Estatísticas improváveis de um amor caótico
1 Capítulo 1 - O dia em que ela inventou de ir viajar
Notas iniciais
Sakura voltou do trabalho extremamente revoltada.
Tinha sido contratada com garçonete. Um cargo bacana para uma menina de 18 anos que não possui lá muita experiência, fora as outras demissões ocasionadas por situações acidentais:
Cargo 1: Repositora de produtos.
Motivo da demissão: Sakura tropeçou em um carrinho de compras e derrubou um empilhado de caixas de cereal em cima de uma senhora.
Cargo 2: Atendente de Farmácia
Motivo da demissão: Sakura xingou um senhor de maluco por não decidir entre Shampoo ante caspas e Shampoo ante queda (o homem era careca).
Cargo 3: Auxiliar de cozinha
Motivo da demissão: Sakura confundiu azeite de oliva e vinagre e causou uma reação alérgica no cliente mais assíduo do restaurante.
Mas desta vez a menina não tinha feito nada errado. Era pontual, organizada com os pedidos, e até estava tentando ser simática com os clientes!
E então chegou o chefe da garota, como quem não quer nada, elogiando-a pelo bom trabalho e falando sobre subi-la de cargo se aceitasse fazer um servicinho especial para ele. '' Minha querida, você só tem que brincar um pouco comigo!''
Sakura arregalou os olhos para o homem e quando sua fixa finalmente caiu, tacou um tapa tão forte na face dele, que quando foi embora, meia hora depois, seus cinco dedos ainda estampavam o rosto do mesmo.
É claro que nunca mais voltaria lá, mas estava novamente sem emprego, e isto a aborrecia, pois sem emprego, sem dinheiro, e sem dinheiro, sem independência financeira de mães malucas.
Largou as chaves da moto em cima da mesinha de centro da sala, para logo depois atirar-se no sofá e ligar a TV.
''A grande modelo, Mebuki Haruno, está aqui com a gente hoje para uma entrevista inédita! Que honra ter você aqui hoje, querida!'' — Narrava a apresentadora do programa matinal de fofoca. Sakura revirou os olhos. Grande novidade a mãe estar na TV. Acho que a entrevista inédita não é tão inédita assim, moça.
''Diga Sra. Haruno, foi anúnciado na mídia ontem à noite que a senhora vai viajar para o Hawaí com seu novo marido. É verdade?''
''É sim! Tirei três meses de folga do trabalho pra conseguir uma Lua de Mel cumprida. Acredite, nada poderia me deixar mais feliz! ''
O queixo de Sakura caiu lá em baixo. Lua de mel? Hawaí?
''Que ótimo! E então, como vão os babados com aquela sua...''
Sakura parou de prestar atenção no programa. Não estava acreditando! Se sua mãe ia viajar pra lua de mel, certamente não ia levar ela. Se não ia levar ela, ela ficaria em casa. Em casa, sozinha, sem sua insuportável mãe, por três meses!
A garota pulou do sofá e começou sua coreografia de vitória, quase soltando fogos de artifício pelos ouvidos.
Sua felicidade durou pouco.
A porta da frente foi aberta, e por lá entrou Mebuki, com uns óculos de sol gigantes e milhares de sacolas de roupas.
—O que você está fazendo em casa? Não deveria estar naquele trabalho furreco que você encontrou semana passada?
— Fui demitida. Meu chefe queria ''brincar'' comigo e eu dei um tapa na cara dele.
—Ainda bem que foi demitida. Você não vai poder trabalhar quanto estiver em Cambridge, amor. — Sakura piscou. — Você sabe que eu e o Haru-chan nos casamos a pouco tempo, por isso decidimos tirar uns dias em Lua de Mel, no -
—Eu vi no programa de fofocas, mãe — Haru-chan, mais conhecido como minhoca raquítica.
—Bem, você sabe que eu não poderia deixar você sozinha em casa durante três meses, não é mesmo?
—Na verdade, foi exatamente isso que eu achei que você ia fazer. — Riu ela. — Não seria a primeira vez, não é?
— Suas aulas começam em dois mês, e eu ainda vou estar viajando. Você vai pro seu pai.
— Ah mãe, qual é! Você viajava durante semanas quanto eu era pirralha e nunca se importou com como eu ia me virar. Por que todo esse papelote de mãe preocupada agora que eu sou maior de idade? Se é pra ficar com alguém, eu fico na casa da vovó! Ela precisa de alguém cuidando dela.
— Sua avó já tem alguém cuidando dela Sakura, você sabe muito bem disso! Ela está morando com a sua tia, não tem como você ir ficar com elas naquele cubículo de apartamento! Além disso, enquanto você morar de baixo do meu teto, vai fazer o que eu mandar e pronto! Você vai para o seu pai, fim de papo.
— Vamos apostar então: quanto tempo você acha que vai levar até ele me deportar de volta para casa?
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