Esse Nosso Jeito - Perina
21 Capítulo Vinte e Um
Notas iniciais
"Eu conto as horas pra poder te ver, mas o relógio está de mal comigo."
Claudinho e Bochecha
Passei o resto da tarde em casa, quando já estava quase escurecendo resolvi ir embora. Me despedi da minha mãe, e quando passei pelo restaurante vi meu pai surtando com o Lincoln. É incrível que tenha passado tento tempo e algumas coisas não mudaram, meu pai realmente ficou com a Roberta e ela até queria que ele comandasse o Aquazen com ela, mas meu pai ama e sempre amou esse restaurante, só que minha mãe também adorava, então ela comprou a metade e eles viraram sócios. E eu fico muito feliz ao ver que apesar de divorciados eles se deem bem, é claro que não são melhores amigos, mas se respeitam e sabem trabalhar muito bem juntos.
– E ai filhão? — meu pai pergunta ao me ver.
– Hey pai.
– Por que essa cara?
– A mãe resolveu me dá algumas lições de como tratar uma mulher. E não foi legal. — resmungo.
– Por que ela faria isso? — ele pergunta curioso.
– Por causa da Karina, ela e Tomtom estão em missão "Juntar Perina".
– Você sabe que não precisa de muito esforço pra isso, né? Vocês são como Peter Paker e Mary Jane, estão destinados.
– Até você seu Marcelo. — eu reclamo, e me viro pra sair. Paro ao ver Karina no porta da sua casa, ou melhor, na porta da casa do seu pai. E então tudo acontece tão rápido, no próximo segundo, vejo Karina saltando em frente ao carro para tirar Lucas do caminho e sendo atingida pelo carro, que freou um pouco só que ela foi acertada do mesmo modo. Jogo minha pasta no chão e corro em direção a ela.
– Ai meu Deus, ela ta morta? — Lucas pergunta já chorando.
– Não, calma meu filho. — Dandara tenta acalmar o menino.
Eu os ignoro e vou para o chão e vejo se ela ainda tem pulsação, e respiro aliviado quando sinto que sim.
– Pedro vamos levá-la para o hospital agora. — Bianca grita pra mim, e quando estou preparado para pegar ela no colo, ouvimos um grito.
– O moleque você está doido? — viro pra trás e não reconheço o cara. — Já liguei para ambulância, não se pode mexer em alguém que foi atropelado pode piorar a situação.
– Quem é você? — pergunto rudemente.
– O cara que viu uma doida se jogar em frente seu carro. — o homem responde com sarcasmo.
– Ela salvou o irmão. — Camila fala. E então escutamos um frada forte, e vemos Jade correndo desesperada.
– O que ta acontecendo? — ela pergunta e então ver a K caída no chão. — Ai meu Deus, o que aconteceu?
Camila a puxa e explica pra ela, escutamos a ambulância vindo e o choro do Lucas é mais forte.
– Eu matei a K. — ela continua sussurrando e soluçando.
Enquanto os paramédicos começam a imobilizar a Karina, e o motorista conversa com eles, eu puxo o Lucas para meu colo.
– Ei amigão? Não foi sua culpa, ta bom? A Karina está bem, não vai acontecer nada com ela. Foi só um dodói.
– Verdade? Promete? — ele pede fazendo beicinho. Era a primeira vez que eu o via agindo como uma criança, ele sempre foi tão esperto e ativo. Era estranho o ver chorando, ele agarra meu pescoço e pede. — Posso ir com vocês?
– Lucas acho melhor não. — Dandara que estava ao lado explicou. — A Karina irá ficar bem, mas você precisa ir pra casa e seu pai ainda não chegou.
– Vamos fazer o seguinte, eu vou com a Karina e você fica com sua mãe. Fechou? — eu pergunto, e Lucas concorda com a cabeça e desce do meu colo.
– Obrigado Pedro, mas acho que não precisa. — Camila diz.
– Precisa sim, Pedro vai na ambulância com ela e você e Jade vão de carro. — Bianca fala preocupada.
– Eu to com meu carro aqui, quer ir você na ambulância Bianca? — pergunto, apesar de querer muito ir com Karina.
– Me dê sua chave que eu levo seu carro, você é o melhor para ir com ela.
Não respondo e vou para a parte de trás do carro, Karina está numa maca e cheia daquelas coisas no pescoço e no rosto.
A médica já veio avisar que estava tudo bem com a Karina, ela só quebrou o braço e estava bem. Gael foi o primeiro que vi chegar depois daquela confusão, ele apareceu antes de Camila, Jade e Bianca.
– Minha filhinha, cadê ela? O que aconteceu? — ele perguntou todo nervoso.
Fiz ele se sentar e expliquei tudo que tinha acontecido, ele disse que nem foi em casa veio direto para o hospital assim que Dandara ligou pra ele. Depois as meninas chegaram e todos ficamos ali. A enfermeira apareceu e disse que Karina ainda não estava acordada, mas não tinha nenhum risco de nada. Eu não sai dali nenhum momento, até que Gael me passou o telefone falando que era o Lucas e que ele queria falar comigo.
– Ela morreu? — ele perguntou assim que disse "alô. — Mamãe disse que não, mas acho que ela não quer que eu chore.
– A Karina está bem Lucas, a médica já veio aqui e falou que está tudo bem. Fique tranquilo garoto.
– Então eu posso ir pra ai? — ele pediu.
– Quer saber, acho bom você vir pra cá mesmo. Preciso de um homem aqui do meu lado. Sabia que eu tenho medo de hospitais? — eu digo e ele agradece, e eu peço que ele passe pra Dandara. Ela fica meio relutante, mas acaba concordando em vir com o menino.
Assim que eles chegam com o João também, já são quase dez horas, Lucas dá um beijo no pai e vem pra perto de mim. Não entendo o motivo dele gostar de mim, mas o adoro desde pequeno.
Ficamos ali um bom tempo, até que uma enfermeira vem avisar que ela acordou. Deixaram apenas a família entrar, e apesar do Lucas querer me puxar pra ir junto, eu relaxei e falei pra ele ir. De fora ficou Jade, Camila, Cobra, Henrique e eu, mas quando Gael, Bianca, Dandara, João e Lucas saíram, nos pediu para entrar.
– Vocês podem entrar agora. — Gael fala. E quando estou me levantando, João coloca a mão no meu ombro.
– É, huum, Pedro. A Karina não quer que você entre. — ele fala me olhando com pesar.
– Oh! ... Okay. — eu digo calmamente, mas por dentro machuca. Será que ela me odeia tanto assim? — Então acho melhor eu ir embora.
– Hey não foi isso que eu quis dizer. — João rapidamente diz.
– Eu sei, mas acho melhor eu ir mesmo assim. — eu digo, e pego minhas chaves com Bianca. Me despeço de todos, e Lucas vem me abraçar.
– Amigão toma conta da sua irmã em. — eu digo, e ele me dá um soquinho no braço.
– Eu sempre tomo. — ele responde.
– Isso aí, em. — falo rindo, e saio pra rua.
Chego em casa, tomo um banho e me lamento por ter estragado tudo com Karina. Parece que não terá nenhuma chance de eu reconquistar ela. Vou pra cama, e durmo pensando o quanto sou idiota por querer tentar.
Quando estava saindo de casa, vejo Karina saindo do elevador com Jade, Cobra e Camila. Me aproximo e quando eu vou perguntar se ela está bem, ela passa por mim e nem me olha.
– Hey Karina? — eu fico chocado.
– Não quero falar com ele agora. — ela diz e vai andando pelo corredor.
– Porra, só queria saber se ela estava bem. — eu digo para Cobra que foi o único que ficou comigo em frente ao elevador.
– Se vale alguma coisa, a Karina está estranha com todos. — ele fala, colocando a mão no meu ombro. — Ela não quer falar com ninguém.
– Você quer saber? Cansei. — e digo tirando sua mão do meu ombro. — Se ela quer ficar com raiva de mim que fique, estou indo trabalhar.
Por sorte o elevador abriu na mesma hora, entrei e foquei em ir trabalhar e passar um tempo com Karina fora da minha cabeça.
Chego na Ribalta e vou direto para a sala que dou aula, assim não dou de cara com Ricardo e eu não aguento mais ele.
Os alunos chegam e eu começo a aula, e acabo me esquecendo todos meus problemas, só que nada dura para sempre.
Quando estou quase entrando na sala, escuto Ricardo no celular e eu poderia ignorar se ele não tivesse dito o nome da Karina.
– Sim, aquela Karina, a gostosinha lutadora, quer dizer, a que era lutadora. — ele diz, rindo. — É claro que eu comi, você acha que eu iria deixar escapar aquela mulher? Bruno, você sabe que não dou mole em serviço. E o melhor, ela gosta do bruto. É uma safada mesmo.
– Que porra é essa que você está falando? — eu entro gritando, ele para de falar e me olha.
– Bruno vou desligar por que tem um idiota aqui. — ele diz calmamente, e coloca o celular no bolso. — O que está falando famosinho?
– Eu acabei de escutar muito bem o que disse Ricardo. Você é um doente, por que estava falando da Karina desse modo? — digo tentando respirar.
– Eu estava contando ao meu amigo, o quão boa a Karina é na cama. Você não fala sobre suas experiências com amigos? — ele pergunta na maior cara de pau.
– Nunca se fala de uma mulher assim, ainda mais a Karina. E ela achando você o maior bom moço. — eu digo.
– Pedro você não tem que se meter onde não é chamado, a Karina trepa com quem quiser. E ela gostou bastante de como eu faço. — foi o meu limite, na mesma hora eu avanço nele, e lhe dou um soco. Logo, ele se recupera e me dá um também, eu o agarro pelo pescoço e tento lhe bater, consigo lhe dá alguns socos e chutes, mas ele também sabe bater.
– O que está acontecendo aqui? — Dandara entra na sala horrorizada. — Vocês. Se. Separem. Agora.
Lentamente, eu saio de cima do Ricardo e encaro Dandara que está com cara que irá nos matar.
– Qual seria o motivo de vocês estarem agindo como animais, posso saber? — ela pergunta com as mãos na cintura.
– A culpa é desse imbecil. Ele estava falando coisas da Karina. Não me aguentei me desculpe. — eu explico, enquanto Ricardo continua com a cabeça baixa.
– Me desculpe Dandara. Só me defendi, o Pedro veio pra cima de mim, querendo saber o que eu tinha com a Karina. E quando o respondi que estava louco por ela, ele veio pra cima. — ele fala com a cara mais lavada do mundo.
– Para de mentir. — eu grito, e me aproximo de novo. Mas Dandara entra no meio.
– Pedro pare com esse ciúmes idiota. Você e Karina não tem mais nada. Eu sempre estive do seu lado, mas bater em alguém por ciúmes é demais. — ela fala, e eu a olho surpreso. — Acho melhor você não ficar na parte da tarde, eu levo o seu pessoal pra minha aula. Vá embora, e volte amanhã mais calmo.
– Sério? Você irá acreditar nesse cara, ao invés de mim? — pergunto surpreso.
– Sim Pedro, irei. Não é a primeira vez que o vejo discutindo com Ricardo. E como sei que Karina é amiga dele, não tenho motivo de desconfiar.
– Está ótimo, vocês deveriam deixar ele dá aula no meu lugar também. — eu respondo, pegando minhas coisas e saindo sem escutar o Dandara fala pra mim.
Esse cara é um imbecil, o maior que eu já conheci. Será que ele e Karina transaram? Na balada eles pareciam se conhecer a algum tempo, e ela estava flertando com ele aquele dia também. Droga, será que irei ter que ver a Karina com esse babaca.
Vou direto pra minha casa, não quero passar em nenhum lugar, só quero ir pra minha casa pegar meu violão e pensar na vida. E assim que coloco o pé dentro de casa, e me jogo no sofá, alguém bate na porta. E me surpreendo com Karina me empurrando e gritando.
– Você bateu no Ricardo?
– Olha não estou afim de sermão. — eu digo passando por ela e indo pra cozinha.
– Eu não estou acreditando. Pedro o que deu na sua cabeça? Você nunca foi de avançar em ninguém. — ela fala, e eu abro a geladeira atrás de uma cerveja.
– O que deu na minha cabeça? Você que deu Karina. Esse é o problema. — eu grito pra ela, e dou um gole na garrafa.
– Olha isso não importa agora. — ela diz, se acalmando também.
– Desculpe por gritar com você, eu só odeio aquele cara. Ele consegue me irritar, e ainda fica falando das coisas que vocês fazem ou fizeram. — eu digo, e ela me olha estranho.
– Coisas? Que coisas?
– Nada, melhor não falar isso com você. Só iria piorar. — eu digo, sabendo que ouvir ela falando do Ricardo, iria me matar lentamente. — Você veio só gritar comigo e defender seu namorado?
– Primeiro, ele não é meu namorado. E eu vim pedir desculpas. — ela fala e eu me surpreendo.
– Desculpas?
– Sim. Olha Pedro, eu queria me desculpar por não ter deixado você entrar no quarto lá no hospital e por te ignorar essa manhã, mas você tem que saber o porquê. — ela diz e eu fico surpreso, e curioso. Ela dá uma longa respirada, e me encara. — Estou esperando um filho seu.
Eu fico tão chocado que acabo rindo, sério isso? Ela disse filho? Puta que pariu!
– Está tudo bem. Sério. Por que vou fazer isso sozinha. E eu não espero nada de você. — ela diz e então me dá as costas e bate a porta ao mesmo tempo que eu percebo o que ela disse, e deixo minha garrafa cair no chão.
Espere! Ela disse: filho? Grávida? Porra, porra, porra. Eu ri, eu apenas ri. Ela vai me matar. Ela já me odeia. Agora então. Merda.
– Karina, espere. — eu saio do meu pequeno lapso, e saio atrás dela.
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