Notas iniciais
PROMETI QUE VOLTAVA E VOLTEI. Esse casal lindo merece todo o meu amor e depois do cenão maravilhoso desse sábado (16/06) fiquei inspirada. GABRIELA DUARTE É MUITO RAINHA. Agora, acalmando os nervosos, temos aqui o segundo capitulo.

Amanheceu para todos em São Paulo e antes mesmo que a névoa da manhã se despedisse da solidão das ruas já havia trabalhadores caminhando de um lado para o outro, apressando-se para não chegarem atrasados ao trabalho.

Na casa de Jorge, pela janela do quarto, Aurélio viu quando a noite tornava-se manhã lentamente, via as luzes do bairro serem acendidas. Não havia conseguido dormir e sentou-se ao lado da janela, seu subconsciente só conseguia pensar no que aconteceu na casa dos Bittencourt e apenas Julieta lhe vinha à cabeça, assombrando seus pensamentos e dominando sua razão, como nenhuma mulher havia feito.

Ele precisava levar Ema de volta para o Vale do Café, precisava retomar as negociações com Julieta, mas sabia que não seria tão fácil encará-la novamente e negociar seria mais difícil do que antes, ela seria ainda mais implacável. Aurélio se perguntava se o que fez foi prudente e a única resposta que recebia era o silêncio.

Aprontou-se e finalmente decidiu sair do quarto, pretendendo deixar seus pensamentos lá também. Jorge estava na casa já acordado com um livro entre as pernas e bebendo café, seu amigo era do tipo que acordava cedo e dormia ainda mais cedo.

— Aurélio, já de pé. Alguma coisa errada com seu quarto, meu amigo? — Fechou o livro.

— Não, o quarto estava ótimo, as acomodações são perfeitas mas não tenho sono.

— Meu amigo, sinto-me na necessidade de perguntar o que aconteceu. Ontem você deixou o baile às pressas, quase se esqueceu do porque estávamos lá.

— Jorge, o que eu disse aqui, fica entre nós dois — Fez uma pausa e Jorge assentiu com a cabeça, Aurélio aproximou-se mais e tomou coragem para prosseguir —. Enquanto procurava por Ema ontem, acabei encontrando com Julieta Bittencourt.

— E então, vocês conversaram? Negociaram? Chegaram a um acordo sobre qual decisão irão tomar no que diz respeito a fazenda?

— Quem me dera ter conseguido mas ela ainda se mostra irredutível e obstinada em seguir com os planos dela. Mas isso não vem ao caso, o problema é muito mais grave, eu aceitei ir ao escritório dela para tentar encontrar uma solução viável para o problema da minha família e nós discutimos.

— Por favor não me diga que fez besteira.

— Não, ou melhor, depende de como você encarar o que eu vou dizer.

— Então diga logo antes que eu morra de curiosidade.

— Brigamos feio e então eu acabei a beijando.

Jorge engasgou com o café. Pensou ter sido enganado pelos ouvidos.

— Você quer dizer que — calou-se repensando as palavras para colocá-las da melhor forma possível — você beijou Julieta Bittencourt?

— Nós nos beijamos — o corrigiu —, ela me beijou também, mesmo que depois disse que não, me repeliu e me expulsou da casa dela.

— Certo, mas e como você está lidando com tudo isso?

— Eu não sei o que dizer, Jorge. Eu não a beijei porque planejei, foi um impulso, fui levado por uma força que desconhecia e quando dei por mim estava a beijando e sendo correspondido.

— Mas Aurélio, isso pode se tornar um problema maior, se Julieta Bittencourt tomar isso como uma afronta ela será mais implacável do que nunca e não duvido que mande executar a dívida.

— No momento eu não pensei nisso. Mas agora vejo que posso ter me precipitado e consequentemente colocado em risco toda minha família, mas Jorge eu ainda não consigo parar de pensar nela e no nosso beijo.

— Eu realmente não sei o que é mais estranho, você ter beijado ou ela ter tem correspondido.

— Você a conhece a muito tempo?

— Não, eu a conheci pouco meses antes de você a conhecer, mas ouvi alguns boatos, dizem que ela era casada com um homem maravilhoso enquanto outros dizem que ele era duro com ela, mas a amava e deixou uma fortuna para ela e para o filho. Julieta nunca se mostrou interessada em alguém de novo. Aurélio, você está apaixonado por essa mulher?

— Novamente eu não sei o que te responder. O que sinto por ela é diferente, é estranho até mesmo para mim.

— Eu terei que te deixar com seus pensamentos, tenho um cliente para ver e se quiser conversar sobre isso com mais calma, estarei aqui. A casa é sua.

Jorge deu um tapa amigável no ombro do amigo e foi embora. Aurélio ficou sozinho novamente. Ele tinha uma ideia na cabeça, ainda que fosse arriscada. Ele e Ema voltariam para o Vale do Café naquele mesmo dia, teria que esperar até que Ema despertasse para poder pedir que ela se arrumasse para a partida.

Na mansão de Julieta Bittencourt, a Rainha do Café também estava de pé. Ela, diferente de Aurélio, tinha conseguido dormir durante a noite, não havia tido um sono tranquilo, mas não era atípico. Fazia muitos anos desde que simplesmente colocou a cabeça no travesseiro e teve bons sonhos. Pesadelos faziam parte de suas noites.

A Rainha do Café encarou o guarda roupa, só haviam roupas negras. Anos atrás ela aderiu a aquela cor, um pouco antes da morte de Osório, as pessoas pensavam que ela usava preto em luto ao seu marido mas ela estava enlutada pela morte de sua alma, que morreu de forma lenta com o passar dos anos presa dentro daquele casamento. Após a morte dele ela foi continuou usando preto, mas desta vez em respeito ao marido, a sociedade esperava isso dela e ela o fez, mesmo que aquele porco nunca tivesse tido nenhum tipo de respeito por ela.

Escolheu o vestido, o jogou no corpo, prendeu seu cabelo, ela não se permitia usá-lo solto e sempre que via os fios livres se sentia estranha.

Desceu para sala de jantar onde estavam Susana e Darcy que aguardavam por ela para dar início ao café da manhã. Eles conversavam sobre negócios e se silenciaram ao ver que ela estava entrando na sala de jantar.

— Bom dia — disseram em uníssono.

— Bom dia — Respondeu de volta.

Quando Julieta sentou-se notou que faltava alguém ali, seu filho.

— Onde está Camilo?

— Camilito está dormindo, quer que eu vá chamá-lo?

— Não é necessário, Susana.

Eles iniciaram o café em silêncio. Petúnia fazia expressões para a comparsa, esperando que ela questionasse Julieta sobre o que viram na noite anterior. A amiga inescrupulosa da Rainha do Café não se aguentou mais e precisou perguntar:

— Julieta, se meus olhos não me traíram novamente, pensei ter visto o filho do Barão saindo de seu escritório.

— Desta vez seus olhos não a enganaram, Susana.

— Posso saber o que ele queria? — Tentou não demonstrar nenhuma curiosidade mas desejava ansiosamente uma resposta.

— O que qualquer um na posição dele quer, negociar a dívida do pai dele.

— E você decidiu o que?

— Susana eu acho que não preciso te informar sobre todos meus passos e decisões.

Darcy, em silêncio, podia sentir o clima tenso no ar. Ele sabia o quanto Julieta odiava ser feita de idiota e passar vexame, Susana a fez passar por esses momentos de constrangimentos que a Rainha do Café tanto detestava em uma só noite.

Susana e Darcy terminaram o café primeiro, o inglês queria sair dali o mais rápido possível e se livrar do clima que estava aquela casa e Susana precisava descontar sua raiva em algo. Restou apenas a Julieta, que terminou sozinha o café da manhã e quando os pensamentos dela sobre Aurélio ameaçaram surgiu ela se apressou para ocupar-se em fazer outra coisa.

Analisou alguns documentos e no meio dos papéis havia um que falava especialmente da família Cavalcante, Julieta se questionou como o Barão pode se afundar em dívidas tão rapidamente, cegamente e sem pensar nas consequências.

Ao meio dia, enquanto repassava algumas cláusulas de contratos ela ouviu Tião chamando por seu nome:

— Senhora Julieta, as flores que a senhora pediu.

Tião lhe entregou as rosas vermelhas e salientou sobre os espinhos, eram poucos comparados aos que ela leva ao cemitério mas ainda assim podiam machucar. Julieta agradeceu e quando o empregado saiu ela levantou-se e tirou as rosas de dentro do papel grosso que as envolvia. As colocava delicadamente dentro do vaso que Camilo havia lhe presenteado alguns meses atrás. Gostava da cor vermelha intensa e vívida das rosas vermelhas e tinha paciência para as manusear.

— São belas flores.

Ela reconheceria aquela voz em qualquer lugar e não precisava se virar para ter certeza de quem estava parado na entrada de seu escritório. A voz rouca e ainda assim atraente pertencia a Aurélio Cavalcante, o homem atrevido que a fazia perder a razão e algumas vezes a compostura.

— O que está fazendo em minha casa, novamente?

— Eu precisava falar com você — respondeu dando passos na direção dela e quando ela ouviu que ele caminhava em sua direção virou-se bruscamente.

Aurélio estava mais próximo do que ela gostaria e se aproximava mais, ela afastou-se dando passos para trás e estabelecendo uma distância ao ir para trás da mesa.

— Tudo o que precisávamos falar foi esclarecido antes.

— Estou partindo para o Vale do Café hoje mas queria que tudo ficasse esclarecido entre nós. E vim pedir para que não haja retaliação por causa do nosso beijo.

— Nosso? — Repetiu as palavras dele como se Aurélio tivesse dito um absurdo.

— Você correspondeu. E pela suas palavras e sua reação posso ver que o beijo não sai da sua cabeça assim como não sai da minha.

— Realmente, culpa e arrependimento são realmente sentimentos martirizantes.

— Eu não acredito em você.

— Mas é um abusado. O senhor não sabe o que eu sinto e eu exijo que saia da minha casa imediatamente e nunca mais volte a entrar sem ser convidado.

— Por que tem que ser tão arisca? Você ainda é jovem e tem tudo que uma mulher quer para ser feliz mas ainda assim é rude e arisca.

Aurélio a encarou mais um pouco e viu que seu olhar fixo nos dela fez ela prender a respiração. Apesar das roupas negras, olhar impiedoso e ser aparentemente distante de qualquer sentimento, ela escondia uma beleza que o seduzia.

— Se o senhor não sair daqui imediatamente mandarei chamar meu segurança.

— Sabe, eu dificilmente desisto de algo que me interessa e acho que nisso somos iguais.

— O senhor está se colocando em uma situação patética. Não temos mais nada para conversar.

Ela queria que ele tivesse dado as costas e ido embora mas os passos dele foram em sua direção. Julieta tentou afastar-se dando passos para trás, mesmo sabendo que uma hora ou outra não teria como fugir da aproximação dele.

Depois de alguns segundos não havia mais distância entre eles, ela tentava veementemente não olhá-lo nos olhos, mas aquele mar azul pareciam imãs que a seduziam. Aurélio tocou levemente a bochecha dela o que fez com que a Rainha do Café virasse o rosto, temendo o toque dele. Aurélio viu que ela não oferecia nenhuma resistência mas ainda não estava completamente entregue as carícias. O beijo foi dado na bochecha dela, delicadamente, e Julieta prendeu a respiração quando ele o fez.

— Nos vemos em breve, majestade.

Ele com um sorriso nos lábios, encantado pelo desnorteamento dela, saiu do escritório. Julita sentiu as bochechas queimarem e ela odiava quando isso acontecia. Nunca havia sido beijada na bochecha por um homem de forma tão delicada, os beijos de Osório sempre lhe arrancava um pouco de sangue dos lábios e agora se sentia tímida e em paz com o gesto delicado de Aurélio.

Notas finais
O que me dizem?