Estamos grávidos!
13 Capítulo 13 - Sensações
Daniel POV
Emily se mudou há poucos dias e eu me sinto pior a cada minuto. Eu deveria tê-la impedido, ter feito alguma coisa, implorado se fosse preciso, mas agora é tarde. Ela se foi e levou consigo tudo o que havia de bom em minha vida. Por Deus, ela estava sozinha, numa cidade estranha, sem nenhum conhecido por perto.
Eu tentei ligar, mas ela nunca me atendia. Tentei falar com Nolan, mas ele me odiava e me expulsara de sua empresa quando fui até lá, dizendo que eu deveria sumir dali.
Eu estava perdendo a cabeça. Trancava-me em meu quarto e bebia tentando me anestesiar, mas era inútil. Eu a deixara ir embora. Eu a deixara ir pra um lugar qualquer, grávida de um filho meu.
Eu sou um babaca. Um grande e completo babaca.
*
Emily passara toda a gravidez em Long Island.
Arrumara um emprego de meio-período, para ter o que fazer enquanto os dias passavam.
Ela não precisava do dinheiro. Tinha o suficiente para viver confortavelmente, mas ainda preferia trabalhar a passar seus dias em casa, deitada no sofá, pensando na vida. Vez ou outra ficava triste por Daniel não estar ali para acompanhar suas consultas e exames. Tentara não pensar em como as coisas seriam se ele estivesse ali e segurava-se para não chorar.
Então, passara a ocupar sua mente com decorações infantis, roupinhas e sapatinhos. Seu apartamento era relativamente pequeno se fosse comparado com sua casa na praia, mas havia espaço suficiente para o novo membro da família.
Pensava em seus pais e em como eles estariam felizes se estivessem vivos. Pensava em Nolan e até mesmo na família Grayson. Eles eram o mais próximo de uma família de verdade que tivera. Era o que lhe restara.
Seus amigos sempre ligavam para saber como as coisas estavam progredindo, mas a resposta era sempre a mesma, embora se sentisse sozinha e assustada.
Estamos bem, obrigada. – dizia.
Evitava perguntar sobre o que acontecera desde que se mudara. Sua mente vagava pelas possibilidades, mas nunca fora forte o bastante para realmente perguntar a um deles.
Emily também não quisera saber o sexo do bebê.
Pensava muito em com quem ele ou ela se pareceria. Seria um menino de olhos e cabelos escuros ou uma menina de cabelos claros e boca em formato de coração? Mal podia esperar.
As semanas passaram depressa e Emily se sentia cada vez mais grávida.
Seus desejos eram estranhos, surgiam e desapareciam com a mesma velocidade. Espantara-se quando o bebê a chutou pela primeira vez. Sua barriga crescia cada vez mais.
Pensara em voltar para os Hamptons, para compartilhar daquilo com Daniel.
Sentia-se maravilhada e triste ao mesmo tempo.
Escrevera um diário, contando como tudo acontecia durante a gravidez. Seus medos, suas alegrias, seus desejos, descrevera tudo.
Ia ao parque mais próximo sempre que podia, caminhava um pouco e aproveitava o sol do fim de tarde. Às vezes tinha a impressão de que estava sendo seguida, mas sempre acabava culpando seus hormônios por a deixarem paranoica.
Aparentemente a imprensa não havia descoberto sobre o novo herdeiro da família Grayson, e ela era grata por aquilo. Não saberia lidar com algo a mais naquela equação. Não estava pronta para dividir aquela informação com o restante do mundo.
Também não estava preparada para o que a esperava quando voltara para casa.
Daniel estava ali.
*
Ele a havia encontrado e estava sentado em frente a sua porta, esperando por ela.
Daniel olhava para sua barriga com admiração e uma pontinha de felicidade.
Ela usava um vestido de malha com mangas curtas que iam até pouco acima de seus joelhos. Suas roupas antigas não lhe serviam há muito tempo.
Emily estava quase no oitavo mês de gestação. Ele havia contado várias vezes, sabia que não havia se enganado. Lera sobre o assunto, entendera como tudo funcionava e por mais que houvesse se preparado para aquele reencontro, nada poderia ter lhe dito como aquilo seria.
Sentira sua falta, se preocupara dia e noite com ambos e ela parecia surpresa demais para articular uma resposta. Tinha olheiras e parecia cansada. Ele sabia que ela vinha dormindo pouco e que a barriga podia atrapalhá-la nesse departamento.
Ele dissera oi e ela mal respondera.
Estava balançada.
O bebe se mexia muito, como se soubesse que alguém importante estava ali, tão perto.
Emily passava as mãos sobre a barriga tentando acalmá-lo. Sempre funcionava quando ambos estavam agitados, era uma maneira de sentirem um ao outro. O bebê continuava a se agitar.
Daniel chegara mais perto. Queria tocá-la. Queria senti-lo.
“Posso...?” – sua pergunta flutuava naquela nuvem de sentimentos entre eles.
Desconcertada, Emily deu o último passo em direção a ele e pediu que ele lhe desse sua mão.
“Aqui.” – dissera.
Os olhos de Daniel se encheram de lágrimas.
Seu bebê se mexia sob suas mãos. Tinha consciência de que era um babaca, mas agora se sentia um homem de muita sorte.
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