Essência

6 Ponto Fraco


Notas iniciais
CONSEGUI!!! Terceira atualização da semana! Simbora, gente! Trilha sonora: http://www.youtube.com/watch?v=clJyzLNzGig por motivos óbvios (em homenagem à Lorena e pq a letra é muito lidinho hahaha) http://www.youtube.com/watch?v=lL9RQfnlIgA - cenas da Lia confusa, por todo o capítulo http://www.youtube.com/watch?v=N3ZlRGmG6kM - música que o Pilha cantarola no final do capítulo http://www.youtube.com/watch?v=PL53fH-x0rw - cena do beijo

– Ih, ó lá, moleque! A musa do rock tá trocando o one direction pelo Cazuza! — Orelha zombou.

– Nada a ver, Orelha. Ela deve estar cobrando satisfação. O Dinho errou feio! — Gil argumentou.

– O que esse Dinho fez foi muito errado! A Lia é uma princesa e não vai se deixar levar. — Vitor comentou.

– A Lia? Princesa? Harry, você tem certeza que tá namorando com ela? A Lia, princesa! — Orelha gargalhou.

– Acho que eles estão olhando pra cá... — Fera alertou.

Alguns instantes depois, Adriano havia sumido e Lia caminhava em direção ao grupo. A roqueira estava mexida com a declaração de Dinho, para seu desgosto. Não podia evitar, mas podia ignorar. Dirigiu-se a Vitor, na esperança de esquecer o que Dinho tinha falado. "Foi o único jeito de tentar esquecer." as palavras ainda ecoavam em sua cabeça. Não acreditava em Adriano, não queria acreditar, mas ele soava tão arrependido... Como era ingênua! Focou em Vitor, tentando se lembrar de todas as qualidades do namorado. Estava muito bem, não precisava de Dinho. Por que, então, seus pensamentos eram dele? Por que seu corpo clamava por Adriano? Por que cada palavra do ex a arrepiava? Por que aquele momento no altar significou tanto? Não podia se render novamente, simplesmente não podia. Vitor estava à sua frente e era bonito, educado, correto, gentil... Enquanto Dinho era egoísta, mulherengo, inconstante, traidor... E o homem que amava. Por que aquele maldito sentimento teimava em voltar à tona? Pensava tê-lo enterrado. Era tão fraca! Lia começava a perder a compostura. Seus questionamentos internos a deixaram visivelmente perturbada. Vitor, no entanto, interpretou como raiva natural do ex.

– O que você tanto falava com aquele cara? — O namorado questionou.

– Eu... — Lia tentou encontrar as palavras.

– Jura que você não sabe? "Ai, Dinho, como você tá linDinho, eu morri de saudade de você! Não, não morri, não, porque eu te odeio! Me encontra no quarto 7 do hostel às 23h." — Orelha imitou Lia, exagerando no tom agudo da voz e piscando sugestivamente nas últimas palavras. — Ai!

Lia não deixou Orelha continuar. Em resposta, levou a mão ao rosto do nerd com força. Alguns convidados pararam para ver a cena.

– Ei! No meu casamento, não! — Bruno surgiu furioso.

– O que você falou pra levar esse tapão na cara, Orelha? — Dinho questionou, vindo de onde estava Bruno.

– O mesmo de sempre, Adriano. O seu amiguinho fazendo suposições sobre a nossa vida. — O que mais irritava a roqueira, porém, era o quão certo Álvaro Gabriel estava. Orelha irritava porque atingia no ponto fraco com o que o alvo sabia ser verdade.

– Só podia ser! Eu sabia que a volta desse moleque ia atrapalhar o nosso casamento, Fatinha! — Bruno confidenciou com a noiva.

– Bruno! Ele é como se fosse o meu irmão! Pede desculpas agora, ou eu vou vestir calça jeans na noite de núpcias! — Fatinha ameaçou. — Ô Robson! Fica de olho no Alvinho pra mim, que eu vou voltar pra pista e não quero mais confusão atrapalhando o meu momento de causar dançando com o meu marido!

Marido... Marido... Maria de Fátima adorava repetir a palavra. Estava irritada com a confusão em seu casamento, claro, e mais ainda com a forma como Bruno tratou seu melhor amigo, mas também adorava ver Bruno irritado. Calça jeans? Que nada! A noite de núpcias brutinha ia causar!

– Ei, marrentinha! — Dinho chamou da pista, com uma nova garrafa em mãos. — Você ainda é pilhazete? — Sorriu sugestivo. A roqueira tentou não sorrir.

–Você só pode estar bêbado, mesmo! — Lia zombou.

–Ah, Liaa, nem vem! Você faz essa marra de roqueirinha na frente de todo mundo, mas eu me lembro muito bem de como você arrasava! — Dinho gritou da pista.

– Ih, qual é, marrentinha? Quer dizer então que você tava escondendo o jogo? — Orelha riu.

– Lia, esse cara tá querendo te expor. — Vitor alertou. — Por que você não larga a minha namorada, moleque? — O motoqueiro questionou em tom mais alto pra Dinho escutar.

– Tua o caralho. — Dinho se aproximou com a cara fechada, puxando Lia consigo para a pista.

– Dinho! Me solta! — Lia exclamou.

– Você vai dançar comigo! É a vontade da noiva! — Dinho ordenou, puxando Lia com pulso firme.

– Dinho, me solta agora! — Lia olhou severamente para o ex.

–Você fica linda assim, brabinha. — Adriano admirou com um sorriso bobo.

Lia se perdeu por um instante no olhar úmido e etilicamente divertido de Dinho. Parecia um menino de dois anos observando algo que não entendia, mas que lhe parecia fantástico. Adriano estava seriamente embriagado. Por um momento, o aventureiro baixou o olhar. Lia ainda tentava localizar onde estava o foco de Dinho, quando sentiu seus lábios em sua boca. Estavam mais úmidos que o normal, encharcados em álcool. Ainda que o sabor etílico se sobressaísse, Lia não pôde se afastar. Era como voltar para casa após uma longa viagem. Sentira tanta falta de seu beijo... Descansou as mãos nos ombros de Dinho, deixando-se levar. Seus lábios se encaixavam perfeitamente. Segurou os cachos de Adriano. Como sentira falta daqueles cachos enrolando-se perfeitamente em seus dedos... Suas línguas dançavam em perfeita sincronia, uma contra a outra. Os lábios de Dinho nos seus provocavam sensações que não sentia desde a separação.

A lembrança da separação a fez se separar bruscamente de Adriano. O que estava fazendo? Não podia se deixar levar e ser enganada novamente! Muito menos podia beijar o ex daquela forma na frente do namorado! Deus, o namorado... Com culpa, percebeu que sequer se lembrava da presença de Vitor na festa. Detestava amar Dinho daquela forma. Frustrava-se por perceber que jamais havia sentido com Vitor e por Vitor o mesmo que sentira durante o beijo, ou mesmo ao reencontrar o ex. Por que o beijo do motoqueiro era tão sem graça? Por que os olhos azuis de Vitor não lhe surtiam efeito? Por que ao mais simples toque de Dinho se entregava inconscientemente? Era tão traidora quanto Adriano. Havia beijado o ex na frente do atual!

Observou os convidados à sua volta. Orelha filmava cada segundo. Ju parecia chocada. Fatinha não sabia se ficava feliz por Dinho, ou incomodada por Vitor. Gil não acreditava no que via. Fera sorria com certa cumplicidade. Pilha enfrentava o mesmo dilema que Fatinha, e alternava entre "aaah, moleque! Tem gente te botando uma antena de tv..." e "ai, papai! Ferrou tudo!". Dona Rosa estava preocupada por Vitor. Robson, por sua vez, secava uma ou duas lágrimas discretamente.

– Vitor... — Lia chamou. – Eu posso explicar-

O motoqueiro não deixou a namorada concluir. Balançou a cabeça com nojo e se afastou.

Notas finais
Comentários são bem-vindos e necessários para o andamento da fic. Pra saber como está indo, se estão gostando, o que pode ser mudado, melhorado... Enfim ^^