Estado de amor e de sonhos
93 CAPÍTULO93
CAPÍTULO93
São José e Camila passaram o sábado na praia com Davi, Clara e asmeninas; o plano para a noite era ficar por casa mesmo, jogando conversafora. Davi resolveu ir pra cozinha e preparar uma lasanha, receita desua mãe, com a ajuda da irmã.Empenhado na tarefa de preparar o jantar, Davi decidiu dizer o que seucoração queria; estava sozinho com a irmã na cozinha:— Cami, eu queria te pedir desculpas pela Clara, pelo que ela te falouontem; ela não tinha e não tem o direito de...— Fica tranquilo, meu irmão; afinal de contas eu me casei com um homembem mais velho do que eu, que tem uma situação financeira boa e eu jáesperava essa reação de algumas pessoas! Eu jamais me sujeitaria a umcasamento sem amor, por dinheiro!— Seu marido te ama, minha irmã!— Eu também o amo muito, Davi; eu me casei por amor, por muito amor! Os dois terminaram de preparar o jantar e todos se sentaram pracomer; os dois casais permaneceram na mesa, tomando uma tacinha de vinhoe conversando sobre tudo, enquanto Jaraguá e Palhoça subiram paraassistir um filme no quarto. A surpresa veio mais ou menos uma horadepois, quando Jaraguá desceu a escada correndo e chamando pelo pai e amadrasta:— Pai, Cami, Palhoça não está bem!— Calma, filha! — tentou São José:— O que ela tem, Jaraguá? — perguntou pacientemente a enfermeira Camila:— Ela está reclamando de muita dor de cabeça e muito frio, Cami!Camila deixou a taça vazia na mesa e se levantou:— Vou dar uma olhada nela!— Eu vou com você! — decidiu o pai. Os três sumiram pela escada; sozinha com o marido, Clara serviunovamente a taça com vinho e o encarou:— Além de São José ter trazido as duas pra cá a tira colo, sua irmãainda vai ter que tomar conta de Palhoça, que resolveu ficar doente!O rapaz não respondeu, talvez não soubesse o que dizer diante do queouviu de sua esposa.— Oi, filhota, o que foi? — São José entrou no quarto ao lado da esposa e de Jaraguá; Palhoça estavadeitada na cama, parecia assustada:— Uma dor de cabeça horrível, pai, muito frio, parece que eu estoucongelando!— Palhoça — agora era Camila, que se aproximava calmamente da enteada -,deixa eu te ver, minha querida!A enfermeira pôs-se a examinar com cuidado a jovem, enquanto eraobservada por seu marido e por Jaraguá. Ainda inclinada junto à camaonde Palhoça estava deitada, Camila já sabia o que deveria ser feito:— São José, eu vi hoje quando a gente estava voltando da praia,que tem uma farmácia aqui perto e que eles atendem até as dez da noite!— Eu acho que sei onde é, amor!— Pois então! Eu preciso que você vá até lá, me trás um termômetro epede pro farmacêutico um remédio pra dor e febre!— Mas não é melhor que você vá, Cami? Sei lá, eu acho que você vai sabermelhor do que eu explicar lá na farmácia o que ela precisa!— É, eu acho que você está certo! Eu vou até lá, vocês cuidem dela queeu vou num pé e volto no outro!— Cami! — murmurou Palhoça; a enfermeira voltou a inclinar-se junto àcama dela:— Fala, querida!— Eu só não quero te dar trabalho, Cami!— Que trabalho, hein, garota? Eu cuido com muito amor e carinho de cadapaciente que passa todos os dias pelas minhas mãos,, e você, Palhoça,você é a filha do meu marido, eu vou fazer o que eu puder pra você sesentir melhor! Eu não posso e nem quero substituir a sua mãe, meu anjo,mas eu posso ser sua amiga, sua enfermeira, eu posso ser tudo o que vocêprecisar e quiser que eu seja! Palhoça acabou pegando um resfriado e foi cuidada com zelo e carinhopela madrasta. Naquela noite, Camila se levantou da cama algumas vezespara medir a temperatura dela e ver se estava tudo bem com a filha deseu marido. — Ela está sem febre; fui no quarto, medi a temperatura e está tudobem! — assim relatava Camila, as cinco horas da manhã, deitada ao ladode São José:— Palhoça sempre foi levada, arteira desde pequena, Cami; quando ela cai de cama,se entrega a gente acaba se preocupando!— Mas ela vai ficar bem, meu amor; a mocinha pegou um belo de umresfriado!São José ajeitou-se na cama e abraçou sua mulher calmamente:— Te amo muito, sabia? — sussurrou ele:— Eu também te amo, muito! Naquele domingo, Palhoça, embora não estivesse se sentindo bem, foiandar um pouco na praia com o pai. O tempo estava mudando, o sol nãoestava presente como nos dias anteriores e a garota fez questão decontar para São José sobre Santo Amaro da Imperatris. O pai ficousurpreso com a revelação, mas feliz ao mesmo tempo. Enquanto isso, em casa, Santo Amaro tentava a todo custo terminar acanção que começou a compôr a alguns dias em homenagem a ela, a primeiragarota que conseguiu fazer seu coração bater apressado dentro do peito.O rapaz já havia namorado mas nunca se sentiu assim, agora eradiferente, agora era de verdade. A canção ficou pronta dias depois; Santo Amaro decidiu guardar esse
segredo à sete chaves, a única com quem o jovem dividiu isso foi suamãe.Agora era hora de se declarar e ele precisava pensar muito bem em comofaria isso. Qualquer passo errado poderia ser desastroso naquelemomento. — Posso convidar ela pra vir aqui, mãe? — a pergunta de Santo Amaroda Imperatris veio acompanhada de um sorriso de felicidade, ou talvez depaixão. Joaçaba jamais vira seu filho assim, e em questão de segundos,toda a vida do rapaz passou pela mente da professora de dança:— Você está gostando dela de verdade, não é, filho?— Eu nunca pensei que fosse assim, mãe; quando eu estava namorando, euachava que aquilo que eu sentia era amor, achava que ela era meu grandeamor! Mas agora eu sei, mãe, amor é isso, amor é o que eu sinto nessemomento!— Essa moça tem muita sorte, meu filho; e não é papo de mãe coruja não,eu estou falando de uma coisa que eu sei!— Eu quero convidá-la pra vir aqui, cantar pra ela, entende?— Claro; convida ela pra jantar no fim de semana, eu faço questão depreparar tudo pra vocês! Você já conhece a mãe dela?— Ainda não; mas pelo que ela me conta a família toda é um barato! Santo Amaro finalmente fez o convite; Palhoça jamais imaginava queseria pedida em namoro naquela noite.
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