Essa Noite Não

10 Indefinível, mas não tente se matar.


Notas iniciais
Pelo menos essa noite não...

Para minha surpresa e felicidade, ele não me repele, apenas retribui.


Quando desenlaçamos nossas bocas, ele não diz nada. Acaricia meus cabelos em um até logo, perfeito.


Saio, sendo seguido por Shura.


Camus está encostado em uma parede do esgoto e Milo sorri para mim. Não entendo, mas sorrio de volta.


Shura balança a cabeça e subimos.


As lutas estão cada vez mais parecidas umas com as outras, só que em proporções menores.


Muita gente morre. Por falar em morrer, me pergunto o que houve com Aiolia.


Me arrependo profundamente de ter escutado aquela voz maligna e o mandado executar aquela garota. Só Deus sabe o que houve com ele agora...


Estou mais ágil hoje. Quero que isso acabe rápido, para eu poder voltar e conversar com Shaka. Não que precisemos de palavras, é claro.


Shura continua como sempre, porem hoje só tenho sob minha vista Milo. Camus está afastado demais.


Continuo lutando incessantemente e eles voltam a recuar. Não estou satisfeito, quero voltar logo para a base, que já posso chamar de lar. Desde a morte de Kanon nada me faz ter necessidade de voltar... Agora desejo isso de todo o meu coração, principalmente porque um sentimento incomodo cresce em mim quanto a isso.


- Shura! Onde estão os outros?


- Sei lá, perdi de vista.


Continuo a procurar, apressadamente. Encontro Milo.


- Milo! Milo! –é como se ele não me escutasse, continua se afastando- MILO!


- Ah, Saga, onde está o Camus? –posso ver seu rosto jovem marcado de preocupação- Nos perdemos na luta.


- Ele já deve ter voltado, vamos, encontramos ele lá.


Ele não parece muito satisfeito com a solução, mas vem comigo. Eu, ele e Shura seguimos até a base.


Tem algo errado... Tem fumaça saindo do bueiro em que entramos normalmente... Não... Não pode ser...


Descemos correndo. A porta está aberta, e tem homens mortos lá dentro. Provavelmente intoxicados, com a fumaça do fogo que destrói o local.


Não há sinal de Camus. Nem de Shaka.


Aqueles desgraçados vão pagar caro por terem destruído nossa base... Nossos documentos... As coisas de Kanon... Mas e Camus? E Shaka?


Vê o que fez Saga? Eu te avisei. Disse que você não tinha esse direito, avisei que você destrói todos que ama... A culpa, a culpa é unicamente sua.


- Saga! Saga, Milo, vamos embora, acabou! Não tem ninguém aqui, temos que ir, os nazistas estão vindo! Vamos! Eles não estão aqui!


Saga... Lembre-se do que eu disse... A culpa não é sua... O que eu fiz... Foi para te salvar... Eu sou forte Saga, não precisa se preocupar.


Ele morreu, morreu e a culpa foi sua... O matou como matou seu irmão.


Está acontecendo de novo... Tudo está fora do lugar e perdi meu ultimo bem precioso... Como perdi meu irmão nessa mesma noite... Mas porque hoje? Estava tudo saindo tão bem... Essa noite não...


- SAGA! TEMOS QUE IR AGORA!


Shura provavelmente me puxou, mas eu só me abaixei. Milo também não saiu e Shura está desesperado com nossa irracionalidade. Não compreende que buscamos algo importante aqui. Algo que jamais permitiríamos que nos tomassem...


- Não adianta, se aconteceu alguma coisa, já era! Eles morreram, caramba!


Há uma arma no chão...


A culpa é sua Saga... Pare, por favor! ...Saga...


EU NÃO POSSO AGUENTAR MAIS! VOCÊS! EU ...Eu estou me destruindo...


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Saga se suicidou com um tiro na cabeça no dia 30/o4/1941.


Shaka foi morto em uma câmara de gás em 01/05/1941, seu corpo não foi encontrado.


Camus conseguiu escapar dos nazistas e se perdeu da resistência. Em 16/11/1941 participou da resistência russa contra a investida da Blitzkrieg (guerra rápida), foi trabalhar em industrias soviéticas na Sibéria e morreu durante uma nevasca que arrasou a Rússia no inverno de 1960.


Milo buscou em vão pelo seu amigo por três anos e quando se deu conta, a guerra havia acabado e seu grupo, dispersado. Ele foi o responsável pelo enterro de Saga. Foi morar em Rodes, no Dodecaneso, após sua devolução em 1947, e desde então seus registros se perderam.


Shura voltou à Espanha e foi pego pelo general Francisco Franco Bahamonde, que, apesar de se manter neutro na 2ª Guerra, foi muito rígido com ele. Teve suas mãos cortadas, mas sobreviveu para ver a morte de Franco, em 1975, e foi considerado herói de guerra até sua morte, em 1986.


Aiolia e Marin foram para uma pequena vila na Neméia e viveram bem, longe da guerra, por vários anos, até a morte dela, por sífilis, em 1952.


Kanon foi resgatado no dia 17/05/1943, juntamente com o jovem rebelde Julian Solo, de um campo de concentração na Áustria, com a ajuda de um general chamado Sorento que renunciou aos ideais nazistas.


Aiolos não foi encontrado.


Os movimentos gregos de resistência, como o ELAS (comunista) e o EDES foram bem sucedidos e em 1944 a Grécia se livrou do invasor. Em 02/1947, com o fim da guerra, a Itália devolveu à Grécia as ilhas do Dodecaneso. A Grécia entrou em um processo de guerra civil que terminou em 1949 com a restauração da monarquia.


Mohandas Karamchand (Mahatma) Gandhi conquistou a independência de seu país em 15/08/1947. Foi morto por um fanático religioso em 30/01/1948.


Isto é a humanidade. Isto é a guerra.

Notas finais
A todos que acompanharam, muito obrigada. Por favor, comentarios são bem vindos! Todos os capitulos tem no título um verso da musica homonima de Lobão, e todos os fatos retratados nessa fic são verdadeiros.
Fica aqui uma lição: Na guerra, não há vencedores.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!