Notas iniciais
Esse na verdade começou como um texto de elementos de base para uma personagem, que acabou se tornando mais complexo que a própria obra original. Quero a opinião de vocês se algo nesse formato daria certo.

ESTIGMAS E A CRISE DAS 7 GERAÇÕES

Não é de hoje que compreendemos o quão longe a magia pode levar os seres humanos, tanto para o bem quanto para o mal. E que às vezes nossa arrogância ou extremismo nos levam a crises sem precedentes que fazem vítimas por longuíssimo período. Sendo esse o caso da maldição do estigma.

Estigmas são maldições auto infringidas ou passadas entre descendências, semelhante a um contrato mágico, que se apresentam em forma de ferida, marca ou cicatriz de formatos diversos e de fácil distinção (raios, luas, estrelas, entre outros), e que sempre doem, abrem ou sangram diante de seu “algoz” (pessoa alvo do estigmata) ou da manifestação do seu poder. Essa maldição era amplamente usada por caçadores de bruxos das trevas (os antecessores dos nossos aurores) que com sua ajuda conseguiam encontrar ou se precaver de um ataque furtivo de seus alvos, pois a mera aproximação do algoz o faria despertar de um sono profundo por exemplo. O estigma só fica definitivamente inativo com o assassinato ou em caso de morte natural, acidental ou auto infligida, sem descendência de seus algozes.

Em eras mais obscuras onde os delitos mais singelos eram tratados com pena de morte à bel escolha popular, caçadores eram tidos como defensores da lei e da ordem. Eram muito requisitados em povoados bruxos que buscavam alguém para executar sansões no âmbito das leis orgânicas de cada pequena província, servindo muitas vezes de juízes e carrascos, mas sua principal atribuição era caçador de bruxos das trevas, função que lhes servia de alcunha. Os mais famosos e procurados exibiam com pompa os corpos vastamente ornados de estigmas.

Em texto datado da era média redigido pelo aclamado mago Merlin foi relatado o orgulho de um estigmata chamado Ronan, o marcado, que lembrava de cada nome dos mais de 700 bruxo algorados em seu corpo e que de todos eles apenas 10 na época ainda lhe traziam incômodo. É inclusive atribuído ao próprio Merlin a criação da maldição, pois os primeiros relatos catalogados são de sua autoria. Porém, é somente um século depois da possível morte de Merlin que houve registro de que a maldição passava de pai para filho, o que não seria de se estranhar. Ainda nos primórdios da fundação de Hogwarts, os ofícios mágicos eram no geral repassados entre descendências. Portanto era natural que um ou mais filhos ficassem responsáveis pelas atribuições de uma mãe ou pai morto. Não se sabe se a maldição foi ajustada com o passar dos séculos, o que se sabe são as consequências que vieram com o uso desordenado. Próximo ao início do século XVIII, os quase 700 anos do que hoje é chamado de “Era de sangue” já tinha cobrado um preço altíssimo.

Segundo os registros encontrados hoje no acervo do ministério da magia, mas que são atribuídos ao povo celta, a população bruxa do século X já havia fundado mais de 500 povoados espalhados pela Grã-Bretanha onde cada um abrigava em torno de 10 a 15 famílias bruxas, algumas miscigenadas (casamentos entre bruxos e trouxas ou até mesmo seres mágicos como vellas, anões e etc). No geral contabilizava-se que só na Grã-Bretanha existiam entre 50.000 e 75.000 bruxos e bruxas. Porém no ano de 1707 esse número havia caído drasticamente para 18.000 bruxos e bruxas, com o entorno de 495 povoados extintos ou fundidos com províncias trouxas.

É inegável que houveram vários fatores que contribuíram para o declínio ao invés do crescimento bruxo nessa época. Surtos de varíola de dragão e sarapintose eram comuns, assim como as perseguições trouxas que culminaram na criação da lei do sigilo mágico datada de 1689. Todavia tendo em vista esses fatores que naquela época não tinham um efetivo controle, o acossamento irrestrito de bruxos por motivo majoritariamente banal mostrou-se inviável para a conservação da classe mágica humana.

Dando exemplo de como a atuação dos caçadores era descomedida, era comum que eles usassem a premissa de que: se um nascido trouxa podia usar magia, “inequivocamente” ele havia roubado esse poder mágico de um outro bruxo, dando a um exemplificado caçador o direito à sua execução. O notório a se ressaltar é que mesmo nos tempos de hoje existem pessoas que engrossam a falácia de que exista um jeito de se transferir poder mágico de uma ser para outro, sem porém conseguir provar tal teoria.

— A instauração do ministério da magia.

A partir do momento em que foi sancionado a governabilidade do ministério da magia no ano de 1707, tendo como seu primeiro ministro o aclamado chefe da suprema corte dos bruxos Ulick Gamp. Foi dada a ele a responsabilidade por: “policiar uma comunidade turbulenta e assustada, ajustando a imposição do estatuto internacional de sigilo em magia” (DOGE, Elifas; 1945).

O primeiro-ministro foi responsável também por proibir a utilização das hoje conhecidas como, “maldições imperdoáveis”, pela criação do departamento de execução das leis mágicas e a criação da função de “auror”. Ao cargo foi atribuída a manutenção das leis recém-criadas e impostas à comunidade bruxa. Dentre as novas leis estabelecidas, havia a máxima de que, as leis orgânicas de cada província mágica ainda restante e as que com o tempo surgiriam, deveriam ser submetidas a avaliação do departamento de execução das leis mágicas e que somente o ministério da magia poderia impor penas às ações mágicas criminosas, tirando de vez a alçada de qualquer estigmata executar seu algoz.

Claro que em tempos primórdios da imposição das leis, a figura do caçador de bruxos das trevas foi extremamente utilizada pelo ministério. Tendo vários deles sido postos em cargos de aurores para uma maior aceitação popular. Porém a renegação dos antigos costumes era sem dúvidas extremamente difícil para estigmatas de longos anos de carreira.

Os maiores conflitos se davam perante a prisão dos próprios algozes que diante das novas leis não poderiam mais serem executados por eles indiscriminadamente. Relatos da época enfatizam quanta força de caráter um estigmata teria que ter para aguentar pouco mais de um mês trabalhando no departamento de execução das leis mágicas tendo eles com frequência prendido seus algozes a metros de distância sem poder findar seu próprio sofrimento. Bem nessa época foi datado mais um dos efeitos colaterais da maldição.

— O surgimento do frenesi

Quando o estigmata é exposto por certo período ao poder mágico ou presença de seu algoz, (variando de pessoa para pessoa) existe o risco dele ativar uma espécie de último recurso de defesa. O bruxo entra no estado que chamamos de frenesi. Os olhos perdem a pupila e ficam tão brancos ao ponto de aparentar brilharem. Esse bruxo perde a consciência e cria um poder descomunal e descontrolado concentrado em um campo de magia destrutivo que aniquila tudo e todos no raio de 10 metros, até que o estigmata consiga o intuito de matar seu algoz que misteriosamente fica sem conseguir usar magia no raio de 30 metros do estigata. Qualquer feitiço de defesa ou de qualquer natureza é repelido pelo campo mágico. Apenas a maldição imperdoável “avada kedrava” penetra a barreira criada pelo frenesi.

Diante dos prejuízos causados pelo frenesi, ex-caçadores estigmatas tornaram-se cada vez mais raros na seção de aurores, sendo por vezes transferidos para outros setores. No entanto mesmo com essa frágil tentativa do ministério de separar algozes de estigmatas não era incomum tentativas nem sempre falhas de assassinato de prisioneiros.

Esse conflito de interesses gerou várias revoltas dentro do ministério por mais de 10 anos até que por volta de 1718 o ministro da magia da época, Damocles Rowles, utilizando-se de uma instalação tomada de um falecido bruxo das trevas chamado Ekrizdis, em local remoto, criou Azkaban. Na época achou-se ser a solução perfeita por ser distante de tudo e todos. Os estigmatas não seriam mais afetados e seus algozes poderiam cumprir sua pena sem o risco de serem atacados. Embora a morte ainda os encontrasse e de maneira até mais cruel.

Com a drástica queda de ocorrências entre algozes e estigmatas de 10 por mês à 1 por ano, criou-se a falsa ilusão de problema resolvido, durante pelo menos duas gerações.

— Consequências para as gerações posteriores .

Na verdade, a crise entre estigmatas e algozes nunca teve um real fim. Nos 30 anos consecutivos as ocorrências de conflitos pelo estigma foram gradativamente aumentando tornando-se cada vez mais problemáticas. Tudo pelo fator aqui já citado de que essa maldição é passada de pai para filho. Observemos a seguinte hipótese: Não era incomum naquela época famílias enormes com 10 ou mais filhos para cada casal, ou até mesmo homens e mulheres solteiros com pouco zelo e controle com relação a sua própria taxa de natalidade. Então simulamos que dois bruxos viraram estigmata e algoz e os dois tinham em torno de 10 descendentes cada. No caso do não cumprimento da maldição, diante do falecimento de ambos, tantos os 10 filhos do estigmata se tornam fiéis do estigma quando os dez filhos do algoz seriam agourados pela maldição. No caso todos os filhos do algoz deveriam ser assassinados para findar o estigma. Mas se por acaso ao menos um morresse naturalmente e tivesse descendência a maldição passaria para seus rebentos e assim por diante.

Quando a maldição passou para as gerações que sequer tinham noção de quem eram seus algozes, ser estigmata era o mesmo que ser uma bomba relógio. Passou a ser incrivelmente comum bruxos se envolverem em duelos sangrentos e mortais adornados de destruição, em alguns casos sem sequer se conhecerem ou terem algum tipo de atrito anterior ou mesmo comportamento violento pregresso. O auge da nova onda de frenesi ocorreu em meados de 1740, no regime do ministro Eldritch Diggory, que fechou os olhos até onde podia para a situação pré-anunciada a anos, tudo por que a volta dos ataques de estigmatas ampliaria ainda mais a opinião popular que Azkaban não deveria ser fechada, que por sinal após a visita do mesmo ao local era sua principal meta de governo, mesmo naquela época o problema não ser mais de algozes contraventores e sim seus filhos que naquela época nada tinham a ver com as antigas pendências dos pais, tão pouco os filhos dos estigmatas que em sua maioria tentavam viver pacificamente com ofícios comuns como a maioria da população.

— Caça aos estigmatas

Com ocorrências tão corriqueiras a ponto de não ser possível esconder sequer da população trouxa, sendo assim um risco indubitável ao sigilo mágico ainda não muito bem construído e sem uma forma de quebrar a maldição, o ministério resolveu convidar os estigmatas a não serem mais um risco para a sociedade.

Assim, criou-se um programa e um centro de atendimento aos estigmatas na ilha de Avalon. Onde era prometido à população que os mais avançados e modernos meios de análise e pesquisa estavam sendo fornecidos à curandeiros de ponta para que conseguissem remover a maldição dos mesmos. E enquanto a cura ainda não fosse viável o bruxo amaldiçoado poderia viver lá sem custo algum gozando de conforto e segurança.

No primeiro momento, de boa vontade e com esperança renovada, milhares de estigmatas se prontificaram ao censo realizado pelo ministério e em torno de 2.000 bruxos foram levados para Avalon na primeira leva de “pacientes”. Mas o que ocorria nessa ilha era sem dúvidas devastador. A primeira coisa que era realizada era a castração do indivíduo na esperança da maldição não se propagar para as próximas gerações. O intuito inicial realmente era a cura para a maldição e durante um tempo foi o principal foco dos pesquisadores. Porem, para eles era nítida a oportunidade de avanços não só nessa área mas em muitas outras. Então com o tempo, os agora prisioneiros, passaram a ser cobaias de muitos outros experimentos. Por exemplo: a evolução da cura para a varíola de dragão, ainda muito arcaica na época. Também tratamentos para sarapintose, gripe pufosuina, síndrome do desaparecimento e até mesmo a licantropia. Ou seja, indivíduos saudáveis e sem outra condição de risco que não seu estigma eram expostos a doenças mortais que, em inúmeros casos, os levavam à morte ou à loucura.

Com o passar do tempo e a falta de notícias dos primeiros bruxos enviados a ilha, ficou cada vez mais difícil o recrutamento espontâneo para o programa. O ministério então começou uma campanha velada para enxovalhar o caráter dos estigmatas que se recusavam a ir para a ilha, fazendo com que os mesmos com o tempo se tornasse criminosos na visão popular. Os estigmatas passaram a ser caçados e se esconder de aurores e membros do ministério da magia ou até mesmo da população em geral, com o medo dos eventos de frenesi. Dessa forma estigmatas não tinham apoio e não podiam confiar em ninguém. Sem muita defesa eles foram aos poucos tendo seus esconderijos desmontados e encaminhados para a ilha. Pergaminhos do centro Avalon, (Hoje um memorial) apontam que em 188 anos de seu funcionamento mais de 80.000 estigmatas foram recebidos pela instituição.

— Os doze usos do sangue de dragão e a Bruma Ariana

Até hoje não é muito divulgado e há algumas controvérsias sobre o fato, mas existem relatos repassados pela transmissão oral indicando que certos estigmatas com maiores posses viviam de forma praticamente normal e clandestina desde antes do 3º uso de dragão ser encontrado. No início do século XX já se sabia que unindo sangue de dragão com lágrima de fênix criava-se uma substância com nível de purificação tão alto que amenizava qualquer efeito colateral de grande parte das maldições conhecidas do mundo bruxo. Entretanto era praticamente um veneno, não podendo ser utilizado de forma segura nem em grande quantidade, e sendo atribuído à mistura muitos casos da síndrome do desaparecimento. Mesmo assim, grandes famílias abastadas que tinham condições de ter as duas substâncias, mantinham a desventura de seus estigmas em sigilo absoluto enquanto utilizavam-se do recurso. Mas foi Alvo Dumbledore que desenvolveu uma forma segura e ao mesmo tempo multiplicou esse recurso, viabilizando o uso para grande parte da população. A pedra de bezoar, altamente conhecida por suas propriedades de antídoto, diluída por pelo menos 1000 dias em água pura, mostrou ser eficaz nos sintomas intoxicantes da mistura além de conseguir conservar a eficácia da purificação mesmo 1 gota sendo diluída 100 vezes na água de bezoar.

Até hoje não se tem a cura para o estigmatismo, mas os estigmatas usuários da hoje conhecida como Bruma Calmante Ariana, afirmam que conseguem andar livremente sem temerem por exemplo o risco de explodirem o raio de 10 metros ao seu redor e matar um completo desconhecido sem querer. Uma borrifada acalma instantaneamente os sintomas de dor no estigma e até mesmo previne o frenesi. A durabilidade do efeito varia, mas os consumidores informam que muito dificilmente usam mais que 3 vezes ao dia no caso dos estigmatas e apenas se na presença constante de seu algoz. Outro exemplo são os licantropos. Apesar de ser menos efetiva, pois a bruma não previne a transformação, estudos comprovam que o uso durante a lua cheia uma vez antes, uma durante e uma depois, diminui a agressividade, o autoflagelo e a fadiga pós transformação. Foi depois da popularização do uso da bruma que os estigmatas remanescentes tiveram força para começar sua luta.

— Os Abbot’s estigmatas

Alandriel Abbot, um dos estigmatas mais conhecido na era moderna pela sua luta pelo direito da liberdade dos estigmatas, passou 20 anos de sua vida com medo até de ver a luz do sol. A ele não foi permitido a ida a Hogwarts por seu pai, porém pela influência memorável de uma mãe, ex-professora de herbologia e de um pai auror que ao longo de sua carreira escalou uma patente alta no ministério, conseguiu manter o foco na auto instrução. Um consumidor ávido de livros e qualquer coisa que tivesse letras ou até mesmo runas, Alan sonhava com o momento em que poderia conviver normalmente com pessoas. Sua mãe, que lhe passou a maldição, contraiu a marca após o falecimento do pai. Ela trabalhava na escola de magia e bruxaria Castelo Bruxo. Quando voltou do velório achou que ficaria tudo bem pois escolheu trabalhar fora da Inglaterra para correr menos risco de encontrar algum algoz. Mas acabou dando de cara com uma de suas alunas, uma menina de 11 anos que lhe causou a pior dor no entre costelas que já teve na vida. Imediatamente pediu demissão e voltou para a Inglaterra. Casou-se com um auror na época recém patenteado e vizinho de longa data e nunca mais saiu de casa. Em seu diário, Elandriela Abbott contou que era um sonho ser mãe, mas que chorou escondido, por toda gravidez penalizada com a vida que daria ao filho após sua morte, o que não estava longe. A mãe de Allandriel morreu vítima de uma queda de 20 metros de uma vassoura quando seu filho tinha 10 anos. Segundo o próprio Alandriel Abbot (1976) conta:

“Minha mãe subiu trêmula, mas estranhamente feliz naquela vassoura. Adora quadribol e na infância tinha sido batedora! Me disse que por seus medos já faziam 15 anos que não voava. Mas era uma data especial, era seu aniversário e merecia esse presente. A vassoura subiu rápido e alto demais causando tonturas em alguém já sem costume com a altitude. Ela foi encontrada a alguns metros de onde havia alçado voo, caída, mas sorrindo como se estivesse em um sonho. Gosto de pensar que minha mãe morreu com a alusão da conquista de sua liberdade tão almejada.”

Alciades Abbot, o marido, só soube que a esposa era estigmata no dia de sua morte, quando a cicatriz púrpura em forma de lua surgiu no antebraço do filho. Desde então informou que Allandriel, por infortúnio ou tristeza pegou uma doença que o impedia de sair de casa. O isolamento de Alandriel, todavia, não o livrou de encontrar seu algoz. Um parente distante do pai os visitou um dia sem avisar, mas a surpresa maior foi a infeliz coincidência daquele seu primo ser um de seus algozes até ali desconhecido. Mas para a sorte dele foi nesse momento que seu destino mudou. Vendo a reação de Allandriel a sua presença, Guilliver Alawood sacou do bolso um frasco da bruma Ariana e esguichou no rosto do primo. De imediato a dor lancinante que mais parecia ser o braço de Allandriel sendo arrancado, parou. O que acontece era que Guilliver vinha de uma antiga descendência de um bruxo das trevas muito aclamado chamado Salromon, O Terrível, que foi caçado por toda a Grã-Bretanha e morreu de velhice com inúmeros filhos espalhados por todo Reino Unido. Ele era algoz de pelo menos 3 quartos dos estigmatas da Inglaterra. Foi exatamente isso que o fez ser contratado pelo recém iniciado boticário da Bruma Ariana e estava completamente acostumado com pessoas se contorcendo de dor ao redor dele, e estava vendendo bruma como se fosse água no deserto.

Depois de saber sobre o produto milagroso Alan começou a ajudar ao primo em suas vendas, trabalhando inicialmente de forma voluntária como ajudante pela mera gratidão de ter sido “curado”. A dupla de Estigmata e Algoz era a maior prova de que a mistura funcionava e eram a melhor propaganda do produto. Como o uso da Bruma não era exclusivo dos estigmatas não era difícil para um comprar a bruma com a desculpa de ter qualquer outra maldição. E como a maioria dos amaldiçoados são marginalizados, Alan se valeu da simpatia pelo sofrimento e compartilhou sua história com inúmeras pessoas também cansadas da marginalização e desprezo da sociedade. A partir daí foi fácil para ele juntar um grande grupo de pessoas na luta contra seu principal inimigo. O centro de detenção da ilha de Avalon.

— Avalon e o mito da sua existência

É de senso comum que utilizamos com os trouxas a máxima de que: O que os olhos não vêm o coração não sente. Desde 1707 nossa meta é que trouxas pensem que nós somos mera invenção popular e que só existimos em contos de fadas. O que ninguém espera é que o ministério use essa mesma tática com os próprios bruxos. Foi o caso da tão controversa ilha de Avalon que funcionou entre 1748 a 1936, mas que no decorrer dos anos passou a ser cada vez menos divulgada, não havendo no ministério por exemplo nenhum registro de seu funcionamento a partir de 1758, sendo esses todos armazenados fora de alcance de funcionários comuns. Acredita-se que nesse período a responsabilidade pela administração da ilha estava com o departamento de mistérios ou mesmo centrado somente nos responsáveis pelo centro Avalon que também eram considerados inomináveis.

O que ajudou no esquecimento da situação também foi que estigmatas que não estavam dentro do centro de Avalon criaram táticas tão absurdas de camuflagem e isolamento que a própria existência de um se tornou lendária.

Não havendo registro nenhum de casos de frenesi ou qualquer outro tipo de ocorrência envolvendo estigmatas, a população em geral tinha a crença que eles foram extintos ou “curados” da maldição como foi prometido pelo ministério. Caso semelhante ocorreu durante um tempo com os obscuros, sem casos registrados durante décadas até meados de 1920, quando o magizoologista Neawt Scamander registrou e até mesmo deu mostras do obscuros de uma menina da Ásia, como consequência disso foi preso e quase executado pela MACUSA equivocadamente por prática de contrabando clandestino de elementos mágicos perigosos.

O fato é que 186 anos depois, o rastro de um centro de apoio às pessoas com estigmatismo ainda ativo (que com o passar dos anos não era assim tão exclusivo) era praticamente zero. Foi a primeira barreira a ser vencida pelo grupo recém-formado de pessoas com vários tipos de maldições, mas que em suma tinham extremo pavor da ameaça de um dia sumirem misteriosamente e pararem nesse lugar “inexistente”.

— De Gregory Skeeter: Onde está a cura?

Em 1934 um artigo de título: “Onde está a cura?” Foi publicado no Profeta diário pelo consagrado repórter Gregory Skeeter, espalhando-se pelos lares de quase toda família bruxa do Reino Unido. Não tinha um conteúdo acusatório inicialmente, mas fazia com que a comunidade bruxa fizesse uma pergunta simples que puxava uma infinidade de outras perguntas: “Como se cura o estigmatismo?” O choque inicial na época da população foi de fato saber que os estigmatas realmente existiam ou mesmo existiram, segundo aquele mesmo artigo o último evento ocorrido com algum estigmata fora a mais de 160 anos, de acordo com os vários artigos e fotos, documentos oficiais, reportagens e outras provas irrefutáveis, comfirmavam que em algum momento do ano de 1748 houve a inauguração de um centro de apoio ao estigmatismo, e que 2000 pessoas foram encaminhadas para lá porém não havia registros dos resultados dos experimentos, nem qual o período que os pacientes foram liberados. Todas as informações pertinentes à instituição datavam até certo período, mas não havia nenhum registro de um possível fechamento e fim das atividades. Se naquele período não havia mais resquício que ainda existiam estigmatas e nem a atividade do centro Avalon, o mais provável é que os pesquisadores conseguiram a cura, sendo assim: Como se cura o estigmatismo? Não havia sequer um registro de um tratamento que curasse tal moléstia.

Vale ressaltar que a ideia do artigo publicado se deu por puro acaso. Ele afirmou em uma reportagem anos depois do ocorrido que sua família vinha de gerações de bruxos e bruxas que valorizavam muito a história como um todo e em sua casa havia um acervo enorme de jornais, folhetins e até mesmo cópias de documentos públicos que marcaram a trajetória da comunidade bruxa no reino unido e adjacências. Então durante uma folga, tentando fazer uma faxina e organizar algumas seções do acervo ele deparou-se com alguns artigos e antigos registros de uma tia tataravó chamada Abigail Valentine.

Segundo suas anotações, o marido dela, chamado Rujam Valentine, havia partido junto com outras pessoas para buscar a cura para o estigmatismo no centro de Avalon e que nunca mais havia retornado. Sua tia informava também que por três vezes buscou saber do marido através do ministério, pois desde que ele havia ido não lhe enviou nem respondeu carta alguma. Quando recebeu as respostas das três cartas era tudo tão divergente que nem se fosse uma completa parva poderia acreditar no que lhe era repassado. Skeeter inclusive encontrou cartas oficiais timbradas com o selo do ministério com diversas afirmações, uma que ele havia contraído sarapintose e morrido. Outra datada de dias depois que ele estava acamado com varíola de dragão e não poderia receber visitas. A última e mais estranha é que ele havia fugido com outra paciente, só que na mesma carta trocaram o nome e as características da possível amante pelo menos 2 vezes.

A plena curiosidade e instinto jornalístico o fizeram vasculhar não só os arquivos de sua parente, mas todo um rastro de informações incitadas da descoberta dessa história datada de quase dois séculos e que não tinha um final palpável. Foi assim que Skeeter por meio de uma de suas várias fontes chegou ao nome Alandriel Aboott.

— Liga de libertação dos avalonados

Em 1 ano, Abbot e Alawood já haviam percorrido meio Reino Unido juntando informações, catalogando estigmatas e principalmente, espalhando a ideia de que não era mais possível viver com medo de em algum momento poder desaparecer sem rastros e que mesmo a bruma dando a eles a possibilidade de viver em sociedade mais livremente, mesmo sem se revelar ao mundo, com um pouco mais de luta e mostrando que o problema maior já estava sob controle, poderiam lutar pela garantia que no dia que for extosta sua condição, seu destino nunca mais seria a perda da própria liberdade.

O primeiro passo que Abbot e Alawood deram foi em prol de ajudar familiares de estigmatas que haviam sumido. Eram dezenas de mulheres e homens que perderam seus companheiros e/ou filhos, sobrinhos, netos e que por mais que implorassem por socorro, sempre acabavam sendo chamados de pobres coitados, iludidos, abandonados por filhos ingratos, cônjuges traidores e afins. Esse foi o primeiro grupo de pessoas que sem pestanejar se juntou aos primos para lutar por notícias, localização e uma possível libertação.

No instante em que Alandriel viu o artigo de Skeeter, quase deu um salto pra trás, mas parecia um sonho que qualquer outra coisa. Alguém que tinha provas de que Avalon ao menos em algum momento existiu. Todos os casos de desaparecimento que tinha nas mãos sempre davam voltas e nunca chegavam nesse ponto de questionar se essas pessoas estariam em Avalon. Por que sequer a existência dos próprios estigmatas era aceita.

A partir daí o próximo passo seria encontrar Gregory Skeeter e saber se o mesmo ainda estaria vivo. Por que não seria de se estranhar que do nada o desavisado repórter sumisse sem deixar rastros. E isso quase aconteceu. A casa do Aclamado repórter misteriosamente pegou fogo, todos os documentos históricos guardados em seu acervo tiveram fim trágico nesse incêndio. Nada conseguiu ser salvo nem restaurado e o próprio Gregory Skeeter passou um período considerável em recuperação no Sant Mungus. Mas o que os seus agressores não sabiam era que o experiente repórter já havia enviado as provas sobre Avalon para outro lugar, deixando todo uma gama de informações aos cuidados de um grande amigo: Lorcan Lovegood.

Notas finais
Já é de grande alegria pra mim se você tiver chegado até o final. Na verdade ele não está acabado, gostaria muito de mais ideias e elementos para ele. Com certeza ele terá modificações além de um final. Colocarei avisos quando o fizer. E aí o que vcs acharam?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.