Essa solidão de todo dia

1 Cap. Poético -- a última coisa que faço por você


Silenciosamente penso

"não usarei palavras de glória

para descrever a mim própria"

pois não seria consenso.

Ora, como não martirizar minhas ideias?

Como não embelezar meu silêncio?

Como não romantizar minhas manias de erros?

Passei tanto tempo

achando que não estava só

mas a companhia se foi

e percebi o vazio da voz

Mesmo aqueles que já amei

hoje já não ligam mais

aqueles com os quais me preocupei

hoje, já nem ligo mais

E a roda da vida gira,

a tapeçaria continua

minha alma chora e

é redescoberta de novo

Agora vai ser a última vez

a última coisa que faço por você.

A paixão já tinha se desgastado

mas agora prefiro a solidão

Eu já me cansei da tua linguagem

Me cansei desse teu deboche com todos

cobrando soluções, fazendo nada

Pare de passar vergonha!

É o último que preciso esquecer.

A última paixão que rasteja no meu coração

Destrua-se! Não me aguento mais

pensando brevemente sobre tua situação.

Deus o tenha, Deus lhe pague

E eu preferia que tu desaparecesse

mas na vida nada é como se deseja,

então continue a me esquecer.

Me esqueça, desapareça

como todos os outros fizeram

Você só se liga a mim

por um mísero gosto em comum

Há tempos você não escreve,

nem se porta como amigo comum

Então deixe de fingir que a amizade existe

e suma, perca o celular, suma da vista!

Amizade desgastada,

que um dia brilhava como a alvorada

mas agora não é mais do que cinzas escuras

um resto do que já foi uma vez

De novo, de novo, de novo.

Os três amores tornaram-se três memórias

folhas secas de paixões bonitas

cegueiras que foram mal vividas

É a segunda vez que quero que parta

e dessa vez peço com fervor.

Haveria tu de fazer o favor

de desaparecer da terra da memória?

A noite agora ri de mim

eu que um dia ria com ela

ria dos mistérios sentimentais da alma

que eu gosto tanto de conhecer

Agora as estrelas não brilham mais

envergonhadas escondem-se na noite

tristonhas com minha sina

uma solitária olhando para cima

E eu que temia

o obsoleto sentimento

agora o saboreio no peito

essa solidão de todo dia

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!