Notas iniciais
E...

DESESPERO

25 de Dezembro de 1888, 19:00

Vestidos vermelhos idênticos.

Tiaras com rubis idênticas.

Sorrisos idênticos.

Brilhantes olhos azulados idênticos.

Mas estavam em estados bem diferentes, já que enquanto Anna demonstrava animação e Arya estava com sua comum máscara de indiferença.

–Anime-se Arya. -Fora Karen quem dissera isso, quase rindo da careta de desgosto da menina em direção ao seu reflexo no espelho.

–Porque eu tenho que usar isso? -Apontou para o cordão com pingente de um floco de neve em vidro.

–Para mostrar que você é a famosa Condessa de Winter, Arya McClarie.

–E porque eu tenho que usar isso? -E Anna se juntara na brincadeira mostrando o próprio cordão com uma pedra de tom marrom-avermelhado.

–Para comprovar que é a Condessa Brown.

Ambas riram, e Arya botou de vez um sorriso na face e assim os quatro seguirão ao castelo.

O planejamento que haviam feito foi interrompido pela rainha que pedia a presença de todo os McClarie no castelo no Natal, e bom não seria bom negar isso a ela.

Já no castelo, Oliver e Karen foram direcionados a uma sala onde alguns nobres próximos se reuniam e as gêmeas foram enviadas a outra sala, acompanhadas da própria Rainha Vitoria.

Sentaram-se na grande mesa estendida no meio do salão, percebendo que haviam duas outra pessoas ali.

–Bom como sei que os quatro tem mínima convivência com outras crianças de sua idade... -A mulher sorria amavelmente para os outros no cômodo. — Decidi junta-los. Espero sinceramente que se deem bem. Essas são Arya e Anna McClarie e esses são Ciel Phantomhive e Alois Trancy.

E saiu deixando os quatro sozinhos ali.

O silencio reinava na sala, as gêmeas conversavam entre si, o garoto de cabelos azulados, Ciel Phantomhive, lia algo um pouco distante deles, e o loiro, Alois Trancy, brincava com a comida.

–Qual das duas você é? -Arya virou-se para o loiro que mantinha um sorriso irônico no rosto.

Retribuiu, com um falso sorriso inocente.

Há algum tempo ela não brincava com ninguém.

–Arya.

–Aryanna.

E ela desfez o sorriso desabando em lagrimas em poucos minutos.

As mãos, cobertas pelas luvas brancas foram para os olhos e Anna abraçou-se a irmã fungando um pouco.

Ciel lançou um olhar acusador na direção do loiro se aproximando das duas garotas.

–O que houve?

–Nossa irmã mais velha se chamava assim. -Em meio a soluços Anna sussurrou e quando esta começou a chorar, as caras de Ciel e Alois tornaram-se verdadeiramente cômicas.

–Realmente estamos melhores a cada dia. -Riu Arya, já sem qualquer resquício que tivesse chorado no rosto.

–Somos ótimas atrizes.

–OQUE? -Indagou o loiro.

–Ora, não reconhece uma boa atuação? -Riram sentando-se como se nada houvesse acontecido.

–Então sem irmã morta?

–No.

E o silencio apossou-se do recinto novamente por mais alguns minutos.

–Isso está entediante vamos jogar um jogo. -A aranha da rainha falou isso com um sorriso malicioso na face. O interesse dos outros três no local pelo “Jogo” começava a se tornar evidente.

–Que tipo de jogo? -Os olhos de Arya brilhavam perigosamente, e seu sorriso se tornara provocativo.

–Claude pegue uma garrafa.

Um homem surgiu ali entregou uma garrafa vazia ao garoto e saiu novamente.

–Verdade ou desafio.

Os quatro se encarara, enquanto o loiro girava a garrafa.

10 de Outubro de 1887, 15:00

Arya, Anna e Oliver McClarie riam acompanhados de Lena e Harry Moore, quando Harry sugeriu, em sua inocência, para que brincassem de verdade ou desafio.

Só não sabiam que seria a última vez que brincariam os cinco juntos de tal jogo.

–Verdade ou desafio Arya?

25 de Dezembro de 1888, 19:30

–Verdade ou desafio, Arya?

–Verdade.

–Você tem ou não outros irmãos além da gêmea? -Perguntou o azulado, fazendo uma careta para ela.

–Tenho.

–Chamada Aryanna?

–Uma pergunta por rodada. São as regras.

10 de Outubro de 1887, 15:05

–Verdade.

–Você se casaria comigo? -Harry sorria, os olhos castanhos brilhavam.

–Hmmm... não sei. -Ela sorriu envergonhada, com as bochechas adquirindo um tom levemente avermelhado.

–Minhas. -Falou Oliver, abraçando ambas as irmãs, com o queixo apoiado no espaço mínimo entre as cabeças de ambas, aspirando levemente o cheiro doce que os cabelos de ambas tinham.

25 de Dezembro de 1888, 19:32

–Verdade ou desafio, Trancy?

–Desafio, McClarie.

–Não me chame de McClarie.

E a garota sorriu de lado, recebendo um sorriso irônico do garoto. Ambos se encaravam ferozmente.

Giraram novamente a garrafa.

–Verdade ou desafio, Anna?

–Verdade, Arya.

–Como se houvesse algo que eu não soubesse. Quem nesta sala, além de você, é mais bonito?

–Você. Somos gêmeas idênticas, afinal.

10 de Outubro de 1887, 15:09

–Verdade ou desafio, Annie?

–Anna, Lena, A-N-N-A. E verdade.

–Quem é o mais bonito, além de você, nessa sala?

–Arya. Somos idênticas.

–Aproveitadora. Lembrem-me de da próxima vez transformara Arya numa exceção também.

Só que Lena Moore não poderia saber, que nunca haveria a tal próxima vez.

Que nunca mais compartilharia um momento com aquele juntamente com o irmão mais novo e os três amigos.

25 de Dezembro de 1888, 19:35

–No que está pensando tanto?

–Eu disse D-E-S-A-F-I-O.

–Então te desafio a me contar no que está pensando Anna.

–Lena e Harry Moore, cinco dias antes daquilo.

E uma sombra de tristeza tomou os olhos azulados de ambas as garotas.

–De quem? -Os olhos de Trancy cintilaram

–Do meu noivo e sua irmã. -Podia ser mentira mas, Arya queria apenas que ele se calasse.

E que as memorias que insistiam voar por sua cabeça sumissem.

25 de Dezembro de 1886, 19:00

As crianças sorriam, os olhos brilhavam, tudo estava arrumado de maneira elegante com as cores vermelho e verde predominantes.

–Estão bonitas. -Sussurrou um acanhado ruivo de olhos castanhos para as gêmeas, que sorriram agradecidas e um tanto envergonhadas.

–Olha as indecências.

Alfineteou Oliver, surgindo atrás das garotas com os olhos focados na noiva.

Lena Moore tinha cachos arruivados e olhos castanhos brilhantes, tinha sua idade e era a melhor amiga dele. Os dois se adoravam de modo anormal, talvez fosse realmente a paixão iniciando-se neles.

Lena sorriu amigavelmente para ele, com as bochechas tornando-se de um tom próximo ao de seus cabelos, o que deixou-a bela na opinião dele.

25 de Dezembro de 1888, 19:40

–Realmente está se tornando entediante.

As gêmeas suspiraram bebericando o copo de algum liquido que a Rainha oferecera a eles.

–Quem são eles? -A pergunta partira de Anna, que apontara discretamente para um canto em que os quatro adultos estavam. Nenhum deles se comunicava estavam apenas lá, imóveis.

E os quatro se aproximaram a serem citados na conversa entre as “crianças”, mesmo que esses não se considerassem tal.

–Esse é Sebastian Michaelis, meu mordomo. -Iniciou o azulado.

–Claude Faustus, meu leal servo. -O loiro sorriu levemente.

–Michael Muller. -Arya sorriu.

–Esther Muller.

–Realmente, vocês procuraram servos irmãos? -Perguntaram juntos o Phantomhive e o Trancy.

Ambos se encararam mortalmente, o que quase, quase fez com que as garotas rissem.

–Yes. Pense pelo lado bom, não dividimos servos.

–Pelo menos isso.

–Phantomhive, posso fazer uma pergunta?

–O que é McClarie?

–Porque usa o tapa-olho?

–Um acidente?

–Não tem o olho?

–Não.

–Ficou cego dele?

–Não.

–Então porque?

–Um acidente.

–Que acidente? -Perguntou o Trancy com um sorriso irônico na face.

14 de Dezembro de 1896, 21:33

O fogo consumira tudo.

Tudo que ele vivera até então se resumia a cinzas naquele momento.

Estava com medo.

E ainda havia aquela estranha mistura de frio e calor que se apossava de seu corpo naquele momento.

Se perguntou o que acontecera ali.

Ele havia adormecido juntamente com sua mãe.

E quando acordou via o fogo consumir tudo a sua volta.

O medo causava um aperto em seu coração.

Tudo tornava-se frio e escuro aos poucos.

Pobre, Phantomhive, mal sabia que aquela noite seria sua ruina.

25 de Dezembro de 1888, 19:42

O Phantomhive deu-lhe a língua. E o Trancy apenas fez uma carranca irritada.

–Porque não retribuiu?

E Ciel sussurrou para que apenas o loiro pudesse escutar.

–Não meta mais pessoas nisso.

E o loiro retrucou tão baixo quanto.

–Um jogo tem que ter perdas, mesmo que essa não sejam de nenhum dos lados.

Mas, aquelas garotas não eram apenas mais dois peões de um meio termo entre os dois.

Elas duas eram rainhas de seu próprio reino.

Elas duas também estavam no jogo.

Seus oponentes só não sabiam daquilo ainda.

Nem elas sabiam quem eram seus oponentes.

–Por nada.

Os quatro se encaravam, a tensão parecia palpável.

E Arya bebericou o liquido desconhecido novamente.

E as grandes portas foram abertas.

Todos os quatro botaram sorrisos no rostos, mas estes sumiram quando viram a face seria da rainha e de Oliver McClarie que o acompanhava.

–Uma reunião entre meus mais novos agentes. Meu cão de guarda, minha aranha, minha borboleta, minha gata e minha águia.

Cada um deles se ajoelhou conforme seus títulos foram chamados, e ao levantarem-se novamente a rainha continuou a falar.

–Algo horrível aconteceu. Sigam-me.

Seguiram e ao chegarem a um quarto, que deveria ser de um dos empregados.

Ao abrir a porta se depararam com uma cena um tanto quanto... perturbadora.

Havia sangue por todo o quarto, na cama, uma garota estava sentada usando um belo vestido branco, e em seu peito um buraco onde antes seu coração habitara, e colada na frente do tal buraco havia um papel.

–Peço que resolvam o caso.

E se retirou com um semblante preocupado.

Após a saída da rainha, Oliver se aproximou pegando o papel e lendo em voz alta.

–“Seu sangue era impuro, ela desejava isso. Consegue adivinhar qual o próximo desejo a ser realizado? Qual o próximo presente a ser entregue?”

Oliver parou por um instante, pegando um papel que Michael lhe erguia agora.

–O nome dela era Charlotte Orczy, tinha trinta e quatro anos, aparentemente sofria de constantes provocações vindas das companheiras. Já foi pega tentando acabar com a própria vida três vezes, todas impedidas por alguns dos trabalhadores.

–Isso explica o porquê do nosso assassino achar que estava dando um presente a Charlotte, mas porque tirar o coração e porque continuar fazendo isso? -Se perguntava Arya, enquanto ela e os irmão se reuniam num canto mais próximo aos outros dois.

–Talvez um amor não correspondido? -Opinou o loiro.

–Ou um surto por ela não dar respeito a própria vida, então ele retirou dela o que a fazia viver? -Foi a tentativa do azulado.

Eles continuaram discutindo sobre a prováveis causas por aquilo até escutarem um grito agudo. Eles seguiram o som deparando-se com uma cena de certa forma semelhante a que viram anteriormente.

Um vestido branco idêntico ao da anterior decorava uma mulher aparentemente pouco mais nova que Charlotte, tinha seu coração no lugar, mas em compensação haviam apenas dois buracos onde seus olhos deveriam estar.

Demorou pouco antes que Esther entregasse para Oliver um papel que ele leu em voz alta.

–Melanie Carter, trinta anos, serviu desde a adolescência no castelo. Quando tinha dezesseis anos sofreu um acidente junto com o irmão mais novo, apenas uma criança na época. Ela não sofreu aparente sequelas, mas o irmão mais novo ficou cego de ambos os olhos. Melanie tratava-o com extrema proteção desde então, as vezes se queixando pelos cantos que deveria ter ela ficado cega e não o pobre irmão. Após esse adquirir uma doença grave e morrer a mesma tentou tirar a própria vida. Depois de duas tentativas frustradas ela parecia ter desistido.

–Vemos poucos pontos em comuns nas vítimas, a idade semelhante, o fato de serem mulheres e serviçais do castelo e o fato de terem tentado se matar. Em relação ao crime apenas uma parte do corpo cuidadosamente retirada... -Começou Anna, olhando com atenção para a mulher.

–E uma carta do assassino. -Completou Arya, entregando o papel para o irmão.

–“Mais uma impura, ela almejava isso. Me culpam por realizar lhe esse desejo? Quem será o próximo que partira agradecido? Com todos seus desejos realizados? Desafio-os a adivinhar!”

–Ele parece querer limpar as impurezas essa noite.

–Se pensarmos de uma maneira mais... radical, percebemos que hoje, a comemoração do aniversário de Jesus Cristo, é uma data perfeita além de usar a desculpa do nascimento do salvador para retirar as impurezas, ele usa o Natal, declarando que o que faz é presentear as vítimas... -Ciel iniciou.

–...Mesmo que ele leve uma lembrancinha também. -E Arya terminou o pensamento do outro.

–De Charlotte o coração... -Acrescentou Alois.

–De Melanie os olhos. -E terminou Anna.

–Mas, por mais que nos dê tantas teorias, em momento nenhum ele refere-se a si mesmo. Ele não se expõe, não quer despertar suspeitos. -E Oliver se viu na necessidade de completar.

E passado por aquele lugar a Rainha sorriu, um tanto temerosa, mas confiante tinha uma equipe inteiramente feita de prodígios. Uma equipe a prova de falhas.

Oliver McClarie, era como uma águia, tinha uma visão aguçada, conseguia enxergar com perfeição mesmo nos momentos mais conturbados.

Arya McClarie, era como um gato, ágil e veloz. Conseguia movimentar-se de maneira impressionante e numa rapidez surpreendente.

Anna McClarie, era como uma borboleta, tinha aparência frágil e inocente, mesmo que fosse capaz de num movimento só acabar com seus obstáculos.

Ciel Phantomhive, era como um cão leal, fiel, era forte mesmo que aparentasse fragilidade, estaria sempre ali se necessário.

Alois Trancy, era como uma aranha, chamava atenção pela aparência, parecia carregar veneno, poderia surgir em todo tipo de lugar.

Claro que ela de certa forma se preocupava.

Se preocupava com a chance deles traírem-na.

Tinham inteligência.

Tinham recursos.

Tinham tudo necessário para destruí-la.

Mas mantinham-se fieis a ela.

E mesmo assim, recebiam títulos de crianças inconstantes.

Mas confiava em sua águia, em sua borboleta, em sua gata, em seu cão e em sua aranha.

Pelo menos naquela noite.

Voltando aos protagonistas, enquanto ainda analisavam as semelhanças entre Charlotte e Melanie, quando mais um grito foi escutado, e outro. E os cinco correram na direção dos gritos.

Uma criança, um vestido branco, e os espaço em que seu coração deveria estará havia uma carta.

–Catherine Davids, onze anos, vivia até os seis anos com seus pais, até ser mandada para viver com a tia no castelo. Há algumas semanas conseguiu sabe se lá como firmar noivados com um nobre. Tentou se suicidar duas vezes, uma aos nove anos após descobrir que seu pai morrera e a última antes de ontem. -Suspirou agarrando o papel da carta, exibindo o espaço que o coração da criança deveria ocupar -“Tão nova, tão impura. Repugna-me ver uma criança como esta. Mas, realizei o desejo dela, não é? Veem como sou bom. Mesmo que ela e as outra me temam, sou tão bom. Adivinharam minha próxima vítima? Será que conseguirão?”

–Ele admite ser um homem, temido por Catherine, Charlotte e Melanie.

E ao escutarem fungadas baixas, cinco pares de olhos azulados (em tons diferentes) se focaram numa criança que observava Catherine com lagrimas nos olhos.

–Quem é você?

–Peter.

–Você conhecia ela Peter?

–Sim.

–Você gostava dela, Peter?

–Sim

–Ela tinha medo de alguém?

–Sim. Dele.

–Dele quem?

–Do bruxo...

–PETER VOLTE AQUI! -Uma mulher de cabelos alaranjados e olhos amendoados surgiu, era gorda e olhava com certa irritação para o garoto. -Vamos. Desculpem-me pelo incomodo.

–Sra. , poderíamos fazer algumas perguntas?

–Sim, claro.

–Primeiro, quem é esse bruxo que a criança comenta.

–É um homem estranho, mora aqui no castelo há mais tempo que qualquer um de nós. Seu nome é Robert, alguma coisa. Sinceramente, ele é muito feio, tem cabelos negros que lhe cobrem todo o rosto, tem os olhos de um tom verde musgo bem escuro, bom um deles já que o outro ele diz ter sido arrancado quando ele era mais novo. Também tem uma cicatriz de um lado a outro em seu peito, é uma cicatriz feia. Ele me assusta um pouco.

E saiu puxando a criança resmungando algo mais sobre o homem.

–Mas algo me deixa confusa, sobra a pureza de suas vítimas.

E continuaram discutindo por mais um tempo.

–Realmente, pensei que poderíamos evitar isso mas,...

–Evitar o que, Anna? -Perguntou Oliver olhando diretamente nos olhos da irmã mais nova, ele sabia perfeitamente ao que ela se referia e mesmo que por fora não demonstrasse nada mais que frieza por dentro preocupação o inundava.

–Cumprir meu papel. -E sorriu, expulsando os três garotos do cômodo, chamando Esther em seguida.

Poucos minutos saiu de lá, com um grande diferencial, usava um vestido branco igual ao das garotas mortas.

–Isso é insanidade. -Alertou Ciel, um tanto indiferente olhando com atenção para os papeis em sua mão.

–Você vai permitir isso? -Alos indagou, pelo que observara Oliver parecia ser muito próximo das irmãs, mas permitir aquilo apagava aquela imagem.

–E porque não permitiria?

Todos se calaram, quando Anna foi em direção a uma sala qualquer do castelo.

E um grito veio.

E Arya sabia que aquele grito pertencia a sua irmã.

Em outro cômodo distante dali Anna olhava numa frieza enorme para o ser a sua frente. Ele estava completamente encoberto pelas sombras, mas ele parecia sorrir “amavelmente” para ela.

–Oh! Finalmente uma inocente! -Sussurrava constantemente com os olhos escuros focados nela.

–Por favor. -Sentiu as lagrimas falsas escorrerem por seu rosto.

–Todas as outras deveriam ser como você.

–SOCORRO. -Irritava-se mais a cada minuto.

–Terá seus olhos e seu coração. Não preciso mais de misturas, você é perfeita.

–Porque? -De longe quem observasse poderia pensar que a criança estava em desespero, mas na realidade era apenas irritação.

–Para um bem maior, Nicole ficará tão feliz.

–Quem?

–Nos conhecemos muito tempo atrás. Ela tinha belos olhos azuis como os seus, mas cabelos vermelhos como os de Charlotte. Sabe Nicole foi a única que realmente meu amou, a única que sabia como eu me sentia até aquela noite...

25 de Dezembro de 1880, 15:00

Os minúsculos flocos de neve caiam sobre a face serena do príncipe, seus cabelos negros perfeitamente arrumados estavam sendo carinhosamente arrumados pela mulher.

O homem de vinte e sete anos, o segundo na linha de sucessão Príncipe Robert III, conseguira fugir da mãe, dos irmãos e da irritante noiva, apenas para estar junto dela.

A mulher de apenas vinte, Nicole era apenas mais uma das criadas do castelo, uma criada esperta que se aproveitara de seus dotes físicos para seduzir e fazer o príncipe se apaixonar por ela.

Um barulho alto foi audível.

25 de Dezembro de 1888, 20:10

O quarto foi invadido.

O barulho de tiro foi audível.

E aquele ser, que tanto presava “Pureza”, que levado por um amor que só existia em sua mente e pela insanidade havia negado desde sua família até o título de Rei da Inglaterra, se foi.

Para sempre.

E tais pensamentos ficaram rondando as mentes desesperadas dos quatro mais novos ali.

Sentaram num círculo novamente.

A segurança retornara.

A rainha estava e paz novamente.

Tudo deveria estar bem, certo?

“Talvez vocês, crianças, não sejam tão puras assim.

Então me digam:

Qual a pior coisa que o desespero já os levou a fazer?”

A carta na mão de Arya era encarada pelos outros três.

Suspiros encheram o local.

E pensamentos insanos a mente dos quatro.

Por que o desespero afetava eles de formas diferente e semelhantes.

Porque a resposta para aquela pergunta era uma verdade irredutível.

E quatro vozes em tom baixo tomaram o salão. Unidas como se tivessem combinado naquela frase.

Porque a pior coisa que o desespero já os levara a fazer fora...

–A firmar o contrato com um demônio

FIM

Notas finais
Fim.
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