Estava Escrito - Cobrade

3 Capitulo 3 - Em rumo ao recomeço


Cada ponto daquela cidade me lembrava algo da minha infância, me trazia lembranças que eu queria e precisava apagar. Goiânia não parecia mais meu lar, não tinha família, amigos, e eu sabia que não era naquela academia mixuruca que eu me transformaria em um campeão. — é Cobreloa, acho que está na hora de reiniciar. — disse enquanto abria a porta do carro.

Cheguei em casa, se é que podia chamar aquilo de casa, e comecei a imaginar possíveis lugares onde poderia ir. Pensei em São Paulo, mas logo lembrei de um ex campeão que tinha uma academia no Rio de Janeiro, o cara era um ícone do muay thai nacional. Então peguei meu celular e comecei a escrever um email á ele:

" Caro mestre Gael, me chamo Ricardo Cobreloa. Moro em Goiânia e tenho 19 anos, prático muay thai desde os 11 anos. E sonho em ser um campeão.

Estou de mudança para o Rio, e gostaria de treinar muito em sua academia. Já estou ciente e de acordo com os valores a pagar. Estarei chegando em breve no Rio.

Em Anexo todos os meus documentos."

Li o email antes de enviar e sorri. — parecendo um filhinho de papai, quero ver ele não me aceitar. — Peguei umas mochilas em baixo da cama e comecei a arrumar minhas coisas, o Rio de Janeiro me esperava e eu não podia perder mais tempo aqui.

Eu tinha poucas coisas, então logo tudo estava arrumado dentro de duas únicas mochilas. Sai de casa e deixei tudo destrancado.

– acho que o dono da casa além de não receber o aluguel esse mês, vai ter um pequeno prejuízo com os móveis. — sorri.

Entrei dentro do carro e acelerei, logo estava na br. Uma estrada longa me esperava, porém eu sabia que no final dela estaria um glorioso recomeço. Passei horas na estrada e parei em inúmeros postos de gasolina.

– ai parceiro, enche o tanque e da um grau nos vidros. — falei jogando a chave para o frentista.

Abri a carteira e vi que o meu dinheiro já estava se acabando, e certamente não daria para pagar pela gasolina. Entrei na loja de conveniências e vi que a caixa estava distraída conversando ao celular, e o melhor, bem longe do caixa. Abri a gaveta e rapidamente peguei o dinheiro. Fui até onde ela estava e peguei um salgadinho para comer. Dei uma nota de 2 reais e sai.

– sabe quantas horas daqui até o Rio de Janeiro? — perguntei ao frentista enquanto abria o saco de salgadinhos.

– umas 3 horas no máximo. Ta na estrada tem um tempão né? Veio de longe.

– to sim. — falei pegando a chave do carro. — está aqui o dinheiro, fica com o troco. Gorjeta, pelo serviço. — falei entregando algumas notas a ele.

– valeu pela moral patrãozinho. — o frentista disse contando o dinheiro.