Esquecimento
4 Não Chore
Notas iniciais
Esquecimento
Escrito por Kohana
Capítulo Quatro: Não Chore
Não chore mais, sorria amor. Eu trouxe o fim, da sua dor. Não chore nunca mais amor.
Jorge & Mateus — Calma
Ficou trancada no quarto de hóspedes de Ino. Ora chorava em frente ao espelho, ora ia até a cama ver sua ruivinha dormindo. Era, exatamente, quando a via que um sorriso brotava em seus lábios. Ela não conseguia entender como podia existir seres tão perfeitos quanto seus filhos. Claro, ela era suspeita a falar. Porém, para ela, eles eram as crianças mais lindas que viu e verá.
Olhando-a lembrava-se de sua amiga. Ajudou-a tanto, cuidou tanto dela. Foi um anjo em sua vida.
O tempo cura qualquer coisa Sakura.
E aquela era uma das poucas vezes que a amiga estava errada. Foi tudo ao contrário, o tempo não curou nada. Ainda sim foi fácil não pensar tanto nele, pelo menos na maior parte do dia, com os seus pequenos. Eles eram o remédio para todas a sua dores, que se resumia em um só nome:
Sasuke.
O tempo não tem não culpa...
Uma parte sua nunca quis deixar Sasuke ir. Ele não tinha culpa do que houve. Ela não tinha como saber que aquilo aconteceria. Sobre tudo, não sabia que isso acabaria com a vida dela. Ele simplesmente perdeu as memórias que tinha com ela. E isso não era culpa dele. Ele não escolheu e ela tinha certeza que se dessem a opção de morrer ou perder as memórias dele, ele escolheria morrer. Porque ele a amava tanto quanto ela o amava.
– Eu realmente não quero gravar nada agora Sasuke — bocejou
Se lembrou daquele de vários videos que fizeram. Aquela cisma que ele tinha de gravar videos. Ela sorriu. Era uma lembrança boa afinal. Uma lembrança que estava escondida embaixo de sua cama.
– Ei, nossos filhos vão ver isso um dia — gargalhava tentando pegar, com a câmera, a rosada que havia acabado de acordar. Cabelos desgrenhados e uma camisa velha dele. Sem falar na cara amassada que ele amava. Não era, realmente, uma boa hora para gravar.
– Que graça tem? Eles vão se assustar com a mãe deles. E eu nem estou nos meus melhores trajes — estreitou seus olhos da cama, olhando o moreno gargalhar escorado no batente da porta agora, não muito longe da cama.
– Sério? — sorriu se aproximando dela e sentando na cama com a câmera ainda apontando para ela — Você fica linda nessa camisa. Eu adoro quando você usa ela. — disse em um tom rouco e sedutor e a beijou nos lábios deixando a câmera cair na cama.
– Mmm — resmungou seguida de uma risada — É melhor desligar a câmera não é? Nossos filhos não vão querer ver o que você quer fazer — mordeu seu lábio inferior deixando-a sexy. Ele riu, desligou a câmera e a deitou.
Se amaram mais uma de várias vezes àquele dia.
– Sakura? — Piscou algumas vezes quando foi tirada de seus tortuosos pensamentos. Olhou para frente e Mia ainda dormia. Olhou para trás e viu Ino com uma sobrancelha arqueada — Está bem? — seu tom de preocupação era tanto por estar chamando a rosada a um tempo quanto por quando saiu do salão dos fundos e viu Sasuke conversando com seus tios.
Também não esperava ver ele ali.
– Sim — Mentiu. Não que isso não fosse notável.
– Sinto muito, eu... ninguém... — Queria as palavras certas. Queria ao menos poder amenizar a dor de sua amiga com qualquer que fosse as palavras. Mas, mesmo tentando, sabia que aquilo era uma missão impossível.
– Tudo bem, Ino. — suspirou. Não, não estava tudo bem. Mas queria se fazer acreditar que estava. — Eu já sabia que isso iria acontecer.
Ino sentou-se na cama, vendo-a observar Mia, que dormia serenamente.
– Você... — hesitou, não podia fazer...
Ela sabia muito bem o que a amiga queria falar.
– Você sabe que sim. — olhou-a, com um sorriso triste. — Só constatei o óbvio: sempre o amei.
– Você não pode ficar tão próximo dele, Sakura — Era mais um pedido do que uma alerta.
– É preciso. — passou suas mãos por seus cabelos. Estava cansada de dizer aquilo, de repetir aquilo.
– Não posso ver você sofrendo assim. — Se levantou, hesitando um passo dela, ainda sim.
– E eu não posso perdê-la. — encarou as bagues azuis. — Não posso priorizar a minha dor. Não posso... — Deixou as palavras morrerem, ver Mia remexer-se na cama a fez ver que seu tom estava mais alto do que deveria. Estava gritando. Mas não para Ino. Estava gritando para si mesma, queria lhe convencer de que precisava ser forte. Precisava por eles.
Ino não contra argumentou. Não era mãe, não sabia da sua dor. Ainda que doesse ve-la sofrendo tanto.
– Bem, vamos comer algo então? — Tentou, enfim, acabar com aquele assunto.
– Acho melhor ficar com a Mia. — suspirou observando a pequena ruivinha.
– Ela está dormindo. — aproximou-se dela. — Daqui a pouco a gente vem ver ela.
Suspirou derrotada. Se limitando a dar apenas um mínimo sorriso. Sabia que sua amiga não queria lhe deixar sozinha.
– Ok.
[...]
Mesmo depois de sua família ir embora, decidiu ficar. Não estava tão tarde e, apesar de estar cansado, o ambiente ali estava agradável.
Era isso que dizia a si mesmo ao menos. Porem, enfim, sabia que observar vários cantos daquele jardim não era somente para analisar a paisagem quase noturna. Estava procurando algo. Ou melhor, alguém.
Suspirou depois que Naruto o encarou, ao que parecia ele estava te perguntando algo. Mas ele não sabia o que de fato, não estava escutando nada.
– Tio. — Sasuke, imediatamente, olhou para baixo encontrando o pequeno menino, olhando para Naruto.
Naruto sorriu. Entretanto, ele percebeu o leve tremor que suas mãos tinham.
– P-Precisa de a-algo D-Daisuke? — E, quando ouviu ele perguntar, constatou que ele estava nervoso.
– É que eu não estou achando a minha mãe. — disse o garotinho com sua voz fina, porém muito firme para sua idade — que ele chutou ser uns oito anos.
– Ah, eu a-acho que e-ela está com a M-Mia no quarto. — explicou o tio.
Arqueou uma sobrancelha, quis entender o porque dele estar tão e nervoso. E, ao olhar para baixo, onde Daisuke estava, soube que ele também queria.
– Não, ela não está. — Fez um pequeno bico. Ele riu, era uma cena adoravelmente fofa.
Naruto estava quieto, era notório já que isso era muito difícil de acontecer. Porém, quando ia lhe perguntar o porque de seu silêncio, fora interrompido.
– Naruto, a Mia acordou! — Virou seu rosto e viu Neji o chamar. Antes mesmo de o virar de volta, o loiro já havia sumido.
Os dois estavam confusos com a cena. Porém Sasuke deu de ombros, voltando a olhar Daisuke. Sorriu, olhá-lo lhe trazia um sentimento confuso, mas bom. Então, vendo ainda seu bico frustrado, disse:
– Posso ajudá-lo a achar sua mãe. — O garoto sorriu, como um sim. Ele sorriu de volta, instantaneamente.
Andaram lado a lado. Olhava-o vez em quando, notando o pequeno olhar preocupado da criança. Era, de fato, protetor.
Enxergaram os longos cabelos róseos de costas para eles. Estava conversando algo no celular, mas ele não ouvia. Não somente pela sua educação impecável, mas, principalmente, por estar perdido em sua beleza. Ainda que soubesse que havia algo a mais. Que era linda, era um fato. Entretanto, somente observar seus gestos, lhe trazia algo quente ao peito.
Era um sentimento tal como a nostalgia. Mas, além de ser curioso e estranho, havia mais algo em misto com isso. Ele só não sabia o que.
– Eu já disse para não ligar para mim — a ouviu dizer, fazendo assim ele acordar. — Não me importa. Nossa ligação é somente o processo, não me ligue. — estava brava mas, ele pôde perceber também, estava triste.
Algo doeu dentro de si.
– A Mia é minha, só minha.- Era notável sua fúria, mas um pouco engraçada também.
Algo aqueceu dentro de si.
– Por que você não vem rir na minha cara? Que tal parar de me ligar e vir discutir frente a frente? — Ao que parecia ela não queria uma resposta.
E, quando ela caiu no chão, desligando o celular, ouvindo após isso os gemidos que soltava, algo pareceu o perfurar. Avançou um passo, mas parou. Levantou uma mão, mas a abaixou. Queria abraçá-la, mas não a conhecia, então não podia.
Queria fazê-la parar seus prantos, antes que ele começasse.
O garoto avançou e, como se o puxasse, ele o seguiu. Ela se virou, ainda ajoelhada, tocando a mão de seu filho pousada em seu ombro. Ele puxou um pouco de seus lábios, formando uma linha torta. Queria acabar com dor dela e, nesse momento, não se importou em descobrir o porque disso. Ele queria...
Ela o olhou. Viu-a se levantar e secar suas lágrimas. Parecia nervosa e, jugou, ser por ele estar ali. Poderia ser, enfim, o nervosismo. Ela ia falar algo, mas ele se adiantou.
– Não chora. — tocou-lhe o braço. — É doloroso vê-la chorar.
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