Esquecimento
11 Desconfiança
Notas iniciais
Por quanto tempo eu vou te amar?
Por tanto tempo quanto as estrelas estejam acima de você
E por muito mais tempo, se eu for capaz
Ellie Goulding — How Long Will I Love You
Em frente a uma porta, uma porta comum de um apartamento, havia um casal. Uma mulher, com cabelos róseos aparentemente empolgada, batendo suas mãos uma na outra enquanto saltitava. Ao lado dela, havia um moreno, encostado na parede com uma câmera na mão, nada empolgado.
– Preparado? — indagou já com a mão na maçaneta olhando para ele.
– Tenho escolha? — negou com a cabeça — então estou — levou a câmera ao alto de seu rosto.
– Antes — virou para ele que voltou a câmera abaixo — promete que só vai dar a sua opinião quando vermos tudo?
– Prometo — sorriu não tão feliz, já imaginando o que viria. Sakura selou seus lábios antes dele voltar a câmera a altura de seu rosto.
Abriu a porta com um largo sorriso no rosto, enquanto o moreno registrava tudo com a câmera reprimindo palavrões. Sakura o puxou até até a sala, sorrindo com tudo que via. Uma estante grande branca, as paredes amarelas junto a uma outra cinza. Ela parou diante a parede cinza e depois olhou Sasuke, com um olhar satisfeito.
– Viu só? — apontou para a parede — depois você diz que sou ruim.
– Ah claro — sorriu sem humor — o que é essa imensa claridão perto dessa parede cinza? — olhou a mulher — claro!
– Nada de falar — cruzou os braços seguindo o corredor.
Não demorou muito para que tivessem visto o apartamento inteiro. Chegaram no quarto depois de vários murmúrios de Sasuke e vários sorrisos de Sakura.
– Nem precisa dizer sua opinião — disse a rosada sentando-se na cama.
– Ah Sakura — sentou-se ao lado dela — Sabe que odeio cores claras.
– Tudo em mim é claro — suspirou — me odeia?
– Dramática — resmundou jogando-se na cama. Sakura deitou-se ao seu lado, colocando a cabeça no peito dele.
– Eu te amo — sorriu encarando os olhos negros dele.
– Eu também te amo irritante — sorriu
– As cores claras são para te fazer lembrar de mim — se apoiou no cotovelo
– Você vai estar sempre comigo, pra que preciso lembrar de você? — arqueou uma sobrancelha
– E se eu não estiver?
– Quer terminar comigo? — estreitou os olhos
– Não — sorriu dando um tapa em seu ombro
– Então vai estar — a puxou para seu peito novamente — nunca vou deixar você se afastar de mim.
Sakura sorriu abraçando Sasuke.
– E eu tenho outra forma de lembrar de você.
– Qual? — voltou a encarar ele.
– Seu perfume — sorriu — Não consegue sentir porque está acostumada, mas ele está em cada parte do apartamento. — Sakura arqueou a sobrancelha com um sorriso.
– É a terceira vez que venho aqui. — estreitou os olhos — é impossível.
– E, já conseguiu deixar algo aqui — a puxou para que ficasse sentada sobre ele — esse perfume me enlouquece — beijou o pescoço dela, inalando o perfume — eu sinto ele até quando não estou com você — apertou suas nádegas — é o seu aroma natural, junto com esse perfume, que sinto desde que te dei no seu aniversário de dezesseis anos. — a beijou.
– Vou usar ele sempre — disse ela depois de soltar seus lábios do dele — Eu amo ele, só o compro desde então.
– Você é perfeitamente imperfeita — segurou sua cintura dando risada.
– Existe isso? — riu
– Uhum — puxou seu rosto para perto do dele.
Ficaram assim por alguns minutos, somente sentindo o corpo do outro se mexer pela respiração.
– Promete que sempre vai me amar? — Sakura nunca gostou de silêncio, então decidiu corta-lo. Os olhos verdes em perfeita sincronia com os negros, fizeram uma corrente elétrica passar por ambos os corpos. Sasuke apertou mais a cintura fina de sua namorada, seu nariz encostando no dela, o ar divido junto com o odor delicioso que cada um emanava. Era um momento digno de novela.
– Você é chata — Sakura riu fechando os olhos — me irrita, me faz ir contra meus princípios. Você realmente é chata. — acariciou o rosto dela — Mas eu estou aqui não é? — abriu os olhos — mesmo depois de você fazer eu morar na casa da Barbie — Sakura riu ainda mais.
– Exagerado — selou seus lábios.
– Eu te amo — a abraçou deixando seu queixo no alto da cabeça dela — Vou te amar até meu último suspiro. — Sakura fungou reprimindo as lágrimas — até depois disso eu acho. Eu prometo.
– Eu também — disse antes de saborear os lábios dele.
Sasuke sentiu a língua quente de sua namorada adentrar sua boca, passando em cada canto dela. Entrelaçou a sua na dela, forçando a cintura dela em seu corpo. Sakura começou a roçar sua intimidade no membro de Sasuke, já dando sinal de vida.
– mmmm — gemeu entre o beijo fazendo Sasuke aprofundá-lo. Um beijo com desejo mas ao meio tempo com delicadeza da parte de ambos. O movimento das intimidades se roçando ficava cada vez mais rápido.
O beijo foi parado apenas para pegar ar. O som de suas respirações ofegantes era o único barulho no quarto. As mãos de Sasuke tateavam o corpo de Sakura. As mãos de Sakura subiam o corpo de Sasuke, com a ajuda do mesmo, para que se sentasse.
– Já quer inaugurar a cama? — indagou Sasuke ofegante depois de separar o beijo.
– Uhum — acenou Sakura rodeando o pescoço de Sasuke com seus braços. Ele somente riu antes de voltar seus beijos com a rosada.
...
– Que droga! — resmungou um moreno, suado e elétrico, tendo a típica reação de quem acorda antes da melhor parte do sonho. Ele se colocou sentado na cama, descendo sua mão até seu membro cobrido pelo fino tecido da boxer. Choramingou quando sentiu a dura ereção.
– Só pode ser brincadeira — se levantou indo até o seu banheiro, praguejando tudo.
Tirou sua boxer, ligou o chuveiro e entrou na banheira. Estava excitado e a culpada de tudo aquilo tinha longos cabelos róseos e curvas do paraíso.
– Não vou fazer isso — murmurou tombando a cabeça para trás, afim de não ver seu membro rígido.
Mas ele ainda sentia...
– Droga droga — murmurou relaxando enquanto sua mão descia fazendo o caminho do paraíso.
...
Já muito relaxado, tomando seu café, ele se lembrava de sua conversa com Sakura. Ele sabia que o desejo que tinha por ela, era causador de suas noites mal dormidas.
Porém...
Flash Back ON
– Você tem o cheiro do meu apartamento. — disse a ela. Por mais que dissesse que era coisa de sua cabeça, até ele sabia que sentir aquele perfume toda hora, não era só loucura.
Sakura parecia ter visto um fantasma e sua expressão apavorada não passou despercebida por Sasuke. Ele tentava, enquanto o silêncio pairava ali, achar um motivo para que ela tivesse que se assustar tanto.
Claro que dizer há mulher que ela tem o cheiro de sua casa não é nada romântico. Porém ele não conseguiu não pensar alto e aquilo não o tinha afetado em nada.
– Sakura? — arqueou uma sobrancelha enquanto ela nada dizia. Mas seu olhar era profundo, como se ela estivesse pensando em algo.
Antes de chamar mais uma vez a atenção dela, ela pareceu acordar.
– Desculpa — piscou algumas vezes — é que...
– Eu sei — a interrompeu — disse algo ridiculamente estranho — sorriu — mas é verdade.
– D-Deve ser uma conhecidência — engoliu em seco desviando seu olhar do dele
– Deve ser — sorriu se aproximando dela — mas você parece nervosa — colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.
– Só preocupada com as crianças — forçou um sorriso
– Ah sim — deu-lhe um selinho — vou deixar a mãe coruja entrar em ação — Sakura sorriu de novo, só que sincera dessa vez.
– Obrigada por hoje — disse ela
– Eu que agradeço — sorriu largo — Adiantado.
– Adiantado? — arqueou uma sobrancelha
– Sim — andou até seu carro — pelo próximo que vai ser melhor.
Antes de partir, ainda pôde sentir seu coração acelerar junto com o carro ao ver o sorriso dela.
Flash Back OFF
E agora, depois de uma ducha, uma punheta no banheiro e um café amargo, ele pôde começar a refletir sobre o sonho nítido que teve.
Cujo ele pôde se lembrar de cada parte.
Depois de refletir sobre a reação que ele percebeu na rosada, pensou muito tempo e não conseguia encontrar nada de que...
Indicava que ele estava tendo sonhos estranhos... não era estranho.
Por mais que sua mente dissesse que era sujo ter esse tipo de sonho, inconsciente por sinal, seu coração dizia que não havia nada de errado...
E lá estava aquela sensação de ter vivido aquilo, de novo...
Como um déjà vu.
...
– Foi o que aconteceu — finalizou a rosada depois de tomar sua xícara de chá.
Estava a mais ou menos meia hora naquela lanchonete com todas as sua amigas, contando tudo sobre seu jantar.
– Que babado — disse Tenten boquiaberta.
– Pois é, e boa parte disso é culpa da nossa querida amiga aqui — Temari fuzilou Ino que se encolheu.
– Já disse o que aconteceu — choramingou ela.
– Não deixa de ser a culpada — resmungou Hinata
– Tudo bem — suspirou Sakura — não posso negar que eu queria que nunca tivesse acabado.
– Pode continuar com ele — sorriu terna Tenten — só fale a verdade
– Falar é fácil — murmurou ela
– Você ama ele — indignou-se Temari
– Ainda sim não posso chegar e dizer "Oi você é pai do meu filho, o grande amor da minha vida" _ estreitou os olhos.
– Fala aos poucos — disse Hinata. — Conte primeiro o passado de vocês.
Todas assentiram concordando com Hinata.
Sakura nada disse. Sabia que elas estavam certas, mas era impossível dizer algo para ele. O medo dele sofrendo era algo grande e doloroso para ela. Mas sabia também que se não fizesse, teria que se afastar...
O que era pior. Como iria fazer isso? Tudo o que fazia, sendo até algo banal, a levava até ele.
Pensamentos, atos, gestos, lembranças, sorrisos e abraços...
Tudo! Tudo a levava somente a ele. Não tinha mais o que fazer... ela era, sempre foi e sempre será dele.
Fugir não adiantaria... pois não queria.
...
– E foi isso o que aconteceu — finalizou Sasuke depois de dizer tudo o que aconteceu. Desde a ida ao jantar, até ao sonho que teve.
A sala de estar da casa dos Uzumakis estava rodada de homens. Alguns desconfiados, outros reprimindo o nervosismo e um certo loiro se remexendo no sofá.
– V-Vamos falar de... trabalho — sorriu Naruto, tomado pelo nervosismo.
– Ouviu o que eu falei? — arqueou uma sobrancelha Sasuke — disse que estou sonhando eroticamente com a sua irmã. — Sasuke estava irritado, porém era consigo mesmo.
– Seria legal se o pai dela ouvisse — sorriu de canto Shikamaru tentando amenizar a situação.
Sasuke bufou se aconchegando no sofá da sala.
– Ninguém vai dizer que eu sou um tarado? — fitou o teto.
Os homens se entreolharam como se estivessem perguntando algo em silêncio.
– É normal em um homem solteiro — falou Gaara
– Eu expliquei — se inclinou para olhar para ele — o problema não é esse.
– Qual é então? — indagou Neji
– Eu gosto dela — disse em um fio de voz fazendo todos arregalarem seus olhos. O problema não era tempo ou algo do tipo, o problema era que Sasuke havia dito aquilo que eles tanto temiam, alto e em bom som. E agora não era só Naruto que se remexia.
– Você só conhece ela há algumas semanas — Shikamaru usou a desculpa mais plausível que achou.
– E esse é o problema — suspirou voltando a se aconchegar no sofá — Eu não tiro ela da minha cabeça. Sonho com ela, sinto o perfume dela em tudo quanto é lugar... e tudo o que sinto é que não é errado, que as coisas estão certas mas... — se inclinou de novo olhando o chão. Todos estavam em expectativa sobre o que ele iria dizer. — Mas tem algo errado, sei que tem. — olhou cada um.
Cada um reprimindo ou tentando reprimir o nervosismo. Cada um carregando uma culpa, cada um querendo dizer o que esconderam por anos.
O problema era que as lembranças estavam voltando e, guardar esse segredo não será preciso por muito tempo...
...
Saiu saltitando pelo corredor rumo ao seu quarto, cantarolando qualquer musica infantil.
– Está de bom humor? — indagou o marido envolvendo a cintura da mulher.
– Uhu, — bateu as mãos em palminhas — Ele está lembrando Minato — abriu um enorme sorriso
– Estava escutando a conversa deles? — arqueou uma sobrancelha
– Estou na minha casa — revirou os olhos — mudando de assunto — sorriu de novo — Eu tive uma ideia
– La vem — revirou os olhos
– É sério — o fuzilou — Ela não vai mais esconder — foi até sua cama — eu o amo também e você não ouviu o que eu ouvi — pegou o telefone
– É a decisão dela — Minato retrucou
– É o filho dele — sorriu vitoriosa
– Não pode contar amor — sentou ao lado dela
– Não vou — colocou o telefone na orelha — ela vai — Minato ficou confuso arqueando uma sobrancelha, mas nada disse. — Oi Mikoto — atendeu empolgada — sim sim, estou bem — mordeu o lábio inferior — Liguei porque tive uma ideia — revirou os olhos — essa não é que nem as outras, é para resolver a situação do Sasuke e da Sakura — separou um pouco do celular fazendo uma careta — Não grita e me escuta. — sorriu novamente sobre o olhar curioso de Minato.
– Depois do que a gente vai fazer, ela não vai ter mais para onde correr.
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