Estia - Guardiões de Vidro
1 Prológo
Notas iniciais
Prólogo:
Vinte e dois de março, 2049 – Todos os noticiários focavam-se na informação que abalaria as estruturas da humanidade. Sim, a crise da água no mundo tornou-se frequente e já começava a faltar até mesmo na casa dos grandes políticos. Era um estado crítico, e embora países desenvolvidos tentassem negociações com regiões menores para conseguir a importação da água, era falho, isto porque nenhum dinheiro valeria mais do que a vida.
Se um dos bens mais prezados pela sociedade egoísta fora rejeitado, não havia outra maneira de conseguir o que desejavam, senão tomá-lo a força. Não deu outra: os países preparavam-se para uma guerra que tomaria metade da população mundial.
Com os dados negativos, o presidente do maior polo mundial de comércio decide que não haveria desfecho feliz naquela história. Une-se com representantes de todos os outros países e em uma disputa acirrada, é decidido que todas aquelas limitações seriam extintas.
Foi naquele dia que a Seita nasceu e o mundo tornou-se único.
Vinte e oito de março, 2049 – Parece que a paz durara pouco, mas isto era previsível quando representantes ambiciosos estavam à mesa. A sujeira por debaixo dos panos era imensa e a Seita ameaçava falhar.
Naquele dia, o presidente de um país que outrora fora chamado Rússia, levantou-se para um confronto.
— Como pudemos achar que isto iria dar certo? Estamos fazendo com que pessoas deixem suas culturas de lado para nada, afinal, a partilha da água está sendo feita de forma errônea! Poderia dizer você, Brasil, porque mesmo dotado de reservas naturais de água não forneceu um pingo sequer para o meu país?
O outro presidente não deixara por menos.
— Senhor, olhe quão egoísta são suas palavras. País? Não, lamento isso não existe mais. O que temos são regiões e se a água ainda não chegou à região que o senhor costumava governar, é apenas porque o fornecimento está sendo para regiões próximas a tal.
Mas até num lugar como este sempre havia um líder, o que sugerira a junção dos países e que colocaria ordem em tudo àquilo em milésimos de segundos. Retirou uma pistola da bolsa e mirou-a para o ex-presidente da Rússia, em um tiro rápido e certeiro. Seus lábios apenas sibilaram de forma neutra e tranquila:
— Alguém mais quer se pronunciar? Acho que não.
Cinco de julho, 2049 – A sociedade estava em nervos e a Seita era cada vez mais odiada. A situação dentro do escritório era tranquila, já que ninguém se opunha ao líder e este era muito feliz em suas ordens.
Hoje o primeiro anúncio televisivo para a rede mundial seria feito. Cada representante falaria em sua língua pela última vez, explicando como a situação seria feita. O líder fora o primeiro a gravar, ao vivo, para todos os países cuja língua era o inglês.
— Cidadãos, com respeito e dignidade, vim explicar a situação a vocês. Como sabem, o mundo agora é unipolar. Isso pode ter causado confusão a todos, mas qualquer dúvida será explicada agora. Começaremos com o motivo disso tudo, a água. Sim, essa será partilhada mundialmente.
Aproveito a dizer que a partir de agora nossa língua oficial e única será o inglês, assim como a moeda, o dólar. Todos os representantes concordaram e é isto que vai acontecer. Próximo tópico.
Funções. Todo cidadão terá sua função, além do próprio trabalho. Este cargo será obrigatório e não remunerado. As funções que necessitamos até agora são professores de inglês, para ensinar os outros povos, cientistas, para tratar da limpeza da água poluída, engenheiros eletrônicos, para aumentar nossa tecnologia, e caso você não se encaixe em nenhum destes, bom, trabalhará nas geleiras, mais uma forma de garantir água.
Novas funções podem surgir de acordo com nossas necessidades e se quisermos podemos perfeitamente mudá-los de seção, mas vocês não podem por si próprios. Quem não cumprir o trabalho será punido. Quem não estiver de acordo com nosso governo será punido.
Pedimos então que venham aos postos espalhados por todas as regiões para receber a vacina contra qualquer vírus que por acaso não seja extinto nas águas.
Tudo que estamos fazendo é pensando em vocês.
A vacina que falava não tinha exatamente essa função. Na verdade, o soro faria com que mensagens nervosas fossem transmitidas pelo sangue e isso os deixaria em pleno estado de felicidade. Cientistas de todo o mundo reuniram-se para criá-la e o efeito era comprovado.
Nada poderiam pará-los e agora, aquele presidente que outrora governava apenas uma região tinha o mundo todo em mãos.
Vinte e quatro de dezembro, 2049 – Em plena véspera de natal uma descoberta que acabaria com os planos da Seita começava a ameaçar a tal utopia que viviam.
Nos últimos meses, muitos rebeldes tinham se oposto a maneira que o governo era levado. Geralmente eram pessoas que não tinham tomado a vacina e, portanto, não possuíam a “marca”, – um código de barras utilizado para distinguir os que tomaram ou não a vacina –, e todos eram mortos.
Mas a situação piorou quando jovens que possuíam a marca foram presos, cometendo crimes diversos. Eles eram imunes e por algum motivo o líder achou que eles deveriam permanecer vivos.
O perigo era iminente, mas o que eles poderiam fazer se estivessem trancados em uma prisão no centro da Terra? E ainda se recebessem impulsos eletrônicos para que todos os dias suas memórias fossem apagadas e seus códigos genéticos fossem modificados?
Eram apenas armas do líder, prontas para serem usadas na hora que tanto esperavam.
Fale com o autor