Estamos grávidos!
10 Capítulo 10 - Decisões
Notas iniciais
Daniel permanecera na sala de espera enquanto Nolan entrara no quarto. Seus pensamentos variavam entre o agradecimento e a dor. Sabia que tinha que enfrentar a situação e que nada de bom sairia dali, mas que opções tinha? Eles estavam vivos e isso bastaria no momento. Decidiu que aquele não era o momento certo e voltou para seu refúgio com a desculpa de que Emily não precisava de todo esse estresse.
Emily estava alheia àquela situação, já que não se lembrava do que vira no noticiário antes de sofrer o acidente. Não se lembrava do bebê ou da rejeição de Daniel. Ficara surpresa com o que Nolan dissera e quando a enfermeira contara sobre sua gravidez. Ainda processava a informação quando Nolan voltou a seu quarto perguntando por Daniel. Aparentemente ele tinha deixado o hospital bem rápido.
Nolan era um bom amigo e mesmo Emily sendo forte o bastante, passava por momentos difíceis agora e deixou que tudo seguisse naturalmente. Seria traumático pra todos se ela soubesse que a família de seu noivo era responsável pela morte de seus pais e que sua gravidez não era desejada.
Na manhã seguinte, Daniel retorna ao hospital e finalmente vai ao quarto de Emily.
Hora da verdade.
–-
(Emily POV)
De manhã, Daniel estava em meu quarto e eu ficara feliz em vê-lo. Seu rosto estava uma bagunça e parece que não dormira muito na noite anterior. A preocupação era aparente e eu compreendia. Ele parecia tão preocupado quanto a primeira vez que nos vimos. Parecia que tinha sido há uma eternidade.
– Daniel. – era bom vê-lo de novo.
– Precisamos conversar, Em. – ele diz, se aproximando e seu tom de voz me assusta.
– Como se sente? – perguntou.
– Ainda me sinto dolorida e um tanto confusa, mas estou viva. – disse – Soube que esteve aqui ontem, mas foi embora...
Ele me olhou mais uma vez e baixou a cabeça em seguida. Parecia envergonhado ou com medo. Era difícil dizer.
– Em... Tem... tem algumas coisas que você precisa saber. Sobre mim e minha família. – aquilo me pegou de surpresa.
– Daniel, não se preocupe. Eu também tenho algo pra te contar... – respirei fundo – Vamos ter um bebê!
Ele sorrira um pouco e aquilo também não parecia novidade pra ele.
Ele já sabia?
– Eu sei e isso é ótimo. Apesar do que eu disse antes, eu amo vocês dois mais do que tudo em minha vida. Me desculpe se te fiz pensar o contrário. Eu nunca teria me perdoado se...
Ele não conseguiu terminar sua frase e eu não conseguia entender. Ele sabia do bebê, mas estava se desculpando por aquilo. Uma leve dor de cabeça se iniciava e isso estava se tornando irritante. Pensar em qualquer coisa do passado me levava até ali. Temi que em instantes alguém me apagasse mais uma vez. Eu precisava ouvir o que Daniel tinha a dizer e esclarecer tudo.
– Daniel? Do que você está falando? – indaguei – Eu não consigo me lembrar de algumas coisas. Pode me contar o que está acontecendo, por favor?
Minha expressão confusa o alarmou. Ele não sabia dos meus lapsos de memória. Seu rosto se contorceu de dor e vi lágrimas escaparem de seus olhos. Então ele começou a contar o que havia realmente acontecido.
Seu pai.
O bebê.
O acidente.
Quando ele terminou, a sensação era a de que um caminhão tinha me atropelado diversas vezes. A dor era insuportável. Minha cabeça latejava e eu tentava não apagar. Daniel tentou por suas mãos em mim e eu as afastei.
– Não me toque. – lágrimas rolavam sem minha permissão. – Eu não o quero aqui. Vá embora. Não precisamos de você.
Tentei tirar o anel brilhante e estúpido do meu dedo, mas as lágrimas e a dor me impediam de enxergar com clareza.
Uma enfermeira entrou e percebeu que a situação não era boa. Pediu que Daniel se retirasse.
Antes de sair, ele pegou minhas mãos nas suas e me deu um beijo na testa contra minha vontade.
– Espero que um dia você possa me perdoar, Em. Fique com o anel. Se algum dia nos encontrarmos novamente e estiver com ele, saberei que me perdoou.
Saiu da sala e eu desejei que nunca mais o visse. Agora éramos eu e meu pequeno bebê contra o mundo.
–-
(Daniel POV)
Contar aquilo a ela naquelas condições fora mais difícil do que esperava, mas não havia um jeito fácil de ser feito.
Tudo que podia fazer agora era esperar que um dia me perdoasse e que eu pudesse fazer parte de sua vida.
Pensei no bebê e em como ele cresceria sem um pai presente e minha dor só aumentava.
Eu fora cruel, insensível e agora deveria pagar não só pelos meus erros, mas pelos alheios também.
Na mansão, mamãe me esperava sentada em sua poltrona, com uma xícara entre as mãos.
– Como está Emily, querido? – perguntou.
Ela sabia que também tinha sido culpa dela. Por mais que eu tenha agravado o problema, ela e papai eram os causadores da minha miséria. Ela não aprovara Emily desde o começo, mas não deixei que sua opinião afetasse meu relacionamento.
Ela tinha que aprender a cuidar da própria vida e deixar seus filhos tomarem decisões importantes sem se intrometer. Ela também estava fragilizada pela perda do marido, mas aquilo era cruel demais, até pra ela.
– Mãe. – respirei fundo – Agora não é um bom momento.
Pela primeira vez, ela pareceu compreender e sem olhar pra trás subi as escadas e me tranquei no meu quarto como um adolescente. Peguei uma garrafa de uísque, um copo e comecei a beber. Era a única maneira de esquecer que eu acabara de perder a mulher que amo e consequentemente, meu filho.
E mesmo depois de metade da garrafa, as lembranças boas e ruins continuavam a me abater. Vez após vez sua, voz doce e seu sorriso preenchiam minha mente e ela sussurrava:
– Estamos grávidos.
Daí a cena se modificava, se misturando com os acontecimentos mais recentes. Eu me sentia sozinho e tudo o que eu queria era fugir dali, ser outra pessoa e não um Grayson. Amaldiçoei meus pais por isso e joguei o copo longe. Deixei a dor me consumir e chorei como se não houvesse amanhã.
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