Estas encarnações dos dias de hoje...
4 Capítulo 4- Dite é a nossa Diva
Notas iniciais
No dia seguinte as três meninas começaram os treinos, Kanon começou logo no duro, fazendo-a treinar o físico com corridas e lutas com outros aprendizes da sua idade, o que na primeira semana não surtiu muito mais que nódoas negras, já Mú incentivava a sua pequena a treinar o físico em conjunto com o cosmo, por vezes deixavam a ruiva e a de trancinhas treinarem juntas, para apoio mutuo, Neith começou por meditações e de vez em quando descia aos campos.
Anos se passaram, as meninas tinham já os seus onze e doze anos quando mais uma encarnação foi encontrada, Némesis, a Deusa da Justiça Divina, Rayane uma grega de cabelos castanhos de olhos dourados vivos, com uma franja para a frente repicada com uma mecha sobreposta, os cabelos lisos chegavam-lhe aos ombros, normalmente presos em duas marias-chiquinhas baixas que deixavam a sua pele um pouco escaldada pelo sol grego exposta.
Neste meio tempo, todas elas já conseguiam executar movimentos de luta e controlar um pouco do seu cosmo, sendo que Neith descia pouca vez para treinar o físico o que fazia as outras duas treinarem muitas vezes só elas as duas.
Nos seus catorze e quinze anos a encarnação de Afrodite, Anju, fora deixada às portas do santuário dizendo que a menina era uma succubus, a pequena do Nepal possuía cabelos lisos, completamente lisos, num tom cinzento, o que era estranho para uma jovem de catorze anos, num corte reto que lhe chegavam aos joelhos, uma franja igualmente reta, a pele gélida contrastava imensamente com os seus olhos rosa-escuro e vivos, fora indicada para treinar com Aldebaran, pois ela mesma dizia que a fragilidade física era dominante nela, então seria melhor indica-la ao cavaleiro com uma ótima defesa.
As outras jovens, mostravam o quão os treinos com cavaleiros de ouro dava resultados, já todas conseguiam controlar os cosmos, as capacidades físicas era ótimas, quase tão boas como as dos prateados.
Anju, Rayane, Michaela e Thaís tinham catorze anos, já Neith tinha quinze, Michaela continuava a treinar com Kanon e a sua relação tinha melhorado imenso ao longo desses anos, embora ela e Saga nunca discutissem, ao contrário dela e o gêmeo mais novo, Thaís e Kiki ficaram como irmãos, sendo que o rapaz já tinha 16 anos, mas tinham uma relação ótima, Neith fizera milagres em Shaka, ele até saía para treinar com os outros cavaleiros e ela desenvolvera uma paciência inigualável. As novas encarnações foram destinadas a Aldebaran como já foi dito e explicado, agora a outra, a Rayane, ou Ray como a alcunha pegou, ficou destinada ao Milo, o que fez o escorpiano reclamar como nunca, o que aconteceu até ele perceber que a menina era tão reclamona como ele, deve ser do signo.
Mas não foi por isso que Milo recusou o trabalho, os treinos começaram, ele e Kanon treinavam nos mesmos locais o que fez as duas jovens treinarem uma com a outra já que Thaís saíra em treinamento com Mú por alguns meses, dois se Michaela não percebera mal.
E as rotinas do Santuário eram assim, treinos e tardes livres em casa de Milo ou de Mask para passar o tempo, para os cavaleiros claro.
O tempo passava e passava, menos para os cavaleiros ressuscitados, afinal quando voltaram à vida, era como se fossem espectros, quase viviam a imortalidade ou juventude eterna, a sua missão era realmente proteger o Santuário até a nova Atena encarnar.
As jovens já tinham dezassete e dezoito anos, Neith era a mais velha do grupo, até agora:
– Ah! Aí está você! Procurei-a por todo o lado.- Milo chegava com os longos cabelos azuis presos num meio coque alto de regata cinza e calças de treino pretas e as típicas proteções.
– Ah oi Mestre- a morena de marias-chiquinhas virou-se para o mestre que se encontrava atrás de si, ela e a ruiva estavam sentadas num degrau da escada, a pele brilhante das mesmas mostrava que o treinamento já tinha começado- Não procurou em todo o lado, afinal estive aqui o tempo todo.- Um sorriso irónico apareceu no rosto de ambos os escorpianos.
– Peço desculpa Milo, eu raptei-a- A ruiva também se encontrava virada, os seus cabelos agora batiam-lhe no fim da cintura e os cachos largos estavam soltos, ambas estavam de camisola preta com as proteções, mas Michaela estava com umas leggins pretas e a Rayane de calções pretos- O Kanon saiu em missão e o Saga teve reunião com Shion, não tinha ninguém para treinar-
– Desta vez passa, mas venham comigo, chega de treinos hoje, Shion quer vê-las- Milo chamou-as pela mão, o que as fez levantar e seguir o grego.
Chegaram aos campos partilhados, onde todos os escalões de cavaleiros treinavam, as amazonas tiveram a liberdade de retirar as mascaras caso quisessem, depois de muita reclamação de amazonas jovens e das encarnações, então Shion, depois de ser quase ameaçado de perder o lemuriano júnior, aceitou as propostas.
–Mas o que o Grande Mestre quer?- Ray, como de costume, reclamava.
– Deixe de reclamar, acho que é algo importante ele pediu presença imediata, vão ter com a Thaís e ela que vos “telecinete” para lá- Milo explicou indicando uma morena de trança que socava a de cabelos cinzentos, que estavam presos em dois coques no cimo da cabeça, esta permanecia de braços cruzados treinando a postura de defesa.
– Anju! Thaís!- A ruiva chamou e ambas pararam o treino encarando-a.
– Que foi?- Rayane e Michaela correram até elas explicando a situação de maneira cabreira.
– O velho de verde quer nos ver – Mih falou com os braços atrás da cabeça.
– Vamos nos dê boleia Thaís- Ray sorria, de maneira perigosamente matreira.
– Sobra sempre para o mesmo!- a de tranças já espumava pela boca de raiva.
– Thaís, calma, calma!- A de coques tentava acalmar.
– Sobra para ninguém, afinal vamos todas ouvir e nem sei ainda porquê! Cadê a Nei? Achava que tinha vindo treinar hoje, ela ontem também não veio- a ruiva, na mesma postura, perguntava-se com a voz calma pela amiga sagitariana.
– Não sei- Thaís estava de mau humor.
– Eita TPM- a amiga ruiva era a rainha do reino “Provocar Thaís ao ponto de levar uma Revolução Estrelar nas ventras”. Sim, ela sabia como fazer isso.
– AH RUIVA SAÍ DA MINHA VISTA ANTES QUE EU!
–Oi gente? Calma aí vai?- uma voz calma chegou ao recinto evitando que a morena saltasse na amiga.
– Neith nos ajude!- Ray e Anju se esconderam atrás de cabelos rosa que acabara de chegar, ambas com a testa azul de medo. Sim Thaís sabia ser explosivamente assustadora.
–MENINAS AO ENCONTRO DO SHION AGORA!- O escorpiano deu um berro que fez as meninas correrem para a escadaria das doze casas numa velocidade que nem nos treinos elas corriam.
– Foi por pouco que não levamos com uma agulha do Milo- Neith ao contrário de Shaka tinha sentido de humor, sim não leram mal, Neith faz piadas e ri delas, Shaka só medita. Será que Shaka pensa em piadas? Será que Shaka tem sentido de humor?
– Vá meninas façam…- Thaís estava ofegante e pausou para respirar, agarrando os joelhos com uma mão e com a outra fazendo um circulo em gestos.
Então as jovens fizeram um círculo e agarram as mãos umas das outra e Thaís, já recomposta, transportou as à Sala do Grande Mestre.
–Caras jovens...- O ariano mor cumprimentou as jovens suadas e ofegantes, Thaís ainda não dominava a telecinese muito bem, vamos dizer…- Ainda bem que não demoraram, tenho notícias fantásticas para as vossas vidas.
– Vou sair da casa daquele favelado?
– Vou deixar de meditar todo o dia?
– Não vou precisar de raspar as sobrancelhas em bolinhas?
– Não vou ter de ouvir Milo a gemer de noite?
– Não vou comer nunca mais aquela comida pesada do Debas? (N.A: Não tenho nada contra comida brasileira, aliás têm pratos fantásticos) — Michaela, Neith, Thaís, Ray e Anju perguntaram respetivamente.
– Não, não, óbvio que não, não e como assim o Milo geme de noite?!
– Nada continue- a de marias-chiquinhas ganhou uma gota e pediu que o Papa continuasse.
–Encontrámos mais uma encarnação!- a animação na voz do Grande Mestre quase que as contagiou, quase!
Os queixos caídos e as sobrancelhas arqueadas eram o mais próximo a uma resposta que Shion teve.
– Mas eu achava que esse Deus não poderia nunca encarnar.- comentou Neith.
– E poderá ser a única encarnação- Shion levantou-se.
– Se for uma diva eu piro já temos o Dite!
– Ray! O Dite não é diva, é lindo e ele sabe disso- repreendeu a ruiva.
– Calma! Ela chame-se Karah, tem 18 anos, como você Neith, vai treinar com o Afrodite, pois como encarnação do Deus da cura vai ter de aprender a trabalhar com venenos, espero que depois você Rayane a ajude.
– Ah sim claro, tinha de sobrar para alguém.
– Deus da Cura, agora sim o Kanon fica normal- Michaela zoou o seu Mestre e fez as meninas rirem alto.
– Michaela!- reprendeu Shion.
– Já repararam como o Mestre tem tudo planeado? Só espero que não dê água.
– Hhahahaha! Nossa agora até a Neith faz piadas! Faleci!- Ray riu e as outras começaram a gargalhar também.
Shion ganhou uma gota enorme na cabeça e colou as mãos à cara.
– Meninas! Saíam! Quero vos aqui às 18 horas em ponto para recebe-la! Saíam!
– Xau Shion!
Todas saíram a rir da casa do Grande Mestre e a comentarem teorias para como ela seria:
– Pobrezinha! Logo o Dite!
– Se ela se armar em diva vai sofrer muito com o Frô!
– Vei! Já imaginaram ela “Afrodite, donde você tira as rosas?”
Michaela, Nei e Ray conspiravam, quase, contra a jovem que ainda nem chegara.
– Vocês sabem que mais? Vou-me arranjar, porque sou eu que faço o jantar hoje! Adeus “genti”!- Anju despediu-se com a sua voz doce e fina, mas não irritante. Os seus cabelos finíssimos balançavam não só com o vento, mas os seus movimentos apressados a descer as escadas.
Anju era uma menina muito doce, muito meiga, era bonita, mas era a coisinha mais fofa que já pisara o santuário, a cara era muito jovem com traços doces. Ela não se achava digna de ser a encarnação de Afrodite, mas era a única.
Rayane era uma menina explosiva, que ferve em pouca água, com uma personalidade forte, mas meiga, ela e Neith tornaram-se bastante próximas desde que ela chegou ao Santuário.
Michaela, tinha se tornando numa “quase Kanon com peitos e muito mais cérebro” segundo Saga, embora ele não dissesse isso à sua frente, era sarcástica, gostava de provocar os outros, sempre com uma resposta para tudo e tinha um lado matreiro, era, por outro lado, bastante inteligente, perspicaz e calculista.
Por outro lado, representando bem o seu signo, Thaís era meiga, calma, provavelmente a mais calma do grupo, inteligente e era tão calculista como Mih, embora um pouco mais cabeça no ar, como encarnação da Deusa Perséfone, adorava o campo e era muito boa com flores.
A mais velha, Neith tinha uma personalidade muito mista, era calma ao extremo e paciente e por outro era tão explosiva como Rayane, com provocações era capaz de dar um Tesouro do Céu na cara de alguém, mas se havia algo que ela tinha é paciência de Santo, literalmente, ela nunca reclamava com nenhuma situação das amigas, “Vamos lanchar ao jardim”, “Não vamos às ruinas!” e ela não reclamava de nada.
Cada um seguiu em frente, ficando em cada devida casa, sendo que Thaís foi sozinha para a sua, elas precisavam se despachar, já eram cinco horas, quase cinco e meia de facto.
Nenhuma delas demorou muito a se preparar, apenas Anju que teve de preparar um prato tipicamente nepalês.
Os cabelos verdes, quase pretos, presos num apanhado envolto numa trança, no topo da cabeça, duas mechas soltas e onduladas adornavam-lhe o rosto sereno de olhos verde-esmeralda, a franja dividida ao meio tornando uma marca rosada no meio da testa, era uma cobra, sim uma cobra.
As meninas subiam as escadas apressadas, preferiam chegar um pouco antes da hora combinada, mas estavam atrasadas, um cosmo estranho já podia ser sentido na sala do Grande Mestre.
Quando chegaram foram encaminhadas ao salão de jantar, que estava preparado para algo importante, decorado em vermelho e dourado, dando um aspeto do maior requinte ao local normalmente vazio, a mesa com uma toalha de um tecido parecido a veludo do mais puro vermelho-sangue, no ar um cheio a alecrim e especiarias leves pairava docemente.
–Por-favor, tomem os seus lugares.- um dos empregados de fato branco e camisa vermelha escura, adornada de gravata preta pediu gentilmente, assim as jovens fizeram.
–Se soubesse que era algo assim tinha vestido uma túnica- Mih comentou num tom sério, mas que as fez rir- é sério estou de preto.
De facto todas elas estavam quase num estilo casual, Neith e Thaís de saia e tops curtos, Ray e Anju em calções jeans, Ray com uma t-shirt florida larga e Anju de camisa branca com bolinhas pretas e Michaela de camisa preta e jeans boyfriend.
– Ainda bem que vieram a tempo, espero que vos agrade o jantar que mandei preparar, a nossa convidada já chegou, ela veio desde a Suécia até aqui, quero sejam simpáticas com ela.
–Para fazerem estes arranjos todos só pode ser diva!- Neith disse e elas gargalharam até que a silhueta de cabelos esverdeados entrou no salão de jantar.
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