Estava Escrito - Cobrade
14 Capítulo 14 - Dama em apuros
Notas iniciais
Já era noite, e eu já havia começado a me arrumar. Esse ano minha fantasia seria de Cisne Negro. Como no Brasil não encontrei nenhuma fantasia decente, pedi para uma amiga alugar em New York e me mandar.
A fantasia era linda, toda preta obviamente. Seu tutu era curto e rodado, a parte de cima imitava um corselet, bem justo e tomara que caia. O vestido tinha alguns detalhes com penas e brilhos, que davam um charme completamente especial. Em volta de meu pescoço (e um pouco caído sobre os ombros) havia uma estola de penas pretas. Meu cabelo estava preso com um coque, e acima de minha cabeça estava uma coroa de coloração preta.
Minha maquiagem era forte, para dá uma sensação de pálida passei uma base de tom mais claro. E para fazer jus ao personagem pintei meus olhos de preto imitando as asas de um cisne. Em meus lábios passei um batom preto mas dar uma ar ainda mais forte. Coloquei minha sapatilha de balé e olhei ao espelho.
Não era por que o reflexo ao espelho era meu, mas modéstia parte eu estava incrível. Estava me sentindo a protagonista de uma enorme apresentação de balé daquelas companhias famosas.
– quem sabe um dia deixa de ser uma fantasia e vira uma realidade. — minha mãe disse encostada à porta.
Suspirei e a respondi. — esse é meu maior sonho.
Minha mãe veio e me abraçou com um olhar de aprovação a minha roupa. Minha mãe estava fantasiada de dançarina de cabaré, sua fantasia era discreta e elegante, mesmo se tratando de um tema vulgar. Saímos do apartamento e encontramos Ed na portaria, ele estava de rei. Entramos no carro e fomos para a ribalta, no caminho rimos e conversamos sobre assuntos aleatórios.
Chegando na fábrica avistei muitas pessoas na porta, todas fantasiadas. Entrei e logo me afastei de minha mãe e Ed. Rodei os olhos pelo local à procura de um certo lutador.
– bailarina? Que inovador. — olhei para trás e vim um zorro. Por debaixo daquela máscara preta estava Cobra.
– não me enche lutador. — eu disse o dando um tapa de leve. — estava te procurando.
– serio? Jurei que você estaria procurando o babaca do Duca.
– sabe que tinha até esquecido dele, foi bom você me lembrar. — dei uma risada provocadora e sai dali a procura de Duca.
– oi lutador. — Duca estava vestido de mosqueteiro.
– oi Jade.
– ocupado o suficiente para não me beijar agora? — eu disse colocando a mão em sua nuca.
– jamais. — Duca disse me puxando para um beijo. Ficamos ali dançando por um tempo, aliás por horas. As vezes eu saia de perto dele para ir beber algo e conversar com Joaquina e Lirio.
– Julieta? De novo? Você não tem outra roupa? — eu disse assim que vi Bianca sentada em um canto com Ruiva.
– você deve me amar muito. — ela disse revirando os olhos.
– ou odiar. — eu disse a corrigindo.
– ou invejar. — Ruiva disse se intrometendo.
– Ruiva, eu vi um cachorrinho sem dono ali na rua, por que você não vai lá e para de falar besteira. — eu disse a ela.
– Jade sai daqui por favor. — Bianca disse.
– Calma Bi, já estou saindo. Mas antes eu só queria te dizer que você não tem motivos para estar triste por causa do Duca. O beijo dele é tão sem graça, não merece sofrimento alheio. E olha que eu provei muito do beijo antes de tirar essa conclusão — Bianca me fuzilou com os olhos. — mas olhando por um lado, uma sem sal como você deve se contentar com qualquer pegadinha sem graça ne?
– eu vou te matar. — Bianca disse se levantando rapidamente e vindo com tudo para cima de mim. Eu dei dois passos para trás rindo daquela situação enquanto ruiva segurava Bianca. Sai dali com um sorriso maldoso ao rosto.
Avistei Duca com seus amigos e então decidi da uma volta. Eu precisava de ar, aquele clima abafado da festa estava me deixando agoniada. Sai do auditório e logo avistei as escadas que davam para a academia, a desci e fui para a praça, logo me sentei em um banco.
A praça estava vazia, não havia uma alma ali, somente o silêncio e o frio da meia noite.
– oi Jade. — senti alguém atrás de mim e me virei rapidamente para verificar quem era.
– oi Edu. — eu respondi enquanto ele dava a volta ao banco para se sentar ao meu lado.
Edu me olhava de uma forma estranha, aquilo já estava me assustando. Ele não havia falado uma palavra após se sentar, apenas fitava meu rosto com um olhar que me transmitia medo.
– Edu eu vou voltar para a festa. Depois nos falamos. — levantei rapidamente do banco. Edu se levantou e veio em minha direção, eu confesso, estava morrendo de medo. Não me atrevi a dar as costas para Edu, com medo do que ele viesse a fazer. Por isso fui andando para trás olhando para o rosto de Edu.
– ainda não esqueci o que você falou mais cedo.
– o que eu disse mais cedo? — eu disse tentando disfarçar meu nervosismo.
– que não a nada que te agrade lá na banca. E antes que você venha com alguma desculpa: eu não sou bobo Jade, eu sei que você estava falando de mim.
– eu falei aquilo da boca pra fora Edu.
– mas me magoou. Sorte sua que é tão linda. Há, como é linda. — eu ainda estava a andar pra trás, até que senti meu corpo bater na parede da banca de revistas. Não havia mais para onde andar.
Edu passou seus dedos por meu rosto e me olhou com um olhar frio, eu pude ver o ódio em seu olhar. O nervosismo tomou conta de mim, meu corpo tremia e o medo era enorme.
– seus lábios são tão belos. — ele disse vindo em minha direção para me beijar. O empurrei e ele me empurrou com tudo para a parede, fazendo eu bater a cabeça.
– acho bom não tentar nenhuma graça, se não você vai se arrepender bailarina. — ele disse com sua mão presa ao meu cabelo, fazendo-o se soltar do coque que havia feito.
– Edu, você está bêbado. Me deixa ir, para com isso. Não estou te reconhecendo. — eu disse já com voz de choro.
– não está me reconhecendo por que eu deixei de ser aquele babaca, que você só pisava.
– Edu eu não quero nada com você, entenda.
– mas eu quero, e eu vou ter. — ele disse e logo me beijou a força.
Edu era obviamente mais forte que eu, então todas as minhas tentativas de me livrar dele foram em vão. Senti suas mãos deslizarem por minha cintura, e em apenas um puxão ele rasgou a metade de Meu tutu.
– Edu para com isso, pelo amor de Deus. — eu disse em meio às lágrimas assim que consegui me livrar dele.
– cala a boca. — ele disse me jogando ao chão.
(Narração Cobra)
Eu estava evitando beber, não queria confusão na primeira festa da academia. Mas como não havia nenhum amigo ali, minha única companhia era o copo.
Cadê você minha dama? Me chamou para vir e me deixou aqui só.
Olhei para Duca na esperança de ver Jade ao seu lado, mas ela não estava lá. Então rodei os olhos pelo salão a procura daquela bailarina, e nada dela.
Ela deve ter ido ao banheiro, vou aproveitar para conversar com ela.
O banheiro ficava em baixo, perto da academia do mestre Gael. Desci as escadas e fui para a porta do banheiro, fiquei ali por alguns minutos na esperança que Jade saísse de lá, porém nada dela.
– cala a boca. — ouvi um grito vindo da praça. Então fui até a porta para ver o que estava acontecendo.
Cheguei na porta da academia e vi um casal que estava brigando. O rapaz não me era estranho. Assim que observei a pobre moça jogada ao chão pude reconhecer quem era.
– JADE! — eu gritei indo em direção a ela. — SAI DE PERTO DELA SEU BABACA. — eu disse empurrando Edu.
Edu tentou revidar, mas foi em vão. A ira já havia tomado conta de mim, eu estava cego de ódio. Como ele era capaz de fazer mal a Jade? Eu batia em Edu sem mesmo perceber o que estava fazendo, ele estava caído ao chão e eu estava sobre ele lhe dando socos com uma intensidade enorme.
Antes de me jogar por cima de Edu eu havia o chutado muito. Ele já estava aparentemente desacordado, minha roupa preta não destacava o sangue que havia nela, mas em compensação minhas mãos estavam banhadas pelo sangue daquele ser repugnante.
– para Cobra, você vai matar ele. — Jade estava sentada ao chão chorando, ela me olhava com aqueles lindos olhos que gritavam em desespero.
Eu ignorei seu pedido, não me importava se ele iria morrer ou não. Mas enquanto tivesse raiva dentro de mim eu iria bater nele.
– Cobreloa para com isso. — mestre Gael me puxou para trás me tirando daquele transe de ódio.
Ele me jogou para longe e logo desesperadamente se juntou a Edu que estava caído ao chão desacordado.
– Duca, liga para a ambulância. Rápido! — ele falou desesperado e seu assistente logo ligou.
– vagabundo você está bem? — Jade disse me abraçando. Eu podia sentir suas lágrimas escorrendo.
– estou sim. Jade ele abusou de você? — eu disse com medo da resposta.
– não, você me salvou a tempo. — ela disse e logo começou a chorar.
– minha filha o que aconteceu? Olha o seu estado. — a mãe de Jade disse com as mãos ao rosto e logo avistei todos os alunos da fábrica atrás dela.
– ele tentou abusar da sua filha. Eu cheguei e ela estava caída ao chão. E eu a ajudei. — eu disse enquanto todos me olhavam.
– você quase matou esse rapaz Cobreloa. — Gael disse em meio a raiva.
– o Cobra apenas me ajudou, se não fosse por ele quem estaria caída ao chão desacordada seria eu. — Jade disse chorando e sua mãe a abraçou.
Ninguém ali aprovava minha atitude, mas ninguém também desaprovava. Eu estava com a consciência limpa, estava apenas defendendo a única pessoa que eu tinha como amigo, ou melhor, amiga. Eu não podia ver ele fazendo mal a ela e não fazer ele pagar por isso.
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