Estamos grávidos!

10 Capítulo 10 - Decisões


Notas iniciais
Voltei! Espero que gostem do capítulo novo e como trilha sonora, ouçam: http://www.youtube.com/watch?v=xxQgHDdq7Oc

Daniel permanecera na sala de espera enquanto Nolan entrara no quarto. Seus pensamentos variavam entre o agradecimento e a dor. Sabia que tinha que enfrentar a situação e que nada de bom sairia dali, mas que opções tinha? Eles estavam vivos e isso bastaria no momento. Decidiu que aquele não era o momento certo e voltou para seu refúgio com a desculpa de que Emily não precisava de todo esse estresse.

Emily estava alheia àquela situação, já que não se lembrava do que vira no noticiário antes de sofrer o acidente. Não se lembrava do bebê ou da rejeição de Daniel. Ficara surpresa com o que Nolan dissera e quando a enfermeira contara sobre sua gravidez. Ainda processava a informação quando Nolan voltou a seu quarto perguntando por Daniel. Aparentemente ele tinha deixado o hospital bem rápido.

Nolan era um bom amigo e mesmo Emily sendo forte o bastante, passava por momentos difíceis agora e deixou que tudo seguisse naturalmente. Seria traumático pra todos se ela soubesse que a família de seu noivo era responsável pela morte de seus pais e que sua gravidez não era desejada.

Na manhã seguinte, Daniel retorna ao hospital e finalmente vai ao quarto de Emily.

Hora da verdade.

–-

(Emily POV)

De manhã, Daniel estava em meu quarto e eu ficara feliz em vê-lo. Seu rosto estava uma bagunça e parece que não dormira muito na noite anterior. A preocupação era aparente e eu compreendia. Ele parecia tão preocupado quanto a primeira vez que nos vimos. Parecia que tinha sido há uma eternidade.

– Daniel. – era bom vê-lo de novo.

– Precisamos conversar, Em. – ele diz, se aproximando e seu tom de voz me assusta.

– Como se sente? – perguntou.

– Ainda me sinto dolorida e um tanto confusa, mas estou viva. – disse – Soube que esteve aqui ontem, mas foi embora...

Ele me olhou mais uma vez e baixou a cabeça em seguida. Parecia envergonhado ou com medo. Era difícil dizer.

– Em... Tem... tem algumas coisas que você precisa saber. Sobre mim e minha família. – aquilo me pegou de surpresa.

– Daniel, não se preocupe. Eu também tenho algo pra te contar... – respirei fundo – Vamos ter um bebê!

Ele sorrira um pouco e aquilo também não parecia novidade pra ele.

Ele já sabia?

– Eu sei e isso é ótimo. Apesar do que eu disse antes, eu amo vocês dois mais do que tudo em minha vida. Me desculpe se te fiz pensar o contrário. Eu nunca teria me perdoado se...

Ele não conseguiu terminar sua frase e eu não conseguia entender. Ele sabia do bebê, mas estava se desculpando por aquilo. Uma leve dor de cabeça se iniciava e isso estava se tornando irritante. Pensar em qualquer coisa do passado me levava até ali. Temi que em instantes alguém me apagasse mais uma vez. Eu precisava ouvir o que Daniel tinha a dizer e esclarecer tudo.

– Daniel? Do que você está falando? – indaguei – Eu não consigo me lembrar de algumas coisas. Pode me contar o que está acontecendo, por favor?

Minha expressão confusa o alarmou. Ele não sabia dos meus lapsos de memória. Seu rosto se contorceu de dor e vi lágrimas escaparem de seus olhos. Então ele começou a contar o que havia realmente acontecido.

Seu pai.

O bebê.

O acidente.

Quando ele terminou, a sensação era a de que um caminhão tinha me atropelado diversas vezes. A dor era insuportável. Minha cabeça latejava e eu tentava não apagar. Daniel tentou por suas mãos em mim e eu as afastei.

– Não me toque. – lágrimas rolavam sem minha permissão. – Eu não o quero aqui. Vá embora. Não precisamos de você.

Tentei tirar o anel brilhante e estúpido do meu dedo, mas as lágrimas e a dor me impediam de enxergar com clareza.

Uma enfermeira entrou e percebeu que a situação não era boa. Pediu que Daniel se retirasse.

Antes de sair, ele pegou minhas mãos nas suas e me deu um beijo na testa contra minha vontade.

– Espero que um dia você possa me perdoar, Em. Fique com o anel. Se algum dia nos encontrarmos novamente e estiver com ele, saberei que me perdoou.

Saiu da sala e eu desejei que nunca mais o visse. Agora éramos eu e meu pequeno bebê contra o mundo.

–-

(Daniel POV)

Contar aquilo a ela naquelas condições fora mais difícil do que esperava, mas não havia um jeito fácil de ser feito.

Tudo que podia fazer agora era esperar que um dia me perdoasse e que eu pudesse fazer parte de sua vida.

Pensei no bebê e em como ele cresceria sem um pai presente e minha dor só aumentava.

Eu fora cruel, insensível e agora deveria pagar não só pelos meus erros, mas pelos alheios também.

Na mansão, mamãe me esperava sentada em sua poltrona, com uma xícara entre as mãos.

– Como está Emily, querido? – perguntou.

Ela sabia que também tinha sido culpa dela. Por mais que eu tenha agravado o problema, ela e papai eram os causadores da minha miséria. Ela não aprovara Emily desde o começo, mas não deixei que sua opinião afetasse meu relacionamento.

Ela tinha que aprender a cuidar da própria vida e deixar seus filhos tomarem decisões importantes sem se intrometer. Ela também estava fragilizada pela perda do marido, mas aquilo era cruel demais, até pra ela.

– Mãe. – respirei fundo – Agora não é um bom momento.

Pela primeira vez, ela pareceu compreender e sem olhar pra trás subi as escadas e me tranquei no meu quarto como um adolescente. Peguei uma garrafa de uísque, um copo e comecei a beber. Era a única maneira de esquecer que eu acabara de perder a mulher que amo e consequentemente, meu filho.

E mesmo depois de metade da garrafa, as lembranças boas e ruins continuavam a me abater. Vez após vez sua, voz doce e seu sorriso preenchiam minha mente e ela sussurrava:

– Estamos grávidos.

Daí a cena se modificava, se misturando com os acontecimentos mais recentes. Eu me sentia sozinho e tudo o que eu queria era fugir dali, ser outra pessoa e não um Grayson. Amaldiçoei meus pais por isso e joguei o copo longe. Deixei a dor me consumir e chorei como se não houvesse amanhã.

Notas finais
E ai? Deixem seus comentários, preciso saber o que vocês estão achando até agora. A fic está chegando ao fim, então, preparem-se. xoxo, Jogadora