Estranged
1 Prólogo - O Garoto que Odiava a Rotina.
Notas iniciais
Todas as "falas" entre ## são pensamentos do personagem.
Nebulosa Serpente, Cidadela.
Essa é minha primeira missão a mando do Capitão Space. Estamos nos dirigindo ao Concelho para resolver situações... diplomáticas. Mal podia esperar para sair do Colégio Jon Grissom e ver o universo, para variar...
Estudei e treinei muito até essa oportunidade surgir: o momento de retomar meu objetivo principal enquanto vivo. Trabalharei duro. Jamais desistirei.
Aguentem firme, Serena e Tony. Eu os amo e não dormirei enquanto não encontrá-los!
– Diário de Dave Rogers, primeira página.
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Dave acorda, em meio ao barulho do despertador, quebrando o silêncio daquela manhã de Segunda Feira. Ele se levanta e vai ao seu banheiro, e se arruma para sair. Seus pais estavam na cozinha. O café estava servido.
Mark- bom dia, filho.
Dave- bom dia...
Mark continuava a "folhear páginas" de seu tablet, lendo notícias.
Dave- bom dia, mamãe.
Jennifer- olá, Dave. Sente-se e sirva-se!
Uma das empregadas da casa o serve com um copo de leite e fatias de pão. À mesa, ainda, haviam frutas, queijos e alguns poucos doces caseiros.
Dave- obrigado.
Ele começa a comer. De repente, alguém pula em cima dele.
Dave- ouch! Serena!
Serena- olá, maninho!
Dave- ahn, olá...
Dave e Serena eram irmãos gêmeos não idênticos. A empregada logo a serve seu café da manhã.
Mark- como está, minha linda flor do luar?
Serena- acordei muito disposta, papai! Hoje terei aula de anatomia, na faculdade. Estou ansiosa!
Mark- mas que ótimo! Você é meu orgulho!
Dave- ...
Jennifer- andem logo! Vão se atrasar!
Dave & Serena- sim!
Eles tomam o café e saem.
Serena- mais um dia de aula! Não é fascinante?
Dave- bastante... considerando que está no primeiro ano da faculdade e eu, apenas no começo do ensino médio!
Serena- ahn, me desculpe...
Dave- nah, não tem problema. Temos apenas 14 anos. Fico feliz por você ser um gênio.
Serena- obrigada! Já pensou no que cursar, quando tiver 18 anos?
Dave- ainda não... mas com certeza não farei Medicina.
Serena- ah, eu gosto! Quero fazer a diferença nesse mundo... ser alguém que se destaque!
Dave- e conseguirá. Você sabe fazer tudo, maninha! Inclusive ser... amada...
Serena- em relação ao papai e a mamãe? Ah, por favor, maninho! Eles também adoram você!
Dave- as vezes não sinto isso...
Serena- você é um tanto... reservado. Me diga, maninho. Você possui algum segredo do qual teme que saibam?
Dave- ...
Serena- você confia em mim, sim? Pode falar. Eu amo você demais, maninho, para te julgar.
Ele fica em silêncio.
Serena- entendo... talvez não estejamos prontos: eu, para ouvir, ou você, para falar. Não tem problema.
Ela sabia como Dave era. Desde pequeno, ele é um garoto tímido demais. Fala pouco, e é um poço de mistério. Não entendia o motivo. Apenas sabia pouca coisa, como o fato de seu irmão, mais novo por um minuto, chorava certas vezes, sozinho, em seu quarto. No entanto, sentia que logo saberia. Ninguém consegue carregar um fardo pesado que fosse, sozinho, por muito tempo. Os dois tomam uma nave. Graças a tecnologia, se locomover por Nova York não era tão difícil. Dave chega primeiro ao colégio. Sem antes receber um abraço e um carinhoso "tchau" de Serena.
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As aulas já estavam começando. Dave chegara até sua sala, e se sentara em seu lugar.
Dave- #mais um dia rotineiro e comum... até quando isso vai durar?#
Logo, chegavam mais colegas de classe. Alguns dizem "bom dia" e conversam com ele. Pessoas vinham e iam, mas não pareciam fazer diferença. Exceto alguém. Alguém que ele vira entrar na sala, e sentira seu coração disparar. Aqueles cabelos ruivos espetados que ele admirava, sempre tão... interessantes! No entanto, aquilo não passava de uma ilusão que ele tentava lutar para combater, mas a cada dia, a luta se tornava mais difícil de vencer: não é fácil lutar contra a opinião do coração. Mas cumprimentá-lo era algo de que ele não abriria mão.
Dave- bom dia, Tony!
Tony- e aí, sr. Heterocromia?
Dave- ...
Dave ficara um tanto sem graça. Ele possuía uma mutação em seus olhos, que fazia com que os mesmos tivessem cores diferentes, no caso, azul e verde. Estranhamente, sua irmã não sofria disto: seus olhos eram apenas azuis. Após falar com Dave, as meninas da classe recebiam Tony com exagerado alvoroço: ele era o favorito das garotas. Elogios como "ele é lindo como um deus grego!" chegavam a dar náuseas, de tão melosos.
Dave- #alimentar um sentimento ridículo como esse... o que diabos me faz sentir isso? Tony...#
O professor chega, entregando notas de provas. Como sempre, Dave tinha as melhores, seguido de Tony, não muito longe. O restante, notas pouco maiores que média, ou apenas a média. Além de tudo, apesar de não parecer, Tony era tão inteligente quanto Dave. Evidentemente, ambos não chegavam aos pés de Serena. Como de costume, era de se ouvir "Parabéns aos senhores Dave e Anthony": normal.
A aula termina, horas depois. O jovem aguardara por uma condução em frente à escola. Serena já estaria no mesmo, aguardando por ele. De repente, uma voz familiar quebra a concentração de seus profundos pensamentos.
Tony- Dave!
Dave- ahn, Tony...
Tony- hahaha, consegui despistar aquelas pervertidas.
Dave- por que as dispensa?
Tony- não fazem meu tipo.
Dave- sério? São todas meninas bonitas.
Tony- a beleza interior me atrai mais.
Ele não esperava ouvir essa. Tony parecia ser apenas um menino tão pervertido quanto as garotas, e apenas isso. Novamente, ele quebra a linha de pensamento de Dave.
Tony- além disso, meu caro amigo, meu coração já pertence a alguém muito especial.
Por breves dois segundos, Dave sentira certo ciúme, depois uma imensa curiosidade. Infelizmente para ele, sua condução havia chegado, e não houve tempo de perguntar de quem se tratava, apesar que duvidava se ele de fato diria. Serena o recebe com um rápido abraço.
Serena- como foi seu dia?
Dave- o de sempre... mais uma nota dez para a lista.
Serena- parabéns, maninho!
Dave- obrigado...
Ele olha para Tony pela janela, enquanto iam embora para casa. Sua irmã distorce seus pensamentos, subitamente.
Serena- quem é ele?
Dave- ele? Ahn, ele é... um amigo, da sala... isso! Um amigo meu!
Serena- ah, é?
Dave- é, sim!
Era difícil esconder o coração disparado e o suor escorrendo pelo pescoço, apesar do largo sorriso sem graça.
Serena- ah... logo estaremos em casa. Estou doida para almoçar! O que acha que teremos para a refeição?
Dave- quem sabe...
Apesar dela ter mudado de assunto, ele tinha certeza de uma coisa: Serena não era nem um pouco idiota. Ela pôde ter matado a charada naqueles míseros segundos em que Dave suara frio. Chegando em casa, os dois almoçam em família com seus pais. Como de costume, era sempre Serena a contar as novidades e ser ouvida, e seu irmão calado, mergulhado em cinzento esquecimento. A refeição termina, e ele vai até seu quarto.
Dave- #minha vida não muda... sempre, a mesma coisa. Eu gostaria de me alistar na Aliança. Viajar pelo espaço sideral deve ser a melhor coisa do mundo. Ao menos, melhor que esta minha rotina patética...#
Em meio a pensamentos perturbados, Dave cai no sono.
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Sistema Solar, bordo da nave Galaxy.
Estive em uma missão em Marte. Apenas o capitão Space, o engenheiro Connors e eu fomos até lá. Malditos seres! Lixos espaciais do pior tipo. Nossa missão foi um sucesso, mas não consigo deixar de pensar em Tony e Serena... eles não podem ter morrido! Eu rejeito este pensamento!
Ainda não pedi que fosse feita uma procura. Sou um novato na equipe do capitão Space, e, apesar de meu desespero em encontrá-los, eu não sei se ele concordaria em me ajudar.
Ultima Edição — 700 dias atrás: e eu levei dois anos para falar com o capitão...
– Diário de Dave Rogers, segunda página (editada).
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