Notas iniciais
Caros leitores, como alguns já me conhecem, faço minhas fics de forma diferente, ou seja, altero as temporadas e adapto-as a minha maneira, por de trás de um novo véu através dos meus olhos. Espero que curtam e que ela seja recheada com seus mais maravilhosos reviews. Beijos a todos.

Dean acordou ofegante, os pesadelos continuavam a assombrando-o. Agradeceu por Sam não estar no quarto, certamente estava fazendo sua corrida matinal.

— Não sei onde esse garoto consegue tanta energia. — disse o loiro indo ao banheiro tomar uma ducha.

O Winchester mais velho fechou os olhos ao sentir a água quente passar pelo seu corpo, era uma sensação de enorme prazer, poderia ficar por muito mais tempo se não fosse o irmão caçula berrando do outro lado da porta.

-Dean não vai morrer aí, preciso de um banho. Sai logo! – Sam adorava perturbar o irmão, ele sabia que Dean odiava isso.

— Já estou saindo, Sammy.

Sam estranhou o bom comportamento do irmão, normalmente ele gritaria um palavrão antes de sair, o moreno sabia que algo não estava certo com Dean. Desde que eles deixaram John naquela cabana e depois de tudo que passaram para esquecer aquele trágico acontecimento com Dean no inferno* as coisas haviam mudado.

— Você tá legal, cara? – Sam viu o irmão sair com a toalha enrolada na cintura como sempre fazia, mas sua expressão era cansada e distante.

— É, estou sim. Vai logo que tô cheio de fome. – o loiro disfarçou um sorriso.

Sam apenas sacudiu a cabeça sorrindo, seu irmão era incorrigível. Dean vestiu-se e tudo aconteceu de forma tão rápida que não soube distinguir a realidade da fantasia. O quarto onde estava perdeu a cor, as paredes estavam se desmanchando aos poucos e uma voz sinistra ecoou pelo recinto, paralisando-o.

— Olá Dean, ainda não desistimos de você. Precisamos continuar a lição de casa que foi interrompida.

— Quem está aí? – o loiro gritou olhando ao seu redor onde estava o dono daquela voz.

— Ainda pergunta? Estou chateado por já ter esquecido nossos bons momentos no inferno, minha espada deixou-lhe muitas cicatrizes e as vejo em seu corpo, clamando por mais e mais.

Dean sabia, não queria admitir. Não queria acreditar. Colocou as mãos na cabeça e apertou fortemente os olhos. Acreditava que quando os abrisse tudo voltaria ao normal, mas isso não aconteceu.

— Alastair seu cão miserável, acabarei com a sua raça demoníaca. – O winchester mais velho agora empunhava a faca que matava demônios.

— Ora, vejam só, o garotinho do papai quer brincar. Oh, esqueci...foi seu pai que te deu para mim naquela noite, lembra?

O olhar do loiro era intenso, por um segundo sua mão tremeu levemente. Voltar a lembrar da cilada que seu próprio pai lhe fizera para tentar trazer Sam de volta de Stanford ainda lhe doía por dentro.

— Dean? – Sam olhou para o irmão com receio do que pudesse acontecer.

— Sam..eu, eu estou enlouquecendo. – o loiro largou a faca que estava apontada para o peito do moreno.

— O que houve? Você vai ter que me contar o que tá pegando Dean! E não desconversa que não sou otário. – Sam encarava o irmão seriamente, seus olhos demonstravam toda sua preocupação.

— Alastair, ele estava aqui...ou eu acho que estava. – o loiro deixou os ombros caírem e sentou-se olhando para Sam.

— Não se preocupe irmão. Vamos encontrar uma resposta para essas suas alucinações e...

Sam arregalou os olhos ao ver seu irmão desabar ao chão, ele correu e ajoelhou-se o pegando no colo.

— Dean, não me assusta, cara. – Sam chacoalhava o corpo desmaiado do loiro e notou a camisa branca do irmão empapada de sangue. – Droga o que te aconteceu?

Sam não perdeu tempo, era um corte profundo. Limpou a ferida e costurou-a, mais uma cicatriz para sua coleção. Sam deixou o irmão na cama e foi lavar-se, olhou-se no espelho e seu reflexo demonstrava toda a angústia que carregava. Foi até a mesa e pegou a faca que o irmão empunhava, ele poderia ter se cortado. A faca estava intacta, nada de restos de sangue, limpa. Sam chegou próximo a janela e uma confirmação concretizou-se naquele instante, estava tomada de enxofre. Seu irmão não estava delirando, o demônio esteve ali e o coração do moreno disparou em um ritmo assustador. Imaginar ficar sem Dean novamente lhe dava náuseas, faria de tudo para que nada de mal lhe acontecesse. Jamais esqueceria a visão dos acontecimentos quando eles sitiaram o inferno para resgatar Dean. Teve que ver o irmão sendo torturado por Alastair, e por um segundo quase não resistiu colocando a vida de todos em perigo. Castiel havia evitado a derrota da investida.

O caçula não quis perder tempo, protegeu a casa da entrada destes monstros, tinha que garantir a segurança de ambos, e avaliar a situação sem perder o foco. Estavam sendo atacados e isso não era comum. Eles é que atacavam os desgraçados. Só não compreendia o fato de não presenciar esses ataques malignos contra o mais velho.

Algumas horas depois o loiro abriu os olhos, estava confuso e perdido.

— Sam, o que está havendo comigo? – o loiro perguntou com um olhar vazio.

— Dean, ele realmente esteve aqui, você não estava delirando. – o mais velho pareceu voltar à realidade e teve toda a sua atenção no irmão.

— Quer dizer que não enlouqueci e não fiz isso comigo mesmo? – sua voz saiu trêmula, embora tentasse de todas as formas parecer forte.

— Não, a faca está limpa. E há enxofre pela casa. Estamos protegidos por enquanto, mas temos que achar uma saída para essa loucura toda, você terá que me contar tudo do que lembra ter visto. Os detalhes são essenciais.

— Cara, eu...não posso. Não dá, não lembro! – o Winchester virou-se para não encarar os olhos do mais novo.

— Dean, sou seu irmão, estou aqui para te ajudar. Fingir não vai ajudar em nada. Apenas me ajude a te ajudar, porque eu...também estou assustado.

Ouvir o desabafo do caçula mexeu com os sentimentos do loiro, não queria admitir que também estivesse com medo. Medo de voltar àquele lugar quente e pútrido.

Notas finais
E então, gostaram? Espero seus comentários para poder prosseguir.
*Essa fic é como uma continuação de "O erro de John Winchester", seria muito interessante lerem.
https://www.fanfiction.com.br/historia/190393/O_Erro_de_John_Winchester