Notas iniciais
Bom dia meus leitores, tudo bem? E vamos a o capítulo 11 dessa história um tanto diferente; me desculpem por nunca ter colocado uma notinha no início do capítulo, mas estou aprendendo aos poucos a usar o site e agora sempre vou dizer um "Oi" pra vocês antes do capítulo. Boa Leitura!

— Oi, mãe! — Joinville entrou serena no quarto dos pais; sua mãe

estava deitada:

— Oi, filha, tudo bem?

— Tudo; Jaraguá me disse que você não está legal!

— Estou meio enjoada, filha; deve ter sido alguma coisa que não me fez

bem! Seu pai já saiu?

— Já, já foi pra empresa! Posso deitar aí do seu lado?

— Pode, meu amor, é claro que pode!

Calmamente, Joinville se deitou na cama e olhou para sua mãe;

Florianópolis estava deitada de lado, um pouco pálida. Carinhosamente, a

jovem afagou com a mão esquerda os longos cabelos de sua mãe; o toque da

filha repleto de amor, de cuidado, e a mãe de família teve a impressão

de que se sentiu melhor:

— Você está preocupada com alguma coisa, mãe?

— Não, filha, está tudo bem; sua mãe vai ficar legal! E suas irmãs?

— Blumenau está no quarto, Palhoça e Jaraguá já saíram pra escola

também!

A conversa das duas foi interrompida pela entrada de Márcia; que chegou

discreta como sempre foi, serena, com uma xícara de chá na mão.

Florianópolis se sentou na cama e Márcia entregou a xícara para ela:

— Obrigada, Márcia!

— E você — perguntou a fiel escudeira da casa voltando-se para Joinville

—, quer alguma coisa?

— Não, Marcinha, valeu mesmo; eu vou ficar aqui paparicando a minha mãe

um pouquinho!

— Tudo bem; qualquer coisa vocês me chamam!

Márcia saiu do quarto, deixando mãe e filha ali, aos cuidados uma da

outra.

Florianópolis estava realmente preocupada; não queria contar nada

para suas filhas e para o marido, por enquanto, mas estava preocupada.

ela já conhecia de cor e salteado todos aqueles sintomas que vinha

sentindo, dores de cabeça, enjoos matinais e sabia que precisava tirar

essa história a limpo.

Não teve dúvidas; no dia seguinte, procurou um laboratório e fez um

exame de gravidez. O resultado saiu no mesmo dia, e Florianópolis marcou

a consulta para saber se realmente teria mais um filho.

Era uma linda noite; São José saiu na varanda do quarto de casal e

encontrou sua mulher, em pé, olhando as estrelas. Ele, por sua vez,

chegou por trás dela, a abraçou e depositou-lhe um leve beijo na nuca;

ela se virou para olhá-lo nos olhos:

— Que bom que você está aqui; eu ia te chamar aqui comigo!

— Eu percebi que você estava preocupada lá na sala, na hora do jantar!

Sem perder o contato com os olhos do marido, Florianópolis começou a

explicar, pausadamente:

— Meu amor, eu marquei uma consulta com a Doutora Ana Luísa; eu queria

ir no consultório dela essa semana mas só consegui horário pra segunda

feira da semana que vem; e eu queria que você fosse comigo!

— Você não está se sentindo bem? — São José agora tinha uma ruga de

preocupação na testa, não estava mais sorrindo como antes:

— Estou, estou bem! A verdade é que... bem, eu acho que eu tô grávida, meu marido!

A xícara que ele segurava na mão direita foi parar no chão da varanda;

ele olhou para os pedaços dela espalhados à sua frente, depois novamente

para sua esposa, que agora estava chorando:

— Chorando por quê? — ele perguntou puxando-a para seus braços; ela não

disse nada, apenas correspondeu. Os dois ficaram ali por algum tempo,

abraçados, sem dizer nada; até que ele, sem saber se aquelas eram as

palavras certas, quebrou o silêncio:

— Minha querida, nós tivemos quatro filhas; amamos, educamos, vivemos

pra elas durante esses anos! Um quinto filho não estava nos nossos

planos, mas isso não quer dizer que a gente não vai amar, educar, não

quer dizer que a gente não vai viver pra ele também! É claro que eu vou

com você nessa consulta; e se a gente está mesmo esperando mais um,

significa que aquele lá de cima confia na gente!

Florianópolis e São José sempre tiveram o hábito de conversar muito, não

escondiam nada um do outro, e juntos decidiram que só contariam para as

filhas sobre a gravidez depois da consulta com a médica.

Os dias foram passando, as meninas seguiam suas rotinas de vida, mas

começavam a ficar preocupadas com as dores de cabeça, tonturas e enjoos

da mãe:

— Mana! — Palhoça entrou no quarto de Jaraguá naquela tarde de sexta

feira, correndo como sempre:

— Que susto, menina; quer me matar do coração? — reagiu a mais nova das quatro irmãs, que sentada

na cama, segurava um livro nas mãos:

— A mamãe está enjoada de novo!

— Na real, mana, eu não estou gostando dessa história!

— Eu também não; ela marcou médico pra segunda feira!

Palhoça fechou a porta do quarto da irmã, como se não quisesse ser

ouvida; caminhou até a cama e se sentou. Jaraguá fechou o livro e

colocou-o ao seu lado:

— Mana — confidenciou Palhoça -, eu acho que vem novidade por aí!

— Eu já pensei nisso, até comentei com Joinville! Nós duas podemos até

ser as filhas mais novas; mas a gente sabe que pode ser!

— É, mana, você tá certa! E olha, se for isso mesmo, a gente vai ter que

ajudar a nossa mãe! Eu tenho uma colega na escola, que a mãe dela ficou

grávida depois dos quarenta anos, e ela disse que não foi nada fácil,

que as vezes é perigoso!

— É, eu também já ouvi falar que pode ser perigoso! Mas vamos relaxar,

mana; se a nossa mãe estiver grávida mesmo, a gente vai precisar ajudar

muito ela!

A porta do quarto se abriu:

— O que é que as duas estão fofocando aqui à portas fechadas? — a

pergunta veio acompanhada de um enorme sorriso; Joinville estava em pé

na porta do quarto da irmã:

— Entra aqui, maninha — convidou Palhoça -, entra, fecha a porta e senta

aqui com a gente!

— Então eu vou fazer uma pipoca e trago aqui pra gente!

— Boa! — concordou Jaraguá:

— Isso! — complementou Palhoça.

Joinville voltou ao quarto da irmã mais nova minutos depois, com uma

tigela de pipoca de chocolate; as três começaram a conversar, sentadas

na cama. Jaraguá colocou a irmã a par do assunto:

— Joinville, a gente estava falando que, caso a gente tiver um

irmãozinho a caminho, nós vamos ter que ajudar a nossa mãe!

— Ela estava enjoando de novo! — complementou Palhoça:

— Pois é, meninas, vocês tem razão! E olha, eu não posso ficar em casa o

dia todo, Blumenal muito menos, vocês duas vão ser as super heroínas da

nossa mãe junto com a Márcia!

— A gente sabe disso, mana!

— E você, Palhoça — aconselhou Joinville -, presta bem atenção numa

coisa que eu vou te falar, maninha!

— Vem bronca pro meu lado!

— Não, não tem bronca nenhuma! Mas olha, vê se se organiza, minha irmã;

não deixa coisas espalhadas na casa inteira, não se mete em encrenca lá

na escola, eu sei que você vai tirar isso de letra porque eu sempre

acreditei em você, e pra ser sincera, se você não tivesse esse jeito

atrapalhado e meio maluco que você tem, acho que você não seria tão perfeita! Manera, por favor!

Palhoça sentiu naquele momento que não precisava mudar; sempre se sentiu

diferente em relação a algumas garotas da sua idade, mas compreendeu

naquele momento que nada precisava ser mudado:

— Claro, mana — concluiu ela -, eu prometo que eu vou tentar!

Eram cinco e trinta da tarde quando o pai, São José, entrou em casa

chegando do trabalho; soltou a pasta e as chaves na mesa da sala e tirou

a gravata:

— Oi, cambada! — gritou ele enquanto caminhava até o corredor:

— Aqui, pai! — gritou Jaraguá lá do quarto. Ele atravessou o corredor e

chegou na porta do quarto da filha mais nova:

— Nossa — divertiu-se São José ao encontrar três de suas meninas

sentadas na cama, com a tigela de pipoca quase vazia -, o que será que

as três estão conspirando aqui com uma tigela de pipoca quase vazia?

— Uma festinha a três, pai! — justificou Palhoça. São José se aproximou

da cama para dar um beijo em cada uma das três:

— E você, não tem aula não? — perguntou ao chegar em Joinville:

— Tenho, pai; vou pra universidade daqui a pouco!

— Ótimo! E a mãe de vocês?

— No quarto — respondeu Jaraguá -, ela estava enjoada de novo!

— Vou lá falar com ela; juízo, as três!

São José, com mais alguns passos, chegou ao quarto de casal; abriu a

porta e encontrou sua mulher deitada, de olhos fechados. Sentou-se na

cama com cuidado, inclinou-se sobre ela e beijou-lhe a testa.

Florianópolis abriu os olhos e sorriu:

— O que foi? — sussurrou ele -, Palhoça me disse que você não estava se

sentindo bem?

— Ah, o enjoo de sempre! Eu vou pedir pra Doutora Ana me receitar um

remédio pra aliviar isso se eu estiver grávida mesmo; não aguento mais!

— Você não enjoou tanto das outras vezes, meu amor!

— Eu não tenho mais vinte e poucos anos, não se esqueça disso! E as

meninas?

— Jaraguá está no quarto dela com Joinville e Palhoça; Blumenau não está

em casa!

— Então deita um pouquinho aqui do meu lado; fica comigo, fica!

E assim ele fez; se deitou ao lado dela com a roupa que chegou do

trabalho; e os dois ficaram ali, abraçados, conversando.