Esse Nosso Jeito - Perina
16 Capítulo Dezesseis
Notas iniciais
"Olha só pra mim, chorando por uma pessoa que nem se importa comigo."
Cinquenta Tons de Cinza
Eu sou uma idiota. Imbecil. Babaca. Se eu for nomear todas as coisas que sou quando me envolvo com ele, ficarei a vida inteira aqui. Entro no apartamento, as lágrimas escorrem pelo meu rosto e eu me sento no sofá. Estava tudo muito bom para ser verdade, ele estava como o moleque que conheci e me apaixonei, atencioso e romântico e claro, com um pouco de sensualidade que antigamente ele não tinha. Eu sei que preciso conversar com alguém, foi algo que aprendi durante esses tempo, ás vezes uma simples conversa é tudo que precisamos. Bianca não dá por que ela me aconselhou a ir até ele, Jade e Camila estão muito longe, João é o melhor amigo dele. Então pego meu celular e ligo para uma pessoa que sempre me ajudou, mesmo quando não estávamos conversando.
– Alô. Karina? — Cobra atende a chamada, e logo diz meu nome.
– Posso ir na sua casa? — eu pergunto, soluçando.
– Você está chorando? Por que?
– Preciso conversar, ou lutar. Posso ir ai? — pergunto novamente, ouço-o falando com alguém e então ele suspira.
– Loirinha, você pode vim. Só não chore, okay? — ele pede, e então me manda o endereço. Me levanto e pego minha bolsa e desço de escada para não entrar no elevado e ter lembranças das mãos ou lábios do Pedro. Chego na garagem entro no meu carro, e vou para Niterói, onde meu melhor amigo que está sendo acusado de assassinato, está no momento.
•••
Bati na porta da casa do Cobra, ele mora num lugar mais isolado onde não tem vizinhança próxima. Tem alguns segurança em frente a casa e duas viaturas e vi alguns paparazzo ali também e sei que vai ter foto minha por ai.
– Quanto tempo loirinha. — Cobra diz ao abrir a porta e eu fico surpresa de como ele se parece.
– Você está horrível. — eu exclamo, e ele faz uma careta.
– Obrigado, mas você está com a cara toda amassada e com os olhos vermelhos. Não está melhor.
– Pelo menos eu não sou uma assassina. — eu brinco, mas ele ofega e eu fico vermelha. — Estou brincando com você Ricardo.
– Talvez você tenha razão, é o que todos acham. — ele fala e entra pra casa, eu o sigo e nos sentamos.
– Só para constar, eu acredito em você. — eu digo e me aproximo. — Você é um idiota, grosso, ridículo, brutamontes, se acha o melhor, e outras coisas a mais. Mais se tem algo que você não é, é um assassino.
– Não sei se agradeço ou se fico triste pelos "elogios" atribuídos a mim. — ele sorri dizendo.
– Você não vai querer agradecer, quando sua amiga egoísta aqui está aqui pra desabafar sobre um problema que estava no passado só que a idiota aqui resolver dá um "restart".
– Deixe eu adivinhar, Pedro Ramos? — ele fala. E eu assinto surpresa por ele saber. — Quer saber como sei? Simples, o João ainda é um fofoqueiro.
– Ele veio aqui?
– Não, eram para vir ontem. Só que rolou o jantar na sua casa, e ele me ligou dizendo que você e Pedro estavam se pegando no seu quarto. E eu fiquei horrorizado. — ele fala e eu sorrio.
– Falou o cara que foi pego pela mãe da namorada, pelado dentro do guarda roupa. — eu falo rindo.
– Pensei que a Lucrécia morreria naquele dia, Jade ficou traumatizada. — ele conta sorrindo, e então seu olhar fica triste. — Como ela está?
– Ótima, você sabe como ela é. — respondo sabendo que ele está falando da minha amiga. — Quando eu disse que ia voltar mais cedo para te
visitar, ela quase me bateu. Eu não sei por que vocês não estão juntos, vocês ainda se amam tanto.
– Uhum, ela me ama? Duvido. Ela estava namorando aquele alemão dançarino. — ele reclama, e eu dou uma gargalhada.
– Ele é gay, Cobra. — conto rindo horrores. — O cara pediu para Jade fingir ser sua namorada, por que a mídia estava caindo em cima dele.
– Não acredito nisso.
– Assim como você, Jade não ficou com ninguém nesses dois anos. — eu conto, sei que a Jade vai me matar, mas eles estavam juntos desde sempre.
– Vamos voltar ao assunto, o seu assunto. — ele pede.
– Okay, vou te dá um resumo. — eu digo. — Pedro apareceu lá em casa ontem no jantar, e começou a fazer gracinhas. Fui pro quarto ele foi atrás e veio com a proposta amigos com benefícios pra cima de mim.
– Porra, não acredito nisso. O Pedro é o melhor. — Cobra fala e eu o fuzilo com os olhos. Ele dá um meio sorriso. — Quer dizer, como ele pôde te propor algo assim? Uma mulher de família.
– Não precisa exagerar, Cobreola. — eu falo e rimos. — Continuando, a gente começou a se pegar e o Lucas apareceu, Pedro deu uma desculpa horrível e eu surtei é claro, e disse que não sem nem pensar e ele foi embora com uma ereção e bolado. Foi depois do meu pai quase me fazer surda, que Bianca veio falar comigo que isso poderia ser uma boa ideia. Eu nunca deveria ter escutado a Bianca, mas aprendi minha lição.
– E ai, o que aconteceu pra você precisar de um corpo amigo? — eu rio com a piadinha sem graça. Ele sempre disse que odiava ser ombro amigo.
– Eu fui atrás dele, e transamos, e eu juro foi fenomenal. Depois dele, eu só tinha ficado com três caras. E o Pedro superou todos, o que ele faz com a boca. Uau !
– Menos Karina, sem esses detalhes sórdidos. — ele reclama fazendo careta.
– Okay, então acabamos dormindo juntos, depois de. Você sabe. Acordei com o celular dele tocando ..
– Espera aí, o Pedro não ta namorando aquela modelo gostosa? — ele fala e eu o olho feio.
– Já estava chegando nessa parte, e essa garota nem é tão bonita assim.
– Não vou discutir por que prezo pela minha vida. — ele diz rindo de mim.
– Posso continuar? Okay, eu acordei com o celular dele tocando e vi que era a tal Vick fui até a cozinha e ele disse que era para ignorar e eu fiz, e ai rolou outra vez e quando estávamos deitados no sofá conversando sobre nossas vidas, a campainha toca e eis que surge a piranha da ex ou atual namorada dele. Foi ridículo e nojento. Pedro e ela tem uma relação de favores. Foi o que pareceu. Então eu fui pra casa e chorei até que te liguei e aqui estou eu ás duas da tarde lhe contando essa trágica história.
– O Pedro sempre foi idiota, e não sei o que aconteceu, mas acho que você ainda gosta dele. — ele fala.
– Eu sempre vou sentir algo por ele Cobra, assim como você pela Jade e a Camila pelo João. Nós vivemos algo intensamente, mas isso não quer dizer que precisamos ficar juntos agora que somos adultos. — eu concluo, mas então penso melhor. — Quer dizer, sobre você e a Jade, eu realmente acho que vocês merecem esse amor e ficar juntos.
– Já disse que não quero falar sobre ela. — ele reclama enquanto eu reviro os olhos.
– Pimenta nos olhos dos outros é refresco né?
– Você que veio falar do Pedro comigo, não o contrário. — ele rebate.
– Ta bom, agora você poderia me explicar como que você está sendo acusado da morte de uma garota? — pergunto, já que estou mega curiosa.
– Já almoçou? Vamos pra cozinha comer, e eu te conto. — ele diz se levantando e vamos para a sua cozinha, já tem uma mesa posta e eu me sento.
– Vamos lá Cobra, hora da verdade. — eu digo, e ele assente.
– Foi armação Karina. Você sabe que eu resolvi aposentar, sei que estou novo, mais tenho 30 anos e não quero mais lutar. E tenho dinheiro o suficiente para viver bem por décadas, mas como você sabe meu empresário não quer que eu pare, e descobri recentemente que ele é o maior bandido. — ele fala e eu fico surpresa. — Eu te juro que quando eu acertei tudo para ter apenas uma última luta de despedida, e fui ao escritório dele, ele me disse que acabaria com minha vida e não estava
querendo dizer que iria me matar, ele disse que ia acabar com minha reputação e que todos que me admiravam iriam me odiar. Eu ignorei e voltei para casa, e encontrei uma mulher morta na minha cama, no impulso fui tentar socorrer e nesse exato momento apareceu a policia tocando o terror aqui. Ninguém acredita em mim, o pilantra está fora do país e agora estou em prisão domiciliar por que meu advogado é realmente ótimo.
– Putz que loucura. — eu falo, e então pego a mão dele. — Está ruim, mas eu sei que vai melhorar. Cobra você conquistou tanto e eu sei que tudo vai dá certo. Você pode contar comigo sempre.
– Obrigado Loirinha. Você sempre foi e será minha melhor e única amiga. — ele fala e eu me levanto e abraço-o.
Passamos a tarde na sua casa, depois do papo pesado conseguimos nos divertir e conversar bobagens. Eu só sei que por algum tempo eu esqueci de todo problema chamado Pedro, e Cobra se esqueceu da merda que está acontecendo em sua vida.
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