Estou amando a namorada do meu irmão
1 One-shot
Notas iniciais
D-G: Para de agir como uma punk.
Foi mal. *Cora*... Saiu sem querer.
D-G: *Sorri*
Foi mal, tó num momento triste: Estou a 7 horas sem comer nada... Todo mundo sabe como as pessoas com fome ficam... E eu estou MORRENDO de fome. Tense ;/
D-G: *Suspira* Vamos postar antes que você conte todos os dramas da sua vida.
*Affs* Tá... Só porque você pediu com carinho *Affs*
D-G: Kisses people.
Tchau *Saindo correndo para a cozinha*
Estava deitada na minha cama, encarando o teto. A cama completamente desarrumada e o lençol me cobrindo o corpo nu davam uma ideia do que acontecera na noite de ontem.
Percorri o olhar pelo quarto procurando minhas roupas. As encontrei separadas em cantos diferentes, que foram isoladas no caminho que eu fiz ontem com a gata super delicada da festa que meu irmão havia feito em casa.
Notei que, felizmente, a garota não estava mais lá. Tinha sido inteligente e havia ido embora, ou então conhecia minha reputação e sabia que não gostava de amanhecer com garotas na minha cama, pois minha mãe, meu irmão, ou pior, a namorada do meu irmão poderiam ver e o negócio ia pegar mal para mim.
Sentindo uma onda gigantesca de preguiça fechei os olhos e deixei-me levar pelo sono. E enquanto eu durmo vou me apresentar: Sou Jane e moro com a minha mãe, que por um acaso está viajando e volta amanhã.
Tenho um irmão muito marrento que eu acho o pior de todos, o nome dele é Jorge, e tem 21 anos, 11 meses mais novo que eu. Nada parecido comigo: Os olhos dele são claros como o céu limpo e os cabelos são de um dourado de dar inveja, além de ser retardado, impaciente, se acha o tal e odeia brincadeiras amistosas. É praticamente minha mãe de calças.
Eu por outro lado tenho olhos escuros e mesclados completamente sombrios e cabelos negros como a noite sem luar e com algumas mechas vermelhas e brancas que herdei do papai, sou muito fria e indiferente, além de adorar jogos amistosos, videogames e viver infantilmente. Eu por outro lado sou o papai de saia, embora não use saia.
E também tem a gata em que eu sou completamente amarrada: Fabiana, 20 anos, a namorada do meu irmão. Ela é uma gata super sexy e com os cabelos ruivos ondulados e brilhantes, um corpo tão perfeito que dá vontade de apertar contra o meu só para ter certeza que ela é real. Seus olhos eram de um verde mais lindo e brilhante que um jade lapidado que quando encontram os meus, me fazem tremer. É super simpática, alegre e bem-humorada, além de adorar minhas brincadeiras e piadinhas idiotas.
Vocês devem estar pensando: “Como assim? Você apaixonada pela namorada do seu irmão? Nem rola Jane, é pura loucura”. Mas a verdade é que eu me apaixonei pela Fabi antes do maldito Jorge aparecer com ela. Como eu o amaldiçoei por pedi-la em namoro.
Bem aqui estava eu refletindo sobre a minha vida de merda quando batem na porta do meu quarto. Sem vontade de abrir a porta gritei um único “Entra!” e vi a praga do meu irmão entrando super precavido e desconfiado, de modo que me deixou desconfiada.
- Que é? – Perguntei fria.
- Eu queria bater um papo de irmão com você. – Eu o incentivei com um aceno. – É... Tem como você colocar uma roupa? Você assim está me incomodando. – Olhei para o lençol branco quase transparente e suspirei pegando minha coberta negra debaixo do travesseiro e a jogando sobre mim.
- Pronto. – Ele rolou os olhos e então suspirou.
- É o seguinte... Eu queria saber por que tá me tratando tão assim desde que eu apresentei a Fabi para você. – Eu fiquei incrédula e o olhei pasma. – Ela me falou que você a trata super bem e talz, mas você tá completamente seca comigo.
- Não eu estou como sempre fui com você Jorge. – Disse indiferente.
- Quer dizer que não tá emburrada comigo? – Ele perguntou.
Eu não respondi e apenas o olhei indiferente. Eu sempre o odiei e agora que ele estava namorando a garota que eu amava ai que eu ia estar emburrada com ele.
- Beleza! – Ele disse super contente, não acredito que ele acha que eu não o odeio. – Então pode fazer um favor para mim?
- Já to vendo isso da merda. – Eu disse suspirando.
- Eu vou pedir para que você leve a Fabi na casa dela, vou dar uma desculpa qualqu- Eu o interrompi lembrando que dia que era.
- Você não tá querendo que eu livre a barra para você comprar um presente de última hora pra a garota não né? – Perguntei arqueando a sobrancelha esquerda.
- Você se lembra? Ótimo. Isso simplifica as coisas. – Disse ele. Claro que eu me lembrava, eu decorei aquele aniversário dois dias depois que a gata chegou à cidade. – Então, eu e uma cambada de gente vamos fazer uma festa surpresa, mas como eu estou organizando a festa não posso atrasá-la, quer dizer, levá-la pelo caminho mais longo. Então você podia levar ela pra mim.
Eu fiquei perplexa. O garoto estava entregando a namorada de bandeja para a leoa devorar? Só faltava perguntar qual o tempero que eu queria. Sem precisar pensar muito eu disse:
- Certo, eu levo a garota, pode despachar agora. Fala que vai... – Eu pensei um pouco. – Buscar a mamãe na rodoviária. Eu te ligo em alguns minutos para fingir uma conversa no tel.
Ele me olhou completamente admirado e me deu um beijo na bochecha antes de dizer um “Obrigado” e sair lentamente do meu quarto, fechando-o assim que saiu. Eu praticamente arranquei minha bochecha fora tentando limpá-la do veneno nojento daquele irmão de merda.
Esperei alguns minutos antes de pegar meu celular na cabeceira da cama e liguei para o telefone de casa. A voz de Jorge que ficava mais grave no telefone atendeu com um alô animado.
- Jorge... Tenta parecer que é a mamãe no telefone, se não eu te esquartejo – Eu disse liberando um pouco da verdadeira raiva que eu sentia por ele.
- Oi, mãe. – Ele disse em tom de sorriso.
- Muito bom, continua ai...
- O que houve? – Ele continuou.
- Jorge, vou precisar enrolar muito? – Se fosse sim eu só chegaria lá perto da meia-noite, era melhor ele ponderar bem sobre o assunto.
- Sim, certo. – Ele tá começando a pegar o jeito, um jeito que por acaso eu peguei muito bem por ter de mentir para cacete pra mamãe e pro Jorge.
- Hm... Vão fazer a festa na casa dela ou noutro lugar? “Sério?” para dela e “Não acredito!” Para outro lugar. – Eu disse.
- Sério? – Ele disse e então disse: — Mas mãe, tá tudo bem com você? Não te machucaram nem nada né? – Ele perguntou.
- Que brincadeirinha tensa você tá inventando ai garoto? – Eu perguntei.
- Hm... Só um minuto... – O ouvi conversar mais baixo e abafar o telefone com a mão, parecia conversar com a Fabi. – Mãe quer que eu te busque na rodoviária?
- É, é... Algo assim – Eu disse só para dar um tempo mais ou menos que daria numa conversa real.
- Certo mãe, estou indo, só não garanto que chego cedo, já que, bem... O trânsito tá horrível. A Fabi te mandou um beijo. – Senti-me fazer uma careta e ouvi o outro lado da linha parado para depois desligar o celular.
Fiquei na minha cama descansando um tempo antes de ouvir leves batidas na porta e a voz musical e encantadora da Fabiana:
- Posso entrar? – Soltei um gemido ao ouvir a voz em meus tímpanos. Completamente diferente de qualquer voz daqui da cidade.
- À vontade. – Eu disse jogando os braços sobre os olhos e fazendo uma voz rouca, como se estivesse acabado de acordar.
Ouvi-a abrir a porta e hesitar um pouco ali antes de andar um pouco até a cama de casal que ocupava uma pequena parte do meu quarto.
- Te acordei? – Ela perguntou com ternura, neguei com a cabeça.
- Como posso ajudá-la? – Perguntei preguiçosamente ainda com os braços sobre o rosto.
- Sua mãe ligou. – Disse ela.
- O que houve? Esqueceu qual o nome do livro que eu pedi para ela comprar? – Perguntei meio risonha, só para parecer mais verdadeiro.
- Parece que ela foi assaltada... – Fabiana disse meio séria.
- Ah... A sua ideia é mais emocionante e muito melhor... Por que essas coisas legais só acontecem com a mamãe e o Jorge? – Perguntei fazendo pouco caso, que eu faria mesmo se fosse verdade.
- O assunto é sério, Jane. Ela poderia ter se machucado. – Sua voz estava tão autoritária que me assustou, mas não demonstrei isso.
- Hunf... Ela ligou isso quer dizer que não morreu e se tivesse morrido não ia fazer diferença. – Disse indiferente.
- ELA É SUA MÃE! – Fabi berrou e tirou o braço que cobria meu rosto com um supetão me assustando.
- E daí?! É a minha mãe não a sua! Os sentimentos são meus, os deixe quietos! – Eu disse irritada virando o rosto para não encarar sua expressão raivosa.
Ouvi-a trincar os dentes, mas não respondeu. Pareceu respirar fundo e depois se afastou da cama indo até a porta e antes de sair disse:
- Seu irmão vai buscar sua mãe na rodoviária. Ele pediu que você me levasse para casa, mas do jeito que você é frígida não vai me levar então- Eu a interrompi:
- Eu te levo. – Disse encarando o teto branco. – Posso ser fria e indiferente, mas não sou mal-educada e embora não pareça. – Eu me virei para ela encarando seus olhos sérios e meio furiosos. – Eu me importo com o que meu pai e irmãos pensam de mim, e acho que deixar você ir de táxi ou sozinha quando me pediram para eu levá-la vai queimar o meu filme com eles e o pai. – Eu disse sem motivos eminentes.
Ela me olhou surpresa enquanto me virava para encarar o teto. Ouvi-a bater a porta com fúria e um suspiro escapou de meus lábios. Você ta fazendo tudo errado Jane. Ouvi-me pensando, mas apenas suspirei novamente antes de cair num ótimo cochilo.
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Estava cochilando calmamente quando ouvi batidas na porta, meio irritada abri os olhos e olhei em direção a porta, a ressaca finalmente batendo.
- BATE MAIS FORTE, TALVEZ A PORTA SE PARTA NO MEIO! – Berrei e logo me arrependi, mesmo seja quem fosse não tendo batido mais forte na porta, meus tímpanos reclamaram do meu berro.
Soltei um gemido de dor e massageei minha fonte, completamente grogue. Maldita ressaca atrasada. Pensei abrindo a gaveta do criado mudo onde peguei um belo comprimido para essa porcaria de ressaca. Despejei um pouco de água gelada no copo sobre o criado mudo e engoli o remédio, tomando a água em seguida.
Levantei-me enrolada no cobertor e caminhei pelo quarto pegando minhas peças de roupa, foi ai que voltaram a bater na porta.
- CALMA AI, MERDA! – Berrei para praguejar em seguida por causa da minha cabeça mega pesada. Fui até o banheiro da minha gigantesca suíte e abri a torneira para encher a banheira, sai em seguida em direção ao meu closet e peguei uma roupa casual qualquer e voltei para o banheiro com as roupas na mão.
No momento em que eu deitei na banheira cheia de água quente e relaxante senti a preguiça contaminando meu espírito pior que gripe em gente. Fiquei ali por minutos que se alongavam gostosamente para finalmente começar a me lavar e mergulhar-me de brincadeira na banheira, só para me lembrar dos tempos de infância em que eu e meus irmãos pulávamos na piscina para valer.
Ah! Eu não contei para vocês do meu outro irmão mais velho nem da caçulinha adotiva né? A história da caçulinha é meio engraçada, mas antes vou apresentar o mais velho.
O Kennedy tem 25 anos e é tipo completamente parecido comigo, tanto nas escolhas (Ele também é bissexual e adora as mesmas coisas que eu, ou eu adoro as mesmas coisas que ele) como em corpo: Os cabelos dele também são negros, porém não tem as mechas que eu herdei do meu pai, pois somos filhos de pais diferentes, talvez tenha sido por isso que nos damos tão bem. Os olhos dele também são mesclados, porém enquanto os meus são bronze-âmbar os dele são preto-bronze, muito mais bonito. Ele tem uma casa a duas quadras daqui que herdou do pai há dois anos, sempre que eu brigo com a nossa mãe eu paro lá e a gente vai jogar videogame. Ele tem o tipo de físico perfeito: nada super musculoso nem nada magrelo, é alto e tem braços fortes que marcavam sua famosa ‘pegada’.
Bem, a história da caçulinha é o seguinte: Minha mãe não gostou muito da ideia de eu ser bissexual ai ela... Bem... Adotou uma garota que era o sonho dela desde que eu tinha uns doze anos. Só que ela se deu mal, a Danielle que é quatro anos mais nova que eu, se apaixonou por mim dois anos depois de ser adotada (Na época que ela seu apaixonou eu tinha 17 e ela 13). E eu notei, no segundo dia que a vi, que ela era lésbica, o jeito dela de falar e como se portava com os garotos e com as garotas... Eu notei fácil, fácil.
Hoje a Dani tem 18 anos e uma namorada, deve ter dormido na casa da namorada já que a Dani não curte as festa do tipo que o Jorge dá e a Elisabeth respeita essa opinião se ganhar algo por não ir para a festa (Sabe... Uma recompensa muito sensual pela perda). A Dani me respeita e me adora, como uma verdadeira caçulinha adora a irmã mais velha. Jorge é o mais esquecido do grupinho de irmãos Perlo, talvez por ele ser o único heterossexual de nós quatro, ou por ele ser super marrento e roubar o alvo da irmã (Olhar mortal), não faço a mínima ideia.
Abri os olhos debaixo d’água e lembrei que tinha de levar a Fabiana pra casa dela. Submergi e suspirei balançando meus curtos cabelos negros. Levantei-me e sai da banheira, molhando o piso do banheiro.
Sequei-me calmamente, mas de qualquer jeito para depois me vestir calmamente e sentir a roupa colando fracamente em mim, por causa da água. Sequei mais ou menos o meu cabelo na toalha e deixei-o bagunçado. Fiquei frente ao espelho e me olhei de cima a baixo; Camisa negra solta (Provavelmente por que havia sido do Kennedy) com estampas de alguns animais como lobos e tigres, notei que por causa da água a camisa antes solta agora estava um pouco colada, uma calça boyfriend preta e um all-star azul-marinho, pisquei para o meu reflexo e coloquei a braçadeira de prata peruano, um presentinho perfeito do vovô.
Abri a porta do quarto e dei de cara com Fabiana pronta para arrebentar a porta com mais uma das suas batidas furiosas.
- Aleluia! – Ela disse e eu rolei os olhos. – Achei que tinha morrido nesse quarto.
- Certamente não seria por sua causa. – Eu disse fria, uma frase completamente sem sentido para qualquer um que a ouça, mas se você soubesse o tanto que os garotos se espancavam no colégio por causa dessa garota ficaria assustado(a).
Ela me mostrou a língua e eu rolei os olhos fazendo pouco caso para depois entrar novamente no quarto e pegar uma das mochilas jogadas pelo quarto e a abrir colocando algumas mudas de roupas. Aproveitei e peguei minha jaqueta jeans que vesti rapidamente.
- Por que tá arrumando uma mochila? – Ela perguntou curiosa.
- Curiosidade mata. – Eu disse indiferente, jogando a mochila sobre o ombro.
- É sério... Por quê? – Ela disse, agora meio triste.
Estreitei os olhos para ela e sai do quarto sem falar nada. Segui até a cozinha americana que era grande demais para só 3 pessoas na casa, quatro se contarmos a freqüência com que a Fabiana dorme aqui em casa. Abri a geladeira e peguei um misto quente que mamãe sempre fazia antes de ir viajar.
Coloquei o misto num prato qualquer e praticamente joguei o prato no microondas. Peguei um copo e coloquei na mesa. Fui até a dispensa e peguei uma garrafa de coca-cola no freezer, e também ketchup e algumas guloseimas qualquer.
- Vai ficar ai só olhando ou vai arrumar um café-da-manhã pra você também? – Perguntei indiferente para Fabi que estava apoiada no balcão.
- Tá tarde para um café-da-manhã e eu também já tomei o meu. – Ela disse corada. Rolei os olhos e fui até a sala onde liguei o som num volume consideravelmente bom para que eu ouvisse caso a Fabiana quisesse falar comigo e para acordar os vizinhos que ainda estivessem dormindo.
- Errar não é humano, depende de quem errar, esperamos pela vida, vivendo só de guerra... – Cantei junto com o som.
- Você tem um gosto musical um tanto peculiar. – Comentou Fabi.
- Coisas da minha época de infância e começo de adolescência. Fazem-me ficar mais leves.
- Mas ao mesmo tempo em que gosta de músicas da sua época de infância e adolescência curte músicas de agora...
- Se tiver letra e uma melodia que batem, eu curto... Mas não curto essas coisas meladas de hoje em dia. Nem essas vozes adolescentes que vão entrar em crise de existência quando suas vozes mudarem e então eles não poderão mais cantar como antes e vão perder suas fãs... Ah! E esses retardados que cantam e fazem sucesso só pelos rostinhos bonitos... É outra coisa idiota. – Eu disse enquanto tirava meu misto quente do microondas e colocava um pouco de coca-cola no copo.
- Você sabe bem do que está falando, ao contrário do Jorge que fala que não gosta de pop, mas vive ouvindo pop americano. Fala que odeia sertanejo, mas vive tocando essas músicas nas festas dele.
- Jorge é pior que menininha mimada, não se decide nunca. – Eu disse e comecei a comer meu misto para depois, no meio do meu lanche eu parar e ficar séria. Engoli a comida e me levantei caminhando até Fabiana. – Eu por outro lado... – Minha voz saiu rouca quando eu aproximava meu rosto do dela, sua face corada e sua respiração alterada.
- J-Jane... – Ela gaguejou e eu ri me virando para minha mesa e voltando à comer meu lanche e tomar minha deliciosa coca.
Você deve estar achando tudo estranho: Uma hora eu te digo que amo a garota, depois a trato indiferentemente e agora eu quase a beijo. Bem... Eu não sou o tipo que corre atrás, sou bem preguiçosa até nesse assunto, e sei que ela vai me negar, por isso eu to pouco me lixando para o que a gatinha pensa.
Quanto ao fato de eu ficar indiferente, é um jeito de tentar esmagar esse sentimento que fica mais forte quando estou perto dela. E esse “quase beijo” foi por que eu pensei em uma resposta para dar uma reação muito boa por parte dela. E vamos dizer que tentar fazer igual o meu pensamento não vai matar ninguém.
Terminei meu lanche e joguei minhas guloseimas na mochila. Sai em direção à garagem e entrei na lamborghini um pouco irritada. Não por causa da Fabi, talvez um pouquinho, mas porque não podia levar minha moto comigo. Mesmo tendo planos fantásticos para a pós-entrega (Me afogar em coca-cola videogames, ou entrar numa boate qualquer e sair de lá só na semana que vem)
Bem, sobre o caminho minha mente não havia formulado plano nenhum, e quando pensei nisso e vi a Fabiana entrando no carro minha mente se poluiu, principalmente pela roupa indecente que ela usava: Um vestido delicado e modesto, de um vermelho claro, quase rosa, super curto.
Notei, depois de conseguir limpar vagamente a minha mente, que ela usava uma correntinha que eu havia dado no ano passado de aniversário: Uma correntinha de prata, feita sob medida para a minha garota perfeita (Tinha até um amuleto de coração que abria). Notei que usava também as sapatilhas que meu irmão Ken escolheu perfeitamente para ela (Esse garoto é monstruosamente perfeito para comprar presentes para garotas), além de vários outros presentes dos irmãos Perlo, tudo delicado e simples, combinando com seu vestido, mas também notei que não havia presentes do Jorge. Liguei o som do carro em um volume mediano e perguntei:
- Por que usar tantos de nossos presentes? – Abri o portão pelo controle eletrônico.
- Por causa do dia de hoje. – Fiz uma cara de desentendida, embora entendesse. Ela me olhou tristemente ao ver meu olhar e deduzir que eu não me lembrara do aniversário dela.
Dei de ombros e liguei o carro preto de janelas fumé: Presentinho especial do papai. Afundei o acelerador só para ouvir o ronronar da minha máquina. Soltei um pouco o acelerador e soltei o freio de mão vendo o carro avançar apenas o suficiente para eu sair da garagem e apertar o botão para fechar o portão.
Ao ver o portão se fechando acelerei rapidamente meu carro: Não tinha limites quando estava no volante, por isso não bebia muito quando estava dirigindo.
- Jane! Vai nos matar se não ir com calma. – Ela disse quando eu desviei por um triz de um caminhão de carga. Ri alto desviando meu olhar da estrada por míseros segundos que fizeram Fabiana gritar e no mesmo momento eu notei que iria bater numa Mercedes super lenta na minha frente (Ou talvez só mais lenta que meu belo carrinho). Ultrapassei rapidamente desafiando um gol que vinha na direção contrária que eu estava indo. Desviei no último minuto vendo o Gol passar raspando na minha tintura.
- OLHA POR ONDE ANDA BARBEIRO! – Berrei pela janela.
Fabiana estava super assustada e eu ria da sua cara enquanto seguia por um anti-atalho, ou seja, um caminho que levava para a casa dela, mas demorava mais do que ir a ando e nado do Brasil até o Japão.
Comecei a cantar junto com o som, já tinha ido quase um CD inteiro cantando antes de chegar na metade do caminho.
- Pra quem está correndo demais você tá demorando a chegar. – Disse ela.
- Eu quero aproveitar o tempo, por isso estou indo pelo caminho mais longo. – Eu disse com um sorriso me desviando para uma das ruas que ainda não havia sido asfaltada, quando estava praticamente no meio do loteamento recém-feito eu parei o carro.
- O que houve? – Ela perguntou assustada.
- Um pequeno problema. – Disse encarando a estrada meio concentrada tentando limpar a minha mente, sem sucesso.
- Qual problema? – Pensei em mentir, mas não dava, mas também não podia dizer a verdade...
Respirei fundo e abaixei tanto o som que parecia até uma música de fundo de teatro, e fazia isso encarando profundamente os olhos jades que tanto me impressionavam. Aproximei-me de seu rosto, sua expressão totalmente chocada. Meus lábios roçaram os dela e então eu respondi sua pergunta:
- Não consigo parar de pensar em você. – Meus olhos se fecharam quando eu beijei seus lábios e segurei sua nuca com minhas duas mãos para que ela não pudesse se separar de mim.
Senti suas mãos tentando me empurrar, mas eu não me importava mais. Tentei invadir sua boca com minha língua, mais sua boca estava fechada com força.
Um pouco irritada soltei uma das mãos de sua nuca e apertei sua mandíbula com força, fazendo-a abrir a boca e me permitindo explorar sua boca com a minha língua, mas mal minha experiência começara, ela mordeu minha língua.
- Out! – Eu disse puxando o inglês que eu era viciada. Tranquei meus dentes para depois sorri maliciosamente, mas meu sorriso desapareceu quando seu tapa veio furiosamente de encontro ao meu rosto. Soltei uma exclamação espantada quando senti a marca do tapa ardendo completamente na minha bochecha. – Por que fez isso, droga?! – Perguntei.
- Para ver se você acorda! – Ela berrou irritada. – Eu sou a namorada do seu irmão!
- Tô pouco me lixando com isso! – Eu disse passando para o banco dela e encarando seus olhos verdes com irritação, ganância e gula. – Eu me apaixonei por você no primeiro momento em que te vi, eu te mostrei para o meu irmão, eu fiz, sem querer, que ele se apaixonasse por você. Eu quase matei aquele retardado quando ele te pediu em namoro. Eu acho que ao menos o direito de te beijar eu tenho, por aguentar 4 anos nessa merda, segurando meus desejos e minha raiva. – Eu disse a fazendo ficar espantada, ela não esperava.
- J-Jane. – Ela gaguejou e eu encarei seus olhos seriamente. – E-Eu...
- Está apaixonada pelo meu irmão? Que se foda, eu já não quero mais saber também! Segurei-me por longos quatro anos, agora eu vou acabar com essa tortura que é só poder olhar sem poder satisfazer meus desejos. – Eu disse ficando mais rouca e me aproximando cada centímetro enquanto falava.
Rocei meus lábios nos dela novamente, sentindo sua respiração se alterar vagarosamente, sorri mentalmente, mas fingi que não me importava. Voltei a beijá-la, mas dessa vez ela não me negou, mas também não retribuiu. Ela estava concedendo meu direito, mas não era assim que eu queria satisfazê-los, eu queria senti-la retribuindo e sabia muito bem como fazer isso. Não era a toa que minha caixa postal estava lotada de mensagens pedindo uma segunda rodada.
Soltei de vez sua nuca e comecei a levantar seu vestido, apalpando com firmeza sua coxa e ouvindo-a gemer meu nome contra o beijo. Ronronei excitada quando ouvi aquele gemido.
- Gema de novo... Só pra mim. – Eu pedi com um ronronar enquanto beijava, mordiscava e chupava levemente seu pescoço, na medida para não deixar marcas. Notei que ela não iria gemer novamente meu nome tão facilmente.
- Jane. – Ela gemeu alto quando dei um chupão mais forte. Gemi de prazer ao ouvir meu nome pronunciado por aquela boca carnuda e sexy.
- Vou te dar uma dica. – Eu disse me afastando um pouco dela e encarando seus olhos verdes com malícia. – Você se daria melhor se me obedecesse... Eu odeio ser desobedecida. – Eu disse com uma malícia e luxúria que superavam todas as outras vezes de minha vida.
Ela apenas desviou o olhar do meu e eu fiz uma careta. Beijei seu pescoço exposto. Apertei a parte interna da coxa próximo a intimidade, fazendo-a gemer novamente.
De repente meus planos de apenas ficar assim: Nas carícias e nos beijos, desapareceram. Eu queria atravessar aquela barreira, e várias outras. Ronronando de prazer com aquele pensamento eu beijei seus lábios com luxúria e notei, que pela primeira vez, ela estava retribuindo.
Estranhamente ela entrelaçou minha língua na dela e então nossas línguas dançavam no ritmo dos nossos corações. Separei-me dela mordendo-lhe o lábio inferior e fazendo-a se aproximar do meu rosto, como se para prolongar o beijo.
- O que houve com a Fabiana certinha e apaixonada pelo namorado? – Perguntei provocante.
- Nunca existiu. – Foi minha vez de ficar espantada. Ela não era apaixonada pelo meu irmão? Lentamente um sorriso malicioso e torto surgiu nos meus lábios.
- Melhor assim... Ai você não estará traindo seus sentimentos. – Eu disse me lembrando como é trair um sentimento. – É horrível trair um sentimento... Sei por experiência própria. – Eu disse a última parte com certa melancolia, que desapareceu do meu coração quando seus lábios tocaram os meus com fúria e volúpia.
Suas mãos subiram experientes por dentro da minha camisa. Arranhando minha barriga e costas, me fazendo gemer quando suas mãos apertaram meus seios.
- Está sem sutiã? Safada. – Ela disse num tom de vez que não combinava com ela, mas me fez gemer. Não tinha resposta, realmente era safada, pervertida e estava pouco me lixando.
- Se for usar sua boca para dizer merda... – Eu disse e puxei sua nuca. – Cale a boca e me beija. – Eu completei beijando-a e a sentindo sorrir maliciosamente contra o beijo.
Nossas línguas voltaram a se entrelaçar freneticamente, quase se engolindo. Mas eu acabava parando no meio da nossa “dança” quando sentia suas mãos massageando meus seios. Não incomodava, muito pelo contrário, me dava um prazer imenso e isso me fazia parar no meio do beijo apenas para soltar um gemido e ver o sorriso malicioso da Fabiana.
Com certa raiva pela forma com que não conseguia me concentrar por causa das suas mãos, eu tirei minha jaqueta aberta e depois a camisa branca. Ouvi-a arfar enquanto olhava meu corpo: Abdômen liso e um pouco trabalhado pelos vários esportes que eu praticava, seios médios e o que provavelmente fez Fabiana arfar: Minha cicatriz. Quase imediatamente que ela viu minha cicatriz se afastou de mim, arqueei uma sobrancelha e perguntei:
- Que há? – Segurei seu queixo e há virei para mim para que ela me encarasse.
- F-Foi m-minha culpa... – Ela disse tremendo enquanto passava levemente o indicador pela cicatriz que cortava quase todo o meu abdômen.
- Já disse que não foi, droga. – Eu disse, entre dentes, pela milionésima vez. – Você sabe que eu gosto de bancar a heroína, deveria ter aprendido que eu sou assim nos 6 anos que nos conhecemos. – Eu disse calmamente tocando nossas testas.
- M-Mas... Mesmo assim... – O jeito como tremia e as lágrimas começavam a se formar nos seus olhos me fizeram ficar irritada e ao mesmo tempo triste, algo muito estranho.
- Mesmo assim a ova! Já deu Fabi, esquece... – Eu comandei com firmeza.
- N-Não consigo. – Ela respondeu triste, me fazendo tremer de tristeza.
- Droga Fabi! – Eu berrei irritada fazendo-a me encarar assustada. – Você tem que aprender que ficar triste na minha frente é me deixar triste. – Eu disse sentindo meus olhos marejarem no mesmo instante que as lágrimas desciam pelo rosto dela.
Segurando minhas lágrimas beijei as suas calmamente, como se tivesse a eternidade. Senti-a sorrir enquanto me abraçava com ternura que me assustou. Eu então tomei uma coragem absurda para transformar meus sentimentos em palavras:
- Eu te amo. – Sussurrei com calma e uma ternura que ninguém acreditaria ser minhas.
Ouvi-a suspirar e senti seus lábios tocarem ternamente o meu pescoço e depois meu ombro com calma e paixão que faziam meu coração falhar.
- Eu também te amo Jane... – Sussurrou ela tão calmamente, de forma que ela parecia ter toda a eternidade.
Eu respirei fundo e sorri me afastando dela apenas o suficiente para encarar seu rosto e seus lindos jades brilhantes. Sorrindo abertamente tomei novamente seus lábios com os meus, completamente apaixonada, sentindo-a retribuir do mesmo modo. Separamo-nos e novamente nossos olhares se encontraram, apaixonados como eu nunca pude imaginar.
- Por que não me contou? – Perguntei sem ar, enquanto a sentia beijar meu pescoço.
- Achava errado. – Ela disse. – Eu comecei... A te amar faz... Pouco tempo... – Ela disse entre os beijos e as mordidas que dava na minha pele. Soltei um gemido baixo quando senti seus lábios tocarem meus seios, completamente famintos.
Queria acabar com aquilo e depois dar meia volta e desaparecer do mapa com Fabi, mas devia haver um motivo por ela não ter terminado com o meu irmão quando descobriu que me amava.
- Termine com Jorge. – Eu pedi arfante puxando seu rosto para mais perto de mim, de modo que eu pudesse ver seus olhos. Porém mal meus olhos encaravam os dela, nossas bocas voltavam a se beijar com urgência e paixão. Quando nos separamos, sem ar, eu tirei-lhe o vestido rapidamente e meus olhos percorreram seu corpo com malícia e gula. – Não acredito que aquele retardado tinha essa deusa perfeita junto dele e não sabia aproveitar. – Eu disse enquanto voltava a encarar seus olhos, ela riu.
- Ele não me terá por muito mais tempo. – Ela respondeu simplesmente e eu sorri largamente enquanto começava a beijar-lhe quase todo o corpo, começando pelo pescoço e descendo até a virilha.
Enquanto beijava seu corpo senti que ela desabotoava minha calça calmamente. Por um momento pensei em dizer todas as declarações de amor que tranquei no meu coração nos últimos 6 anos, mas percebi, que naquele momento, não era necessário uma única palavra a mais.
Desabotoei seu sutiã e beijei os seios fartos que por tanto tempo desejei tocar. Senti suas unhas arranhando com força minhas costas e soltei um leve gemido, não de dor, mas de prazer. Comecei a mordiscar e lamber seus seios com ferocidade e paixão.
Estava prestes a... “Descer minhas carícias” por falta de palavras, quando meu celular tocou. Eu não tava nem ai para o aparelho, mas parecia que a Fabi estava se importando, pois fez questão de pegar o celular no meu bolso de trás. (Fazendo questão de enrolar para encontrá-lo)
- Atende. – Disse ela com o celular na mão
- Deixa tocar. – Eu disse beijando seus lábios com calma e paixão.
- Pode ser importante... – Ela sussurrou contra meus lábios.
- Deixa tocar. – Eu repeti beijando seu pescoço e descendo minha mão pelo seu corpo até a virilha. – Tava pensando em coisas mais importantes para fazer com meu tempo. – Disse rouca no seu ouvido.
- Jane... – Ela murmurou quase implorando. – Por favor.
- Meu amor... – Eu disse, triste por ter de parar com a “brincadeira”. Peguei meu celular da mão dela e atende emburrada: — Quem incomoda?
Ouvi Fabi rir ao meu lado e vi quando ela foi fazer algo mais importante. Puxou-me pela cintura me fazendo quase cair em cima dela. Ficamos a milímetros de distancia.
- Alô, Jane é o Jorge. – Disse a voz do outro lado da linha, soltei um grunhido que foi ‘abafado’ pelo selinho da Fabiana. – Você tá meio que demorando...
- Desencana Jorge, já to no carro. – E já faz um longo tempo. Fabiana riu de novo, abafei o fone do meu celular e perguntei baixo: — Qual a graça? – Ela não me respondeu.
- A Dani e o Kennedy estão aqui. – Disse Jorge com um tom de nojo na voz.
- Se você expulsar eles, eu te arranco o coro e uso como tapete – Disse irritada.
- Eu sei, por isso que eu os deixei ficar. – Disse a peste.
- Beleza. Estou quase chegando... – Eu disse e desliguei o telefone na cara dele.
- O que foi? – Perguntou Fabiana. Suspirei.
- Jorge enchendo o saco. – Eu disse. – Ah! Ele tá na sua casa... Junto com uma cambada de gente. – Eu disse e me sentei no meu banco procurando minha camisa e a jaqueta.
- Será que—Ela aparecia que estava falando com ela mesma, mas eu mesmo assim interrompi:
- Ele tá fazendo uma festa surpresa? Infelizmente. – Disse eu. – Ah... E eu se fosse você terminava com ele hoje, porque eu quero dar o meu presente de aniversário para você. – Eu disse com um sorriso malicioso.
- V-Você se lembrou? – Ela perguntou entusiasmada.
- Nurf. – Eu disse como se fosse incapaz de esquecer, e realmente era. – Claro que sim. Foi a primeira coisa que eu pensei quando acordei hoje... – Disse colocando minha camisa e abotoando a calça. – Coloca o vestido né? Aparecer semi-nua no seu aniversário vai ser hilário. – Eu disse.
Ela corou e abotoou o sutiã para depois colocar o vestido enquanto eu ligava o carro. Joguei a jaqueta por cima do corpo e passei a mão no cabelo antes de acelerar pela estradinha.
- Não esquece... Entra, fica um tempinho, dispensa o carrapato do meu irmão e vamos embora para que eu possa dar o meu presente para você. – Eu disse olhando para a estrada.
- Posso saber qual o presente? – Ela perguntou maliciosa.
Eu ri e desacelerei um pouco, apenas pra não ter risco. Virei-me para ela e dei-lhe um selinho rápido para depois voltar minha atenção para a estrada.
- Sur-pre-sa~ — Disse com um tom de voz cantante.
- Não sei se vou conseguir lembrar-me de tudo. – Ela disse fazendo um biquinho uma voz infantil que me fizeram suspirar cansada.
- Se eu achar que você esqueceu... Eu te seqüestro. – E então sorri de canto indo em direção a um caminho mais rápido.
- Um... Estou do lado de uma futura seqüestradora? Isso é perigoso. – Ela disse com malícia beijando meu pescoço e puxando um pouco a jaqueta para não atrapalhar.
- Fabi... Estrada. – Eu disse.
- A estrada é problema seu. – Ela retrucou com um sorriso malandro enquanto beijava meu queixo.
- Por favor, Fabiana... Espera, relaxa... Você está muito apressadinha pra quem tava valorizando o moral de namorado no começo da viajem. – Disse entrando na sua rua. – Estamos chegando, finja que não sabe de nada. – Eu disse estacionando de frente para o portão da casa dela, sou do mal.
- Quanto tempo você me dá pra falar um oi e tchau e voltar? – Ela perguntou um pouco tensa.
- Vou entrar com você. – Eu disse saindo do carro e fazendo questão de correr ao redor do carro só para abrir a porta para ela. – Cara de surpresa. – Eu avisei e ela fez uma careta.
- Fingir que estamos brigando? – Ela saiu do carro e perguntou me olhando nos olhos
- Demorei de mais né? – Eu perguntei fechando a porta. – Talvez isso faça o Jorge esquecer esse negócio de eu parecer “gostar de você e implicar com ele”.
- Mas você realmente está fazendo isso. – Ela disse rindo disfarçadamente.
- Ele não precisa saber. – Eu disse e completei: -... Ainda.
Sorri malandra e começamos a discutir fingidamente enquanto ela pegava a chave da bolsa. Ela tirou a chave da bolsa e abriu a porta da garagem sem pressa, parecendo esquecer que tinha de destrancar. Atriz perfeita, mais um ponto para ela, pensei seguindo ela para dentro.
- Não precisa me escoltar até dentro de casa também não! Já que demorou tanto nem faz diferen- Nesse exato momento ela abria a porta da casa e fingiu espanto ao ver aquele tanto de gente gritando “Surpresa”
- Feliz aniversário – Disse Jorge abraçando a minha garota. Resmunguei qualquer coisa e sai de lá da rodinha que se formava para dar parabéns para a Fabi. Juntei-me aos meus irmãozinhos que estavam na cozinha comendo os ‘quitutes’ e bebendo, como uma boa “visita de casa” deve fazer.
- Fala ai pragas. – Eu disse trocando um aperto de mão com o Kenn e depois com a Dani. Dei um abraço na Lise que fez a Danielle ficar com uma cara... – Relaxa Dani, eu não vou catar a sua namorada, estou preste roubar uma pra mim. – E então eu dei um sorriso de gato do “Alice no País das Maravilhas”.
- Hm... Quem maninha? – Perguntei o Kennedy.
Eu apenas ri e peguei uma torrada e um copo de ice disposto na mesa.
- Ei! Esse copo é meu. – Disse a Dani. – Do tanto de boca que você já beijou vai me passar bactérias.
- Relaxa, hoje só beijei uma pessoa. – Eu sorri mais largo ainda.
- Sorri um pouco menos Jane, desse jeito vai ficar com câimbra. – Disse o moreninho. Eu parei de sorrir e ri devorando outra torrada.
- Então, quem vai ser dessa vez? – Perguntou minha cunhadinha.
Nem dei trela me sentei na mesa olhei para os lados peguei outra torrada e fiquei assim, apenas na alegria de uma vida feliz.
- Fala ai, peste! – Disse o Kennedy me dando um tapa na nuca.
- Dessa vez não, né Lisinha... É a minha primeira vez namorando. – Eu disse rindo da cara dela.
- Conta quem vai ser! – Disse Dani.
- É uma garota... – Eu comecei e eles fizeram cara de “Tanto faz”. – Muito gata, que está—Parei quando vi a peste entrando com minha amada.
- Jane, eu queria agradecer por trazer a minha namorada sã e salva... Mesmo demorando tanto. – Ele disse rindo. Fiz uma careta na hora que ele disse “namorada” e depois rolei os olhos quando ele terminou de falar.
- E desculpa... – Eu acho que peguei o motivo do “desculpa”.
- Sem problema, Fabi. – Eu disse e peguei outra torrada – Essas torradinhas são viciantes. – Eu disse com os olhos brilhando.
- São as da vovó Denise. – A praga se dirigiu a mim, mas não me importei.
- O pessoal da família tá ai? – Perguntei olhando para a sala.
- A vovó não pode ficar. – Ou não queria ter a sua presença por muito tempo, carrapato. – A tia Kellen tava sendo regulada pelo tio. – Não acredito que o Jorge aceita o sanguessuga que a titia escolheu como marido... Carrapato e carrapato se entendem. – A Karla—
- Respeito com a tia. – Eu e o Kennedy dissemos sérios.
- A Karla foi embora com a namoradinha dela. – Disse ele ignorando eu e o Kenn, e ainda fazendo uma careta de nojo no final.
- Respeita a tia ou eu te mato garoto. – Eu disse para o lourinho. – Você pode ser até o papa, tia Karla é um exemplo a ser seguido. – Eu disse furiosamente.
- E a vovó Denise. – Disse a Dani com um sorriso.
- Ninguém te chamou na conversa, aberração. – Disse o louro.
- OLHA COMO FALA COM A MANINHA! – Eu disse me levantando de supetão e avançando pra cima do desgraçado.
- Jane! – Eu ouvi a voz antes de ver que Fabi estava na minha frente, me parando com a mão no rumo da barriga. – Não causa confusão... Não hoje. – Ela disse de uma forma tão calma que me fez parecer um drogado tendo alucinações.
- Controle seu namorado Fabi... Ele parece que ainda não conseguiu criar o respeito na merda da sua cara. – Eu disse com pura irritação na voz.
- Ei Jane, o que houve? Você não era assim comigo. – Disse ele espantando.
- Só porque você era cego para não ver o meu ódio por você não quer dizer que ele nunca existiu. – Eu disse seca.
- Jane. – Fabi sussurrou muito próxima de mim. Por um momento fitei seus olhos com desejo, mas logo ela sorriu triste e depois saiu sendo puxada pelo Jorge. Bufei e me joguei na cadeira, odiava meu irmão profundamente.
- Relaxa ai Jane... Eu acho que já sei quem você tá afim... – Disse o Kennedy me olhando maliciosamente.
- Digo o mesmo. – Só que a Dani olhava para minha paixão sumindo na multidão.
- Quem? – Perguntou a Elisabeth e eu apenas ri.
- Sua namorada te explica quando estiverem em um lugar mais... Reservado. – Eu disse com um sorriso malicioso.
- JANE! – Berrou Dani corada, eu ri.
- De qualquer forma... Por que acha que você tem chance? – Perguntou o Kennedy.
- Ela me deu uma chance. – Eu disse sugestivamente.
- Você é uma pervertida Jane. – Disse a Dani com um sorriso malicioso.
- Falando em perversão. – Me virei para o Kennedy. – Me dá a chave da sua casa que eu e minha primeira e única namorada vamos para lá. – Eu disse maliciosamente.
- Criatura do mal. – Começou ele.
- Nem vem. Ela te empresta a chave daqui e você dorme aqui, pronto. – Eu disse com um olhar do mal.
- Então fique logo aqui. – Disse o Kennedy e a Elisabeth pareceu perceber quem era a minha paixãozinha.
- Vou deixar a festa de vocês rolarem, e o Jorge tem nojo da sua casa o que não vai permitir que ele entre lá para matar a gente. – E eu sorri.
- Além de ter quatro cães labradores enormes e três pastores alemães. – Disse a Dani, eu ri e tomei mais um gole do copo de ice da Dani. – JANE! – Ela reclamou de novo, eu ri e me levantei.
- Acho que vou ver o namoro da aniversariante acabar. – E então sorri maliciosamente. – Para que depois eu possa dar o meu presentinho para ela.
- Ei, Jane... – Disse o Kenn segurando meu braço. – Você realmente gosta dessa garota? Eu não quero que—
- Eu estou amando a namorada do meu irmão. – Eu respondi pensando ao mesmo tempo, quase que automaticamente.
- Então vai fundo. – Ele disse beijando minha testa e me entregando a chave da casa.
- Vem para a Fabi poder te dar a chave da casa. – Eu disse. – E vocês duas vem junto. – Eu comandei para minha cunhadinha e minha irmã caçula, o “casal dos c”.
Os três foram comigo até a sala, que estavam usando como pista de dança enquanto usavam a garagem para lugar dos agarra-agarra. Vi que a Fabi e o Jorge estavam dançando no meio da sala. Esperei meu olhar encontrar o da Fabi para indicar a garagem onde a metade dos convidados estava.
- Vem Jorge. – Ouvi ela dizer enquanto o puxava para fora. Sai em seguida e vi que ele tentava agarra ela. – Jorge, espera... Quero falar a sério com você. – Ela disse e ele ficou sério também.
- Eu também Fabi... – E então se ajoelhou e disse tirando algo do blazer. – Quer casar comigo? – Ele perguntou mostrando o anel que com certeza a minha mãe financiou.
Fabi nada disse, ficou ali, de boca aberta. Ela me notou e me olhou completamente perdida, meu olhar era triste, com receio de ela aceitar. Notei que todos haviam saído para a garagem só para ver o que os dois “pombinhos” iam fazer e agora esperavam que ela dissesse ‘sim’.
- Jorge eu... Não sei o que dizer... – Ela ia aceitar, tenho certeza que sim.
- Droga, isso é jogar baixo com a garota. – Disse o Kenn. – Tenho quase certeza que ele imagina que você gosta dela. – Ele sussurrou para mim.
Suspirei e dei meia volta.
- Jane? – Dani me chamou um pouco mais alto, mas eu não me importava. Não queria ver meu amor se entregar para outra pessoa. Respirei fundo e parei, senti as lágrimas encherem meus olhos, mas logo senti meu corpo encher de alívio quando ouvi:
- Eu não aceito Jorge. – Foi como se tivessem comprimido tanto o meu pulmão e na hora que eu ouvi aquelas palavras ela tivesse os soltado. Virei-me para a ruivinha sedução e sorri quando vi meu irmão completamente boquiaberto pela expressão firme dela. – Eu, na verdade, tava querendo terminar com você. – Ela disse meio indiferença.
Estou começando a pensar que indiferença é uma doença contagiosa. Pensei me aproximando, sentindo as lágrimas sumirem e um sorriso rasgar meu rosto.
- F-Fabiana. – Vá pro quinto do inferno Manolo!, Pensei.
- Não deveríamos nem ter começado esse namoro, você não tem nada haver com o tipo de cara que eu gosto.
- Com certeza. – Ouvi a Dani sussurrar para o Kennedy.
- M-Mas... – Isso, se humilha!
- Mas nada Jorge, aconteceu, mas nunca deveria ter acontecido. – Ela disse e deu as costas para ele, vindo na minha direção.
- Mandou bem lá. – Eu disse com um sorriso malandro.
- Eu apenas não menti... Como você me pediu. – Ela sussurrou. Senti suas mãos tocando o meu rosto com suavidade.
- Vamos. – Eu disse. E ela me seguiu até o lamborghini negro. – A chave. – Eu pedi e ela me entregou.
Ela entrou no carro e eu esperei o Kennedy chegar mais perto para que eu pudesse entregar chave para ele.
- Cuida da casa direitinho. – Eu disse dando uma piscadela e vendo ele assentir com um sorriso.
Estava quase abrindo a porta do meu carro quando ouvi gritos de dentro da casa e reconheci a voz da Danielle.
- Mas que diabos? – Mal disse isso vi as pessoas abrindo espaço para Jorge que vinha com a Dani como escudo e uma faca no pescoço dela.
- Vem aqui Fabiana. – Ele comandou.
Conhecendo a Fabiana como eu conheço, ela vai realmente ir... Pensei.
E ela realmente foi. Abriu a porta do carro e caminhou até o meu lado onde encarou o louro nos olhos.
- Aqui, na minha frente. – Ele comandou e logo ela estava indo, mas eu segurei sua mão.
- Espera. – Eu murmurei para ela e me aproximei do seu lado. – Solta a Dani, Jorge. – Eu comandei.
- Você não me dá medo Jane. – Ele me respondeu. Rolei os olhos e cruzei os braços sob o peito.
- Solte-a, Jorge – Eu mandei. Ele riu e responde:
- Só se a Fabiana aceitar o meu pedido de noivado, ou se não eu mato ela. – Disse ele indicando a minha caçulinha. Senti a mão da Fabiana suar frio.
- Relaxa. – Eu disse no ouvido dela e me virei para o Jorge. – Se você matar minha caçula eu te mato. – Eu respondi simplesmente e soltei a mão da Fabiana me aproximando do Jorge e vendo ele aproximar ainda mais a faca do pescoço da Dani, parei a uns cinco passos do Jorge, a faca comprimindo no pescoço dela, quase cortando-o. – Solte-a.
Ele me ignorou e comprimiu ainda mais a faca no pescoço dela, fazendo vários ali prenderem a respiração, mas eu conhecia aquele desgraçado.
- Solte a minha irmã, seu desgraçado. – Eu disse.
- Sou seu irmão também. – Ele disse.
- Não vejo em você nada que me lembre qualquer um de meus pais, ou meus familiares. – Eu disse. – Eles não são sanguessugas. Não são ladrões, muito menos assassinos. – Eu falei indiferentemente.
Jorge me olhou sem jeito, engolindo em seco.
- Você é fraco, por isso meu pai não te aceitou. Você é um inútil, por isso que nenhum dos meus tios gosta de você. Você é um garoto soberbo, por isso que minhas primas te odeiam. Você é egoísta, por isso meus primos te odeiam. Você é um hipócrita, por isso meus irmãos te odeiam. – E então eu sorri para dar a última cartada. – Você é adotado, por isso que minha mãe não te suporta. – E então vi sua cara desmanchar. Podíamos ter só 11 meses de diferença, mas eu sabia muito bem de quem aquele desgraçado era filho.
- Como?
- É surdo? Você foi adotado, da pessoa que você mais odeia. – Eu disse e sorri. – Do Benjamin. – Ele ficou espantado.
Benjamim era um cara super apaixonado pela mamãe que em um momento que estava completamente bêbado fez essa criatura. Ele contou a história para o papai que era super amigo dele, e mesmo sentindo ciúmes o papai adotou o Jorge, pois além do Ben não ter condições para cuidar ele não queria o garoto. E depois que o Jorge nasceu o Ben desapareceu e voltou faz seis anos, com a Fabiana, uma filha adotada. Eu acho que ele queria adotar uma criança em troca da que ele deu para a adoção.
Mas o Ben também mudou outra coisa além do afeto por crianças nos 15 anos que passou fora: Ele era homossexual, havia até se casado, se não me engano na Argentina. Jorge um homofóbico da desgraça não gostava do Benjamim, mas... Pai é pai.
- M-Mentira. – Eu vi ele tremendo.
Rolei os olhos e virei de costas. Ouvi o Jorge berrar de dor.
- Bem nos países baixos. – Eu disse. E quando me virei, realmente. A Dani havia chutado a partezinha do garoto e ele se contorcia no chão. Minha caçulinha castanha correndo até mim para me abraçar. Abracei minha criaturinha e ouvi ela soltar um soluço. – Não chora.
- Fiquei com medo. – Ela disse.
- Ele não ia te machucar.
- Não... Que a mamãe começasse a não me suportar como não suporta o Jorge. – Disse a Dani.
- Você, meu amor, minha mãe quis adotar, e mesmo que ela não goste muito de você ser homossexual eu acho que ela entendeu: A sina dela é viver com gays ou covardes, e melhor os gays do que os covardes.
A Dani riu e beijou minha bochecha antes de me soltar e correr para Elisabeth.
- Vamos embora. – Disse Fabi segurando a minha mão.
- Só um minuto. – Eu disse. Abri o porta-malas do meu carro e peguei um fio de som. – Só vou arrumar o meu irmãozinho para quando a polícia vier prender ele por ameaça e tentativa de homicídio, além de homofobismo agressivo.
Fabi sorriu para mim e ficou me olhando amarrar as mãos do Jorge além de amarrá-lo no poste frente da casa da Fabiana. Notei que a rua estava vazia e decidi fazer graça.
Vendo que ele estava amarrado numa rua vazia eu tirei sua calça e cueca para depois tirar umas fotos.
- E por ficar nu em rua pública. – Eu disse rindo com o pessoal.
- Por que as fotos? – A Fabiana perguntou indo até o carro comigo. Eu sorri.
- Para quando as coisas ficarem difíceis para a gente nós vermos ela para perceber que nós podemos vencer todas as barreiras e ser recompensadas no final. – Eu disse e entrei no carro.
Ela riu e me roubou um selinho antes de me deixar ligar o carro e partir até a casa do Kennedy.
- Podíamos fazer outra paradinha no caminho. – Disse ela.
- Mas ai o seu presente perde a graça. – Eu disse maliciosamente passando por um atalho.
Ela me sorriu e depois beijou meu pescoço. Segurei a sua mão com a mão que eu deveria usar para mudar de marcha, mas eu havia acabado de mudar a marcha para automática.
Bem, sobre as coisas a seguir, vamos dizer que são pessoais de mais para dizer, mesmo que eu tenha revelado o momento da vinda. A volta também nem teve graça. Mas devo dizer que o momento na casa do Kennedy compensou para a vida inteira. E uns dias atrás quando perguntei qual o melhor presente que eu havia dado ela disse que era difícil dizer, mas quando perguntei o melhor presente de aniversário ela respondeu de imediato:
- A noite de aniversário mais desgastante e gostosa da minha vida. – E então finalizou o assunto com um lindo beijo cinematográfico. – E eu fiquei em dúvida porque tenho 3 preferidos de todos os que você me deu. – Ela disse depois do beijo me mostrando a sua mão esquerda. E depois olhando para o lado: Para as nossas anjinhas dormindo na cama.
Eh! Nós temos duas filhas. Adotamos as duas garotinhas mais lindas do orfanato, no dia do nosso aniversário de 6 anos juntas o mesmo dia do aniversário da Fabiana. E 2 anos depois eu a pedi em casamento, nós chegamos a viajar e levar as duas pragas ( Uma tinha 12 anos e outra de 14 na época) para o casamento. São os dez anos mais felizes da minha vida.
E tenho que contar: Não foi só a minha vida que melhorou. Depois que o Jorge foi preso (Pegou 3 anos) mamãe pensou melhor e começou a dar mais valor à todos nós (Até o Kennedy que ela tinha expulsado de casa), a Dani e a Elisabeth adotaram um casalzinho faz 3 anos, a garota que é mais velha tem atualmente 10 anos e o menino 8. O Kennedy está namorando um cara mais velho faz 4 anos, o Benjamim.
E, vou contar um segredinho para você ai do outro lado... Mesmo eu sendo uma personagem fictícia, em uma história fictícia, um final feliz sempre é real, e se ele não chegou, relaxa o ônibus da felicidade pode ter quebrado no caminho para você.
Notas finais
Well... Acho que é tchau e... Não esqueçam os reviews, mesmo que eu não vá respondê-los...
D-G: Rafa!
O que? Eu não tenho tempo! Ainda mais que tó quase me matando para conseguir postar essa história e... Quem colocou esse plano de fundo no meu computador?!
D-G: *Affs*
Tanto faz... Tenho de ir, preciso comer, dormir e... Faltar na aula amanhã, em protesto por que sábado não é dia letivo shit!
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