Estou Contigo

1 Talvez em outra vida


Notas iniciais
bom dia. boa tarde. boa noite.

Quem sabe um dia, eu possa virar uma estátua no meio de um parque e as crianças chamarem atenção de seus pais dizendo "Olha mamãe! Não é aquela mulher careca?" E a mãe, envergonhada pela pergunta do filho, responderia "Filho não é uma mulher careca. Ela tinha um doença, meu amor. Ela nunca quis deixar seus cabelos caírem"

Quem sabe um dia, eu possa praticar algum esporte e meu corpo não suplicaria em nenhum momento para descansar. O professor de educação física não iria mais perguntar coisas do tipo "Você têm certeza que não quer tomar água?" "Tenha calma, você não pode fazer muito esforço físico" ou também "Respire pelo nariz e inspire pela boca". Nesse dia ele iria falar "Meu Deus! Como você está rápida!" ou também "Tenha calma, não consigo te alcançar". Eu ficaria orgulhosa de mim mesma e chegaria em casa dizendo a minha mãe. "Mãe, você não vai acreditar. Hoje eu corri toda a quadra da escola" No começo ela ficaria me perguntado perguntas de preocupação, depois sorriria para mim orgulhosa e me abraçaria como abraçava George quando ele dizia a ela como foi seu treino de Lacrosse.

Um dia, tudo isso chegaria, mas talvez na outra vida. Na outra vida seria melhor, não essa que vivo. Poderia correr ou fazer algo importante em que todos falariam "Você a conhece, né? Ela salvou o mundo" Eu queria fazer algo do tipo. Salvar o mundo. Ser uma heroína, para uma criança me olhar e dizer "Você salvou o mundo, como conseguiu?" e eu responderia toda convencida "Me inspiro naqueles que estão ao meu lado"A criança pediria um autógrafo e eu daria ser reclamar. Amaria todos os meus fãs como se fosse minha família.

Imagine eu completar meus dezoito e finalmente poder ir ao um bar junto com meus colegas de faculdade. Pediria um rum e todos os meus colegas riram da minha cara, dizendo "Jura, Carpenter! Beba uma bebida mais forte. Rum é para os fracos" Eu sorria envergonhada, pela minha bebida e algum colega me entregaria uma vodka ou um uísque ou também um conhaque. Beberia, pensando no outro dia acordando com a ressaca que todos dizem.

Talvez, acordar com um lindo dia batendo sobre meu corpo, agarrado a dois braços fortes e musculosos. Me viraria e olharia os lindos olhos azuis que tanto amava, aqueles olhos que me levavam a um raso lago cristalino. Seu longo sorriso me obrigaria a morder meus lábios, que tanto pediria o seu e logo depois do seu olhar apaixonado por mim, iria dizer "Bom dia. Quer que eu prepare um café para você, meu amor?" Nesses longos quatro anos eu não me importava mais com as palavras, com as expressões. Eu notei que em toda a vida as atitudes era o que o seres humanos tinha de bom. Não precisava que falasse para mim que me ama-se e sim me mostrasse. Então eu concordaria e o homem acariciava minha bochecha, que com certeza estaria ruborizada. Ele se levantaria e iria exibir suas costas malhadas. O homem sentiria meu olhar e sorriria galanteador, falando "Eu sabia que era gostoso, mas não sabia que era tanto assim" Eu sorriria envergonhada e o homem se aproximaria me beijando, amoroso, cuidadoso, romântico e terno.

Sorri fraco com meus pensamentos fúteis, quando escutei a porta se abrindo e expondo o moreno dos meus pensamentos. Austin usava seu terno preto que caia sobre medida em seu corpo musculoso. Seu largo sorriso branco ostentava seu rosto com aquele seu queixo de galã da novela. Segurava em suas mãos um buque de begônias rosas que eram minhas flores favoritas.

— Austin — minha voz era falha, baixa. Era por causa dos tratamentos que estava fazendo. Ele me faziam cansar muito rápido, por isso me mandavam falar pouco.

— Carpenter! sem falar. Lembre o que o doutor ordenou — censurou. Austin fazia isso comigo muita vezes nesses quatro meses. Rolei meus olhos, entrelaçando meus dedos em frente ao meu tronco. O frio dentro do cômodo me fazia tremer, fazendo que Austin chegasse próximo de mim e me cobrisse com os lençóis do hospital.

— Saiu de sua reunião? Austin eu já disse a você. Nunca saia do seu trabalho por minha causa.

— Não estou saindo por sua causa. Tenho que falar com o Doutor Peterson sobre sua mãe.

— O que aconteceu? — seus lábios se contraíram em um linha fina. Sentou-se ao meu lado passando a segurar minhas mãos.

— Eu sei que você odeia quando eu me meto em seu tratamento, mas, sua mãe me pediu para eu pagar o tratamento desse mês e... — não deixaria ele terminar. Ele sabia que isso era o que mais me irritava. Odiava estar na depêndencia dos outros e minha mãe sabia disso.

— Austin, não.

— Carpenter...

— Não, Austin. Eu não vou aceitar seu dinheiro. Eu paro de fazer o tratamento se você pagar por mim. Não é por que você ganha bem que deve gastar com coisas inúteis.

— Rose, você não é inútil para mim. Nunca, mas nunca mesmo. Nunca repita isso. Eu te amo, tanto. E você nem faz ideia disso — seu tremor já estava visível. Eu, sinceramente, odiava quando ele usava o seu amor, para me convencer. Eu sempre me entregava.

— Austin... Eu não sei. Não devo fazer isso com você. O seu pai já não gosta de mim por achar que estou mentindo que tenho câncer só para roubar seu dinheiro.

— Você acha que eu ligo para isso, Rose? Se eu não te amasse eu não viria aqui todo dia, querendo saber de você, como está sua saúde, a sua saúde psicológica. Não é fácil para você, mas também não é fácil para as pessoas que são próximas de você. Nesses quatro meses, foram os melhores meses na minha vida. Você me fez amar alguém, além de mim mesmo, me fez voltar a ser feliz. Logo você, uma pessoa que têm uma doença que pode te matar a qualquer minuto. Eu nunca fui de momentos, sempre pensei no futuro. No meu futuro. Você me mostrou a solidariedade, o carinho... o amor. Esses é um dos motivos, Rose Carpenter, de eu te amar. Não importa se estivermos brigados eu sempre vou estar contigo.

Eu sabia que aquele era um momento delicado a nós dois. Nunca tivemos uma briga nesses quatro meses. Ele nunca havia tocado no assunto que têm o título "nossos sentimentos" Era como se o leva-se para longe de mim.

Encarei nossas mãos grudadas uma na outra. Seus dedos longos, acariciavam minha miúda mão, que contia um dedo grampeado. Estava delicado e eu adorava esse seu lado.

— Eu irei morrer. Não poderei casar com você. Não teremos filhos. Não poderei te dar a vida que deseja — meu comentário melancólico o deixava preocupado.

— Se você morrer, eu morro junto. Rose Carpenter, estou loucamente apaixonado por você.

— Austin... Não piore a situação.

O homem se calou. Se ergueu, ficando do meu lado, ainda com seus dedos grudados nos meus. Elevei meu olhar, observando aqueles seus olhos, incrivelmente azul e encontrando seus pensamentos dramáticos.

— Sabe qual é a diferença entre o tempo e o clima?

— Não. Qual é?

— O clima é que está rolando entre nós, o tempo é o que estamos perdendo.

Sorri fraco pois não tinha mais forças suficiente de gargalhar como uma pessoa normal. Seu sorriso torto era a mais pura perfeição. Como eu conseguia ser totalmente apaixonada por um homem que apareceu na minha vida do nada? Ele se sentou ao lado do meu corpo, passando seus dedos por meus cabelos, os acariciando. Ficamos calados nos observando. Não era aquele silêncio assustador. Era um silêncio confortável, ficar encarando ele é confortável. Seus olhos azuis observava cada canto do meu rosto que estava nu, por está sem um rastro de pelos. Eu não me sentia desconfortável quando estava perto dele, ou quando ele me intimidava com seus lindos olhos azuis cristalinos. Seus olhos eram intrigantes, convidativos.

— Eu te amo tanto, Rose Carpenter.

— Eu te amo tanto, Austin Moore.

Notas finais
se tiver algum erro sinto muito. comentem, não sabem o quanto ajuda.
espero que tenham gostado.
??”x-
até a próxima
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!