Estandartes de Prata
1 O Clã Saotome
Notas iniciais
https://www.youtube.com/watch?v=dptFxn4-h2E&t=2s
Entre em contato e descubra como participar de uma história interativa!
Observação:
O projeto de audiodrama não tem fins lucrativos. Dubladores do episódio (discord): @ Pinga Fogo, @ Torin, @Shel Ly, @ Vespen, @ Gabbi e @ Jorge.
Honrar o imperador, expulsar os bárbaros. disse Tokugawa.
Sim, o Período Edo parecia promissor nas mãos do xogun Tokugawa Ieyasu — já eram 200 anos de relativa paz. A guerra agora era outra. A fome insaciável de 1830 não terminou com a revolta popular. Afinal, plantas não voltam a crescer nem desastres naturais desaparecem apenas com o brandir de espadas e urros raivosos. Além disso, ainda que mal usassem as armas de fogo trazido pelos estrangeiros, havia um boato de que logo as coisas iam mudar. O país mantinha os portos fechados para o exterior, contudo, o comércio com eles crescia lentamente. O possível inimigo postava-se logo ao lado, combatendo a infestação do ópio. "A milenar China tombou aos bárbaros" diziam. "Por que seria diferente com a gente?" E se o governo abrisse os portos de novo para os estrangeiros? Seria algo bom ou muito ruim?
O pessimismo rondava o coração japonês, principalmente quando via o luxo no qual viviam alguns samurais e a riqueza acumulada nas mãos de agricultores. Não é possível se tornar samurai facilmente, e, se seu pai era agricultor, todos seus descendentes também teriam a mesma função. Uma vez um pobre vendedor, sempre pobre e vendedor. Quem é rico, sempre seria rico. E dinheiro... também sempre será poder.
Sim, é uma época de muita paz.
Japão. meados de 1840. Período Edo.
Foi finalmente anunciado que o velho Saotome, senhor de uma região no centro-leste da província Shinado, na ilha principal *Honshu*, está nas últimas. A doença, envenenamento, seja o que for, apenas importa para o governador da mesma e sua filha Rin. Ela está voltando para casa, também por causa de um pedido expresso do damyo Shinado Takeda-dono. Algo estava acontecendo. Sabe-se que um guarda-costa foi contratado para protegê-la ao chegar de viagem.
A jovem estava de frente a sua velha casa, o local de recepção era extremamente bem arborizado e um pequeno rio passava por ali perto. Alguns tecidos ornamentados escondiam-lhe a visão dos 10 serviçais que se curvaram, esperando que saísse da carruagem.
[Saotome Rin]
A transparência das diversas camadas do véu que cobria-lhe o rosto não privou-lhe da visão, mas, sem dúvidas, prejudicava sua totalidade. Somente não mais inconveniente que o pesado traje tradicional, entretanto. Mesmo que não estivesse observando a paisagem pelo fato das janelas estarem meticulosamente cobertas pela cortina escarlate, conseguia reconhecer a atmosfera de seu lar com facilidade: O piar dos pássaros acima de sua cabeça, o cheiro de folha oriundo das plantações no sítio afastado da casa principal, o barulho de água corrente proveniente de alguma queda d’água distante que abastecia o leito do pequeno lago rente à mansão… Sentiu-se nostálgica conforme algumas lembranças da infância invadiam-lhe os pensamentos, mas logo mordeu os lábios, recompondo-se. Levantou-se com delicadeza, ajeitando as largas mangas do Kimono branco e colocando as luvas que permaneceram pousadas sobre seu colo a viagem inteira. A carruagem, as vestes, os adornos, absolutamente tudo em sua posse eram símbolos da riqueza dos Saotomes. Ajeitando mais firmemente o penteado e reposicionando o adorno dourado no cabelo, enfim estendeu os braços para afastar a cortina da porta já aberta por um de seus criados que aguardava para escoltá-la. Delicadamente pousou sua mão sobre a palma do serviçal, tomando cuidado para que não tropeçasse nos degraus da carruagem e envergonhasse a si mesma. Seus olhos rodearam o local, friamente ignorando as dezenas de criados que curvaram-se perante sua chegada. Seu pai sequer viera recebê-la, provando que sua saúde estava em um estado tão crítico quanto havia sido reportado nas cartas.
Seu meio-irmão, como já era de se esperar, também não estava ali. Talvez por inveja, não gostava nem um pouco do rapaz — homem, na verdade, visto vários anos que se passaram desde o último contato entre ambos. Ele era singelamente mais velho que Rin, poucos meses no máximo, mas Rin não gostava de lembrar-se da época que era apenas uma filha bastarda. Por bem ou por mal, a primeira esposa veio a óbito e poucas semanas passaram-se até que sua mãe fora declarada como segunda esposa, sequer dando tempo para que o luto fosse contemplado pelo clã. Rin recebera o sobrenome do pai e tornara-se propriamente uma Saotome, a irmã veio a nascer alguns anos depois, quando sua posição já estava bem estabelecida na casa. Não precisaria mais ouvir rumores desconcertantes sobre suas origens. Percebendo que estava perdendo-se nas lembranças amargas da infância, voltou sua atenção para o presente, buscando pela irmã. Estranhamente, ela também não encontrava-se presente. Abriu os lábios para indagar a respeito, mas acabou cerrando-os abruptamente antes que qualquer som escapasse de seus lados. Não havia necessidade de precipitar-se. Deixou-se ser guiada para dentro da casa enquanto os serviçais retornavam aos seus postos. Com o número de pessoas reduzido, finalmente abriu os lábios:
— Leve-me até o pai.
Sua voz havia claramente amadurecido depois de tantos anos, mas carregava uma ponta de frieza. Vestígios bastantes sutis de resignação entrelaçaram-se em seu tom de voz, quase imperceptíveis. Por mais viciosa que fosse sua personalidade, ainda restava um pouco de afeto pelo pai biológico, especialmente após a morte da mãe. Mesmo que ele a tivesse enviado para longe quando sua progenitora subitamente tornara-se enferma. Sequer teve o direito de acompanhar a mãe durante seus últimos dias de vida, mas, agora que o Senhor Saotome estava nas últimas, era obrigada a arcar com suas exigências e retornar para o clã.
Rin, ao se deparar com a porta de madeira cuidadosamente ornamentada em prata e ouro, ainda que tivesse afeto pelo seu pai, o pensamento do seu afastamento abrupto pós-morte da sua mãe pairava pesado sobre seus olhos. Tentava reconfigurar sua expressão. Endurecer os lábios.
Quando entrou no quarto, lentamente foi revelado a figura envelhecida do patriarca Saotome Mogami-dono.
O rosto pálido era visível mesmo de longe, cama abarrotada e um vaso com alguns panos pendurados na borda — claramente, pela cor, toalhas usadas inúmeras vezes sem lavar. Uma pequena mas respeitosa reverência dela permitiu-a a ouvir um "Entre, minha musume."
Antes de entrar, porém, se deparou com um homem estranho sentado no degrau da mesa de refeições. A roupa azul clara de confecção de alta qualidade e olhar sereno, um tanto severo, natural dos samurais, o denunciou imediatamente.
"O que um cão do Shinsengumi está fazendo aqui?" poderia se perguntar.
Na visão dele, a mulher que mostrou-se no quarto do seu contratante era tão bonita como estranhamente intrigante... no mal sentido. A pele branca leitoso, cabelos negros, fios retos e pesados, além dos olhos cor de ônix, a fazia quase parecer um fantasma. Ou, como diziam os boatos, parte de uma família amaldiçoada — marcados para morrer de forma dolorosa e cruelmente gradual. Talvez fosse ela que deveria proteger, o enfermo não tinha dito nada. Saotome-dono só o deixou ali para esperar.
Quando ela entrou, o homem foi convidado para esperar do lado de fora pelas serviçais. Lá havia uma serviçal segurando uma bandeja com pão e algo para beber.
{Masayashi Shin]
Estou um pouco desconfortável com a situação. Porque fui contratado para me tornar um guarda-costa? Ou enviado para cá sem nenhuma informação? Começo a sentir uma sensação de que não deveria estar por aqui. Como um espadachim, um guerreiro que está em linhas inimigas desconhecidas, é considerado morto por tamanha lacuna de dados. Porém, ser um guarda-costa é meu fardo agora. Não posso transgredir as leis do Shinsengumi.
Fico surpreso com a recém aparição da mulher que acaba de entrar no cômodo. Sua presença me traz uma sensação semelhante como se estivesse fora de órbita. Sua pele de coloração branca como a neve caindo durante o Inverno me impressiona. Estou tenso ao me colocar no lugar dela, imaginando minha vida caso pudesse perder meus irmãos, parentes próximos.. principalmente devido a… uma maldição.
[Saotome Rin]
Os pensamentos sobre minha mãe afastam-se assim que meus olhos encontram a figura fragilizada na cama. Outrora desfrutou de toda saúde e virilidade da juventude, mas que agora toda a autoridade sucumbia junto ao seu corpo decrépito.
Um estado muito pior que a morte, como se estivesse apodrecendo em vida, e esse exato pensamento me arrepia. Não sou supersticiosa, mas tenho perfeita noção de que algo acontece dentro do clã, fosse sobrenatural ou não, e não gosto de me imaginar com a corda no pescoço.
Movo-me de súbito, quase instintivamente correndo até o leito dele, mas paro abruptamente ao notar a outra figura no aposento do patriarca.
Um rosto desconhecido, e, pelas vestes, não demoro muito em perceber de qual tipo de figura se tratava.
Encaro brevemente o samurai, mas rapidamente ignoro sua presença. Se o homem fosse sensível o suficiente, poderia ter sentido uma pontada de hostilidade, A aura pesada do local praticamente dizia por si só: “Suma daqui.” Quase como um felino arisco e ele pareceu ter captado o sinal. Engulo a saliva e dou uma respiração nervosa.
Ajoelho ao lado da cama do pai, tomando-lhe as mãos frias e calejadas.
— Pai… — Não sei o que dizer. Queria perguntar o que havia acontecido, onde estava sua irmã, como estava sua saúde, quem era o samurai naqueles aposentos, o que seria do clã agora, como estava se sentindo… tinha perguntas demais embaralhando em sua mente e formando um nó em sua garganta. Mas, no meio do turbilhão de pensamentos… digo...
— Estou de volta, pai.
Aperto-lhe a palma, sentindo a pulsação fraca e hesitante do pai acelerar-se. Ou talvez estivesse ouvindo os próprios batimentos. Removo o véu agora que finalmente estamos a sós.
Apesar de sentir o corpo aquecer e esfriar constantemente pela dualidade de sentimentos como nervosismo e desesperança, sua face permanecia impassível, quase como se outro véu estivesse contendo suas expressões, véu esse formado por uma fina e frágil camada de gelo.
Era muito estranho quanto desconfortável vê-lo naquele estado, tremendo, tossindo, magricelo, em frangalhos, mais moribundo do que um dia chegou a cogitar que ele pudesse ficar. Mogami Saotome-dono, o homem que lutou contra rebeldes e inimigos do Xogun, seja ronins ou os malditos shinobis, ao lado de Takeda Shinado... jamais se permitiria estar desse jeito. Os anos envelhecidos mostravam-se cruéis por toda sua aparência, relegando seu passado de glória apenas a velharia chamada de Passado. Ninguém diria que este velhaco, semi-defunto nesta cama, sobreviveu com sucesso aos anos da conturbada governança de Ieshige e Shigeyoshi — um Japão inundado de corrupção e desastres naturais. De qualquer forma, o que a deixa menos impressionada, é saber que possivelmente também fosse reflexo do mais de 100 anos do seu pai. Com maldição ou não, a idade já era motivo suficiente para preocupá-la. Ele leva a mão ao seu rosto. Seus dedos machucam sua pele tão cuidada, grossos, cheios de calos e cicatrizes. Não era necessariamente ruim.
O gesto me lembrou de minha mãe.... o quanto ele lutou para ficar com ela — uma estrangeira em uma terra que via sua nacionalidade e religião com maus olhos por um bom tempo. O quanto a amava… até o amor não ser mais o bastante.
— Nunca é tarde demais. — diz num sussurro arrastado. Após uns dois segundos, retomou a fala. — Não gosto desse olhar, Rin. Vê-la como sua mãe me olhou no seu leito de morte me enoja. Ainda não morri. Recomponha-se.
Ele segura forte meu queixo, indiscutível repreensão e volta a recostar na cama.
— Ótimo. Enfim, este minuto contigo era só o que eu precisava. Vai assumir seu lugar na liderança desse clã. As suas responsabilidades já começaram.
Assinto, novamente engolindo a própria saliva. Endureço os ombros para recompor a compostura, apesar de abalada. Mentalmente repito a mim mesma que é uma ótima oportunidade, que não adianta lamentar o inevitável. Tudo o que preciso é aperfeiçoar a divisória entre o espírito e o mundo exterior, fazer-se inabalável.
Levanto-me, arranjando rapidamente as vestes para recompor a postura elegante e apresentável antes que adentrassem os aposentos. Sem o véu, certamente pareço uma boneca de porcelana devido à pele alva e aos olhos frios e sem brilho.
[Masayashi Shin]
Antes de sair do cômodo, realizo uma reverência rápida e saio. Que ambiente hostil…
Mantenho meu olhar sereno sem dizer uma palavra sequer. Afinal, sou um estranho para todos e não muito bem recebido por alguns. Apenas observo ambas as serviçais. Não pretendo tirar conclusões precipitadas, porém, não posso confiar em ninguém aqui.
Já do lado de fora do cômodo, vejo uma serviçal com uma bandeja de pão e algum tipo de bebida.
— Sumimasen* Desculpe, poderia me informar que tipo de bebida é esta?
— Muguicha*, senhor.....
Reparo, porém, no olhar esquisito da serviçal em direção a porta fechada do quarto.
Ela percebe sua atenção e imediatamente balança a cabeça negativamente, envergonhada.
— Mōshiwake arimasên, Masayashi-san! Minha informalidade não tem perdão! Muitas coisas aconteceram desde a estranha doença do Saotome-dono e…
— Não precisa se desculpar, está tudo bem. — Respondendo diretamente para a serviçal com a bandeja na mão.
A outra serviçal ali bate no ombro dela, demonstrando claro escárnio.
— Damare*, pare com isso! Não seja ridícula! Doença?! Todos aqui sabem o quanto essa família é indigesta. Falo mesmo, apesar de eles terem nos defendido com unhas e dentes. Logo esse senhor saberá disso e talvez não ache tão difícil eles serem realmente amaldiçoados.
— Irie!
— Não me critique, Isuka. É totalmente verdade.
E Irie cuspiu no chá que está na bandeja que segurava.
— Ainda bem que a menina Naomi foi enviada para estudar no exterior e o irmão morreu na guerra. Imagine conviver de novo com o pai rabugento e a víbora da irmã.
— Ele não morreu, Irie-san. Só está desaparecido....
— Urusai*! Cala a boca, sua tola!
Irie se ajeita e dá dois toques na porta.
Entrem! E venha também, rapaz! Lhe direi o seu trabalho. — a voz de Saotome Mogami-dono coa de dentro do quarto.
Realizo uma reverência em arco e vou em direção, novamente, de volta ao cômodo onde fui chamado. Me aproximo da porta e me apresento de prontidão. Mostrando minha presença, entro e permaneço quieto até uma possível explicação de minha vinda ao local.
— Este é Masayashi Shin, parte dos Shinsengumi. Recomendado por Shinado Takeda, vai protegê-la quando for para a residência de férias do Shinado-Dono. Meu velho amigo também está com problemas de saúde. Muitos vão aproveitar para tentar tomar seu poder ou até mesmo os filhos poderão lutar entre si pelo poder.
Ele respira fundo por um momento, tentando recuperar o fôlego.
— Está.. ham… é minha filha Saotome Rin, a mais velha. Herdará o poder de nossa família, agora que estou nas últimas.
Shin foi mandado se aproximar até mais perto da cama. Conseguia ver de perto a jovem garota, aquela que deveria proteger. Se foi a mando de Shinado-dono, governante da província em que estão, logo, era algo de absoluta importância. E, claro, seria incrivelmente bem remunerado — não se limitando a dinheiro.
O chá servido pela serviçal aromatizava o ambiente, postado na cabeceira. Ela não saiu enquanto Saotome-dono não ordenava para tal. Há dois copos, um para o senhor e outro provavelmente para a filha.
— Sua responsabilidade, minha filha, será infiltrar-se na corte de Shinado e rezar pela boa transição de poder. Nada poderá acontecer até a cerimônia, que será daqui há algumas semanas. Manter os filhos dele tranquilos, pacientes e em harmonia será sua prioridade.
[Saotome Rin]
Permaneço imóvel, apenas acompanhando a movimentação no aposento com os olhos. Não menciono querer beber o chá servido. Motivo, principalmente, por não confiar nem um pouco na maioria dos criados que serviam os Saotomes. De início, devido aos trotes da infância resultantes da hostilidade por ser bastarda, mas, com o "surto de enfermidade" da família, confiar em beber qualquer coisa oferecida naquela casa é quase uma afronta, talvez por estar suficientemente familiar com tais métodos para levantar a guarda dessa forma..
— Se é seu desejo, será meu prazer cumpri-lo. — dou um sorriso cortês, sem realmente deixar transparecer qualquer tipo de emoção. Encaro o samurai, analisando sua reação a respeito do assunto.
[Masayashi Shin]
— Entendo perfeitamente, Saotome-dono. É uma honra... — E me reverencio de forma que possa transparecer total respeito e dedicação ao Saotome-dono. — Todavia, mesmo que a remuneração seja alta, não me importo com o dinheiro recebido.
— É preciso bater na ferramenta enquanto está quente. Sinto cheiro de tempestade no ar. O nome nem a reputação de vocês irá protegê-los. Não sejam idiotas em pensar que espada e renome resolverão o assunto.
O velho morubundo se sentou na cama, resmungando de cansaço e dor. Então, pegou uma das xícaras de chá, mas parou ao levar a altura da boca. Ele olhou bem para a serviçal e não desviou o olhar dela ao beber. O líquido parece sólido ao descer pela garganta. Ao por de volta a bandeja, a xícara estava levemente quebrada e a mão dele, claramente vermelha.
— Alguma pergunta inoportuna, crianças? Se não, dêem o fora daqui.
[Saotome Rin]
— Nenhuma, pai. Descanse bem, orarei por sua recuperação.Shitsurei shimasu.
Viro-me, preparada para sair, mas não sem antes encarar Masayashi Shin, claramente avaliando e estudando o homem. Seu pai havia confiado sua segurança a ele, mas não estou convencida se deveria de fato confiar nele. No fim das contas, confio apenas em mim. Nem mesmo em Naomi, minha querida irmã, é capaz de penetrar o sentimento de desconfiança que paira em meu peito. Não que seja algo ruim.
Sou uma víbora, de fato, mas tornei-me assim devido à ciência de encontrar-me em um ninho de cobras.
Contando que Masayashi não seja um obstáculo ou inimigo, não tenho necessidade de ser tão abertamente hostil com o samurai. Por isso, fecho os olhos por um breve momento e apresento-lhe um sorriso cortês.
— Yoroshiku onegai shimasu. Estou sobre seus cuidados, Shin-san.
Notas finais
2. Tonari no hana wa akasugi: A flor vermelha ao lado é vermelha demais. Modificação do ditado similar ao “grama do vizinho é mais verde”, deixando indicado o sentimento de cobiça e inveja
3. Shinsengumi: Como a polícia da época. Uma tropa especial que serviu ao xogunato até o final do Xogunato de Tokugawa.
4. Xogun: abreviação do termo japonês Seii Taishōgun, foi um título militar, usado no período do Japão feudal, concedido diretamente pelo Imperador ao general que comandava o exército
5. Musume:Pode significar “garota” ou “filha”.
Fale com o autor