Notas iniciais
Ta aqui mais um capítulo de "Esquecimento" Eu, particularmente, gostei muito desse capítulo. Então espero que vocês gostem também.

Esquecimento

Escrito por Kohana

Capítulo Três: Dor

Te vi e já te quis...

Jorge & Mateus — Logo eu

Ao que parecia, ele voltaria para casa mais cedo. Depois de um longo julgamento, as coisas acabaram melhores do que ele imaginava. Não que duvidasse da sua capacidade, porém, resolver um caso em um mês é muito para quem chutou dois. Na verdade, quem se importava? Ele iria poder dormir direito por alguns dias e, talvez, sair para uma noitada com seus amigos. Era tudo o que ele precisava.

– Muito obrigada Sasuke, mais uma vez. — sorriu o homem, de aparência milionária — Se não fosse você aquela louca iria tomar cada centavo meu. — se aliviou. O homem estava impecável, de fato, mas ainda sim, quem o olhava via que ele aparentava estar cansado.

– Ex mulher é difícil mesmo. Não que eu saiba também como é. — sorriu Sasuke — Qualquer coisa é só ligar. — finalizou aquela conversa, logo após foi embora.

Rumou ao seu apartamento em Boston para pegar suas coisas, onde ele não queria ver por um bom tempo. Ele adorava Boston com certeza, mas nada melhor do que estar em seu apartamento fixo no Japão. Aquele era o lugar que ele se sentia em paz, o lugar preferido dele depois da casa de seus pais.

Depois de horas de viagem e várias comissárias de bordo dando em cima dele, finalmente chegou no Japão.

Vou fazer uma surpresa - pensou ele que até então iria avisar sobre sua chegada adiantada para seus pais. Porém, ver a expressão de felicidade da mãe era a melhor opção.

Foi em direção a seu apartamento, em um bairro nobre. Assim que entrou sentiu o cheiro gostoso que sua casa emanava. Nem na casa de sua mãe ele sentia um cheiro tão bom e único. Talvez fosse por conta de ele amar tanto estar em sua casa.

Mas, afinal, que pessoa normal é tão apegada a um apartamento?

Que o lugar era bonito, isso era um fato. Um pouco claro demais, o que ele não gostava. E isso o fazia perguntar várias e várias vezes o porquê de ter escolhido uma decoração tão... clara? Não, aquela não era a palavra certa. Fofo! Fofo era a palavra certa. Isso lhe rendeu muitas brincadeiras de mal gosto por parte de amigos e sócios que iam lá. Porém ele sabia que era muito homem. Então, por que não conseguia trocar a decoração? Seu irmão mesmo lhe recomendou e ele até ligou várias vezes para a decoradora, mas sempre dava para trás na última hora.

Não conseguia, de jeito nenhum, trocar sua decoração. Para ele era um carma, sina e até macumba passou poe sua cabeça. Ele sempre gostou de cores escuras, então, o que a parede do quarto dele fazia com um papel de parede salmon? Ele odiava essa cor. Mas como foi dito, era impossível tirar aquela decoração. Então, simplesmente desistiu. Porque, enfim, sabia que se, ao menos, conseguisse trocar, não seria tão apegado a ele como é mesmo sendo ele o contrário do que ele gostaria.

Se não soubesse que nunca levou nenhuma de suas "peguetes" para lá, diria que aquilo foi decorado por uma mulher. Porque, ao seu ver, só uma mulher gostaria daquele lugar.

Tomou um banho e pediu para sua empregada arrumar suas coisas. O que ele queria mesmo era dormir pelo resto da tarde. Mas estava um dia lindo e nada melhor do que passar na casa de seus pais.

Acontece que, quando chegou na casa de seus pais, Chiyo, empregada de seus pais, disse que eles não estavam, que tinham saído com seu irmão, Itachi. Ele perguntou aonde foram, mas a velha senhora parecia relutante em falar. Ele também não insistiu e disse que iria passar lá no dia seguinte.

Pegou seu carro rumo a sua casa. Mas passou por de frente da casa de Ino, sua amiga de anos. A casa dela ficava em sentido ao apartamento dele. Pensou um pouco em frente da mesma e notou que tinha um certo movimento. Desligou o carro, dar um 'oi' não faria mal.

Quando pisou no gramado, bem tratado e de um tom verde, seu celular tocou. Ele revirou os olhos quando olhou na tela e viu o nome junto com uma foto um tanto vulgar para ele.

– Fala — disse seco, como era a maioria das vezes.

– Awn Sasuke, porque está bravo? — indagou com uma voz melosa, típico dela.

– Não estou bravo, só não quero falar — deu um longo suspiro.

– Ora, você devia ser mais bonzinho comigo. — tentou, sem sucesso, ser sensual. Estava ainda mais vulgar. — Quando volta?

– Não sei — mentiu. Ainda que ela tivesse lhe surpreendido de novo. Afinal, o código de área deveria lhe mostrar que ele já havia chegado. — Mas quando voltar, vou querer descanso. Então tente não me ligar ta?

– Ah, a gente pode descansar juntos, não? — estava ciente da sua 'direta', mas essa ideia passava longe de sua cabeça.

Karin, eu realmente não estou afim...

– Amor, eu vou desligar. Vi um sapato lindo, a gente se fala depois, ok? Te compenso quando voltar. Beijos — e desligou, ignorando totalmente o que ele havia começado a dizer. E, como sempre, nunca terminava. Ele ainda olhava incrédulo para seu aparelho telefone — diga-se de passagem, última geração. Balançou sua cabeça negativamente pensando em como faria para se livrar daquela que se tornou um grande problema.

– Um grande problema — murmurou virando-se para a entrada da casa de sua amiga. Porém mal deu dois passos. Parou assim que notou a pequena criatura vermelha caída no chão. Até fez menção de ajudá-la, mas alguém foi mais rápido.

O que aparentava ser o irmão mais velho, parecia nervoso pela, provavelmente, irmã caída. Logo ofereceu ajuda para os pequenos iniciando um pequeno diálogo com ambos. Ele sorriu quando olhou a menininha na sua frente e percebeu que ela parecia um tomate. Rosto redondo e cabelo vermelho. Pensou que poderia ser seu vício por tomates que o fizera enxergar isso. Porém, ele gargalhou internamente quando o irmão afirmou que estava certo quanto ao que ele disse.

Pegou garota no colo, mesmo que essa não tenha se machucado.

– Desculpa Mia, eu não queria que você caísse. — disse o menino enquanto andavam.

– A mamãe vai cula' Daike,' ela... é fada! — contava empolgada. Ele riu, era realmente uma graça.

– Que sorte ter uma fada como mãe — sorriu ele, muito atento a conversa

– Na verdade, ela é médica — afirmou o garoto

– É fada! — birrou a ruivinha

– Ok ok! — suspirou o pequeno.

Ele riu. O garoto era do tipo protetor. Lembrou-se quando era pequeno, era muito protetor. Ainda que não lembrasse bem a quem protegia. Mas, de alguma forma, teimava em se lembrar dele. Talvez por isso tenha gostado dele logo que o viu.

– Bem, seu nome é Mia não é? — indagou ele fazendo a pequena assentir — E o seu... hm, Daike? — Daisuke gargalhou, uma gargalhada gostosa de se ouvir no ponto de vista de Sasuke.

– A Mia me chama assim porque ela não sabe falar meu nome ainda — sorriu de canto vendo a menina brincar com os cabelos do moreno que, estranhamente, estava confortável com aquilo.

– E como é então? — indagou novamente, realmente curioso com a resposta.

– É Daisuke — sorriu, ainda observando a irmã.

Sorriu minimamente. Lembrou-se de que dissera uma vez que o nome de seu filho seriaeste. De todo modo, depois de ver um pouco sobre o pequeno, o queria mais ainda.

– Hm, o meu é Sasuke. Parecido, não? — Daisuke afirmou com cabeça empolgado.

Andaram mais um pouco, pois a casa de Ino era grande. Por incrível que pareça, a casa não estava tão movimentada e parecia até que Ino não estava.

– Onde estão todos? — indagou o homem olhando ao redor, somente para confirmar o que já sabia: casa vazia.

– Não sei, estavam todos aqui — disse olhando ao redor também. — Ah, olha ali! — apontou para uma mesa com quatro pessoas ao redor — A mãe.

Sasuke olhou bem e confirmou que conhecia a maioria daquelas pessoas. Mas ainda sim se perguntou o que eles faziam ali. Parou seu olhar sobre outra mulher. Sorriu. Não sabia porque, mas era tão linda e atraente que não pôde evitar fazê-lo.



[...]

– O que faz aqui, irmão? — indagou Itachi, aparentemente calmo. Mas, assim como os outros membros de sua família, estava nervoso.

– Voltei mais cedo — sorriu de canto ainda junto aos pequenos. Porém, seu olhar estava sobre a mulher de cabelos róseos.

Tremeu. Não tinha ar. Ela queria sair sob seu olhar. Imaginou tantas vezes como seria aquele encontro, entretanto, nenhuma delas doeu tanto quanto esta. Certo que era apenas fantasias, tristes fantasias. Mas não imaginou que doeria tanto. Queria chorar, uma voz em sua mente implorava para o fazê-lo.

Te amo irritante...

Lembranças ordinárias. Estavam cortando-a, a torturando. Doeu, doeu mais do que doeria se fosse uma espada, faca, algo cortante... Deus, não queria chorar. Mas chorar era o que ela precisava fazer. Estava doendo descomunalmente.

– Mãe? — e então, quando ela estava prestes a desmoronar, a voz fina e aconchegante de seu pequeno príncipe roubou-lhe todas as suas dores. Foi como se tivesse acordado de um transe. Os olhinhos negros dele estavam assustados por conta do estado da mãe. E então, em um surto louco ela se lembrou do que era mais importante do que a sua dor naquele momento.

Vou toma-la de você, afinal, sou o pai — ele sorriu descarado, mesmo nos pensamentos dela, como fazia quando tentava torturar ela.

Era por eles que ela estava ali. Era para ela e seu precioso filho não perder o anjinho que ela ganhou, que estava ali. Não suportaria viver uma vida sem um de seus filhos, e por eles ela enfrentava o diabo se preciso fosse. Não poderia ser egoísta a ponto de esquecer seus dois pilares, os dois pequeninos que a guiaram para fora da escuridão. Era só por eles e para eles que decidiu voltar. Não poderia quebrar, não ali. Ainda que fosse um dos piores dias da sua vida, ficando atrás somente dia em que ouviu-o dizer:

Quem é você?

– Sakura? — Mikoto a chamou. O clima estava estranho, porém com aquele chamado ela pareceu acordar de vez.

– Deus, me perdoe — forçou um tom natural e um sorriso, pegando, assim, a menina do colo de Sasuke. Vendo a confusão no rosto de Sasuke, ela continuou. — É que sou uma mãe coruja, fico louca quando eles se machucam.

Finalmente, puderam respirar.

– Eu sinto muito, estava distraído. — Desculpou-se.

Quis mandá-lo calar-se. Até bater nele ela quis. Ouvi-lo se dirigir á ela como uma pessoa qualquer, doía. Doía tanto. Ela não era qualquer pessoa. Ela era a única pessoa que ele amou.

– Tudo bem. — se limitou a dizer, afagando os curtos cabelos de Mia.

Ele sorriu, admirando-a. Tão protetora. Ele quis estar com ela, por algum motivo louco.

Todos sentiam o peso da tensão, menos ele. Não só por ser o motivo dela, mas por estar ocupado demais em notá la, analisá-la.

– Bem, é melhor eu ir lá pra dentro. — Disse ela. Despediu-se dos tios, de Itachi. Sorriu minimamente por educação, mas somente aquele gesto foi capaz de torturá-la ainda mais.

– Quem é ela? — perguntou após observá-la sumir pela porta da sala.

O encararam.

– Ela quem? — perguntou Itachi. Queria apenas tempo para formular uma resposta aceitável.

– A mulher de cabelos rosa. — o encarou. Arqueou uma sobrancelha, confuso por receber silêncio como resposta. Era uma pergunta simples afinal.

– Filha de Kushina e Minato. — Mikoto tomou a frente. Recebeu, com isso, dois pares de olhos reprovativos. Mas, enfim, não tinha nada que pudesse dizer sobre aquilo, que não fosse a verdade.

– Filha dos tios? — encarou-a, completamente confuso. Conhecia os tios desde que se entende por gente. Deixar passar tal beleza, era no mínimo surpreso.

– Ela cresceu em Nova York. Veio poucas vezes para o país. E, como Kushina e Minato sempre estavam viajando, às vezes ela ficava com eles. — explicou Fugaku. Estava calmo, mesmo que lhe doesse contar tal mentira.

Ela não ficava com seus pais viajando ou em NY. Ficava com eles.

Ficou olhando a porta por mais uns minutos. Estava feliz, mas não sabia o porque. Como se sua beleza fosse capaz de lhe trazer tal felicidade.

[...]

Suas mãos tremiam. Sua mente projetava imagens e lembranças dele. Estava desesperada, mas não queria que isso transparecesse.

– Mãe, está bem? — lhe perguntou, olhando-a com seus olhinhos tão pequenos.

Quis chorar novamente, eram tão iguais ao dele.

– Sim meu amor. — sorriu. Queria lhe passar segurança. Não queria o envolver naquela dor, ele não tinha culpa afinal. Pelo ao contrário, ele quem lhe dava forças. — Procura a tia Ino pra mim, por favor.

– Tudo bem. — assentiu, mesmo que não estivesse completamente seguro se ela estava mesmo bem. Andou em direção a porta, não disse nada. Apenas saiu.

O som da porta batendo foi a deixa para suas lágrimas caírem. Chorou e agradeceu por sua filha ter caído no sono.

Seu coração se contorceu de dor. Quis gritar, quis pedir ajuda. Mas quem a ajudaria? Ninguém podia ajudá-la. A única pessoa que poderia não se lembrava dela, nem ao menos a notou. Quis fugir de novo. Quis se jogar no chão feito uma criança birrenta. Suas lágrimas desciam sobre seu rosto, molhando-o e, de alguma forma, a cortando. Estava dilacerada. Ferida. Tudo doía, tudo parecia tão pouco diante daquilo. Era e sempre fora uma covarde, pois nem sabendo de sua precisão, deixou morrer a ideia de voltar para Nova York.

Nada parecia doer tanto como aquele reencontro.