Estamos grávidos!
15 Capítulo 15 - Chegadas
Notas iniciais
Emily POV
Era muito cedo. Alguma coisa estava errada.
Não, não, não.
– Daniel?! — Ele me olhou sem entender o que estava acontecendo.
– Em? – seus olhos se arregalaram – O que foi?
Eu queria me curvar e chorar.
– Precisamos ir para o hospital. – lágrimas ameaçavam correr dos meus olhos e o desespero, me tomar por inteira – Agora!
Mais que depressa, ele recolheu nossas coisas e me ajudou a descer os poucos degraus que nos levavam até a rua. Sentia-me perdida no tempo. Só conseguia me concentrar em seus braços ao meu redor e na dor que ia e vinha com mais intensidade num período de tempo cada vez mais curto.
Daniel murmurava algumas coisas na tentativa de me tranquilizar e eu tentava entrar em pânico. Por que isso doía tanto?
Quando finalmente chegamos ao hospital mais próximo, meu coração estava aos trancos e eu só queria fazer aquela dor horrível desaparecer. Minha coluna e pernas queimavam e havia pontadas no meu baixo ventre. Minha barriga enorme endurecia por um tempo e aquilo me deixava mais assustada ainda.
Uma cadeira de rodas me foi fornecida. Sentei-me desajeitadamente nela. Acariciava meu abdômen e tentava repetir um mantra enquanto Daniel preenchia alguns papéis na recepção.
E quando eu achei que a dor tinha chegado ao seu máximo, fui surpreendida por outra contração duas vezes pior que a anterior.
Ouvi um splash. Senti algo molhado. Minha bolsa havia se rompido. Uma poça de líquido se formara sob mim. Eu tentei não gritar, mas era demais pra mim.
– Será que não há ninguém pra me ajudar? – bradei. – Pelo amor de Deus, como dói.
Nesse momento, eu só queria que isso acabasse logo.
Daniel se atrapalhou com a maldita papelada.
Lanço-me pra frente enquanto a contração me consumia. Daniel e uma enfermeira se aproximavam mais e discutiam sobre algo que não dei atenção. Eu podia vê-lo esbravejar. Ele podia ser um grande babaca de vez em quando.
A contração fora embora e lá estava ele ao meu lado. Era bom tê-lo ao meu lado mais uma vez.
Deus, como eu senti sua falta.
Sua mão agarra a minha e seus lábios estão em meu cabelo, me acariciando e sussurrando baixinho que tudo ficaria bem agora.
Ele me empurra pelo corredor do hospital que parecia não ter fim. Entramos num quarto e logo uma enfermeira me ajuda a trocar de roupa e a subir na cama. Caramba, como uma tarefa simples se tornara tão complicada?
Todos os questionamentos que eu não tivera até agora começaram a me atingir.
Será que o bebê estava realmente bem? Será que eu seria uma boa mãe? E se eu não soubesse o que fazer? E se ele me odiasse quando fosse maior? E se Daniel me odiasse por ter o deixado e levasse meu bebê?
Outra contração me distrai das perguntas impertinentes. Aperto sua mão enquanto me contorço.
Merda!
Meu médico passa pela porta e eu dou graças a Deus.
– Olá, Emily. – ele sorri – Como está se sentindo?
Como ele tinha a coragem de perguntar como eu estava me sentindo?
– Queimando – eu gemo – Quando tempo mais isso vai demorar?!
Ele olha meu prontuário e sua testa franze. Volta seus olhos pra mim e sua boca se transforma numa linha fina.
Ele me examina, ouve os batimentos do bebê, conversa com a enfermeira e olha mais uma vez pra mim.
– Talvez mais algumas horas. Quem sabe? — ele diz – Você é uma mulher forte. Eu sei que vai se sair bem. Enquanto isso, vamos preparar a sala de parto. Acalme-se. Seu bebê logo estará aqui.
Ele sai e eu quero xingá-lo. Algumas horas? Não sei se consigo.
Olho pra Daniel buscando algum suporte e ele sorri, me encorajando.
Duas horas se passaram. Fui levada para uma sala branca, bem iluminada e com uma grande equipe de médico à minha espera. Fui anestesiada e pude relaxar um pouco.
A exaustão ameaçava me dominar, mas eu não podia desistir. Não agora que meu bebê estava tão próximo de vir ao mundo. Daniel permanecera comigo o tempo todo, massageando minhas costas, me acariciando, nunca desviando o olhar. Dera-me forças para continuar.
Concentrei-me nas vozes que me pediam para empurrar. Quando a contração veio, eu fiz toda a força que pude. Por um minuto inteiro, ninguém disse nada. E logo um choro alto e forte pode ser ouvido por toda a sala.
Senti um vazio momentâneo que logo foi preenchido quando Daniel entregou o pequeno embrulho em meus braços.
– Olhe. – ele disse – Ela é linda.
Uma menina.
– Ela é linda. – acariciei sua pequena mãozinha – Perfeita.
– Ela se parece com você, Em. – Daniel a olhava encantado. Sua rejeição já esquecida, num passado distante.
– Ela se parecia com nós dois. – respondo, enquanto os médicos trabalham em mim – Como acha que devemos chamá-la?
Daniel franze a testa e pensa por um tempo.
– Eu pensei em Grace. – ele diz – O que acha?
Eu sorrio. Combina com ela. Minha pequena guerreira. Meus pensamentos voltam para o acidente de carro. Deus, eu poderia tê-la perdido.
– Acho que combina com ela. – sussurro seu nome. Ela se remexe um pouco e logo se aquieta.
– Ela parece gostar também. – rimos juntos.
– Obrigado, Em. – diz Daniel me olhando nos olhos – Por me dar uma filha linda e me aceitar de volta.
Eu sorrio e me sinto completamente feliz.
– Eu amo você – Daniel se aproxima e me dá um beijo casto. – E você também, Grace.
Ele a acaricia e ela agarra seu dedo em resposta.
– Nós também te amamos, Daniel.
Nunca achei que haveria um ‘felizes para sempre’ em minha vida, mas é muito cedo para pensar num final, já que nossa história apenas começou. Tínhamos Grace e um ao outro. Era tudo o que precisávamos.
Fim
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