Esse Nosso Jeito - Perina
4 Capítulo Quatro
Notas iniciais
“Não são as músicas que nos fazem chorar, são as lembranças que elas despertam.”
Artista desconhecido
Eu simplesmente adoro sábados, antigamente eu não gostava já que era dia que eu acordava muito cedo pra ir até o lugar aonde meu treinador acabava comigo. Já hoje em dia, eu adoro os sábados porque posso dormir até tarde e enrolar em casa um dia inteiro. Esse foi uns dos motivos de que eu coloquei a academia funcionando apenas de segunda a sexta.
– Bom dia lutadora. – Jade pula na minha cama, e eu acabo acordando.
– Eu não acredito que você está me acordando agora. – eu reclamo.
– Eu disse a ela, que você acorda quase de tarde aos sábados, mas ninguém pode parar a Gardel. – Camila entra no quarto, e se senta na cama.
– Eu quero saber o porquê você sumiu, e voltou super tarde. Sendo que disse que nos encontraria em casa. – Jade pergunta, e eu reviro os olhos. É logico que não contarei a elas, que as escutei falando sobre meus dois tabus, o acidente e Pedro Ramos, e fugi pra dentro do meu carro, por três horas.
– Acabei ficando na academia, pra ajeitar algumas coisas. – menti, já que tinha pedido pro Bernardo confirmar isso.
– Que falta de consideração isso, eu volto pra casa e você me dispensa.
– Para de drama, dançarina. – eu digo, e então me sento. – Se querem conversar, vamos conversar.
Ao invés de eu passar minha manhã de sábado dormindo, eu passei conversando com minhas duas melhores amigas. Jade contou sobre a viagem, Camila sobre a vida de empresária e eu sobre minha monótona vida. Fomos pra cozinha e Camila arrumou algo pra comermos, ou melhor, comemos pizza amanhecida, Jade fez um escândalo, mas no fim comeu do mesmo jeito. Escuto meu celular tocar lá no quarto, me levanto correndo e o pego debaixo do travesseiro.
– Alô? – eu atendo sem olhar.
– K, é a Bianca. Você tem que vir pra casa ainda hoje. – minha irmã diz meio chorosa.
– O que aconteceu, Bi? – eu pergunto, já achando que aconteceu algo ao Lucas, ou meu pai, Dandara, ou o João.
– A Bete morreu, K. Você tem noção que a mulher que cuidou da gente, faleceu? – ela diz agora chorando, e meus olhos se enchem d’água, ela continua a historia explicando e contando os detalhes, mas não presto atenção em nada. Caraca, a Bete morreu. A mulher que praticamente me criou. – Vai ter como você vir pra cá, a Sol está aqui em casa. O Rique foi ajudar o Wallace nas paradas, eu acho que você deveria vir.
– Claro que eu vou, só vou arrumar minhas coisas e ir. Vai ser que horas o enterro?
– Ainda não sabemos, o Wallace ainda ta no hospital vendo com o medico, sobre a pericia.
Ela continua contando, o que cada um está fazendo, e depois diz que até o Lucas está triste e se trancou no quarto, e Dandara não sabe o que fazer. Eu desligo, e logo arrumo uma bolsa e coloco meu vestido dentro, e separo uma roupa pra vestir.
– O que aconteceu Karina? – Camila pergunta quando apareço chorando na sala.
– A Bete morreu, a mãe da Sol. – eu explico, e lamento mais uma vez. – Estou indo pra casa do meu pai, e devo voltar só segunda.
Elas me abraçam, e perguntam se querem que vão comigo, mas sei que elas não querem realmente, já que Camila não gostaria de reencontrar o João, e Jade nunca teve muita amizade com a Sol. Eu as deixo lá, e entro no banho, e me arrumo e logo saio de casa. É triste que eu tenha que voltar pra casa, logo nessas condições.
•••
Quando cheguei em casa, já eram cinco da tarde, eu logo fui subindo, ainda tinha a chave, já que seu Gael disse que sempre seria meu lar. Assim que abro vejo Bianca e meu pai sentados no sofá.
– Hey consegui chegar. – eu digo, indo direto abraçar meu pai.
– K que bom que chegou, filha. – ele diz retribuindo o abraço. E logo Bianca me abraça também.
– Cadê a Dandara, o Lucas e a Sol? – eu pergunto, e me sento.
– Dandara está com a Sol, que acabou de acordar. Nós demos um calmante pra ela, já que estava muito nervosa e não faz bem para o bebê. – Bianca conta.
– Oh meu Deus, a Sol está gravida? – eu pergunto em choque, já que não sabia disso.
– Você não lê revistas, saiu em tudo que a vocalista da Fluz estava grávida. – Bianca se revolta.
– Eu não fico lendo revistas. – eu reclamo. – E cadê o Lucas?
– Ele ainda está no quarto, ele é ainda mais apegado a Bete do que você foi, quer dizer era. – meu pai diz triste. Eu me levanto e vou até o quarto do meu irmão, bato na porta e ninguém responde.
– Campeão? Sou eu, a K, abre a porta. – eu peço, e logo ouço um clique.
– Não sabia que você vinha. – ele diz, se deitando de novo.
– Claro que eu viria, esqueceu que a Bete é da família? – eu digo, e me sento com ele.
– Senti sua falta, K. – ele diz e pula no meu colo. – E agora vou sentir a falta da vó Bete.
– Eu sei, meu amor. Mas ela agora está num lugar melhor, lá no céu com os anjinhos. – eu explico. E ele me abraça chorando, e eu sorrio. Lucas foi meu amor à primeira vista, assim que ele nasceu, mudou minha vida, eu sou muito apegada a ele.
Ficamos no quarto, até que a Dandara vem nos chamar pra tomar banho e trocar de roupa, quando eram umas sete horas saímos de casa depois de o Wallace vir pegar a Sol. Chegamos ao cemitério, e vimos vários fotógrafos, passamos direto, e fomos pra uma salinha esperar já que Sol não podia ficar em pé. Depois de meia hora, eu fui ao banheiro e quando voltei vi um cara escondido batendo foto da sala onde estávamos, na hora fiquei com raiva.
Parei atrás dele, e peguei sua blusa e logo o puxei, e prendi seu braço e fui o empurrando pra fora, vejo gente chegando, mas nem presto muita atenção, só sei que empurro o cara pra fora, e olho feio para os outros. Eu sempre odiei isso, eu odeio que minha vida seja o motivo dessas pessoas ficarem em cima da gente. Eu sei que Sol sempre adorou a atenção, ela nunca negou, mas nesse momento era bom pra ela apenas os amigos, e pessoas que realmente se importam com ela, nãos uns caras que lucram com essas fotos.
– Vocês não respeitam ninguém, pelo amor, é um velório, parem com isso. Senão vou bater em todos vocês. – eu grito pra eles, e logo vários flashes são disparados, e eu sei que amanha ou até daqui a pouco estarei na internet como a louca que gritou e agrediu os “pobres e coitados” que estavam fazendo seu trabalho. Viro-me com raiva, já tentando me acalmar antes de voltar pra lá, quando paro em choque, pois dou de cara com o cara que eu não vejo a mais de quatro anos.
– Sempre esquentadinha. Tem coisas que nunca mudam, né Karina? – ele diz com seu sorriso, e eu ainda fico sem ar. Pedro está mais lindo do que nunca, ele agora tem esse porte de homem que me deixou mais em choque ainda. Quando eu digo, que eu não sabia nada dele era completamente verdade, eu ignorava tudo sobre ele, quando Bianca vinha falar comigo, ou Tomtom, eu não ouvia mais as suas músicas, eu não acompanhava sua vida em nada. Quando terminamos nos tratamos educadamente, mas algo se quebrou em mim.
– Quer dizer, claro que muitas coisas mudaram. – ele fala enquanto me olha dos pés a cabeça.
– Baby. – uma morena em um vestido justo, vem pelo corredor e pega a mão do Pedro. – Pedro, eu estava falando sozinha. Por que você ta aqui?
– Verdade, tem coisas que nunca mudam. – eu digo e passo direto por eles, é claro que ele estaria namorando, e curtindo sua vida de centro das atenções com uma modelo do lado.
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