Estava Escrito - Cobrade
17 Capítulo 17 - Estarei ao seu lado
Notas iniciais
Obviamente eu estava arrasada. minha mãe com câncer? Nem no meu pior pesadelo podia imaginar algo assim. Ainda eram 21hrs, eu estava em meu quarto, trancada e encharcando meu travesseiro com lágrimas. Minha mãe havia ido dormir, e até então eu tinha sido forte o suficiente, eu precisava demonstrar forças, era o meu papel como filha. Mas agora eu que precisava receber forças, eu precisava de colo. E eu não tinha ninguém pra me dá apoio. Eu sentia como se tivesse algo preso em minha garganta, certamente gritos de desabafo. Eu precisava conversar, eu precisava sentir alguém passar as mãos em meus cabelos enquanto eu desmanchava minha maquiagem em lágrimas.
Peguei meu celular para verificar as horas, pensei em ir para a casa de Joaquina, porém a mesma viria com citações baratas de um poeta qualquer, e eu não queria isso. Pensei no Lírio, porém acho que ele não saberia lidar com uma situação assim, sem contar que ele certamente estaria em alguma festa. Então eu lembrei da única pessoa que me restara, a pessoa que quando eu mais precisei me salvou. E eu precisava ser salva novamente, e por ele.
Vesti um casaco rapidamente e sai do meu apartamento fazendo o mínimo de barulho possível. Eu estava simples, afinal não tinha cabeça nem para trocar de roupa. Estava com uma bermuda preta e uma camiseta bem soltinha escrita 'love', esse seria o meu pijama da noite. Eu já estava dentro do taxi, e em média 20 minutos depois havia chegado ao meu destino.
As luzes estavam apagadas e a porta trancada com um aviso "fechado". Bati a porta na esperança que aparecesse alguém. E logo vi seu corpo malhado e moreno aparecer na escuridão daquela loja.
– Jade? — ele disse surpreso ao me ver ali.
– oi Cobra, posso entrar?
– claro, entra ai. — ele disse abrindo passagem. — mas fala ai, o que te trás aqui?
– estou precisando conversar com alguém. — falei com a cabeça baixa.
– peraí, você estava chorando Jade? — ele disse levantando o meu rosto.
– me da um abraço vagabundo. — eu disse me desabando em lágrimas.
– quem foi o babaca que fez isso com você? Me conta. — ele disse e logo me abraçou bem forte.
– o destino. — eu falei com a voz falhando devido ao choro.
– a coisa é seria né? — ele perguntou e eu afirmei com a cabeça.
– vem cá minha dama, senta aqui. — ele me puxou pela mão e logo estávamos em seu colchão, nos sentamos e logo ele me puxou para que eu colocasse a cabeça em seu colo, e assim eu fiz. — me conta o que houve. — ele disse passando a mão em meus cabelos.
– minha mãe está doente Cobra. Ela está com câncer. — eu disse e toda aquela dor que eu sentia aumentou.
– e o caso é grave?
– parece que sim. — eu disse me levantando para olhar em seu rosto. — ela é tudo o que tenho vagabundo, eu não sei quem é meu pai, nunca conheci meus avós, não tenho tios, e muito menos primos. Eu não tenho família, apenas a minha mãe, e pra piorar eu sou uma das pessoas mais odiadas da ribalta, se não for a mais.
– Jade, eu não sei muito bem o que te falar. Mas eu sei exatamente o que você está sentindo. Meu pai morreu de câncer, foi a pior coisa que aconteceu na minha vida. Então eu sei essa dor que você está sentindo, por que eu já estive no seu lugar.
– mas você tem família vagabundo.
– e você tem a mim. Eu sei que a gente se conhece a pouco tempo, mas eu prometo que vou te ajudar a passar por essa. — ele disse com um sorriso encantador.
– você é meu anjo sabia? — eu disse passando minha mão em seu rosto e em seguida encostando minha testa na dele.
– eu quero te ver feliz minha dama. — ele disse e eu pude sentir sua respiração quente.
– então me faça feliz, começando por agora. — eu disse fechando meus olhos, rezando para que ele entendesse a indireta. E ele entendeu.
As mãos de Cobra estavam em minha nuca, e rapidamente eu pude sentir seus lábios quentes e macios ao meu. Depositando ali vários selinhos lentos e demorados.
– sua boca é quente. — ele disse com um sorriso. — dá vontade de me perder nela.
– então se perca, e por favor não ache o caminho de volta.
E então ele me puxou rapidamente (e violentamente) para encontro ao seus lábios. E nos beijamos, mas não era mais um simples selinho. Nossas línguas brincavam uma com a outra dentro de nossas bocas, e as vezes ele dava pequenos chupões em minha língua e mordidas em meus lábios.
Confesso, eu havia esquecido completamente da doença da minha mãe. O calor dos braços daquele lutador era tão bom que eu esquecia dos problemas do mundo, parecia que naquele momento só existia eu e ele. É realmente Jade Gardel, acho que não tem mais jeito, você está gostando dele.
As horas foram passando mais rápido do que eu desejava, e logo já era meia noite e meia. Por mais que ali estivesse ótimo eu precisava ir embora, infelizmente teria que me despedir do meu vagabundo.
– eu tenho que ir.
– vai não gata, fica mais um pouco depois eu te levo em casa. Aqui está tão bom. — ele disse depositando um selinho em minha boca.
– meu dia foi difícil, além de ter ensaiado muito, tive essa péssima notícia. Eu preciso dormir, descansar o corpo e a mente.
– ta bom, eu te levo em casa. Posso? — ele perguntou já se levantando do colchão.
– pode sim.
Segurei em seu braço e logo estávamos em casa, nos despedimos com mais um fervoroso beijo e eu subi. Sinceramente eu não sabia se estava feliz ou triste, eram tantos acontecimentos que meu coração já estava sobrecarregado de emoções.
Chegando em meu quarto me joguei a cama e dormi de imediato.
(Narração Cobra)
O dia já havia amanhecido, abri o QG como de costume e deixei Tawik no balcão enquanto arrumava algumas coisas no fundo da loja. Enquanto arrumava aquela bagunça algumas lembranças da noite anterior invadiam a minha cabeça, há, e que noite.
À noite com Jade tinha sido ótima, pra falar a verdade eu já estava cansado desse joguinho de sedução em que estávamos, por isso quando ela jogou aquela indireta eu me rendi à aquela boca delicada e macia. E sinceramente, estou arrependido de não ter feito isso antes.
Aquela bailarina tem algo que me atrai, seu jeito venenoso com as pessoas, sua alto confiança, seu poder, além de toda sua beleza. Eu sempre soube que teríamos algo, nem que fosse um simples beijo, e eu estava certo.
– Cobra tem uma gata aqui querendo te ver. — Tawik foi até o fundo do QG para me avisar. Deixei as coisas com que estava mexendo e fui ver o que a gata queria.
– oi minha bailarina. — falei, já imaginando quem fosse.
– bailarina? Olha só, andou me stalkeando lutador? Como soube que eu danço?
– oi Ruiva. — eu disse sem graça ao ver que não era a Jade. — eu deduzi pelas suas belas formas, foi isso.
– então, eu deixar vocês a sós e aproveitar para treinar. Fiquem a vontade e juízo. — Tawik disse já saindo da loja.
– então Cobra, você disse que a gente se veria por aí, fiquei esperando você me procurar.
– e eu ia, porém você me procurou primeiro. — eu disse me aproximando dela.
– então, aqui estou eu. E agora, o que vamos fazer?
– te jogar em cima dessa mesa e te encher de beijo é a única coisa que consigo imaginar. — eu disse a encarando.
– me parece uma excelente opção. — ela disse e logo se aproximou para o beijo. A agarrei por sua cintura e a coloquei em cima da mesa, enquanto a beijava fervorosamente.
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