Estrada Maldita
1 Único - Estrada Tamaldi
Notas iniciais
A estrada jazia escura e vazia na minha frente. O único ruído que eu escutava, além do motor do meu carro, era o ronronar do vento acariciando delicadamente as folhas.
Eu decidira sair mais cedo do casamento de Jenny, por conta própria. Aquilo, em minha opinião, estava um saco. Mulheres e homens felizes, com suas vidinhas perfeitas, admirando o casalzinho feliz do ano. Para mim, aquilo era muito fútil. Minha melhor amiga estava se casando, e agora a sua vida era completamente outra.
Está certo que perdi minha melhor amiga, mas devia estar feliz por ela. Mas simplesmente não dava. Eu havia desacreditado completamente em finais felizes.
Na última semana, meu relacionamento havia terminado. Simplesmente, do nada, ele quis acabar com tudo. A dor era tão grande em meu coração, que chegava a me sufocar por completo. Quando eu lembrava de seu beijo, de seu toque...
O carro desviou da estrada. Merda, pensei, mais um pouco e isso acaba me matando de verdade.
Comecei a me concentrar novamente na estrada. Quanto mais rápido eu fosse, mais cedo teria minha cama.
Os ponteiros do velocímetro começavam a subir e abaixei os vidros para deixar o vento bagunçar meu cabelo e acalmar meu coração.
A velocidade me deixava embriagada, era extremamente excitante. Se eu pudesse voar, aí sim, seria perfeito.
Foi aí que eu vacilei.
Minhas mãos começaram a suar e o carro começou a ir rápido demais. Coloquei o pé delicadamente no freio, tentando reduzir, mas não funcionava. Foi aí que eu me toquei.
Eu estava sem freio.
Meu Deus, pensei, Estou morta.
O carro começou a acelerar mais ainda, e eu não conseguia brecá-lo.
— O que está acontecendo? — Gritei em voz alta. — Por que não para? — Tirei desesperadamente os pés do acelerador, mas o carro não deu sinais de que ia parar. Pelo contrário, acelerava ainda mais.
Gritei desesperada e comecei a rezar todas as orações que sabia.
O veículo começou a balançar de um lado para o outro e os vidros começaram a estourar.
Percebi que estava indo em direção contrária a estrada, na direção de um velho penhasco.
Berrei, tentando abrir as portas, mas estavam trancadas. Desesperada, tentei abrir, mas estavam emperradas.
O carro ia deliberadamente à direção do penhasco, e não dava sinais de que ia parar. Estava me levando para o fim. Estava me levando para a morte.
O pára-brisas estourou em meu rosto, ferindo minha face e meus olhos.
Em meio a lágrimas e sangue, percebi que não devia ir tão rápido, pegar os caminhos mais fáceis. Como a Chapeuzinho Vermelho, eu iria acabar me ferrando. Sabia que aquela estrada era evitada, e agora sabia o porque.
Olhei de relance para a última visão da minha vida. A placa estava indicando o nome da estrada: Estrada Tamaldi.
O carro começou a cair e eu tive tempo de apenas uma coisa: desembaralhar o nome da estrada.
Estrada Maldita.
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