que eu havia entendido?”– Biscoito havia passado meu número para o Brigadeiro, então comecei a imaginar que pudesse ter sido ele o dono da mensagem. — “Mas por que não se identificou?”
Fui almoçar na cafeteria ao lado, estava perdendo até meus sentidos de tanta fome, demorei alguns minutos para escolher meu cardápio do dia, mas a companhia foi surpreendente, Coxinha apareceu e se juntou a mim:
– Que bom que te encontrei, estou curiosa para saber as novidades. – ela se sentou na cadeira frente a mim e colocou sua bolsa na cadeira ao lado. — Meu irmão está fazendo média para me contar sobre vocês.
– Bem, não aconteceu nada. – eu me encolhi na cadeira meio sem saber como reagir a curiosidade dela.
– Não foi isso que eu ouvi.– ela deu uma risada alta — Fiquei sabendo de um certo beijo no escritório.
– As pessoas falam de mais Coxinha.– continuei minha refeição como se não fosse comigo segurando as informações, afinal se o Pastel não havia dito nada, não seria eu quem falaria.
– Sei. – ela me olhou desconfiada.
Foi difícil passar uma hora com ela me enchendo de perguntas curiosas sobre meus sentimentos pelo Pastel, Coxinha era uma pessoa legal e eu a considerava uma amiga, mas não éramos tão íntimas assim. Quando nos despedimos ela acabou deixando escapar que o Pastel estava tentando comprar alguma coisa para mim. Tentei não demonstrar, mas estava curiosa para saber o que era.
Passei o final da tarde concentrada no meu trabalho, Pastel não havia ido ao escritório. - “Será que ele estava procurando meu presente?”– À noite tinha duas escolhas: ir ao mirante ou ir à prova de Sistemas construtivos. Eu parei frente ao ponto de ônibus e se sentei no banco que havia lá, respirei fundo pensando no que faria da minha vida. Eu não conhecia o Brigadeiro, vai que ele era um psicopata assassino, — “Me arrepio só de pensar”– Peguei o ônibus e fui para a universidade, eu não colocaria meu futuro acadêmico em risco, ainda mais sabendo que aquele professor me odiava intensamente.
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“Não tinha medo o tal João de Santo Cristo...”
– Faroeste Caboclo / Legião Urbana
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Minha prova seria às 18:30, tentei focar minha atenção nas questões e depois de minutos de tensão e ansiedade consegui finalizar. Entreguei minhas folhas de resposta rapidamente e sai correndo. Quando cheguei na porta, esbarrei no Biscoito, ele me achou estranha pela minha pressa, mas depois que eu contei a ele sobre a mensagem, ele se ofereceu em me levar, assim ambos mataríamos nossa curiosidade e eu não iria sozinha e desprotegida, afinal apesar de transparecer ser uma pessoa pacífica, Biscoito fazia aulas de defesa pessoal.
Quando chegamos no estacionamento do parque, combinamos do Biscoito nos seguir de longe e caso acontecesse algo, eu sinalizaria para ele. Estava nervosa, mas a curiosidade era mais forte. — “Acho que neste momento eu entendo estes personagens de filmes de suspense, que mesmo sabendo para irem embora, continuam seguindo em frente.”– Saí do carro lentamente, e caminhei até a escadaria que levava ao mirante a passos curtos e demorados. — “Se eu roesse unhas estaria sem elas.”
Após muitos degraus, cheguei até o mirante. Olhei para baixo e controlei minha respiração ofegante, quando levantei meu olhar. Ele estava debruçado no beiral de proteção de madeira olhando o céu, me aproximei permanecendo alguns passos atrás dele, permanecendo em silêncio.
– Uma noite tão estrelada, pena que nem todos tenham tempo para apreciar. – ele permaneceu olhando o céu, não se movimento, senti uma respiração profunda vindo dele — Fico feliz que tenha vindo.
– Pensei muito sobre vir. – caminhei um pouco mais parando ao seu lado o olhando.
– Deve ter ficado com receio, afinal nem nos conhecemos direito.– ele deu um sorriso de canto.
– Pensei em várias possibilidades sobre seu caráter moral.
– Por isso o Biscoito veio? – ele deu uma risada rápida.
– Bem, acho que por segurança.– confirmei.
– No seu caso pode ser, mas no dele seria mais por… – ele riu mais um pouco.
– O que?– eu olhei sem entender.
– O Biscoito é meu irmão mais novo.– ele ria naturalmente.
– Não brinca?– eu virei meu olhara para a escada, me imaginando matando o Biscoito.
– Ele me disse uma vez que tinha um irmão,– eu pensei mais um pouco — por isso ele me apresentou você.
Nós conversamos mais um pouco e ele me contou sobre sua relação com seu irmão, mesmo sendo mais extrovertido que o Pastel, Brigadeiro ainda passava uma sensação de mistério. Ele me perguntou se eu e Pastel éramos namorados, bem eu me silenciei no momento, pois nem eu conseguia definir nossa relação.
Ficamos por 2 horas no mirante conversando, a cada olhar dele minha timidez aumentava mais, seu olhar era tão intenso e atraente. Nós voltamos para o estacionamento e Biscoito estava lá rindo da minha cara, ele voltou para casa, enquanto Brigadeiro me levou para casa. Quando cheguei na portaria me despedi dele, agradecendo pelo passeio e me virei em direção o elevador, foi quando senti sua mão puxar meu braço, meu corpo virou de repente em direção a ele e Brigadeiro me beijo com certa intensidade.
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“Você não conseguiu tirar os olhos de mim,
desde a primeira vez que me viu.”
– Volume Up / 4minute
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