Esse Nosso Jeito - Perina
19 Capítulo Dezenove
Notas iniciais
"Porque nada me faz mais feliz e nada me faz mais triste do que você ♥"
Artista Desconhecido
Eu a vi assim que ela entrou, Karina estava linda com aquele vestido vermelho e com um coque bagunçado. Ela estava tão linda!
– Porra, olha só a Camila! — João literalmente geme ao meu lado.
– Por que você não disse que as meninas iriam vir? — pergunto para o Cobra.
– Eu e Jade queríamos sair com vocês. Só que essa birra dos quatro, era impossível. — ele simplesmente responde e quando as meninas se aproximam da mesa. Karina não olha pra mim e Camila nem olha para o João. A situação seria cômica se não fosse drástica.
– Loirinha, como você está gata. — Cobra indo abraçar a Karina.
– Nem vem puxar meu saco, estou com raiva de você. — ela o responde.
– Okay, Camila você está muito linda também. — ele se vira para Camila e ela revira os olhos. — Já vi que estão boladas comigo, então só me resta pegar minha dama e ir dançar.
Eles vão para pista e fica nós quatros num silencio constrangedor. Elas estão em pé e João e eu sentados. Quando estava me preparando para puxar um assunto, vejo o babaca do Ricardo vindo na nossa direção.
– Não acredito que estou tendo que encontrar esse babaca aqui também. — na mesma hora reclamo, esse cara tem tirado minha paciência direto lá na Ribalta. Ele fica fazendo piadinhas e me irrita pra caramba.
– Relaxa Pedro, minha mãe já disse que você tem que se controlar. — João avisa. Eu e esse cara quase caímos na mão, mas Dandara me segurou.
– Oi Karina. — ele chega na mesa, e a K lhe dá um beijinho no rosto.
– Quer merda é essa aqui? — na mesma hora pergunto.
– Olá famosinho. — Ricardo fala com deboche. — Vocês são amigos?
– Sim! — eu falo ao mesmo tempo que Karina diz "Não".
– Da onde você tirou que somos amigos? — Karina me pergunta.
– Quem disse que não somos? — eu rebato.
– Não seja ridículo Pedro. — ela fala.
– Ei Ricardo, tudo bom? — Camila fala e lhe dá um abraço também.
– Hey Cami, to ótimo. Meio confuso, mas bem. — o babaca diz.
– E ai cara. — João cumprimenta, e eu o olho feio.
– Alguém me explica o que está acontecendo aqui? — pergunto, não aguentando mais.
– Não está acontecendo nada, Pedrinho. — Camila fala friamente. — Além da Jade não ter nos avisado que vocês estariam aqui, Karina está saindo com o Ricardo. Eles não são lindos juntos.
– Você e ele? — pergunto grosseiramente. Porra, eles estão juntos? Logo ele?
– Sim, Pedro. Eu e o Ricardo estamos juntos. E sua namorada como está? — Karina responde e alfineta, com raiva a respondo.
– Ela está ótima, vai pro EUA amanhã. — respondo, já cansado de todos me encherem por causa da Vicky. Então me levanto. — Com licença, irei beber até me afogar.
– Só não beba muito, famosinho. Amanhã temos aula especial na Ribalta, fica feio um professor chegar com ressaca. — Ricardo fala ironicamente.
Minha vontade é de dá na cara desse idiota, mas respiro e vou em direção ao bar.
– Um uísque puro por favor. — peço ao bartender.
– Cara, você tem que relaxar. — João diz ficando ao meu lado.
– Ele está saindo com o Ricardo? Que merda eu perdi. Okay que vi eles flertarem aquele dia na Ribalta. Só que.. Porra.
– Você não tem mais nada com a K. — João aponta.
– Obrigado meu grande amigo.
– Do que você ta reclamando? Olha a Camila, ela nem olha na minha cara.
E como dois babacas que somos ficamos encarando as meninas, Karina está conversando com Ricardo e Camila dançado com um cara. Enquanto o casal Cobrade está se comendo na pista de dança. Idiotas sortudos.
Assim que vejo o cara sair de perto da Karina, engulo todo meu uísque e vou em direção a ela.
– Sério que você está ficando com esse idiota?
– Não é da sua conta. — ela dá uma assustada ao me ver perto, mas responde secamente.
– Karina pelo amor de Deus, aquilo que aconteceu lá em casa foi um mal entendido. — eu digo, já não aguentando esconder isso.
– Pedro não me importa mais.
– Olha a Vicky vai embora, eu e ela não estamos mais juntos. Eu sei que foi uma enorme idiotice aceitar a proposta dela, mas você sabe que sou meio impulsivo também.
– Eu não quero saber sobre o que você fez ou deixou de fazer com a ridícula. — ela responde ainda com aquele olhar de desgosto.
– Por favor, só me desculpe. Pelo menos isso. — eu imploro. Quero ela de volta, só como amiga ou qualquer outra coisa. Só quero ela perto de mim de novo.
– Não tem motivo para te desculpar. Tivemos uma noite boa, e depois acabou. Eu já sabia que não ia dá certo esse negócio.
– Pra mim deu certo até demais. — eu sussurro e me aproximo dela. — Eu não consigo parar de pensar em você.
– Aqui está sua bebida, linda. — Ricardo chega me empurrando e entrando na minha frente.
– Obrigado. — ela responde pegando a bebida.
– Depois que bebermos, vamos dançar? — o idiota continua me ignorando, e pega na mão dela. — Ou você prefere outra coisa?
– Não, acho que dançar é uma ótima ideia. Inclusive vamos fazer isso agora.
Ela pega a mão dele e sai puxando ele pra pista, está tocando uma música agitada e vejo ele segurando a cintura dela e eles começam a dançar, por mais que eu queira parar de olhar não consigo. Chega numa parte da música que a Karina começa a sensualizar e a me encarar e de longe eu posso ver o quanto ela quer me provocar. E eu sei que o cara está adorando, pois está escancarado em seu rosto o quão bem a K está fazendo ele se sentir. Mas nada me preparou para o que vi a seguir, ela a virou rapidamente e eu senti um embrulho nojento no meu estomago quando o vi a beijar. Uma mão dele estava no cabelo e o braço em volta a cintura e eles estavam se beijando apaixonadamente. Eu vejo tudo vermelho na mesma hora, não me lembro que não temos mais nada, me esqueço que não tenho direito de sentir ciúmes e só quero partir para cima desse imbecil que vem me provocando a semanas e agora pega o que é meu. Avanço em direção a eles, mas sinto dois braços me segurar.
– Pode ir parando agora. — escuto a voz do Cobra.
– O que pensa que vai fazer? — Jade fala.
– Ele ta beijando ela. Porra, ele ta beijando a Karina. — eu fico repetindo.
– Sim, ele está. E você tem que aceitar, já que quem vacilou com ela foi você. — Jade fala e eu a olho com raiva.
– Quer saber, você está certa. — eu me solto dos braços do Cobra, e encaro os dois. — Eu não tenho nada com a Karina, ela que faça bom aproveito desse babaca.
Eles me olham surpresos, e eu vou em direção a saída da Boate. Maldita hora que aceitei sair com Cobra, pego um táxi e vou direto pra casa. Essa noite foi uma das mais fodidas.
•
Nem dormi direito essa noite, entre os sonhos que Ricardo e Karina protagonizavam uma cena de amor tórrida e sonhos de que eu batia com minha guitarra na cabeça do idiota, não consegui pregar os olhos. Levanto da cama e entro direto para o banho, assim que acabo escovo os dentes e procuro uma roupa para ir para Ribalta.
No caminho para o Catete, fico pensando que realmente estou gostando de trabalhar lá e é algo totalmente inovador para mim. Se sinto falta dos palcos? Sim, sinto muita falta. Só que ensinar essas pessoas que amam a música e tem o mesmo sonho que eu tive quando tinha a idade deles é refrescante para mim.
Tivemos um reunião da banda essa semana, e Sol disse que se quisermos poderiam arrumar uma vocalista substituta até a criança nascer e seus quatro meses passar. Eu fui o primeiro a não concordar, Sol é o rosto da Flux nunca gostei dessa parada de substituir vocalista. Então combinamos que só voltaríamos quando Sol estivesse disposta e como temos a gravadora preparando o DVD e CD da banda com alguma antecedência, podemos tirar esse tempo.
Assim que chego na Ribalta dou de cara com Ricardo entrando também, fico na minha e vou subindo direto sem olhar para o lado.
– E ai famosinho? Como foi a noite? — ele pergunta ao subir ao meu lado.
Ignoro-o e vou direto para sala dos professores, me sento e pego alguns papeis que tinha que resolver hoje depois que saísse daqui. Estou procurando algum lugar para fazer uma doação para alguma ONG ou orfanato coisas assim. Todo ano eu pego parte do meu dinheiro e o doo para alguma instituição, comecei a fazer isso depois que a Banda fez um show num lugar muito precário que fomos.
– Posso te perguntar uma coisa? — Ricardo volta a encher. — Karina me contou ontem que vocês namoraram. Então queria umas dicas e tal.
– Você só pode está de gracinha com a minha cara né? — pergunto rosnando.
– Não entendo o por que está assim? É que ontem a gente se beijou e tal, e eu realmente gosto dela sabe. — ele continua falando, e descreve cada momento da noite deles. E eu fico escutando quieto, primeiro porque tento me acalmar e segundo por que não consigo reagir.
– Bom dia! — Bianca chega na sala toda sorridente. — Pedro que bom que te encontrei aqui.
– Oi? — eu pergunto percebendo que ela está falando comigo.
– A Karina finalmente aceitou ser minha dama de honra, e quero que vocês entrem juntos. — Bianca pede.
– Ela aceitou que será eu? — pergunto surpreso.
– Não contei pra ela ainda vou contar essa tarde. Ela e as meninas vão vir pra cá.
– Bianca não querendo me meter, mas Karina não vai querer entrar com o Pedro. — Ricardo se mete.
– Por que? Os dois se conhecem desde sempre. — ela fala. — Ah! Ricardo eu sei que você e a K estão saindo e tal, mas Henrique tem mais papo com o Pedro. Seria estranho você ser padrinho dele se nem conversam direito.
– Bianca, eu to indo dá aula. — eu digo, não querendo ver Ricardo ressaltar seu lindo relacionamento com a minha esquentadinha.
– Mas você não responder. — Bianca lamenta.
– Faz o seguinte, se a K quiser que eu entre com ela. Eu aceito. — eu digo e vou direto para a sala. Momentos depois, os alunos chegam e temos uma ótima aula.
Quando acabou a aula, recebi uma mensagem da minha mãe me chamando para ir lá para casa. Arrumei minhas coisas, e como hoje não teria aula de tarde, aproveito pra filar a boia na casa da minha mãe.
– Manhê, cheguei. — digo assim que abro a porta.
– Não entendo o motivo de você ainda ter a chave? — Tomtom fala, ela já está com uniforme para a escola.
– Cala a boca pirralha. — eu reclamo.
– Vocês dois não mudam mesmo. — minha mãe diz e vem me abraçar. — Você sumiu daqui, por que?
– Por nada, fiquei ocupado mesmo. — explico e me sento a mesa.
– Fiz aquele fricassê que você adora. — ela fala indo pegar o prato na cozinha.
– Se prepara que ela quer falar sobre a Vicky, to te avisando por que sou uma boa irmã. — Tomtom cochicha pra mim, e pega sua mochila. — Tchau família, beijos e fui.
– Então meu filho, eu vi na revista que sua namorada foi pro EUA, e você nem me contou. — ela fala colocando o prato com aquele cheiro maravilhoso na minha frente.
– É mãe, ela foi embora e é ex namorada. — eu explico, e como um pouco. — Porra mãe isso ta ótimo.
– Para de xingar menino. — ela briga comigo.
– Desculpa.
– Então sua irmã me contou que você e a Karina ..
– Nossa Antônia sempre abrindo a boca. — eu bufo na mesma hora.
– Eu queria chamar ela pra jantar aqui, como sabe é meu aniversário semana que vem e ...
– Espera um pouco. Pra que você quer chamar ela? Eu sei que você sempre gostou dela e tal, mas isso está .. — eu paro no meio da frase quando vejo a cara de culpa da minha mãe. — Espere, já sei o que está acontecendo.
– Aãn? O que filho? — minha mãe tenta disfarçar.
– Não acredito que você dona Delma se juntou com Tomtom para me juntar com a Karina de novo. — eu digo, conheço minha irmã e conheço minha mãe.
– Quer saber? Foi isso mesmo. Dessa vez eu concordo com sua irmã, vocês se adoram e deveriam ficar juntos.
– O único problema mãe é que a K está saindo com um cara e parece feliz com ele. — eu digo lamentando.
– E desde quando isso impede você a ir atrás da garota que você gosta. Você já lutou uma vez para mostrar pra ela que vocês eram ótimos juntos, tenta mais uma vez. — ela diz e me deixa comendo e pensando na minha vida. Vou ou não vou atrás da Karina?
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