Esse Nosso Jeito - Perina
23 Capítulo Vinte e Três
Notas iniciais
"Você sabe como me fazer feliz."
Peninha
Eu respiro e conto até cem milhares de vezes, quando Ricardo me vê se surpreende só que disfarça rapidamente.
– Boa tarde Pedro. — ele diz todo formal, enquanto eu quero arrancar a cabeça dele fora.
– Olá. O que está fazendo aqui? — pergunto.
– Vim visitar a Karina. — ela fala e passa por mim. — Fiquei sabendo que sofreu um acidente. Não foi nada de grave não ner?
– Não. Estou muito bem, apesar que quebrei o braço. — Karina responde sorrindo, e eu continuo parado na porta.
– Que bom que foi apenas o braço. Trouxe para você. — ele diz se sentando ao lado dela e lhe entregando o buquê.
– Obrigado. — ela disse rindo sem graça e me olhou. — Hum, Pedro acho que você pode ir.
– Não tenho tanta certeza. — eu digo, e ela me olha feio. — Okay, tenho que ver umas coisas mesmo.
Ricardo apenas fica olhando de mim para ela, eu vou até a Karina e lhe dou um beijo na testa.
– Qualquer coisa me avisa, qualquer coisa mesmo. — eu peço, e ignorando o ódio que eu sinto do cara que vai ficar sozinha com a K assim que sair, vou pro meu apartamento.
Eu nunca pensei que um dia iria está pensando em uma família, nunca achei que iria ser pai tão cedo também, sempre me vi sendo pai aos 30 anos. Ou mais. E aqui estou sendo pai de uma criança que quem irá gerar será minha namorada da adolescência e amor da minha vida. Quando falei que queria que ficássemos juntos, percebi que Karina também quer isso só apenas não irá admitir. Eu deveria saber que o que sentíamos e o que sentimos sempre será mais forte, e é tão forte que foi necessário um descuido(nem tanto assim) para que tivéssemos esse presente.
Quando é mais tarde João e Cobra aparecem aqui em casa com cervejas e pizza.
– E ai papai! — Cobra me abraça.
– O que estão fazendo aqui? — pergunto, já que João passou direto e colocou a caixa de pizza na mesa.
– Viemos fazer uma despedida de homem que não terá responsabilidade. — João fala, me dando uma garrafa de cerveja.
– Exatamente, Jade me contou e eu fiquei tão feliz por vocês e ao mesmo tempo triste por que vocês roubaram meu brilho. — Cobra fala se jogando no meu sofá.
– Como assim roubamos seu brilho? — pergunto curioso.
– Ele iria pedir a mão da Jade em casamento. — João explica trazendo pedaços de pizza na mão, me estico pra pegar, mas ele se desvia. — Vai pegar o seu, idiota.
– Você ia pedir a Jade em casamento? — perguntei espantado, indo na mesa e pegando um pedaço pra mim.
– Não faz essa cara. Já pensava nisso faz tempo, só que não sou esse tipo de cara, então enrolei o máximo que pude. Jade claramente é a mulher da minha vida, por que não oficializar?
– Enquanto Camila abriu espaço e então o fechou de uma forma que nunca vi. — João reclama.
– Como assim ela abriu espaço? — pergunto curioso e sem entender.
– Ah é, você foi embora cedo. Eu e Camila tivemos um ótimo replay, só que no dia seguinte, a procurei e sabe o que ela disse? Que foi por culpa da bebida, que não quer nada comigo.
– O que pra mim é compreensível. — Cobra diz simplesmente.
– Pra mim também. — eu digo, e João me joga um pedaço de pizza. — Estou sendo sincero. Você surtou quando resolveu ir embora e terminar com ela.
– Vocês acham que eu não me arrependo? — João nos pergunta. — Eu me arrependo todos dias, Camila foi algo tão novo e refrescante na minha vida. Eu sou louco por ela, e acho que sempre serei.
– Somos três idiotas né. — Cobra fala, e concordamos dando umas goladas na cerveja.
– A Karina não quer voltar comigo. — digo depois de um bom tempo de silêncio.
– Isso eu já achava obvio. Ela sabe que você só quer voltar por causa do bebê. — João diz.
– Lógico que não, eu já queria voltar com ela antes disso tudo.
– Só acho que não seja o momento de você querer ela agora, acho que deve mostrar que vai está do lado dela de qualquer maneira. — Cobra diz.
– Eu sei, é que errei tantas vezes. Quando se trata da Karina, eu sempre faço alguma burrada, e vivo metendo os pés pelas mãos.
– Isso é verdade. — João concorda.
– E ai está o problema, eu não posso errar de novo. Temos um bebê a caminho. — eu explico, e os olho. — Tenho que provar pra ela que é sério, que estou com ela de verdade.
– Eu acho que você deveria propor pra ela. — João diz, e Cobra e eu arregalamos os olhos.
– Sério isso? Esse é seu conselho, viciadinho? — Cobra pergunta.
– Primeiro de tudo, Pedro eu sei que você tem o anel que seu pai te deu que ele tinha dado pra Tia Delma. Segundo, qual a melhor forma de demostrar pra Karina que você está 100% nisso?
– Sim, tem várias maneiras. Como ele ir a consultas com ela, ajudar no que for preciso, e várias outras coisas. — Cobra rebate, mas estou pensando melhor no que João disse. Talvez seja mesmo essa solução.
– Mas sério? Tipo pedir que ela se case comigo? Será que? — pergunto.
– Claro que sim, você precisa mudar o jogo. Mostre a ela que é mais do que sério desta vez.
– É pode ser. — penso comigo.
– Você realmente quer seguir o conselho dado pelo João, que está solteiro e não consegue reconquistar a namoradinha do passado? — Cobra pergunta, mas ignoro minha cabeça está a mil. Tenho que me lembrar onde guardei a bendita caixinha.
Os caras foram embora bem tarde, ao invés de beber mais eu fui pro quarto e procurar nas minhas coisas o bendito anel que meu pai deixou comigo, alguns anos atrás. Quando minha mãe devolveu o anel, ele me disse que deveria ficar comigo para que eu desse a mulher que eu iria me casar. Acho que chegou a hora. Acho a bendita caixinha preta numa caixa onde guardei alguns objetos de antigamente, a abro e sorrio. Será que ela vai aceitar?
•
Depois de passar a noite, pensando e organizando todo o plano, pego meu celular e disco o número da Karina.
– Bom dia coisa linda.
– Pedro, são 7h da manhã. Você me acordou. — ela diz sonolenta.
– Sei lá, acordei animado. Um dia novo, vida nova. — digo todo animado. — Como se sente?
– Você me acordou, e ainda me pergunta como me sinto? — ela responde irônica.
– Sabe ontem foi complicado, falei um monte de besteiras, e ainda chegou o idiota. Então eu queria ter a chance da gente conversar.
– Okay. Vá em frente.
– Você está livre mais tarde? Se sim, podemos jantar aqui em casa?
– Você me acordou a essa hora pra me chamar pra jantar? Por que não mandou uma mensagem? — ela pergunta rindo.
– Não queria parecer impessoal. Então sim ou não? — pergunto já nervoso.
– Ta bom, eu aceito. Que horas na sua casa?
– Pode ser 20h?
– Pode Pedro, agora vou voltar a dormir. — ela desliga, e eu fico contente.
Só que a felicidade dura pouco, pois depois de arrumar todo meu apartamento e comprar coisas leves e sem álcool, e deixar tudo arrumado. Estava tirando a lasanha do forno quando o celular tocou.
– Hey Esquentadinha, já está vindo?
– Pedro, talvez precisamos ficar um tempo longe. Tipo bem longe. Por que eu acho que um de nós dois está animado demais, e isso pode ir mal para a nossa saúde mental, ou melhor, a minha. E isso pode estar assustando a outra pessoa.
– Onde você está? — pergunto já preocupado.
– Só não estou no Rio. — ela responde simplesmente.
– Você por acaso está em São Paulo?
– Não importa. Tchau. — ela então simplesmente desliga.
Que merda que está acontecendo com a minha vida?
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