Notas iniciais
E aí pessoal, tudo bem com vocês? Espero que estejam bem para ler minha história MUWAHAHAHAHA... Continuando...
Bem, então, eu tinha postado esta história originalmente no Socialspirit, mas resolvi passar para cá.
Então, leiam. Mas vou avisar que é sobre drama e romance com creepypastas. Se não gosta dos gêneros, não leia.
Boa leitura :)

Uma mulher corria, com suas sapatilhas negras colidindo contra o solo cinzento da imensa mansão. As luzes fracas iluminaram parcamente sua face ofegante e desesperada, com o suor escorrendo livremente por esta. Sua pele pálida estava corada devido ao esforço, e seus olhos negros estavam lacrimosos, e os cabelos negros desgrenhados. Seu vestido negro curto, que chegava aos joelhos, ficou colado ao corpo por causa do suor, mas ela não se importava.

Seus lábios negros estavam rachados, e seu corpo curvilíneo estava enfraquecido pelo cansaço. A mulher não gritava por socorro, pois não tinha fôlego para isso, e porque ela não tinha ninguém á que pedir ajuda. A Jane the Killer já não tinha a ajuda de mais ninguém.

Ela olhou para o lado, e avistou o velho mestre, o ser que ela sempre considerara um segundo pai, ou tio. O homem era alto, com dois metros de altura. Era bastante magro, embora forte. Ele vestia um terno negro, calças, gravata e sapatos sociais pretos. Ele tinha uma camisa branca cuidadosamente abotoada. O homem era da cor branco-gelo, e sua cabeça era desprovida de rosto, cabelo, nariz... Tudo.

Uma imensa lâmina azul reluzente estava cravada em seu estômago, com um círculo com um “X” sobreposto marcado á fogo sob a lâmina. O homem sem rosto – o Slender Man – se contorcia no chão. Sem dúvida, estava “vivo”, mas não continuaria por muito tempo se aquela espada continuasse lá.

A Jane não podia simplesmente andar até lá e retirar a espada. Ela não tinha tempo. No momento em que ela parasse, ela seria pega. Era mais rápida do que o seu inimigo, mas tinha nem a metade do vigor físico dele. Ela iria em breve cair de joelhos, sem poder correr. Mas a sua mente estava focada na sobrevivência.

As lâmpadas, já fracas, agora brilhavam fantasmagoricamente, piscando por vezes. A Jane parou por um momento, ainda em choque, para contemplar o corpo do adolescente á sua frente. Com 16 anos, o Jeff the Killer ainda retinha aquela aparência dos seus “gloriosos” 15 anos. Era incrível que aquele menino atraente, aos 14 anos, se tornasse a besta que era aos 15. Seus cabelos louros se tornaram negros, e sua pele morena agora era pálida. O nariz de antes havia afundado, e sua boca agora, tinha um imenso sorriso grotesco escavado á faca. Porém, seus olhos continuavam os mesmos. De um azul-elétrico brilhante, desafiador. Antes, a Jane amara aquele garoto, Jeff Woods. Mas aos 15 anos, ele fora vítima de um incêndio que o deixara louco. O incêndio tinha o deixado daquele jeito. Mas o sorriso, fora ele mesmo que fizera, com uma faca, antes de matar seus próprios pais, a família da Jane, e antes de transformar a própria Jane naquilo que ela era hoje. Era por isso que a Jane o odiava com todas as forças.

Mas a ironia do destino se abatera sobre o Jeff. Seus olhos agora já não brilhavam mais, e sua garganta estava agora cortada, no mesmo estilo do qual ele matava suas vítimas. A Jane não tinha tempo para apreciar a morte do seu rival, pelo contrário, ela ficara mais temerosa. O Jeff era uma das “Creepypastas” mais fortes do mundo. Se ele fora derrotado com tanta facilidade, ela não tinha a mínima chance.

Ela continuou correndo, escutando os passos do seu perseguidor atrás de si. Ela praticamente já não sentia mais as pernas. Ela já estava desistindo, até que ela viu a coisa que acabou com quase todas as suas esperanças.

Á sua frente, avistou os corpos de Sally e de Jack Sem-Olho. Jack tinha uma jaqueta negra com um capuz que lhe cobria a cabeça, e seu rosto era bloqueado por uma máscara azul-clara com lágrimas negras perto dos olhos. Jack, em vez de olhos, tinha apenas duas órbitas negras, como dois buracos negros. Suas calças jeans e tênis cinza estavam encharcados de sangue negro, que escorria livremente de um calombo em sua cabeça. Seu peito se movia para frente e para trás, mas fracamente. Os cabelos castanhos da Sally estavam sujos e espalhados, e seus olhos, normalmente brilhando com vivazes e gélidas íris verdes, agora estavam fechados, enquanto ela respirava quase serenamente. Seu vestido rosa já sujo e manchado de sangue, agora estava ainda mais sujo, e cheio de cortes. Ela fora nocauteada, algo provado pelo galo em sua testa.

A Jane caiu de joelhos, sem forças. Ela só tinha agora uma vaga esperança que o Zalgo soubesse daquilo, embora duvidasse que isso fosse acontecer. Para isso acontecer, alguém teria que avisá-lo. Ela notou que não tinha mais escapatória, tinha que se virar, e encarar o terror que a aguardava atrás de si. Ela inspirou profundamente, entrecortando sua respiração ofegante, e se virou.

O horror que estivera atrás de si estava em forma de um homem bonito, com cabelos castanhos rebeldes e curtos, uma barba circular castanha ao redor dos lábios grossos, e uma pele morena, um pouco escura. Seus olhos eram de um branco brilhante, que cintilavam com ódio, maldade, fúria, mas que também não escondiam o cansaço, o sofrimento. A camisa azul-clara do homem estava cheia de rasgos e de manchas de sangue, e seus jeans estavam úmidos com o sangue. Suas botas negras carregavam o mesmo tipo de sujeira, e sua mão direita empunhava uma picareta de diamante, que parecia nunca se manchar com nenhuma mácula. A sua picareta repelia tudo que ameaçava manchá-la. Seu corpo musculoso estava com vários cortes, queimaduras, feridas estranhas e várias outras abominações, mas, no geral, estava bem. Ele parecia estar desistindo da própria vida, e tal pensamento fizera a Jane se desesperar interiormente, até que ela se controlou, se lembrando de que aquele homem agora era seu inimigo, e seja o que tinha ocorrido entre os dois, agora acabara. A mão direita da Jane tremeu enquanto tentava inutilmente alcançar o cabo da faca.

“É inútil” pensou ela “Nunca vou conseguir sacar a faca, e mesmo se conseguisse, eu duvido que eu tenha coragem ou poder para matá-lo...”.

Ele se aproximou da Jane, com seus olhos brancos se encontrando contra o negro dos olhos da Jane.

Branco contra negro. Quartzo contra ônix. Luz contra trevas. Essa era a batalha entre os olhos daqueles dois, que ofereciam um contraste contra as próprias peles.

— Herobrine... – murmurou a Jane, com a voz fraca de cansaço. Ela tentou se levantar tropegamente, apenas para cair de volta ao solo, tremendo.

O Herobrine se aproximou dela lentamente, silencioso, com passos lentos e calculados, como se esperasse uma armadilha. Sua voz profunda e dupla, como se duas pessoas masculinas falassem ao mesmo tempo, ecoou:

— Não tente se levantar, está fraca demais sequer para fazer isso.

A Jane o encarou furiosamente, enquanto tentava se levantar.

— Fraca demais para sequer fazer isso? – sibilou ela. – Pode até ser, mas nem chegue perto, ou eu te mato.

O Herobrine, sem se intimidar, aproximou-se, com o rosto sério. Aquele rosto normalmente tinha um sorriso sádico, mas, agora seu sorriso estava apagado, como se nunca tivesse existido.

— Você sabe que não posso morrer. – ele disse, em voz baixa. – Você sabe o quanto sofro por causa disso.

— Sofrer? – falou a Jane, tremendo de raiva, medo, fraqueza, apontando o dedo indicador para o Herobrine. – Você sofreu muito, isso é verdade... Mas isso é motivo para levar o sofrimento á outras pessoas? Pois foi a única coisa que fez desde que chegou aqui. E sua imortalidade apenas faz com que esse sofrimento que a mansão sofre seja eterno.

Dor. A expressão de dor apareceu no rosto do Herobrine, como se as palavras dela o cortassem. Porém, a expressão de dor foi logo substituída por fria determinação, e foi com a qual quando ele falou:

— Jane, você vai vir comigo.

A Jane estreitou os olhos.

— O quê? Você me quer como refém?

O Herobrine balançou a cabeça em negativa, e ele falou:

— Não. Mas você VAI vir comigo. E não aceito uma recusa. – ele cruzou os braços, os olhos cintilando.

— E se eu não for? – perguntou a Jane, cheia de veneno na voz. – E se eu te matar, ou... Matar-me?

Ao falar isso, ela sacou a faca. Já tinha estabilizado sua respiração, e ela colocou a própria faca na garganta, o olhando desafiadoramente.

O Herobrine resmungou:

— Largue isso, antes que eu perca a paciência.

— Senão? – perguntou a Jane, com uma lágrima escorrendo do rosto. Ela tinha coragem o suficiente para se matar, mas queria voltar á ver o Jack, a Sally, o Slender... Seus amigos, para falar a verdade. Ela não queria morrer.

— Não existe senão. – disse o Herobrine. – Você não vai morrer, e pronto.

No momento seguinte, ele se desfez em uma luz branca brilhante. A Jane ficou temporariamente cega, e então sentiu vagamente um aperto em seu pulso, e lentamente, a sua visão voltou de foco, e ela engasgou-se.

O rosto do Herobrine estava muito próximo do rosto dela, tanto que ela sentia sua respiração ritmada. Ele lhe segurava e torcia o pulso com muita força, forçando-a á largar a faca. Ela lutou para não largá-la, mas, no final, a faca caiu no chão com um barulho de metal batendo em pedra.

O silêncio reinou, no qual a Jane encarou o Herobrine furiosamente, porém, também com medo, e o Herobrine a encarava de volta com intensidade, insistência e algo á mais... Súplica, talvez?

— Por favor, Jane. – pediu o Herobrine, com os olhos normalmente poderosos, agora suplicantes. – Tente entender, você TEM que vir comigo.

— PARA QUÊ VOCÊ VEIO ATRÁS DE MIM?! – ela gritou, sem aguentar mais toda a tensão emocional. As lágrimas agora escorriam livremente pelo seu rosto, enquanto gritava: — VOCÊ É UM MONSTRO! MATOU OU NOCAUTEOU TODOS DAQUI, SÓ PARA ME TER! QUAL É O MOTIVO DISTO TUDO?! MATE-ME LOGO, E ACABE LOGO COM ISSO.

O Herobrine parecia estar passando por uma dura decisão, pois mordia seu lábio inferior, sem ter ideia do que falar. Seu ego também estava sofrendo, em uma situação normal, jamais admitiria uma coisa dessas.

— O motivo... – ele parecia estar tendo dificuldades para falar. Por fim, ele pensou:

“Ah, foda-se meu ego”.

— É porque eu te amo, Jane. – falou, lutando para não deixar nada aflorar em seu rosto. Porém, diminuas lágrimas se formaram nos cantos dos seus olhos, enquanto um ligeiro rubor cobria-lhe as faces. – E não quero que você morra.

Aquilo a pegara de surpresa. O choque fora imenso. Se o Jeff gritasse que era um pacifista, se a Sally namorasse o Jeff, se o Zalgo recebesse uma surra de um humano, nada disso teria a chocado mais do que isso. O Herobrine, Lorde dos Mortos, psicopata assíduo, o ser que mais odiava a humanidade no mundo, admitindo qualquer coisa, quanto mais amor, á ela?! Jane Arkensaw, vulgo Jane the Killer?

— O quê? – ela perguntou, aturdida.

— Você já me ouviu. Não me faça repetir! – resmungou o Herobrine, corando, embora estalasse os lábios, com impaciência. – Vamos simplificar as razões: Se você ficasse aqui, um dia, você iria se desentender com alguma outra Creepypasta, ou seria mandada para uma missão perigosa demais. Então você morreria, e fim da história. Eu... Eu não suportei a ideia. Resolvi te levar daqui.

Ele parou para inspirar profundamente. A Jane arregalou os olhos, surpresa.

— Esses idiotas da mansão... – continuou ele. – Eles tentariam me parar. Não me entendem, ou simplesmente te acham valiosa demais. Tive de derrubar todos em meu caminho. E, pelo seu bem, tenho que te levar daqui.

A Jane começou á recuperar a sua desconfiança e raiva, e ela perguntou numa voz instável de tanta raiva:

- Meu bem? Então, pelo meu bem, matou os meus amigos, derrubou toda a mansão, fez isso tudo, só para no final ganhar um “não” meu?! Não podia tentar outro método?!

O Herobrine balançou a cabeça em negativa, como se já esperasse uma pergunta dessa da parte dela.

- Não matei nenhum amigo seu, matei apenas os seus inimigos. A única coisa que fiz com seus amigos foi nocauteá-los, bem, exceto o Slender, mas ele não conta porque eu o odeio. Quis garantir que, se de um jeito ou de outro, não conseguisse te levar daqui, quero pelo menos, te deixar segura. E se eu tentasse outro método, demoraria muito tempo, e ainda tem o fato que sempre fui odiado nessa mansão, nunca fui aceito. Se soubessem de que você estava envolvida comigo, você seria punida. Não quero que nada de mal aconteça á você, Jane.

Ele aliviou o aperto no pulso dela, e então ele acariciou seu rosto. Um ligeiro rubor encobriu a face da Jane e ela murmurou, sentindo o coração amolecer com aquele simples gesto. Ele parecia ser um anjo, ao mesmo tempo, um demônio. Ele era um anjo caído. Um anjo demoníaco, amargo de sofrimento, desesperado por algum amor. Por qualquer reconhecimento. Ela murmurou, tocada:

- Herobrine...

O rosto do Lorde dos Mortos se aproximou do dela, e seus lábios se tocaram levemente, e tal gesto logo se desenvolveu á um beijo, no qual ambos renderam seus sentimentos. O Herobrine não pedia passagem para a sua boca: Ele demandava. A Jane notou que o sabor dele era salgado de suas lágrimas, e quente, combinando perfeitamente com parte da personalidade do Herobrine.

Permaneceram assim por um bom tempo, até que se afastaram lentamente, com ambos tentando recuperar o ar.

- Por favor, Jane. – suplicou o Herobrine, em voz baixa, com seus olhos úmidos por lágrimas.

Ela sentia vontade de aceitar, mas, olhando ao redor, viu o que acontecera. Ela percebeu que, se fugisse, jamais poderia voltar á ver seus amigos. Jamais poderia voltar á ver ninguém de lá.

- Herobrine... – ela sussurrou. – Me perdoe, mas... Não posso. Não posso, mesmo se eu quisesse.

O Herobrine fechou os olhos, tentando conter as lágrimas que ameaçavam sair de seus olhos. Porém, uma delas escapou-lhe dos olhos e deixou uma trilha atrás de si, enquanto deslizava por sua bochecha.

A própria Jane agora tinha lágrimas nos olhos. Ela limpou delicadamente a lágrima do rosto do Herobrine, o olhando com um misto de pena, amor e dúvida.

- Mas... Poderemos nos encontrar, Hero. Poderemos manter isso em segredo... – sussurrou a Jane, com uma vaga esperança.

- Jane... – ele sussurrou.

Ela ficou esperançosa, esperando que aceitasse a oferta,

- Feche os olhos. – ele pediu, com uma voz calma, baixa, sedutora.

Ela ficou desconfiada por um momento, mas decidiu que ela devia confiar nele. Seus olhos se fecharam, porém, por vários segundos, nada aconteceu. Ela então percebeu um clarão, e lentamente abriu os olhos, e viu que o Herobrine tinha desaparecido. Tinha desaparecido para sempre, para nunca mais voltar.

Ela caiu de joelhos, tentando controlar as lágrimas que se acumularam em seus olhos, mas não conseguiu. Elas saíram em um fluxo contínuo, enquanto ela soluçava, num choro de infinita tristeza. Ela já tivera seu coração partido pela segunda vez, e desta vez, estava irremediavelmente destroçado.

Seus soluços deram lugar á um choro sofrido, tanto que ela se engasgava com as próprias lágrimas. Ela sabia que jamais voltaria á ver o Herobrine. Sabia que ele jamais tentaria de novo. Ele tinha certeza que era essa à opção que a Jane escolhera, do fundo da alma. Ela sabia que, no caso de ambos se encontrasse em segredo, não demoraria muito que alguém os descobrisse.

Ela se lembrou daqueles olhos pálidos, aqueles olhos que brilhavam com a intensidade do sol. Ela se lembrou daqueles olhos dos quais tanto odiava...

... E de que tanto amava.

Notas finais
Esta foi uma história bem triste (Minha prima ficou meio emocionada quando leu isso e disse que fiquei igual John Green... Eu acho que foi exagero e-e)... Espero que tenham gostado (ou não, afinal, são poucos que realmente gostam de histórias tristes. Tipo eu. Dependendo eu rio das histórias. Sou muito psicótico :3)
Vejo vocês na próxima história!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!