Essência

1 A Surpresa de Fatinha


Notas iniciais
O discurso do padre foi tirado de Casi Ángeles e levemente adaptado. Essa fic será curta, visto que já vou tratar o reencontro lidinho em outras duas e ainda não vejo como fazer o desenvolvimento muito diferente delas caso fizesse a fic ser longa.Espero que vocês gostem ^^

Maria de Fátima dos Prazeres, a periguete instável do colégio Quadrante, quem diria, estava para se casar... pela segunda vez! O primeiro casamento não havia valido como oficial, descobriram mais tarde. O guru os havia enganado. Fatinha se revoltou, acreditando que Bruno tinha organizado tudo para não casar de verdade. O moreno, no entanto, não desistiria tão fácil de sua loira. Durante o show de Naldo, onde Fatinha e Lia(!) se apresentaram como pilhazetes, Bruno subiu ao palco e a pediu em casamento novamente. Agora era para valer.

Os pais de Fatinha, cansados das confusões de Bruno e da filha, estavam em Carambolas. Todos os outros conhecidos e parentes de ambos estavam na igreja, aguardando o casamento oficial. Lia estava como madrinha, assim como Ju, e Nélio e Rasta eram os padrinhos. Nem o noivo sabia quem levaria a funkeira ao altar, e o atraso de Fatinha só aumentava a curiosidade de todos. A loira parecia nem se importar, escondendo qualquer informação e tranqüilizando quem perguntava, dizendo que daria tudo certo, que estava tudo resolvido.

–Cadê ela, hein?

–Calma, maninho, o atraso é normal, lembra? Não é a primeira vez que vocês se casam. – divertiu-se Juliana.

Michel se aproximou de Nando e de Gil, que estavam responsáveis pela trilha sonora, e os orientou para que tocassem a marcha.

–Ó, vai começar! – Lia apontou, buscando por Fatinha, mas ainda não a via.

Ao invés de Fatinha, a roqueira avistou outra pessoa caminhando em direção ao casamento e parando no início do corredor de cadeiras que levaria ao altar. Ou melhor, um garoto. Ele. Lia parou onde estava, prendendo a respiração. Não parecia real, não podia ser real. Vitor, que estava de olho em sua namorada, notou a mudança de postura da roqueira e virou para trás, tentando ver o que a chocara. Um adolescente que aparentava ter a idade deles, cachos castanho-escuros e olhos da cor dos de Lia estava visivelmente emocionado, com um sorriso orgulhoso no rosto. Assim como Lia, parou ao vê-la. Olhavam-se fixamente.

–Quem é ele, Pilha?

–Ih, moleque é o Dinho! – Pilha respondeu feliz por ver seu amigo de longa data de volta.

Vitor se sentiu ainda mais desconfortável com a resposta. Por isso Lia estava tão alterada, seu maior pesadelo estava à sua frente. O garoto que tanto amara e que tanto a fizera sofrer estava de volta... O moreno de olhos azuis via seu rival desconhecido pela primeira vez e já o odiava. Pelo que fez a Lia e por aparecer assim, naquele momento tão especial para Fatinha, como se não fosse nada. Para sua surpresa, no entanto, antes que os amigos de Adriano pudessem levantar de seus lugares e correr até ele, a noiva chegou. Fatinha trocou com Dinho olhares significativos e envolveu seu braço no dele. Ao som das guitarras de Gil e de Nando, Fatinha foi conduzida ao altar por seu melhor amigo.

Conforme a dupla se aproximava do altar, dois momentos distintos ocorriam. Bruno olhava sua noiva encantado, emocionado por finalmente oficializar sua relação. Ao seu lado, Lia sentia-se hipnotizada pela aproximação de Dinho, que tanto sonhara com o dia em que estaria ele no altar vendo Lia se aproximar daquela maneira... Era um reencontro forte entre Lia e Dinho, daquela maneira no altar. Ambos tinham os olhos marejados, como Fatinha e Bruno. Seus olhares revelavam sentimentos conflitantes que misturavam mágoa, saudade, amor. Adriano queria se concentrar em acompanhar sua melhor amiga e entregá-la para Bruno, mas seus olhos estavam fixos em Lia, como se apenas os dois existissem. Sem perceber, havia chegado ao altar.

–Se você fizer a minha amiga sofrer de novo, eu vou até o fim do mundo atrás de você. – dito isso, Dinho soltou seu braço de Fatinha, que segurou nas mãos de Bruno, emocionada.

“Causei” Fatinha riu, pensando no que Dinho havia dito. Conhecendo o garoto, sabia que havia falado a verdade. Não podia ter escolhido alguém melhor para levá-la ao altar.

–Flashback-

–Que história é essa de se casar e não avisar os amigos?

–Não acredito! Dinho!!! – Fatinha correu até o amigo, que se encontrava na porta de seu novo apartamento. – Como você-??

–O Orelha me contou do casamento e descolou o endereço novo.

–Ah, mas você também, nem pra ficar mais acessível... Eu nem sabia o seu número pra avisar!

–É, foi mal... É que tava difícil, né? Só agora há alguns dias que eu consegui tempo pra checar os e-mails e por sorte o primeiro que apareceu foi o do Orelha! Mas e aí? Como é que tá a vida de casada?

–Vem, entra! Mó rolo, Dinho! Você acredita que foi tudo enrolação? Eu fiquei furiosa! Mas aí o meu moreno me pediu em casamento de novo e a gente casa amanhã! – Fatinha sorriu.

–Já?!

–Aham! O único problema é que os meus pais não querem mais nem ver a cara do Bruno depois disso... –Fatinha ficou pensativa por um momento. – Mesmo ele sendo certinho como eles sempre quiseram... Sabe, Dinho, você foi o único que sempre achou que era o Bruno que não me merecia e não o contrário, o único que sempre me defendeu dele. – parou por um instante, tendo uma idéia. — Dinho, será que você me deixaria, assim, consertar a falta de aviso?

–Como assim, Fatinha?

–É que, assim, você sempre me protegeu do Bruno, como um pai ou um irmão mais velho deveria ter feito. Acho que nada mais justo, já que o meu pai não quer... Você me levaria até o altar? – Fatinha perguntou hesitante. Dinho se surpreendeu, mas logo sorriu.

–O que eu não faria por você? – respondeu emocionado, abraçando a amiga.

Fatinha retribuiu o abraço, também comovida.

–Eu falei sério, você é como um irmão pra mim.

–E você é a minha irmã mais maluca! – Dinho beijou o rosto da amiga.

–A outra nem nasceu ainda! – Fatinha riu, secando as lágrimas que haviam escapado — Mas agora me conta: como foi a viagem?

–fim de flashback-

Bruno e Fatinha, apesar de já terem se casado uma vez, estavam novamente comovidos, como se fosse a primeira. Nada atrapalharia sua felicidade, nem a implicância de Bruno com o recém-descoberto “sogro” Adriano. Queria esganar a noiva pela idéia, e, ao mesmo tempo, sabia que, pelo menos com Fatinha, Dinho se importava. Afinal, haviam quase saído no tapa meses antes quando o garoto cobrou-lhe que tratasse a loira com mais respeito. Tinham um interesse em comum: o bem de Fatinha. Teve que dar o braço a torcer. Igual, nada mais importava, estava se casando com a mulher dos seus sonhos. Era o homem mais feliz do mundo e, caso fizesse Fatinha sofrer, matar-se-ia antes que Dinho pudesse encontrá-lo.

Adriano se posicionou ao lado dos padrinhos, alternando-se entre acompanhar a amiga em seu momento mais feliz e olhar nos olhos de Lia, aquela que o fez mais feliz. A roqueira tentava desviar o olhar, fracassando. Cada vez que Dinho voltava a atenção para os noivos, percebia a roqueira o observando. Sorria em silêncio, fingindo não notar. Repetidamente se olharam e desviaram o olhar até o padre compartilhar certas palavras.

–O que é o amor? O amor é entrega, é o outro sendo mais importante que nós mesmos.

Dinho olhou fixamente para Lia, que agora retribuía. Se fosse tão fácil se entregar, pensou. Entregar-se apenas resultava em dor. Dor por perder aquele que ama.

–Não se encontra o amor. O amor nos encontra, e, quando encontra, nos arrasa, nos dá voltas.

Por mais que o odiasse, por mais que lutasse contra o que sentia, ver Adriano novamente trouxe à tona os sentimentos que tanto tentou esconder. O estado de anestesia que a dor intensa de perda havia gerado perdia seu efeito. Por que? Por que ele tinha que voltar?

–E o único que importa é amar, amar de frente, sem razões, sem especulações. Amar e somente amar, porque essa é a verdadeira natureza do amor. Para o amor não há distância, não há hora, não há idade. Só há amor.

Dinho não tirava os olhos de sua marrentinha. Tão linda, tão... Lia. Tentara esquecê-la. Viajara o mundo, mas nada tinha graça sem a garota que amava ao seu lado. Sentia sua falta em seus momentos mais cheios de vida, de aventuras, de surpresas... Nunca estava completo. Sentia falta daquele sorriso, daqueles olhos, da forma como Lia sempre distorcia suas palavras pela diversão da implicância. De como ria de suas frases bregas, de como se emburrava facilmente, de acordar com guerra de travesseiros quando conseguiam dormir juntos em um quarto. Ou mesmo de dormir no chão com sua marrentinha e de vê-la comer sanduíches apavorantes. Deus, sentia falta até de seus sanduíches! Não entendia a natureza, nem a intensidade de seus sentimentos. Logo ele, o pegador do Quadrante, conquistado daquela maneira...

Lia havia mudado, Dinho havia mudado, mas não seus sentimentos. E Lia se odiava por isso. Odiava-se por não conseguir tirar os olhos de Adriano. Odiava-se por conseguir pensar apenas nele a cada frase do juiz. Odiava-se por ser tão fraca, por não tê-lo esquecido, por querer correr e abraçá-lo, sem se importar com o casamento, muito menos com seu namorado assistindo. Vitor... Por que não conseguia gostar dele como amava Dinho? Havia dito uma vez que gostava de Vitor de uma maneira diferente. De fato, assim era. Gostava dele como uma esperança de algum dia esquecer aquele que tanto a atormentava, gostava dele por aparecer naquele momento. Amar? Amava como amava seus amigos, talvez um pouco menos. Não como amava Dinho... Infelizmente não. Apenas Adriano a tirava do sério, porque apenas por ele sentia o que sentia, mas jamais admitiria. Entregar-se a Dinho e ser traída novamente não era uma opção.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Apesar de curta, mais capítulos ainda virão ;)