Estado Acrílico Pocket

1 Quem disse que precisamos da boca para ir à Roma?


E então chegou o dia tão esperado para mim: o dia que eu pegaria minha guitarra. Havia passado semanas procurando bons anúncios e bons produtos em um site de compras e vendas de usados. Confesso que dei sorte por achar tal produto baratinho e bem conservado.

Eu cheguei na estação de trem na qual marcamos o encontro (eu e o anunciante) para efetuarmos a troca, subi umas escadas e sentei em um banco de madeira perto de onde fica um posto de ajuda. Olhei para um lado e olhei para o outro observando aquela tamanha quantidade de gente andando cada um para o seu destino, cada um para um canto diferente e aquilo foi me deixando ansioso. Eu comecei a pensar: quando será que verei pela primeira vez o meu instumento? Eu havia chegado cedo, portanto eu sabia que seria um tédio ficar sentado em um banco duro e olhando para o "nada".

Após alguns minutos, foram chegando mais pessoas. Uma mulher sentou em um outro banco do meu lado direito e outra sentou ao meu lado. E aquele sentimento de "será que vai dar certo" crescendo cada vez mais, minha bateria do celular acabando e as pessoas andando... e foi aí que quando olhei para esquerda pude notar dois homens. Um era branco, meio calvo e loiro e o outro moreno de cabelo escuro. Eu não conseguia ouvir nada porque estava longe, eu apenas conseguia perceber que eles moviam muito as mãos e faziam gesto estranhos. Sim, eles tinham deficiência auditiva. Quando eu percebi isso, após alguns segundos, eu fiquei observando-os intrigado com a conversa, pois eles riam e "falavam" como se fosse algo muito engraçado e interessante. Com dificuldade eu tentava descobrir o significado daqueles movimentos com as mãos, mas não consegui. Confesso que me fascinei com o sorriso do rapaz moreno: era tão feliz e alegre. O engraçado é que no começo eu senti dó e fiquei meio triste por ver aquela cena, mas para ele era como se fosse um dia qualquer e em um lugar qualquer.

Eu não desgrudava os olhos deles. Cara, por um minuto eu quis ser surdo e me juntar a eles. Eu também queria estar por dentro do assunto. Isso não é justo!

Logo meu celular tocou e eu atendi. Era o rapaz da guitarra avisando que havia chegado. Logo, eu me levantei com dificuldade, pelo tempo que estava sentado lá, virei à esquerda e caminhei lentamente. De longe eu olhei para trás e lá estavam os dois rapazes se comunicando como antes. Olhei para frente novamente e fui a procura do cara da guitarra, e não sei o porquê, mas já não havia ansiedade em mim. Não mais.

Notas finais
Obrigado por ter lido e espero que tenha gostado! :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.