Esquecimento
28 Recepção Calorosa e... Finalmente...!
Notas iniciais
Esquecimento
Escrito Por Kohana
Capítulo Vinte e Oito: Recepção Calorosa e... Finalmente...!
O ambiente era calmo, mas o vento tinha um leve ruído quando passava pelas cortinas da janela, trazendo um frio cômodo. O dia acinzentado insistia em clarear seu quarto, por esse motivo sua mente já vinha se dispersando de seu cansado sono. Com um ruído preguiçoso vindo do fundo de sua garganta, ela se virou e levantou suas mãos para o alto, se espreguiçando. Seus olhos encontraram o lustre de cristais que comprou ano passado, acima de sua cabeça, alertando de que estava em seu quarto. Pouco a pouco, como se tivesse levado um leve tapa em sua cabeça, os fragmentos de sua memória chegavam, como a manhã cinza lá fora. Suspirou enquanto voltava a fechar seus olhos, absorta por alguns segundos do cenário ao seu redor. Assim que se colocou sentada na cama, notou que suas vestes foram trocadas por um pijama que cobria boa parte de seu corpo. Com um sorriso levou apenas alguns segundos para o ver sentado em uma poltrona, com a cabeça caída para um lado e a boca levemente aberta. Aquela imagem a fazia lembrar de sua infância e, se não estivesse mentalmente e fisicamente cansada, aprontaria com ele.
Duas batidas fracas soaram em sua porta e, antes que ela pudesse dar permissão, Sasuke entrou.
– Parece que Naruto não serve para guarda. – ele disse, um leve rouco em sua voz que demonstrava algum cansaço. Sua barba por fazer e o cabelo bagunçado indicava que ele, realmente, não havia dormido.
– Ironia, não? – ela riu, olhando seu irmão se remexer na poltrona, como se estivesse incomodado com as vozes.
– Está bem? – ele se aproximou, levemente hesitante. Sua pergunta era peculiar, de modo que ela sabia que Sasuke só queria uma agoniante certeza.
Sakura se vê, por um nano segundo, como uma fita cassete, voltando todo o absurdo com Sasori em sua cabeça: Sasuke descobriu sobre sua vida passada com ela por meio de seus vídeos, fugiu dela, ela correu atrás dele, foi sequestrada, cansada mentalmente com revelações tristes e quase molestada, contra sua vontade. Deus! Agora a sensação de estar em casa era muito mais valorizada e sentida. Poderia, nesse momento, ser um pós acontecimento que a traumarizaria e mudaria sua vida. Mas, também, ela poderia não ter saído de sua casa, ter ficado sem Sasuke e, certamente, sofrendo ainda mais. Escolher uma situação para lhe deixar mais triste não era possível, pois qualquer uma das duas resultaria em um furacão de sentimentos ruins. Ela sabia que, se não tivesse passado por toda a situação, talvez Sasuke não estivesse ali, em sua frente, em sua casa, perguntando de sua maneira cuidadosa se ela estava bem.
– Eu vou ficar. – respondeu sincera, sem opções para mentir. Sasuke deixou um suspiro sair por sua boca, mas ela não conseguiu enxergar alívio. Sasuke estava agoniado com a situação, tão ou mais que ela. Sakura sabia disso.
– Só para saberem, eu estou cumprindo o meu turno muito bem. – Naruto fala, se espreguiçando e pegando os dois de surpresa.
Sakura franze a testa quando percebe que seu irmão está acordado. Logo ri baixinho, espontânea. Sasuke vira seus olhos negros, também espontâneo.
– Faz parte de seu trabalho roncar? – Sasuke pergunta, o traço de um sorriso ilumina o seu rosto e, consequentemente, o de Sakura.
– Surpreender, irmão. É isso que aprendemos no colégio militar. E, também, como posso dormir se você entra aqui a cada cinco minutos?
O comentário de Naruto faz Sakura rir e Sasuke obter o rastro de constrangimento em seu rosto.
– Ok. Então você estava mesmo acordado.
Naruto ia fazer mais um comentário que deixaria Sasuke desconcertado, mas a porta aberta repentinamente o impede e desvia a atenção, indo direto para duas pequenas criaturas correndo para a cama de casal.
No momento em que Mia e Daisuke pularam em cima de Sakura, ela mudou, em sua mente, sua resposta para a pergunta de Sasuke. Instantaneamente, ela já tinha o remédio para seu problema. O abraço cheio de amor e carinho, sincero e repleto de acolhimento de seus filhos, suprimiu em segundos qualquer resquício da maldade de Sasori que poderia estar em seu coração.
– Mamãe! – disseram em uníssono as duas crianças impulsionadas por seus sentimentos. Os braços rodearam o pescoço de Sakura, que os receberam de bom grado e carinho em seu colo. A cabeça de fios negros e arrepiados tocou o pescoço dela como se tivesse encontrado o melhor lugar para se aconchegar e a cabeleira de fios vermelhos não soltava o pescoço de Sakura, como se fosse sua posse mais valiosa.
– Daisuke, Mia, sua mãe está cansada. – Naruto, mesmo comovido com a cena e sorrindo abobalhado, alertou os sobrinhos.
– Tudo bem. – Sakura, acalentando os cabelos de seus filhos, sorriu gentil e satisfeita, dizendo de sua forma muda a seu irmão que era aquele o remédio que precisava.
– Mamãe, onde você estava? – Daisuke a olhou após relutantemente tirar seu rosto da curvatura dos pescoço de sua mãe. Seu nariz, como os olhos marejados, estavam vermelhos, alertando a Sakura a vontade, mesmo relutante, de chorar dele.
– Oh querido, não se preocupe. – passou a mão pelo cabelo de seu filho da forma mais carinhosa possível. – Estou bem, não?
– Mas eu fiquei com medo. – Daisuke fungou. Ela sabia que o que ocorreu com Sasori era desconhecido para Daisuke. É que Daisuke, em certos momento, demonstrava ter uma ligação extraordinária com ela. Muitas vezes, se lembra, ele a pegava de surpresa quando lhe dava um abraço no momento mais oportuno. De alguma forma, sua dor estava ligada ao seu filho.
– Eu também. – Mia pulou, pedindo atenção, com um choramingo.
Sakura sentiu em sua garganta a vontade de chorar também. Ver seus filho, principalmente seu filho orgulhoso que poucas vezes chorou, em sua frente, tão frágil, lhe partia o coração. Daisuke, notando Sakura também com olhos e nariz vermelho, passou a mão por seus olhos secando as lágrimas que já queriam cair. Seria um homem, como seu pai foi e não seria fraco.
– Desculpa, mãe. – a abraçou forte.
– Não se preocupe, querido. – Sakura o apertou forte, muito forte. No entanto, o pequeno não reclamou.
– Mãe, você não pode mais sair sem o Daike e eu, ta? – Mia solta a sua mãe e cruza os braços, tendo um leve bico em sua boca. Seus cabelos estão desalinhados e sua cara ainda tem alguns riscos do travesseiro, mas esses detalhes só a deixam mais linda, na concepção de mãe de Sakura.
– Eu sinto muito, pequena. Eu tive que resolver um probleminha... prometo que não vou mais sair sem vocês. – Sakura sentia-se desconcertada, não soando muito convincente, mas soube que enganou Mia quando ela desfez o bico de fúria infantil.
– A gente sentiu muito sua falta. – Daisuke fala baixo, tímido. Sakura sorri terna, mas transparece sua amargura por ver seu filho triste. Sua mão vai até o cabelo negro, também em desordem e o desalinha ainda mais. Os dois vestem seus pijamas, obviamente por terem acordado a pouco.
– Eu também senti a de vocês, vocês nem imaginam. Mas chega de carinhas tristes, huh? – a voz alegre é só cortesia do abraço apertado de mãe, que não é reclamado em nenhum momento. Seus filhos relaxam seus corpos enquanto sentem o alívio mostrado com carinho e saudade.
– Que tal se a gente ir comprar mantimentos e fazer um lindo café da manhã pra mãe de vocês? – Naruto intervém e Sakura já ia contestar. No entanto, quando seu olhar passa por Sasuke, que olha a cena atentamente com um sorriso sincero, sua mente a alerta de que ela precisava de um momento a sós com ele.
– Ah... eu quero ficar com a mamãe! – Mia protesta, apertando suas mãozinhas possessivas em volta do pescoço da mãe.
– Depois a gente fica, Mia. Vamos fazer o café da manhã da mamãe. – Daisuke intervém, dando um beijo no cabelo de sua mãe. Sakura conhecia o filho e aquela não era a primeira vez que ela presenciou o seu jeito tenaz e astuto. No entanto, ainda conseguia se surpreender.
– Você vai comprar bolo, tio? – Mia pergunta, toda inocente.
– O que você quiser, minha princesa. – Naruto responde, a pegando no colo.
– Naruto... está tudo bem? – a pergunta discreta de Sakura pegou Naruto antes que ele seguisse seu rumo. Notavelmente, Sakura se referia a Sasori.
– Ele está em um lugar melhor... para nós. – Naruto piscou para a irmã e Sakura soltou um sorriso de alívio. Não queria ter que o ver nunca mais e saber que ele estava preso fazia seus pulmões agradecerem.
– Obrigada, irmão. – Sakura sussurrou antes dele voltar a sua pose ereta.
– Fica tranquila. Também não contei para os senhores nossos pais. – Naruto pisca para Sakura, que suspira longamente de alívio novamente ao que ela nem se lembrava, mas queria mesmo saber. Se seus pais soubessem do ocorrido com Sasori, certamente teriam um angustiante show em sua casa vindo do Japão.
– Jesus, um duplo obrigado para você. Vir até aqui... Deus, muito obrigada. – Sakura murmura, mas seu agradecimento para o irmão é gritante.
– Sou seu irmão mais velho, bobona. Claro que eu viria.
Naruto vira suas costas, com uma falsa cara emburrada e se dirigi a porta de saída, não antes de dar um soco fraco no ombro de Sasuke.
– Me deve uma, eim. – Sasuke entendeu, no mesmo instante, ao que o amigo se referia. O que ele mais queria agora, embora gostasse da companhia de seus filhos, era ter um momento a sós com sua Sakura.
– Acho que devo mais que uma. – ele murmura e Naruto acena, concordando com sua prepotência falsa.
– Você não vai, pai? – Mia, com toda sua inocência, pega todos desprevenidos com a sua forma íntima com Sasuke, com exceção dele mesmo. Naruto olha dela para Sasuke e de Sasuke para Sakura, que encolhe os ombros como se dissesse que não sabia de nada e também não esperava tal ação. Com um beijo na testa da pequena ruiva, Sasuke acena, ignorando as feições abobadas do restante.
– Vou ficar um pouco com a mamãe, tudo bem? – Mia acena repetidamente, dando mais que seu consentimento.
Daisuke acompanha com o olhar Naruto e Mia sumirem, virando quase que de imediato para sua mãe quando somem. Sua testa está franzida e em sua boca tem uma leve contração, formando um quase imperceptível bico, o que não passou despercebido por Sakura.
– Tudo bem, querido? – a voz adocicada de Sakura é um souvenir do acolhimento.
– Mãe... não vai embora agora, por favor. – a voz de Daisuke era desespero.
– Por que está dizendo isso? – perguntou Sakura, abismada e confusa.
– Porque você foi embora uma vez. Eu sei que você sofreu, mas, dessa vez, não vai e não deixa o papai ir.
Daisuke desarmou completamente Sakura, a deixando sem palavras reações. No entanto, as que seu filho usou, eram claras e convictas, sem qualquer resquício de hesitação e uma certa ansiedade assustadora. O brilho de desespero nos olhos do garoto fizeram uma junção mórbida e dolorosa tomar o ambiente, não só para ele. Daisuke deixou claro, para Sakura, que sabia muito mais do que ela imaginava e isso a acertou com um golpe certeiro. Papai. Sakura repetiu essa palavra em sua mente tantas vezes, que foi obrigada a frear seu próprio subconsciente para poder entender melhor a situação. A forma como ele proferiu essa palavra junto com as outras soou estranho. Hermético, até. Mas era diferente. Os olhos negros, semelhantes aos de Sasuke, menores e mais brilhantes, diziam mais que suas próprias palavras.
– Tudo bem, Daisuke. A mamãe não vai embora, tampouco eu. – de repente, a voz de Sasuke apareceu como uma saída estreita, mas precisa. Sakura tinha sido golpeada a tal ponto, que não poderia lidar com a situação de Daisuke, não naquele momento.
No entanto, bastaram as palavras de Sasuke para Daisuke sorrir aliviado. Daisuke confia em Sasuke, Sakura repetiu em sua mente. Era aliciante o sorriso que ele segurava de Sasuke e vise versa, como se os dois fizessem um pacto silencioso.
– Então cuida dela, pai. – Sasuke deu um leve peteleco de dois dedos na testa de Daisuke, que corou com o gesto, enquanto sorria e passava a mão no mesmo lugar que foi acertado.
Sakura, em um vislumbre longe de sua infância, tinha um momento parecido como este, vivido com Sasuke. A sensação, semelhante. Ela sabia como Daisuke se sentia, pois aquele pequeno e inofensivo gesto, revelava mais amor do que aparentava.
– Eu vou com o tio e a Mia. – e, dizendo isso com uma surpreendente alegria repentina, Daisuke correu para fora do quarto, fechando a porta com cautela, embora ele estivesse estranhamente serelepe e sorridente. Ele estava feliz, Sakura ouviu de sua mente. Daisuke só se comportava como uma criança normal, sorrisos e travessuras, quando tinha confiança e felicidade. Mediante a tanta emoção, ficou difícil controlar seus intensos e suprimidos sentimentos. Após alguns segundos olhando para a porta, entre um pensamento e outro, as lágrimas saltaram livremente de seus olhos, sem aviso prévio.
– Ei, não chore. – Sasuke subiu na cama, limpando as lágrimas insistentes que caiam dos olhos verdes.
Sakura soltou um gemido sofrido e doloroso, que desestabilizou Sasuke. Ela chorava com força e sem controle, soltando sofrimento de anos.
– Ele... ele sabe... – Sakura falou, entre sua voz rouca e seus gemidos angustiados. Ter certeza que Daisuke sabia mais do que falou, não era difícil. Sakura conhecia seus filhos melhor do que conhecia a si mesmo.
Sasuke colocou a cabeça dela em seu peito, tentando passar todo o aquecimento de seu corpo para o dela. Suas mãos envolveram a cabeça dela e seus lábios depositaram um casto, mas carinhoso, beijo. Sakura podia escutar as batidas rápidas do coração de Sasuke, batendo em sua bochecha como o tic-tac do relógio. Infelizmente, a doce canção exclusiva para ela, não foi suficiente para acalmar seus ânimos.
– Daisuke é esperto, amor. Não sei como, mas ele sabia antes de mim. – Sasuke soa calmo, embora os rastros de orgulho estejam presentes em seu tom de voz.
– Mas... ele agiu tão normalmente. – ela sugou as lágrimas que insistiam em descer por seu nariz, fazendo um suave barulho.
– Porque, incrivelmente, ele entende. Você criou o nosso filho perfeitamente. Deus... ele me da tanto orgulho.
Sakura se separou de Sasuke, para poder o olhar bem. Seu tom de voz era sugestivo, no entanto havia um brilho diferente e suspeito em seus olhos negros. Sakura conhecia aquele brilho. Na verdade, ela conhecia aquele Sasuke.
– Você sabe, eu sempre quis um filho.
– Eu sei?
Na realidade, ela sabia. A pergunta certa era se ele sabia. O Sasuke que ela encontrou no Japão, após oito anos, era um solteiro convicto, que, antes de a encontrar, passava longe de relacionamentos, sobretudo filhos.
– Na verdade, não só um. – ele continuou e Sakura percebeu que ele estava ignorando sua confusão propositalmente.
– Sasuke, seja mais claro. – pediu, agora séria e sem chorar.
Sasuke tirou, com tanto carinho, uma mecha de cabelo de frente dos olhos verdes de Sakura. Seu rosto era irradiante e isso contagiava Sakura, embora ela fosse sem expressões agora, por conta de sua ansiedade.
– Parece que para algo serviu a pancada que levei na cabeça.
Pancada? Sakura não se lembrava de tal pancada e suas palavras eram um mistério, até então.
– Sakura, eu lembrei de tudo. – e então, sendo claro como foi, não podia ter a feito entender de modo melhor.
– O que?!
– A escola, a faculdade... o acidente—
Sasuke se interrompeu, fazendo uma careta desgostosa ao lembrar dessa parte. Sakura, o analisando bem, se colocou de joelhos a frente dele e pegou o seu rosto, com as duas mãos.
– Não... os médicos... eles disseram..
– Estavam todos errados. E, mesmo que eu não levasse uma pancada, eu já vinha lembrando de nós, antes dos vídeos e de toda a verdade. Eu tinha sonhos Sakura, que na verdade eram lembranças. Você me trouxe de volta. Eu sou o Sasuke se antes, agora com as lembranças da incrível vida que tínhamos juntos.
Sem estruturas, Sakura se deixou levar por suas lágrimas novamente. Quando estava no quarto de Sasori, sendo submetida a toda aquela horrível situação, notou que, após perceber que Sasuke estava lá, ele parecia diferente. Pensou ser efeito da droga, mas... Deus, a felicidade era demais para não a fazer desmoronar e, além tudo, o peso de todos esses terríveis anos sem Sasuke.
– Ei, não... não chore. Eu não gosto de ver chorar, você sabe. – Sasuke e pressionou contra seu peito novamente, afagando seus cabelos.
Você sabe. Sim, ela sabia. Sasuke não suportava a ver chorar e soube disso há tanto tempo, que parecia surreal ele dizer aquilo tão facilmente.
– É que... Deus... Quase nove anos... eu vivi pensando que nunca mais te veria e... então estamos juntos... e... e... você... lembrou...
Sasuke sorriu ternamente para Sakura, que era só lágrimas e gemidos sofridos. Ela sentiu-se como uma menina chorona, sentimental e fraca. Mas não importava. Não naquele momento. O seu Sasuke estava ali. O homem que viveu com ela, cuidando com uma proteção exagerada, possessivo, carinhoso durante toda a parte feliz que se lembrava de sua vida... era ele e com memórias. O rosto de Sakura se contraiu e novas lágrimas soltaram por seu rosto.
– Não chore, querida. Por favor.
– Você fala... você... você é ele. – se virou, ficando frente a frente com Sasuke.
– Eu sou, querida.
– Mas eles... eles disseram...
– Esqueça o que os médicos disseram. – o tom autoritário na voz de Sasuke fez Sakura retroceder. – Estou aqui. Eu lembrei e... Deus, me desculpa. Lembrar de você naquele hospital... eu fui egoísta quando vi aqueles vídeos.
– Não.. não... eu...
Um traço de dor passou pelo rosto de Sasuke e a mão dele pousou sobre o rosto dela. Beijou cada lágrima que caia do rosto dela, passando a mão por seus longos cabelos.
– Eu sei... eu sei. Foi difícil para nós dois, querida. Você não aguentou e está tudo bem. Eu não aguentaria se estivesse no seu lugar e agora eu entendo.
– Eu sinto muito. Eu... eu tive medo, Sasuke. Quando vi que você tinha me esquecido... tudo acabou. Eu não precisava ver você todos os dias me olhando, como você me olhou naquele dia, para me lembrar de que você não sabia quem eu era e não saberia.
– Eu entendo que você sofreu e, de alguma forma, isso ocorreu comigo também. Sempre me faltou algo nesse anos, Sakura. Era você. Você sempre me fez falta.
Os braços de Sakura rodearam com tanta volúpia o pescoço de Sasuke, que seu corpo inclinou para trás e caiu na cama. Sakura agora estava por cima de Sasuke. Seus rostos tão próximos, que as respirações mesclava. O perfume dele era inebriante e a consolava, apaziguando sua dor.
– Me perdoa. – choramingou baixo, enterrando suas mãos no cabelo negro de Sasuke.
– Estamos os dois perdoados, amor. – Sasuke sussurrou contra os lábios de Sakura, os olhando firmemente.
Sakura quem tomou a iniciativa para o beijo. Um beijo cheio de amor, saudade e, finalmente, felicidade. Há cada movimento de suas línguas, um em busca de espaço na boca do outro, o sentimento mútuo era transferido. Quando Sasuke apertou e alisou a cintura de Sakura, quando Sakura acariciou o rosto de Sasuke e dos inúmeros gestos inofensivos, que para eles era uma grande prova de amor. Soltando o lábio inferior de Sasuke de entre seus dentes, Sakura gemeu. Um gemido do fundo de sua garganta, que refletia toda as sensações boas que ela sentia rodear seu estômago, como se ela fosse, de novo, aquela adolescente de 15 anos que foi beijada pela primeira vez, por seu amor da vida inteira. Ou melhor, como se ela fosse a pequena criança de cinco anos que bisbilhotava ele jogando futebol. Era a sensação de pureza de novo. Como se ela pudesse ter, novamente, seu mundo de volta em suas mãos. E ela tinha.
– Eu amo você... Sakura, demais. Vamos recuperar o tempo perdido, você vai ver. Eu, você e nosso filhos.
As palavras de Sasuke eram a porta do paraíso de Sakura. Seu Sasuke quem estava ali. Ele não ia embora, tampouco ela. Ele estava dizendo que tudo ia dar certo e, mesmo que talvez nem tudo nem sempre fosse perfeito, ela sabia que tudo ficaria bem. Ela tinha ele. Ele tinha ela. Tinha seus lindos dois filhos. Ela tinha tudo o que queria agora. E, embora odiasse a maneira como ganhou Mia, amava ter ela também. Sua filha. Agora, também, filha de Sasuke. Como Daisuke.
Sim, tudo ficaria bem.
No último capitulo de Esquecimento:
...No entanto, quando eu me virei e acabei batendo a mão do outro lado da cama, minha preguiça foi passear tão rápido quanto veio me importunar. Vazio. Uma onda de desespero se apossou de mim e eu me coloquei sentada. Sasuke não estava comigo na cama... nem mesmo em outro cômodo da minha casa. Nada estava bem....
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