Estourando a Bolha
9 Scorpius Malfoy
Depois daquela noite na Sala Precisa eu finalmente entendi uma coisa. Eu estava tentando conquistar a Rose da maneira errada, sempre achei que palavras resolveriam tudo, mas não resolveriam. Eu podia dizer mil vezes que havia mudado ela só acreditaria quando visse. E eu estava disposto a esperar o tempo que fosse.
Os dias seguintes passaram mais rápidos do que imaginei. E, pela primeira vez desde que entrei em Hogwarts, eu não estava preocupado com qual garota iria beijar no fim do dia.
Na verdade... Eu mal olhava para as outras.
- Você viu que a Cartamole está te encarando? — Al perguntou enquanto saíamos do salão principal.
Olhei na direção que ele apontava, sorri de volta por educação.
Nada além disso.
Continuei andando.
— Ué... — Al parou no corredor. — Você não vai?
— Ir onde?
— Ela praticamente te chamou.
— Não chamou.
— Chamou sim.
— Ela só sorriu.
— E você não vai atrás?
— Não.
Ele ficou me encarando.
— Você está doente.
Revirei os olhos.
— Cresce, Potter.
— Não... sério.
Ele colocou a mão na minha testa.
— Você está com febre?
Afastei a mão dele.
— Eu simplesmente não tenho interesse.
— Merlin...
Ele começou a rir.
— Lyra!
Minha irmã apareceu do outro lado do corredor.
— O que foi agora?
— Seu irmão recusou uma garota.
Ela olhou para mim. Depois para a menina. Depois voltou a me olhar.
— Ela era bonita.
— Eu sei.
— E mesmo assim você ignorou.
— Ignorei.
Ela sorriu.
— Acho que ele finalmente criou juízo.
— Demorou só uns dezessete anos. — Al completou.
— Vocês terminaram?
Os dois riram.
Na quarta-feira pela manhã uma pequena caixa apareceu sobre a mesa da Grifinória. Eu fiquei da mesa da Sonserina só observando ela.
Rose a olhou curiosa e olhou para minha irmã que estava ao seu lado.
— Isso é seu? – vi quando ela perguntou a Lyra.
Minha irmã só negou com a cabeça. Então ela abriu. Dentro havia apenas três pequenas margaridas brancas. Nenhum bilhete. Nenhum nome. Apenas as flores. Ela olhou em volta tentando descobrir quem havia enviado. E então encontrou meu olhar na mesa da Sonseria.
Vi um pequeno sorriso surgir em seus lábios. Valeu cada galeão que paguei ao elfo.
Na sexta-feira outra apareceu, dessa vez um pequeno ramo de lavandas. Quando ela o pegou senti o perfume chegar até onde eu estava. Ela fechou os olhos por um instante. Sorriu novamente.
Lyra percebeu e me olhou imediatamente, claro que percebeu. Minha irmã percebia tudo.
— Bonitas.
Rose concordou.
— São.
Lyra olhou discretamente para mim. Sorriu de canto, maldita.
Na manhã seguinte fomos assistir ao treino de Quadribol. Ou melhor...
Al queria assistir ao treino da Lyra. Eu só aproveitei a desculpa. O treino terminou quase duas horas depois.
Os jogadores começaram a guardar os equipamentos. Rose, como capitã, conferia tudo antes de liberar o restante da equipe. Quando nos aproximamos Rose disse a Lyra.
- Pode ir Lyra. Eu termino aqui.
- Não. Vou te ajudar a guardar as coisas Rose.
- Eu ajudo – me meti na conversa dela.
Lyra sorriu então me deu um tapinha nas costas enquanto saia.
- Vejo você no dormitório depois. – Lyra disse para a amiga e saiu com o namorado.
Rose levantava o malão de bolas.
— Eu levo. – falei pegando dela
— Não precisa.
— Precisa sim.
Ela tentou pegar de volta.
Afastei.
— Capitã também cansa.
Ela sorriu.
— Obrigada.
Terminamos de guardar o restante do material em silêncio, era um silêncio confortável, não daqueles constrangedores.
Quando deixamos o campo, o céu começou a escurecer.
— Acho melhor acelerarmos.
— Também acho.
Nem terminamos a frase.A chuva caiu. Forte. Muito forte.
— Corre!
Rose começou a rir enquanto saíamos correndo. Corremos pelos jardins completamente encharcados. Meu cabelo grudava na testa. A capa já não servia para absolutamente nada. Rose ria tanto que precisou parar para recuperar o fôlego.
— Você está rindo da minha cara?
— Você parece um trasgo molhado.
— Olha quem fala.
Ela olhou para as próprias roupas. Explodiu em gargalhadas outra vez. Entramos no castelo pingando água.
— Vai pegar uma gripe.
— Você também.
— Minha mãe vive dizendo que Malfoy não pega gripe.
— Claro...
— Pegamos resfriado com elegância.
Ela riu.
— Seu ego continua enorme.
— Esse nunca diminuiu.
Ela balançou a cabeça.
— Boa noite, Scorp.
— Boa noite, Ro.
Vi quando ela foi em direção às masmorras. Só fui para o meu dormitório depois que ela desapareceu de vista.
Mais tarde, já perto do jantar, eu ainda pensava naquela chuva. Lembrei imediatamente de uma mania da minha mãe. Toda vez que eu e Lyra voltávamos ensopados de algum passeio ela preparava chocolate quente. Dizia sempre a mesma frase.
"Uma bebida quente depois de um banho de chuva esquenta até a alma."
Sorri sozinho. Escrevi um bilhete rápido para casa. O elfo apareceu poucos minutos depois trazendo uma pequena garrafa térmica encantada. Minha mãe era rápida. Muito rápida. Pedi duas canecas na cozinha e fui esperar Rose na porta do Salão Principal. Ela apareceu alguns minutos depois com a minha irmã. Os cabelos ainda estavam úmidos. Rose parou quando me viu, Lyra apenas sorriu e seguiu.
— Está tudo bem?
Levantei uma das canecas.
— Chocolate quente?
Ela me olhou surpresa.
— Você trouxe para mim?
Entreguei a caneca.
— Pedi para minha mãe mandar.
Ela dizia que uma bebida quente depois de um banho de chuva ajuda a aquecer. Rose segurou a caneca com cuidado. O vapor subia lentamente. Ela tomou um pequeno gole. Fechou os olhos.
— Está muito bom.
Sorri.
— Ela faz o melhor chocolate quente do mundo.
— Vou ter que concordar.
Ficamos alguns segundos em silêncio.
Ela olhava para a caneca.
Depois levantou os olhos para mim.
— Obrigada, Scorp.
— Não precisa agradecer.
— Preciso, sim.
Ela sorriu daquele jeito que fazia meu coração esquecer completamente como funcionava. Depois de alguns minutos entramos sem ao menos dizer nada. Fomos em direção a mesa e nos sentamos lado a lado, quando sentamos minha irmã olhou pra ela e sorriu.
— O Al nunca fez algo assim?
Rose virou surpresa para ela.
— Nunca?
Lyra balançou a cabeça.
— Nem flores.
— Lyra... — Al tentou argumentar.
Ela ignorou completamente.
— Eu estou mentindo Potter. Não acredito no que eu vou dizer, mas você deveria ter umas aulas com meu irmão.
Rose levou a mão à boca para esconder o riso. Eu ri alto
- Viu só, gosta tanto de falar de mim agora se ferrou em – eu zombei
Al fechou a cara.
- Não é justo Lyra – ele disse olhando a namora – eu já fiz varias surpresas pra você também.
- Vamos ver qual será o convite do Baile que você me fará e aí eu te digo.
Ele a olhou e não soube o que dizer. E então o jantar foi servido, vi quando a Rose tomou mais um gole do chocolate quente e me encarou por alguns segundos.
E, pela primeira vez desde que tudo aconteceu entre nós, vi algo diferente em seus olhos.
Ela já não olhava apenas para o garoto que havia partido seu coração.
Ela começava, aos poucos, a enxergar o homem que estava tentando conquistá-lo de volta.
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