IV

ECLIPSE

Para termos um eclipse necessitamos de três astros. O sol, a lua e a terra são essenciais para que um deles exista e possa ser considerado real pelos céticos. E tal como um eclipse o conto que narro a vocês por mais que pareça confuso agora, precisa de três partes para se encaixar perfeitamente. A primeira parte é...

O Passado, que tal como a lua é subdividido em quatro partes, mas aqui veremos apenas três delas. O porquê? Cada um tem seus segredos mais particulares do quais ninguém mais tem conhecimento...

Os Descendentes do Demônio/ A Origem dos McClarie

A grande família McClarie sempre estivera no topo, sempre conhecida por sua perfeição e maestria em qualquer coisa. Se um McClarie não gostasse de alguém, corta-lo do seu círculo social era fácil, se um McClarie odiasse alguém o exterminar era simples.

Muitos os admiram, mais ainda são aqueles que os temem, mas poucos se importavam o bastante com a verdade ou se importavam muito pouco com suas próprias vidas para pesquisar sobre como a temida família começou. Ouvirmos desde cochichos no Castelo até na parte mais negra de Londres sobre os três Descendentes do Demônio restantes é algo comum.

Mas, voltemos ao nosso foco, poucos dias após o início do reinado da Rainha Ana, um estrangeiro visitou a cidade de vestes nobres, olhos azuis como o próprio céu, pele branca como porcelana e cabelos prateados como a lua, apresentou-se como Baron McClarie. Algo naquele rapaz que não parecia ter mais de dezessete anos encantou a Rainha, que quase imediatamente permitiu sua estadia no local. Certa vez numa das muitas conversas que tinham durante o chá da tarde Ana perguntou-lhe como era o local de onde ele viera.

“[...]Um local quase infinito, de fauna e flora exuberantes, com o sol sempre brilhando. Rios imensos com aguas cristalinas e que se prestar bastante atenção poderá ver as mais belas pedras preciosas a cintilar. Com arvores de folhagem dourada, flores que brilham em sete cores e frutos de gosto indescritível...”

Este trecho em especial do relato dele encantou a mulher de saúde frágil, que imediatamente começou a indagar mais coisas. Em determinado momento perguntou sobre se as mulheres de lá conseguiam ser mais bonitas que as de seu país.

“Era desse assunto que queria comunicar-lhe, minha saída de minha terra natal foi permitida, mas por tempo limitado. Minha missão é encontrar uma garota de lá.”

Uma história sobre como perdera a garota que amava convencera a Rainha de dar-lhe tudo o necessário para sua busca, mas ela deixara explicito que queria vê-la, já que ficara encantada pela descrição dada, a descrição de uma garota de cabelos negros como as penas de um corvo, pele ainda mais clara e perfeita que a dele e olhos que transitavam entre o azul e o verde tal como o oceano.

Poucos dias depois Baron encontrou-a, Raven Aodh foi como dissera se chamar para os guardas que acompanhavam o McClarie, quando ele pediu privacidade para estes e ficou sozinho com esta, um brilho dourado iluminou a sala para logo em seguida um brilho negro também o faze-lo.

Ali mostraram suas verdadeiras formas pela primeira vez desde que haviam chegado naquele planeta. Baron tivera seus fios prateados alongados, e longas asas, ainda mais claras que esse, estendiam-se atrás de si, um brilho dourado cercava-o e a simples presença dele parecia deixar o ambiente mais claro. Os cabelos de Raven também se alongaram, atrás de si asas negras batiam repetidamente e um brilho cinzento cercava-a, se a presença do outro clareava a dela obscurecia.

Um anjo e um anjo caído, isso era o que eles mostravam naquele momento. Porém eles contradisseram tudo o que qualquer um pensaria ao se abraçarem, logo em seguida os lábios de ambos estavam selados num beijo que não poderia ser de outra coisa senão paixão. Um reencontro esperado os fazia não quererem ter que voltar a realidade, mas nada é tão simples.

Não demorou muito para que eles retornassem para a Inglaterra e tal como acontecera com Baron a rainha se afeiçoara a Raven. Em menos de três meses ambos se casaram e a Rainha cedeu-lhes o título de Conde e Condessa McClarie. Nove meses após o casamento de ambos Cole e Aileen McClarie nasceram com o sangue angelical de Baron e o sangue demoníaco de Raven misturando-se dentro de si os gêmeos de cabelos prateados e olhos da cor do mar eram a perfeita mistura dos pais. Porém na noite daquele mesmo dia, todos os pecados do pai foram julgados e ele fora banido do céu tal como Raven, e mesmo que parecesse não fazer diferença uma maldição fora colocada na família com o nascimento de Ebony McClarie.

A criança que fora tirada da família pelos anjos, que com a apenas a parte negra do sangue de sua família correndo por suas veias e todos os traumas sofridos, a criança explodiu aos treze anos quando invocou um demônio e firmou um contrato com este fugiu para longe de Londres onde anos mais tarde casou com esse ser e com ele teve um herdeiro chamado Ciaran. Enquanto isso em Londres Aileen casara-se com um herdeiro da família real de outro país e fora para seu país com ele, já Cole casou com uma humana nomeada Margot e com ela teve um filho e logo em seguida gêmeas, Robert, Alden e Alene. Os quatro herdeiros nunca chegaram a se encontrar e a família continuou, vez ou outra um casamente entre um descendente deles com um ser sobrenatural era normal pelo fato da família ter algo que atraia tais seres. Mas um caso em particular muito e muitos anos após o início da família foi uma enorme coincidência ou um truque do destino.

Sarah, uma descendente de Ciaran e Andrew um descendente de Cole se encontraram, apaixonaram-se e casaram-se. O passado não os importou, e aos poucos tiveram três filhos, um garoto de cabelos negros e olhos azuis escuros, e duas garotas de cabelos dourados e/ou prateados com os mesmos olhos, sabem de quem falo?

Mas, eles pouco sabiam que a maldição dessa família, que os envolvia cada vez que alguém com aquele sobrenome ou sangue fazia um contrato com um demônio, se tornaria muito mais forte com seus filhos e que suas filhas mais novas estavam destinadas a viver nesse horrível pesadelo...

O Mês Perdido/ Uma História Sobre Dezembro de 1887

Arya e Anna McClarie foram sequestradas em 15 outubro de 1887. Arya e Anna McClarie selaram contratos em 29 de novembro de 1887. Arya e Anna McClarie começaram sua vingança em 30 de novembro de 1887. Arya e Anna McClarie retornaram para a Mansão McClarie em 03 de janeiro de 1888. Neste calendário dezembro de 1887 parece inexistir, do final de novembro até o começo de janeiro um branco é tudo que parece existir. Nenhuma das duas comentou que fugiram em novembro, seus leais servos também nunca citaram esse fato, então não haviam investigações. Mas em seu subconsciente ambas lembravam perfeitamente.

No primeiro dia do último mês do ano ambas vagueavam juntamente com Michel e Esther pela parte rural do local, nenhuma das garotas sabia se alguém sobrevivera e elas sabiam como seria difícil ir até lá para descobrir que não restara ninguém.

Estavam instalados na Mansão da cidade, embora ninguém os tivesse visto e eles tivessem evitado contato tanto quanto o possível. Ainda estavam acostumando-se uns aos outros isso era um fato, e as gêmeas não sabiam como realmente deveria tratar aqueles seres, e Esther e Michael apenas tinham que aguentar uma ordem que os perseguiria pelo tempo que o contrato durasse. Sem mentiras, sem falso carinho, apenas a verdade por mais que essa pudesse ser dolorosa.

Pararam diante de um orfanato, os quatro entraram lá e foram imediatamente bem recebidos pelo simples fato que tinham roupas de aspecto nobre.

— Os interesseiros não se resumem a nossa classe social. — Arya sussurrou para a gêmea, os olhos focando-se nas mulheres e homens que tinham o que queriam nítido nos olhos.

— Com licença posso ajuda-los?

— Vocês permitem crianças até os dezessete anos certo? Queremos a que está mais próxima de fazê-lo, um garoto de preferência. — A mulher sorriu confusa se dirigindo até uma das muitas portas ali. Minutos depois veio acompanhada de um garoto de cabelos ruivos e olhos tão verdes quanto as arvores que cercavam o local.

— Este é Luke, está aqui desde os seis anos e vai completar dezessete em uma semana.

Documentos foram assinados e em pouco tempo o garoto estava junto com eles na carruagem, por um bom tempo o silencio se manteve até que ambas as gêmeas falaram juntas.

— Lembra de onde morava?

— Uma casa grande. — Ele falou, desviando o olhar aquelas pessoas poderiam ter conquistado as mulheres do orfanato mas havia algo de errado com eles.

— Não precisa esconder o fato de ser um nobre, Luke... ou devo dizer Earl Rain.

— O que? — Ele perguntou, o coração batendo acelerado. Ele sabia que era nobre de nascença sabia que seu nome não era Lukas ou Luke como era chamado ali, mas em momento nenhum lembrava do verdadeiro nome, muito menos do sobrenome. — Quem são vocês?

— Arya e Anna McClarie, irmãs mais novas do afilhado de sua mãe. — Falaram calmamente os olhos azulados focados nele. — E seremos as responsáveis por te tornar o novo Conde Rain.

Os dias e as semanas passaram e em pouco tempo o inseguro adolescente que passara a vida quase toda num orfanato se tornara um confiante nobre pronto para assumir o cargo que um dia fora da mãe.

— Escute. Te enviaremos uma mensagem quando for a hora. Enquanto isso continue com o sobrenome Hale. — Sorriram, as memorias dos dias felizes ao lado daquele garoto lhe voltando a mente, ambas sabiam que precisavam enfrentar a realidade e esse era o único motivo pelo qual se separariam dele naquele dia.

— Eu sentirei saudade, baixinhas. — Ele sorriu de canto, Earl, ou Luke como ainda preferia, não era mais um garoto abandonado, era agora um homem um Conde que pouco se preocupava com as opiniões alheias. — Como sabiam que eu estaria naquele orfanato naquele dia?

— Com o passar dos anos fatos sobre a madrinha do nosso irmão mais velho ficaram mais nítidos. E quando fomos obrigadas a nos separar de tudo que nos cercava decidimos que não deixaríamos o que aconteceu com você continuar por mais tempo, Esther e Michael foram os responsáveis pela localização.

— Não sabem o quanto sou grato a vocês. — Abraçou ambas os olhos verdes como esmeraldas por um instante pareceram tão inocente quanto no dia em que se conheceram.

Logo depois disso ele entrou na carruagem, e foi para um lugar mais longe do que elas sequer poderiam imaginar. Ele iria retornar? Nenhum deles sabia, embora as gêmeas esperassem estar vivas para ao menos levarem-no de volta ao seu lugar de direito.

E finalmente um conto no qual o passado e o presente se entrelaçam, uma história por um de seus envolvidos esquecida, e pelos outros, perseguida incansavelmente:

A Sombra da Súcubo e o Homem que Perseguia os Sonhos/ Elena Succubus e Derek Ryans

— A conheci aos dezesseis anos, ela tinha os mais belos cabelos castanhos e olhos negros como a noite. Me apaixonei imediatamente embora Elena pouco me notasse, fiquei obcecado apenas vendo-a, e quase sempre sentindo como se sua sombra aparecesse em meus sonhos, embora algo parecesse impedi-la. Logo descobri um fato sobre l eu me era desconhecido e seria de vital importância partir dali, o trabalho de Elena, era bom...

— Ela era uma prostituta.

— Certo, certo... pois bem aquilo não me impediu, e com uma grande quantidade de dinheiro eu fui até o bordel no qual ela trabalhava, paguei para passar o dia todo com ela e consegui. Deitei-me com ela durante todo aquele dia, horas exaustastes, porém, prazerosas passaram-se, a conheci o suficiente naquele dia, ou pelo menos isso eu julgava. Comecei a visita-la diariamente e quando meus pais perceberam que eu pegava dinheiro para tais fins e para que tipo de lugar eu ia, fui intimado a casar-me, dois meses depois Diane Dale e eu estávamos unidos em matrimonio, claro que eu sabia que ela era namorada secreta de meu irmão e que eles se amavam, mas nada fiz e ela não teve coagem de trair-me com ele.

Os meses passaram-se e certa noite eu recebi uma notícia que me impediu de até mesmo visitar minha amada Elena, Diane estava gravida. Os meses passaram-se, minha felicidade e a dela apenas aumentavam e aos poucos eu ia me esquecendo do rosto e do corpo de Elena Succubus, porém quando o bebê nasceu e ao invés de um menino e obtive uma menina meu mundo caiu novamente nas mãos dela. Naquele mesmo dia antes que Diane acordasse prendi o bebê num canto qualquer e informei a todos que tinha morrido, porém ainda tentei dar uma chance a ela, por muito procurei até achar os candidatos com a genética perfeita e um filho de menos de um ano que seria perfeito para a pequena Helena, mas depois de muitas recusas resolvi desistir dela.

Escrevi uma carta para Elena naquela mesma noite e voltei a frequentar o local diariamente, um ano passou-se e eu reparei que Elena começava a ausentar-se, e que minha esposa chegava cada vez mais cansada e repugnantemente feliz em casa, quando ela anunciou estar gravida novamente eu acusei-a de estar gravida de meu irmão, mas quão não foi minha surpresa quando um homem veio visitar-me logo após Diane adormecer em meio as lagrimas que derramava o homem de olhos negros e cabelos castanhos se nomeou como Edgar e em questão de segundo Elena tomou seu lugar. Naquela noite ela explicou-me diversas coisas e que eu deveria cuidar do bebê, porque ele nos seria muito útil. Mas, assim que ele nasceu ela fugiu, mas eu a vi mais uma vez depois daquilo estava na Mansão McClarie. E eu simplesmente não pude aguentar assistir aquilo...

O Presente, que carrega consigo todas as cicatrizes que o passado fez...

— Então decidiu-se a matar toda a família e os próximos a ela no dia do aniversário das duas filhas mais novas? — Havia ironia na voz de Arya conforme aquelas palavras eram pronunciadas.

— Quanta petulância. — Uma voz feminina soou, e lá estava a mulher tão comentada na história que Derek contava para as gêmeas. Elena tinha um sorriso maldoso nos lábios avermelhados, ela sorriu para ambas, as fiando fixamente. Se aproximou em passos lentos, lambendo os lábios ao falar.

— Eu fico com a loirinha. — Ela não deu tempo par que ninguém reagisse antes de tocar nos fios dourados de Anna e desaparecer com ela. Por dentro Arya estava prestes a surtar mas manteve a pose fria e impassível.

— O que quer conosco? Não acho que tenha sido apenas nos contar uma história para dormir...

— Você sempre foi muito perspicaz, pequena Arya... então não terei rodeios. — Ele se aproximou dela, ajoelhando-se para ficar do tamanho da criança, os dedos acariciaram a bochecha da mesma que em momento nenhum mudou seu semblante. — Acho que entendo porque meus homens demoraram tanto para tirar sua vida. Você é muito bela para uma criança.

— Isso me parece improprio, Sr. Ryans. — Indiferença, era tudo do que ela parecia ser feita naquele momento.

— Me pergunto se sempre foi tão fria. — Falou no ouvido da mesma, a garota não se movia, e embora não parecesse paralisada de medo nem de emoção ele sentia que ela tinha alguma emoção naquele momento.

— Me perguntou como seria se seu filho visse você fazendo isso com a pobre noiva.

— Ele não nos pegará. — O homem sussurrou virando o rosto de Arya para si, puxando uma faca completamente negra, e encostando-a no pescoço da criança. — Acho que devemos para de brincadeira. Ele falou apontando a faca para Arya, no exato instante em que a porta fora aberta...

Enquanto isso em um cômodo longe dali Elena fazia algo semelhante acariciando a bochecha de Anna.

— Sabe minha querida, eu posso te tornar forte, você já é bela e eu posso aumentar essa beleza, imagine ser como eu, não seria maravilhoso. — Falou os olhos se tornando ainda mais negros conforme Anna abria os lábios para responder.

— Não, muito obrigada.

— E então terei que tirar sua vida o que será uma pena... — Fez bico enquanto puxava um instrumento semelhante a uma adaga encrustado de rubis nos quais se prestasse muita atenção seria possível ver a alma de todos que ela já havia ceifado com tal faca.

— Esther! — Anna gritou jogando a luva da mão esquerda, o tecido esbranquiçado caíra a centímetros de Elena, que viu surpresa a garota botar a mão ao lado do rosto onde o símbolo brilhava em um vermelho mais puxado para o vinho.

A mulher de cabelos e olhos negros apareceu ali, em suas mãos garfos afiados com os cabos de ouro puro diamantes encrustados nesses também davam um toque mais elegante aos acessórios. A mulher sorriu para a garotinha pegando-a no colo e pondo-a atrás de si.

Anna sorriu maldosamente vendo o duelo que estava prestes a se iniciar. Longe dali no exato momento que o homem estava pronto para atingir Arya, o citado anteriormente Theodor adentrou o cômodo.

— O que? — Indagou os olhos esverdeados mais escuros que o comum. — O que você está fazendo pai? — Ele indagou a face seria se aproximando de Arya rapidamente, ele entrelaçou seus dedos com os da garota. Ele não parecia tão confuso quanto deveria e por algum motivo aquilo acalmou a McClarie.

— Afaste-se moleque, eu e a pequena temos assuntos a tratar. — O homem empurrou Theodor para longe, sem paciência alguma pegando impulso antes de fincar a faca na macia textura daquela pele. Só que ele não percebera que as costas nas quais fincara tal faca pertenciam a Theodor e não há Arya. Afastou-se ainda inconsciente deste fato, sorrindo enquanto ficava de costas.

Theodor arregalou os olhos , embora ainda houvesse um sorriso mínimo neles, o garoto arfou vendo a expressão seria de Arya se desfazer e tornar-se preocupada, o garoto não pensou muito antes de selar os lábios com o s da garota, tossindo sangue logo em seguida.

— O primeiro beijo deveria ser doce, não ter gosto de sangue. — Ele murmurou rindo, sem sequer lembrar que aquele não fora nem o primeiro beijo dela muito menos o de ambos, antes de abraçar-se a garota, suas vestes vermelhas sujando as da garota, ele virou-se e beijou-lhe novamente com o sague manchando tanto seus próprios lábios quanto os dela.

— Eu acho que te amo, Arya. — Ele sussurrou, tossindo sangue novamente antes de finalmente ter sua vida ceifada. A garota sentiu uma única lagrima rolar por seu rosto antes de ser atingida por uma onda de fúria descomunal.

— Michael! — Gritou, fazendo com que Derek Ryans olhasse para ela, e visse a cena dela retirando a luva da mão direita mostrando o símbolo do contrato.

Quando o homem apareceu segurando as facas de prata com rubis encrustados Arya não podia sorrir mais. Havia um ódio imensurável nos olhos azulados e por um instante em dois cômodos distante havia uma cena em comum o azul transformava-se em vermelho sangue.

As duas lutas iniciaram-se e surpreendentemente os movimentos pareciam idênticos tanto com Esther e Michael quanto com Derek e Elena, todos pareciam ter treinado até mesmo as gêmeas que correram dos cômodos encontrando-se na grande escada que ligava o andar em que estavam aos inferiores.

— Porque eu sinto que não chegaremos ao dia de amanhã? — Anna perguntou, deixando-se no chão ao lado da irmã.

— Porque eu sinto que nunca deveríamos ter chegado ao ia de hoje. Devíamos ter descoberto mais cedo. Mas...

— Se tivéssemos o feito o jogo teria perdido a graça. — Falaram juntas, sorrindo uma para outra.

Fecharam os olhos juntas dando as mãos, diversos rostos em suas mentes, diversas memorias repassando-se como filmes. Quando Diane Dale chegou enlouquecida no cômodo ela não pensou muito antes de atirar no peito das duas crianças e sair em busca de mais vítimas, a mulher já havia perdido a sanidade quando adentrou nos cômodos em que os mordomos das garotas estavam. Naquele local abas se fitaram e a poça de sangue que elas formavam aos poucos tomava a forma de dois pentagramas invertidos um dentro do outro e um olho em cada.

A vida havia partido daqueles corpos quando o relógio badalou 00:00, elas não haviam chegado até o dia 15...

Fim!?