Estamos grávidos!
6 Capítulo 6 - Revelações
Notas iniciais
Daniel POV
As coisas não tem ido bem para a Grayson Global nesses últimos meses...
Meu pai deixou muitas dividas a serem pagas e nenhum capital. Tudo estava de cabeça para baixo. Mesmo passando quase todos meus dias dentro deste escritório, nenhuma idéia brilhante surgira para que salvássemos a empresa e tirássemos nosso nome da lama. A sensação era a de estar afundando em areia movediça, como tirar um carro atolado sem ajuda. Nada parecia funcionar! Os bancos não dariam mais nenhum empréstimo e as contas se acumulavam cada vez mais. Os funcionários ainda estavam sendo pagos, mas não sabia até quando isso ia durar.
Se não bastassem todos os problemas que tínhamos, o conselho agendou uma reunião a portas fechadas e antes de começar me disseram que se eu quisesse desistir do meu cargo aquela era a hora. Não haveria retorno dali em diante. Fizeram-me entender a importância do assunto a ser tratado e eu confesso que fiquei com um pouco de receio.
Um dos sócios começou seu discurso e conforme as palavras pulavam de sua boca, descrença e choque me atingiam repetidamente. Aquilo era surreal.
Sem chance.
Corta essa.
Só podia ser uma brincadeira de mau gosto. Não tinha como ser verdade. Não.
Passei meus dedos sobre meus cabelos, tentando controlar meus nervos e meus pensamentos e falhando miseravelmente. Tentei organizar as idéias e me forcei a dizê-las em voz alta.
– Os senhores estão me dizendo que meu pai não só foi responsável pelo desfalque da companhia, se envolveu romanticamente com funcionárias e ainda por cima foi o culpado pela queda do vôo 197 que matou mais de duzentas pessoas? Isso é loucura! – gritei. – Estão todos loucos!
– Não Daniel. – disse um deles – Temos provas disso. Está tudo aqui.
Uma pasta pequena me foi entregue. Aquelas pessoas não pareciam estar brincando e eu apenas me recostei na cadeira e respirei fundo, forçando meus pulmões a trabalharem enquanto olhava os artigos, documentos, nomes, fotos e muito mais.
– Vamos deixá-lo a sós enquanto processa tudo isso. Sinto muito, Daniel. – disse e saíram.
Afrouxei a gravata e levei as mãos ao rosto.
As dívidas, as traições, o acidente... Era tudo verdade, afinal.
O pouco respeito por Conrad restante se extinguiu e eu gostaria de ter desistido quando tive chance. Queria fugir, achar um lugar seguro e me esconder ali para sempre.
Passei o dia todo trancado em meu escritório. Cancelei os outros compromissos e pedi para minha assistente não transferir ligações.
Pensei em Emily e sobre o que ela tinha dito sobre seus pais em nossos primeiro encontro. A morte de seus pais era culpa do meu próprio pai.
“O que eu diria a ela?”
Esse pensamento me acompanhou pelo restante do dia e quando eu finalmente voltei para casa não tive coragem de lhe contar. Não poderia aparecer por lá e olhá-la nos olhos e esconder algo dessa magnitude. Era egoísmo pensar no quanto eu precisava dela agora, quando tudo o que ela sabia até agora estava prestes a mudar.
Eu devia confrontar minha mãe e exigir que me tirasse essa história a limpo, mas o cansaço falava mais alto, então apenas tomei um banho e me deitei na esperança de conseguir um pouco de paz durante a noite.
Dormir foi uma tarefa difícil, já que meus pensamentos passeavam por todos os cenários possíveis. Cochilei por alguns momentos, mas passei a noite praticamente em claro.
No dia seguinte, ainda transtornado, desci para o café da manhã e estava preparado para ter uma conversa com minha mãe, mas ela já havia saído e pelo visto não voltaria logo.
Precisava ocupar minha mente logo, então fui para o trabalho e me tranquei no meu escritório novamente. O dia passou como um borrão e como no dia anterior, a situação financeira da empresa continuava a mesma, já que eu não conseguia pensar em nada para conter os danos.
Eu ainda tinha que achar uma maneira de impedir que a história vazasse e se tornasse de conhecimento público.
Meu telefone tocou e sai do meu transe.
– Sim? – atendi.
– Sr. Grayson, há uma jovem na recepção dizendo que gostaria de vê-lo. – minha secretária me informou.
– Não quero ver ninguém, Srta. Miller. – respondi.
– Eu disse isso a ela, senhor, mas ela insistiu para que eu ligasse. Seu nome é Emily Thorne. Devo pedir que vá embora? – ela disse.
Eu estava um caos, mas ela ainda era minha noiva e merecia minha atenção.
– Não, Srta. Miller. Deixe-a entrar. – respirei fundo – Obrigado.
Abri a porta do escritório e uma Emily sorridente me cumprimentou. Tentei sorrir em retribuição e ela me convidou para almoçar. Não pude recusar, então fomos ao restaurante italiano que ficava na mesma rua.
O dia tinha apenas chegado à metade e me sentia completamente esgotado. Pedi ao garçom que trouxesse uma dose de uísque e gelo.
Pra ser bem sincero, não estava com fome e também não queria de conversar. Emily percebeu que alguma coisa não estava certa.
– Quer conversar sobre isso? – ela perguntou.
– Não é uma boa hora, Em. – tentei ser gentil.
Ela assentiu e fez seu pedido enquanto eu a observava e me sentia uma fraude.
Eu era um péssimo noivo.
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