Estação

1 Estrelas Mortas


Notas iniciais
Retirei essas ideias de um casal que via no terminal de ônibus que costumo a ir para pegar o ônibus que me leva para casa. Sim eles são gays. Eles não morreram, pelo o contrario, estão muito bem. Eu não sinto nada por eles, ou algo que este texto, falou. Odeio preconceito e repudio qualquer tipo de ideia Racista ou Homofóbica. E escrevi esta fic para manifestar este sentimento. Tanto que eu a comecei na estação de ônibus da fic. Espero que gostem *--* Vlw

Todos os dias às dezesseis horas eu chegava ao terminal para pegar o ônibus e ir para casa depois de mais um dia cansativo de aula.

Uma pessoa que não compreende o amor é incapaz de enxergar o amor verdadeiro.

Todos os dias eles estavam lá, sempre juntos, sentados lado a lado com rostos sorridentes mesmo nos dias em que o sol não aquecia a terra com seu calor extremo, ou quando chegava a ser insuportável estar de roupas diante daquele sol que nos fazia pensar estarmos no deserto do Saara.

Eu os observava de longe, olhando aquela amizade que encanta os espectadores, amigos... Não! Irmãos. A amizade que eu jamais vi ou sequer veria.

Estando no ônibus esperando-o sair do terminal eu continuava a observa-los. Eles sorriam vivamente, seus olhos brilhavam como estrelas que refletiam a luz do sol, algo atraente estava contido em seus sorrisos. O estilo e comportamento não deixava transparecer sua opção diferente.

O ônibus sai de seu local estacionado, e faz a curva para seguir em direção a saída do terminal, consequentemente segue em direção aos dois. Sentado no banco ao lado da janela no lado direito do ônibus, eu os olho enquanto o ônibus faz sua ultima curva antes de seguir o pequeno trecho que leva a saída daquele terminal. Noto a energia que ambos dispõem um ao o outro, abraços seguidos deixam o ar ainda mais vivo e romântico. Mesmo com olhares atravessados, os dois se matem neutros como se os outros ali presentes os rodeando não existissem e que aquele terminal era apenas deles.

O ônibus sai da estação deixando-me curioso mais uma vez sem saber qual ônibus os dois pegam e a duvida... O que são eles?

Em minha casa sem muito que fazer, sentado frente ao computador, clicando em páginas aleatórias abro sem querer um site jornalístico e que em sua primeira página havia escrito em negrito e bem grande “BULLYING”, resolvo ler a descrição e perdido meio aquele texto interessante decido ler a reportagem completa, abro uma nova guia como pede a página, porem abre-se um pequeno quadro e nele está escrito: Pare de se preocupar com a minoria e junte-se a nós, mate-os com lâmpadas. Fico completamente tomado por um ódio crescente de indignação por estar tendo que dividir meu oxigênio com pessoas tão mal educadas e patéticas como essas.

Fecho a pagina e desligo o computador, sigo para o meu quarto onde apago a luz e deito-me em minha cama pronto para dormir, mas ainda pensando no que acabara de ler, jamais faria algo como aquilo, sendo que abomino preconceito e que a felicidade não é só direito meu, e sim de todos e se eu não posso julgar, mas não gosto, eu ignoro então porque ferir ou matar pessoas que não transmitem mal algum!? Diferente de outros que só causam o mal e às vezes são até clamados como heróis por algumas pessoas.

Mais um dia se vai e é chegada a hora de ir ao terminal. Chego preparado para ver aquela linda cena de amizade, uma amizade carinhosa, um amor de irmãos, mas quando direciono meu olhar para o habitual local em que os mesmos ficavam não os vejo, os dois não estão sentados no banco em que ficavam todos os dias, olho para toda a estação na busca de encontrar os dois, mas eles não estão lá. Sem pensar no pior vou caminhando para a fila longa que se forma em frente ao ponto em que o ônibus de meu bairro fica estacionado para o embarque das pessoas. Ainda cedo para pegar o ônibus, já que estava adequado a aguardar até o segundo ônibus para vê-los mais tempo, mas hoje não faz sentido esperar o segundo ônibus para vigiar o nada. Embarco no ônibus que faz sua curva cotidiana levando-nos para a saída, faz a segunda curva e no reflexo rotineiro olho pelo vidro da janela na direção do banco em que os dois passavam uma parte de suas tardes, mas eles não estão lá. O ônibus sai do terminal, mais uma vez deixando a minha curiosidade e duvida ainda maior, sendo que as mesmas estão somadas com o sumiço daqueles ícones que tornavam a minha tarde iluminada.

Novamente em minha casa, porem desta vez com muitos deveres. Abro a internet com objetivo, faço minhas pesquisas e logo termino todos os deveres que havia trazido para casa.

A mesma pagina surge novamente em minha tela, desta vez nem mesmo preciso entrar no link para que a página se abra. O link auto se abre e revela o mesmo quadro onde estava a frase preconceituosa. Algo me chama atenção, uma contagem no canto superior esquerdo da tela do computador vai chegando ao fim, resolvo aguardar. A contagem termina revelando outra pagina com o trecho final da reportagem, a mesma frase escrita como titulo da pagina, porem desta vez com um aspecto negativo, diferente do outro, imparcial que deixava sua mente livre para interpreta-la como queiras. No fim da reportagem uma foto, em preto e branco como de costume nestes jornais regionais, mas reconhecível, até mesmo para quem os observava de longe.

Estavam lá, ainda com sorrisos carinhosos e sinceros. Expressão calma, sem preocupações e sem se importar com opiniões depravadas de pessoas falsas que apenas se escondem atrás de mascaras para cobrir suas verdadeiras vergonhas.

Ambos dados como mortos naquele jornal. As estrelas que iluminavam meu dia refletindo o mais fino feixe de luz do sol que descia a terra se foram, deixando-me desolado. Sozinho novamente sem compreender o amor, sem entender os motivos, sem saber o que é uma amizade. Não sou ninguém, não me considero alguém. Jamais fui além e nem mesmo fiz escolhas. Apenas vivi observando duas estrelas que foram apagas porque brilhavam demais a ponto de chamar a atenção da mais oculta escuridão vivente.

Hoje me vejo aqui diante dos olhares sentado no banco, tentando compreender a sociedade e me encaixar em algum lugar. Humanidade... Não! Sociedade, meio em que temos de viver, mesmo que não nos agrade. Humanidade não existe, o amor não existe só o que existe é a paciência.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e por favor, deixem seus reviews. Obrigado pela atenção *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!