Estava Escrito - Cobrade
28 Capítulo 28 - Flashback
Notas iniciais
(Narração Cobra)
Dois meses haviam se passado, a dor da perda do meu amigo já era menor, porém eu nunca iria esquecer aquela amizade. Eu estava cumprindo minha promessa para Jade, não estava mais participando de lutas ilegais, e nem fazendo nada sujo por dinheiro, confesso, estava sendo bastante difícil. O dinheiro que eu recebia no QG mal dava para sobreviver, mas eu havia prometido a Jade, e por mais que fosse difícil eu iria cumprir.... Ou pelo menos tentar.
De uns dias para cá apenas uma pergunta ecoava em minha cabeça: por que? Por que de uns tempos para cá essa bailarina se tornou tão importante pra mim? Eu não podia estar gostando dela, eu não podia gostar de ninguém, não mais. Eu tinha que acabar com isso, antes que isso acabasse com a gente.
Peguei meu celular para mandar uma mensagem a Jade. Confesso eu estava confuso, por um lado eu não queria acabar com aquilo por que ela havia se tornado alguém especial demais para mim, e por outro lado eu queria acabar por que ela havia se tornado alguém especial demais para mim. Meu Deus que confusão, a dois minutos atrás eu estava falando das promessas feitas a ela e agora isso. É acho que esse é mais um motivo para terminar logo seja lá o que temos, afinal, decepcionar uma das poucas pessoas que se importam comigo não seria nada legal, afinal, até quando eu aguentaria viver nessa vida miserável?
"Dama, sei que esse não é o melhor modo para fazer isso, e talvez seja até o pior. Mas confesso que sou um covarde, e não aguentaria te falar isso pessoalmente e ver que as lágrimas em seu rosto seriam por minha culpa. Te fiz promessas demais, e tenho medo de não cumpri-las, e tudo que você não precisa agora é se decepcionar com alguém, ainda mais com um vagabundo. Estamos nos envolvendo demais, e isso será ruim para nós dois, sentimento só atrapalha, machuca, deixa feridas, eu não quero que isso para nós. Então é melhor parar enquanto ainda dá tempo. Desculpe se te magoei, está sendo uma 'barra' pra mim também, mas acredite é o melhor para nós.
Cobra."
Respirei fundo antes de enviar, afinal ainda dava tempo de excluir aquela mensagem e fingir que essa ideia maluca nunca havia passado por minha cabeça, mas não foi isso que eu fiz. Eu enviei, e junto com aquela mensagem foi-se um pedaço do meu coração, e mais uma vez eu tinha certeza de que estava fazendo a coisa certa.
Alguns minutos se passaram e logo o toque do meu celular ecoou pela loja, era Jade. Certamente havia recebido a mensagem e agora estava pronta para usar um vocabulário bastante ofensivo contra mim. Eu respirei fundo e atendi.
– oi Jade. — eu disse já aguardando suas duras palavras.
– que diabo de mensagem foi essa que você me mandou? Por acaso é um trote vagabundo?– ela disse em tom agressivo.
– não, não é um trote. Eu sei que pode parecer confuso, pra falar a verdade é confuso, principalmente para mim. Porém eu não quero me envolver Jade, eu não quero algo sério, ou sentimento, e eu vejo que é isso que está acontecendo entre a gente, estamos nos envolvendo demais, nos importando demais um com o outro. Isso não é bom.
– você se priva da felicidade com medo de que ela acabe.
– não é assim Jade...
– É ASSIM SIM. E cala a boca por que eu ainda não terminei. — ela disse grosseiramente me interrompendo. — você é um covarde Ricardo Cobreloa, COVARDE. Não é homem suficiente para terminar comigo de um modo decente, e além de tudo é um medroso que teme sofrer com o sentimento.
– Jade você não está entendendo.
– eu estou entendendo sim, e eu mandei você calar a boca.
– cala a boca você, ta achando que é quem? Eu tentei Jade, eu Juro que tentei resolver isso da melhor maneira. Mas você como sempre quis se mostrar superior.
– eu o que?– ela disse indignada.
– eu ainda não acabei. — eu disse frio. — você pode me achar covarde, não me achar homem o suficiente, pode achar o que você quiser. Mas o que interessa é que acabou, só isso. — eu disse e desliguei o celular.
Ela havia sido dura, e eu não havia ficado para atrás. Mas foi preciso, confesso eu ainda estava extremamente confuso e com medo de ter feito a coisa errada. Eu havia agido por impulso não havia pensado muito, e isso não é bom. Mas agora estava feito, e isso de algum modo ia ser bom para nós. Afinal sentimento, paixão, amor, é como uma droga, no começo é inofensivo, nos faz sentir nas nuvens, mas de repente quando nós vemos estamos reféns daquilo, estamos fracos, e somos completamente dependente daquilo. Eu sabia muito bem como essa maldita droga chamada amor fazia mal, e eu não me permitiria a ser refém dessa droga de novo.
(Flashback — Cobra)
Era um sábado, não havia conversado com Camila o dia inteiro. Peguei meu celular e mandei uma mensagem a ela, enquanto esperava o "online" aparecer em baixo do seu lindo nome (o qual estava acompanhado de um coração) abri sua foto do perfil e fiquei admirando aquela foto. Camy (como eu a chamava) tinha uma pele clara, e seus cabelos eram um loiro de tonalidade escura. Ela era linda, extremamente linda. Era um ícone de beleza, e era desejada por todos em nosso bairro. Ela era mais velha que eu, já havia completado seus 18 anos e eu ainda estava com 16. Ela era madura, vivida, tinha uma personalidade forte, e ainda era dona de um corpo com belas curvas. Ela era sem dúvida a mulher que eu sempre havia desejado, aliás mulher não, menina. Por que apesar de tudo, de toda sua beleza, sensualidade e personalidade ela ainda tinha aquele jeito meigo de menina. Eu a amava, sem dúvidas, ela me fez descobrir o amor, e eu era completamente louco por ela. E com apenas 1 mês de namoro eu comecei a descobrir coisas novas com ela, descobri como era um corpo de uma mulher, descobri um prazer que até então era desconhecido. Sim foi com Camy que eu descobri o sexo. E confesso essa foi a chave para que eu a colocasse em um pedestal, ela não era virgem, então tudo que eu sabia eu havia aprendido com ela.
O "online" não apareceu em baixo do seu nome, então resolvi ligar em sua casa. Sua mãe havia afirmado que ela estava na casa de um amigo, um tal de Paulo, confesso aquilo era desconfortável para mim. E talvez em meio a uma atitude imatura e impensada eu fui até a casa desse tal amigo (o endereço havia sido passado por dona Cida, mãe de Camila). A casa era bem simples, não havia muro e logicamente não tinha portão. A porta da sala estava apenas escorada... Entrei. A sala estava escura e a casa estava aparentemente vazia. Um enorme peso caiu sobre minha consciência, e quando eu já estava em rumo a saída escutei um gemido. Eu conhecia aquela voz, era Camila. Mas gemendo?
Segui o barulho e cheguei a uma porta de madeira que estava escorada, havia uma pequena fresta, porém não permitia ver muitas coisas. Então eu fiquei ali escutando, escutando os nojentos gemidos da minha namorada com um cara qualquer. Os minutos passavam, e juntos a eles os gemidos aumentavam e mais lágrimas escorriam pelo meu rosto.
Demorou, porém eu criei uma atitude. Enxuguei minhas lágrimas, respirei fundo e em um gesto rápido abri a porta.
– Cobra? — ela disse se virando para mim. Ela estava nua (o que já era esperado). — o que você está fazendo aqui?
– acho que você não está no direito de fazer pergunta, não concorda?
– você invadiu a minha casa moleque. Você também não está no direito. — o tal de Paulo disse.
– cala a boca, por que eu ainda não estou pensando em te bater. E você Camila, como você foi capaz de fazer isso? Serio, eu nunca esperaria isso de você. Eu te dei meu amor, meu carinho, eu me entreguei a você.
– amor e carinho não me faz gritar na cama Cobreloa, desculpe, acho que eu sempre fui demais pra você. Um molequinho igual a você jamais iria da conta de satisfazer Camila Silveira. — fiquei boquiaberto com a frieza que ela dizia aquelas palavras. — agora se você me dá licença, eu tenho uma transa maravilhosa para terminar. Vai Cobra, sai daqui.
E eu sai, sai dali desolado. Por meses havia me dedicado para aquele relacionamento e havia sido traído de uma forma tão baixa.
O amor era uma droga que me enfraquecia, pois mesmo pegando minha namorada na cama com outro minha atitude foi: nenhuma. E essa com certeza não era uma atitude do violento, explosivo, agressivo e dominante lutador Ricardo Cobreloa.
(Flashback OFF)
Desculpa Jade mas eu não posso deixar você se tornar minha kriptonita, eu não posso ter uma kriptonita. Não mais.
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